Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Universiade 1963

U – 63
Universíade – 63
III Universíade de Verão


Jogos Mundiais Universitários
Jeux Mondiaux De La FISU
World Games Of FISU

Porto Alegre
Rio Grande do Sul
Brazil
1963

◄◄  Turin/Itália 1959 - Sófia/Bulgária 1961 - Porto Alegre/Brazil 1963 - Budapeste/Hungria 1965  ►►

De 30 de Agosto a 08 de Setembro de 1963



Vamos conhecer melhor esta história da 
Cidade de Porto Alegre
A III Universíade de Verão realizada em Porto Alegre fez a cidade ser modificada porque as provas aconteceram em diversos locais, sendo até hoje considerado o maior evento realizado na história da cidade até a realização do Fórum Social Mundial.
A competição esportiva hoje não muito conhecida do grande público, apesar de manter sua regularidade, mas nos anos de Guerra Fria tinha grande importância, só perdendo em grandiosidade para as Olimpíadas.

Dados do Evento:
Países participantes: 27
- África do Sul, Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, Argentina, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Cuba, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Luxemburgo, Noruega, Polônia, Portugal, Peru, Suíça, Tchecoslováquia, Uruguai, URSS, Venezuela.
Atletas: 713
Eventos: 69 em 9 modalidades
- Atletismo, Basquetebol, Esgrima, Ginástica Artística, Natação, Pólo Aquático, Saltos Ornamentais, Tênis, Voleibol.

Cerimônia de Abertura:      30 de Agosto de 1963
Cerimônia de Encerramento: 08 de Setembro de 1963
Tocha Olímpica:             Adhemar Ferreira da Silva
Juramento do Atleta:        Antônio Succar
Estádio Principal:            Estádio Olímpico
                             Ginásio Universíade


Porto Alegre já foi sede de um evento em formato de Olimpíadas, depois de Turim e Sófia, foi à vez da capital dos Gaúchos.

- A partir do noticiado no jornal Correio do Povo a forma de como se desenvolveu a realização desses Jogos, vamos, perceber como a Universíade-63 se relacionou com a Política Externa Independente nos Governos dos presidentes Jânio Quadros e João Goulart, em um contexto turbulento da vida política nacional dentro do quadro mais amplo da Guerra Fria.

- A Guerra Fria, era época de um mundo dividido, com todas suas especificidades históricas, fazia com que o período vivido fosse de grande agitação ideológica. A divisão do mundo entre capitalismo e socialismo era a grande preocupação da humanidade. E no Brasil isso não era diferente.
A Universíade-63 foi realizada no Brasil, durante o período do Governo João Goulart. As rivalidades ideológicas no Brasil eram muito fortes, e o país passava por um período de muitas incertezas.

- Foi um acontecimento que teve repercussão mundial, projetando a cidade de Porto Alegre na área esportiva, o que nunca mais houve em nossa cidade. E projetou o Brasil também, como nação capaz de organizar Jogos dessa magnitude. Na época o Brasil queria se mostrar como uma nação em ascensão, independente e capaz de propor agendas ao mundo, tais como o desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo, a descolonização da Ásia e da África e o desarmamento das grandes potências. Esses eram os eixos da Política Externa Independente (PEI) que o Brasil queria desenvolver.
Hoje são poucas as pessoas que têm conhecimento da existência desses Jogos Mundiais Universitários realizados no Brasil.

- Para saber um pouco mais sobre as causas de ter sido o Brasil o país sede desse evento, e quais as relações sociais e políticas que o governo brasileiro pretendia estabelecer sediando esses Jogos, é que consideramos importante reconstituir esse período, dando a ele o tratamento histórico indispensável para nos aproximarmos ao máximo das relações sociais e políticas vividas naquele período.

- Foi a primeira vez que esses jogos foram realizados fora do continente europeu.
Em um mundo bastante dividido pela lógica da Guerra Fria realizar um evento esportivo que congregasse atletas dos dois blocos econômico-sociais em disputa era uma grande atração, despertando muita curiosidade.

Origem dos Jogos
Os Jogos Mundiais Universitários – A Universíade nasceu de um esforço conjunto entre as duas grandes entidades do esporte universitário no mundo:
- Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU – Federation International Sport University) com sede em Paris - França,
- União Internacional dos Estudantes (ISU – International Students Union) sediada em Praga.

Em 1949, ambas as entidades foram fundadas e tinham origens em entidades esportivas fundadas na década de 1920 que não conseguiram se manter no período da Segunda Guerra Mundial.
Nessa época a FISU organizava as disputas esportivas entre os países capitalistas e a ISU entre os países socialistas, havendo ocasionalmente participação de algum país de um bloco numa disputa patrocinada pelo outro.

Em 1957, a Federação Francesa de Esportes Universitários organizou o Campeonato Mundial de Esportes Universitários, que reuniu estudantes dos dois blocos em que o mundo via-se dividido. Embora tenha sido uma disputa de pequenas proporções, ela acabou dando estímulos para a realização de um grande campeonato, no qual pudessem participar livremente e em grande número atletas das duas formações sociais existentes.

Em 1959, FISU e ISU concordaram em participar dos jogos organizados em Turim, Itália, pela Associação Italiana de Esportes Universitários, batizou-se esses jogos de Universíade, uma derivação das palavras Universitário e Olimpíade. Participaram desse certame 43 países e mais de 1.400 atletas. Foi também estipulada nessa edição uma bandeira em forma de U para representar o evento e a elaboração do estatuto da FISU, que a partir desse momento englobaria as duas entidades e passaria a ser responsável pela continuidade dos Jogos Mundiais Universitários.
Afinal, o esporte, segundo Carraveta:
“entendido como jogo competitivo, se encontra em todas as sociedades, é um dos poucos conceitos culturais universais da humanidade” (CARRAVETA, 1997, p.24).

No Estatuto da FISU, no seu artigo 2º lê-se:
“A FISU persegue seus objetos esportivos e fraternos, sem consideração ou discriminação política, religiosa ou de natureza racial”
(BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 01, agosto, 1963).

A Universíade no Brasil
Quando o presidente Jânio Quadros envia João Dantas em missão diplomática aos países do Leste Europeu em abril e junho de 1961, a Universíade estava ocorrendo em Sófia, na Bulgária.
Dantas ficou impressionado com a repercussão e com a grandiosidade da Universíade, que tinha proporções quase como as de uma Olimpíada. Era uma grande forma de divulgação e tinha um potencial turístico muito alto. Havia uma grande efervescência na cidade ocasionada pelo evento.
Ele comunica em relatório o que viu em Sófia ao presidente Jânio Quadros, que logo vê a possibilidade de tentar atrair esse evento para o Brasil.
O que diz Alberto André, jornalista do Correio do Povo e vereador pelo PTB, em Porto Alegre:
 
[...] vem de 1961, quando o presidente Jânio Quadros pleiteou em Sofia, na
Bulgária, e o conseguiu, fossem os Jogos Universitários de 1963 levados a efeito no Brasil. Entendia ele, como ponderou, ser interessante para o Brasil a divulgação decorrente. (CORREIO DO POVO, 11/08/63, p.15).
Em 19 de fevereiro de 1962, conforme a certidão lavrada pelo Ministério das Relações Exteriores onde constam transcritos os documentos referentes a esta ação (Memorando GP/MRE-267 de 02 de agosto de 1961, assinado por Jânio Quadros, solicitando designação de diplomata para acompanhar a delegação brasileira a Sófia e telegrama de 14 de agosto de 1961 (G/DC!/640.631(00)) Jogos Olímpicos Universitários em Sofia em resposta ao Memorando GP/MRE-267, assinado por Afonso Arinos).
Arquivo da Universíade-63 do Centro de Memória do Esporte- CEME/UFRGS (NOGUEIRA, 2004, p. 50).

Porto Alegre se torna Sede
Quando foi realizada a Assembléia da FISU, em setembro de 1961, Jânio Quadros não mais era o presidente do Brasil. Mesmo assim, o Brasil foi escolhido. Começava aí a disputa para trazer os Jogos Mundiais Universitários para Porto Alegre.
- São Paulo estava comprometida com os Jogos Pan-Americanos 1963, não podendo aceitar os encargos da Universíade.
- Por sua vez, a Federação Universitária Mineira de Esportes, outra candidata, mesmo com a inauguração do seu novo estádio o Mineirão, não se encontrava em boa fase.
Foi, por conseguinte, o momento propício à Federação Universitária Gaúcha de Esportes - FUGE.
Achando-se de boas graças com a Confederação Brasileira de Desportos Universitários (CBDU), foi a FUGE consultada sobre as possibilidades de Porto Alegre, tendo aceitado a incumbência.
Apreciando, em janeiro de 1962, o expediente que lhe foi endereçado a respeito das facilidades da cidade, a FISU a homologou como sede da Universíade-63.

Uma cópia do expediente enviado à FISU pode ser encontrada no primeiro boletim informativo do Departamento de Imprensa da U-63:
 
Aqui, no extremo sul brasileiro, à beira desse belo e desconhecido Guaíba, Porto Alegre cresce a despeito de tudo. Hoje se situa entre as quatro maiores cidades do Brasil. É ativo centro econômico e o maior porto fluvial do país.
(...) O povo é empreendedor e ao mesmo tempo alegre e comunicativo. Seus 720 mil habitantes descendem, em sua maioria, de elementos europeus, daí talvez sua curiosidade para tudo o que vem da Europa. (...) Porto Alegre cresceu por conta própria, sem traçado de ruas e bairros; mas cresceu com graça e personalidade. (...) Além de cidade universitária e comercial que, por si só seriam incremento turístico, a capital do Rio Grande do Sul oferece atrações típicas que a tornam uma cidade turística. (...) Todo este teste anual, por que passa Porto Alegre, credencia a capital gaúcha a ser o local ideal para a realização da Universíade-63. (BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 1, agosto, 1963).
Dessa forma, Porto Alegre estava lançada como candidata à sede da Universíade 1963.

A Organização do Evento
Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente do Brasil. Objeções à posse do vice-presidente João Goulart acabaram sendo o estopim da Campanha da Legalidade, que teve no governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, seu líder.

Era preciso um grupo forte e coeso para organizar os Jogos Mundiais Universitários.
O trabalho era grande, o tempo pequeno, e o dinheiro curto.
Os índices de inflação para os anos de 1961, 1962, 1963 eram, respectivamente, de 47,8%, 51,7%, 79,9%.
 (FONSECA, 2004, p. 1).
Mas os jovens universitários gaúchos não se intimidaram. Montaram um comitê e deram início aos trabalhos.
O Comitê Executivo era formado por Henrique Halpern, Edgar Laurent, Darci Votto de Araújo, Adonis Escobar e Carlos Alberto Giulian.
O diretor técnico foi Luiz Augusto Bastian de Carvalho.
Para o Comitê Organizador foi escolhido o José Antônio Aranha, Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul e representante direto do Governador Ildo Meneghetti.
(BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 1, agosto, 1963).

O país estava vivendo séria crise financeira. Não havia muitos recursos destinados para a organização dos Jogos Mundiais Universitários. Eles ocorreram no mesmo ano dos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, onde tinha sido destinado um montante elevado de verbas federais.
A solução foi recorrer ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na figura do conservador Ildo Meneghetti.

Ildo Meneghetti

O Governo do Estado procurou dar todas as facilidades para os organizadores.
Prova disso é a Ordem de Serviço – número 27– de 21 de agosto de 1963:

Mas a cidade não estava preparada para receber um evento desse porte. Havia muitas melhorias a serem feitas.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL determina a todos os órgãos da administração estadual, inclusive autárquicos, seja dada prioridade na solução das solicitações feitas pelo Presidente do Comitê da Organização da Universíade 63, Doutor José Antônio Aranha. O Palácio Piratini, em Porto Alegre, 21 de agosto de 1963. (KOCH, 2003, pp. 33).
O prefeito de Porto Alegre, Loureiro da Silva, determinou que a Divisão de Limpeza Pública mantivesse em dia toda a Radial Leste, zona compreendida pelas ruas Ramiro Barcelos, São Luís, Luís de Camões e Avenida Ipiranga, área próxima onde estava sendo construído o ginásio que serviria para os jogos de basquete e vôlei da Universíade.
Também determinou que a Rua dos Andradas (Rua da Praia) e adjacências fossem limpas e tivessem o calçamento restaurado.
Além disso, pedia providências para que todos os pontos turísticos da cidade recebessem um tratamento especial.

José Loureiro da Silva

Afinal, a ocasião seria uma grande projeção para a cidade.
E não se poderia perder essa oportunidade. (CORREIO DO POVO, 11/08/63, p. 25).
Local dos Jogos
No início da década de 1960, Porto Alegre era uma cidade em constante crescimento urbano. Mas ainda não tinha um parque esportivo suficientemente grande para abrigar uma competição como os Jogos Mundiais Universitários.
Essa era uma das grandes questões a ser resolvida pelos organizadores.

Estádio Olímpico
O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense que tinha o Estádio Olímpico, um dos maiores estádios privado do País, foi utilizado para abertura e encerramento e a realização das provas de atletismo, localizado na zona Sul.

A denominação de "Olímpico" resulta do fato de que o estádio foi construído para todos os esportes olímpicos.

As competições de atletismo, que acabaram sendo o ponto alto dos Jogos Mundiais Universitários, foram realizadas no Estádio Olímpico, na zona Sul.


Ginásio Universíade
Conseguiram o compromisso do Governo do Estado, através do Secretário da Fazenda e diretor do Comitê Organizador, José Antônio Aranha, para a construção de um ginásio.
Foi construído, em tempo recorde, 94 dias, o maior ginásio esportivo do sul do País, com capacidade para 10.000 pessoas, na zona Leste da cidade.
Foi batizado Ginásio Universíade e hoje é conhecido como Ginásio da Brigada Militar.
Os jogos de basquete e vôlei foram realizados no recém construído ginásio da Universíade, na zona Leste.

Armazéns A e B
Para a competição de esgrima houve uma inovação. Foram aproveitados os Armazéns A e B do Cais do Porto, que estavam desativados e sem uso, no Centro.

 
Grêmio Náutico União
As provas de ginástica, natação e saltos ornamentais foram realizadas no Grêmio Náutico União, na zona Norte. Na última hora, uma metalúrgica montou uma caldeira, aumentado a temperatura da água da piscina de 18 para 24 graus, como exigiam os japoneses.


Leopoldina Juvenil
Os jogos de tênis na Sociedade Leopoldina Juvenil, na zona Norte.



Petrópole Tênis Clube
O pólo aquático no Petrópole Tênis Clube, na zona Leste.



Vila Universitária
Um dos grandes problemas para o Comitê Organizador dos Jogos Mundiais Universitários era onde instalar os mais de 1.200 atletas esperados em Porto Alegre para disputar os Jogos. A solução foi encontrada num acordo com a Caixa Econômica
Estadual, que aceitou ceder um recém construído Conjunto Habitacional no bairro Partenon, o qual hoje se denomina Intercap, em virtude do plano de aquisição dos apartamentos, administrado pela International Capitalization.
José Antônio Aranha, secretário da Fazenda, conta como foi solucionado o problema:
A estrutura física do alojamento estava resolvida, (+-) 450 apartamentos. De acordo com o espírito dos jogos, cada bloco residencial recebeu o nome de um continente. Mas havia outro problema: as instalações para os atletas. Aonde encontrar camas, colchões e cobertores em número suficiente para os atletas?
Quanto ao alojamento só foi possível mediante a colaboração dos diretores da Caixa Econômica Estadual. Impõe-se, porém, declarar que, após as conversações com os sorteados para a aquisição dos apartamentos do conjunto que hoje compõem a já famosa “Vila Olímpica” e a cívica compreensão por eles demonstrada é que foi possível dar como resolvido o problema do alojamento. Ali também construímos um Centro Social e um Centro Comercial, para o conforto dos atletas. (CORREIO DO POVO, 10/09/63, p.18).

Após longas negociações, o reitor da Universidade de São Paulo (USP) emprestou o material.
Procedente de São Paulo chegaram às últimas horas da tarde de sábado, a esta capital, 20 caminhões transportando material destinado à acomodação das delegações participantes da Universíade-63, cujo início está marcado para o próximo dia 30 do corrente. O material em alusão foi cedido a título de empréstimo pela USP.
Compõem-se de 1.500 camas, 1.500 colchões, 6.000 lençóis, 1.500 travesseiros e 3.000 fronhas.
A frota dos veículos que transportou o material até esta capital dirigiu-se logo após sua chegada ao Palácio Piratini, oportunidade em que foi inspecionada, pessoalmente, pelo
Governador Ildo Meneghetti. (CORREIO DO POVO, 20/08/63, p.12).

Alimentação dos Atletas
Restava o problema da alimentação dos 1.200 atletas. No entanto, foi resolvido com muita competência.
Os atletas alojados na Vila Olímpica se deslocavam apenas 900 metros até o refeitório.
Foi obtido, com o aval do secretário da Fazenda José Antônio Aranha, a cozinha e instalações do 18º Regimento de Infantaria do Exército.
Ao mesmo tempo, a Wallig Fogões, montou a mais moderna cozinha da América Latina à época no quartel.
Foram elaborados cardápios de três cozinhas: alemã, francesa e oriental.

Wallig Produtos
Os atletas brasileiros não estavam alojados na Vila Olímpica e sim no Hotel Pampa, faziam suas refeições na reitoria da UFRGS no Centro de Porto Alegre.


Resolvidos os problemas de hospedagem e alimentação chegava a hora da cidade colher os louros sobre o evento.

Centro de Imprensa 
Um espetáculo como a Universíade-63 gerava expectativas em todo o mundo.
Era um grande acontecimento esportivo da época, só perdendo em importância para os Jogos Olímpicos. Era a promoção que Porto Alegre esperava.
Para tanto, era necessária uma eficiente cobertura jornalística, capaz de levar as notícias dos Jogos ao mundo em um período de tempo bastante curto.
Todos os veículos de comunicação locais participaram do evento.

Vejamos o que diz Cláudio Cabral, que trabalhou na transmissão dos Jogos Olímpicos Mundiais de 1963:
Cid Pinheiro Cabral e Cláudio Cabral (filho) dirigiam em Porto Alegre o escritório da France Press, que tinha muito prestígio internacional por ser neutra em função da Guerra Fria. Para cobrir a U-63, que era um megaevento, o diretor geral da Agence France Press no Brasil, Jean Jacques, montou conosco uma sede da agência na capital gaúcha. Vieram correspondentes de Nova Iorque, Cidade do México, Lima... enfim todos os grandes jornalistas da France Press se concentraram em Porto Alegre. Um hotel, localizado na Rua Vigário José Inácio, serviu de base para todo o trabalho. O escritório era no antigo edifício Marechal Malet (atual Edifício Gboex) e todas as manhãs nos reuníamos.
Cada um falava um idioma, mas nos entendíamos.
Presenciávamos os eventos; fazíamos as anotações e retornávamos para o escritório. Lá nos reuníamos novamente e cada um fazia seu resumo do dia. Depois de feitos os relatórios, um de nós descia até o térreo, onde estava o escritório de uma empresa telegráfica e através de telegramas eram passadas as informações para o mundo inteiro.

Na Europa esperavam as notícias com muita ansiedade, pois a Universíade era a segunda maior competição mundial. Tinha quase a mesma dimensão dos Jogos Olímpicos.
Foi uma dificuldade extrema e a France Press praticamente se mudou para Porto Alegre.
Eram aproximadamente vinte jornalistas, dos quais apenas dois falavam português (KOCH, 2003, p.60).

Divulgação do Evento
A divulgação dos Jogos era quase tão importante quanto os Jogos em si. As pessoas tinham uma necessidade quase desesperada para saber o resultado das disputas em seus países.
Quem obteve um grande prestígio com essas transmissões foi a Rádio da Universidade da UFRGS escolhida como rádio oficial da Universíade.
Seu narrador era Lauro Hagemann:
A rádio havia sido reinaugurada há pouco tempo e tínha um departamento de notícias. A Rádio recebeu o encargo de organizar as transmissões em línguas estrangeiras para os países que estavam participando da Universíade. Então havia transmissões em inglês, alemão, francês, espanhol, italiano e até russo. Quem elaborou o esquema de transmissões – obedecendo critérios de fusos horários – foi Cleto Farias.
Essas transmissões iam aos países a que eram destinadas.

A Rádio da Universidade teve um papel destacado, sendo citada em várias partes do mundo como a origem das notícias; dando resultados e fazendo comentários sobre tudo o que se referia à Universíade.
Através das ondas da hoje cinqüentenária Rádio da Universidade, Porto Alegre estava no centro das preocupações do mundo.

A Chegada das Delegações Estrangeiras
Os dias que antecediam ao início da Universíade-63 eram de ebulição na cidade.
Havia uma grande curiosidade popular entre os habitantes da cidade sede, em especial quanto as europeus e os cubanos.

Pelas ruas da cidade de Porto Alegre se encontravam poucos dias antes do início dos Jogos, atletas das mais diversas nacionalidades.

Para Porto Alegre, era uma grande alegria! - Uma cidade em desenvolvimento, contando com elementos das mais diferentes nacionalidades.

Em 23 de agosto, a primeira delegação a chegar em Porto Alegre foi Portugal.
No dia 24 de agosto chegou a Hungria.
No dia 25 de agosto chegaram Inglaterra, França, Tchecoslováquia, Bélgica, Holanda, Japão e Iugoslávia.
No dia 26 de agosto chegou a delegação brasileira, acompanhada de Espanha, Bulgária e Polônia.
No dia 27 de agosto, foi a vez de desembarcarem os italianos.
No dia 28 de agosto chegaram a URSS, Cuba, Noruega e Alemanha, que teve uma representação composta de atletas das zonas Ocidental e Oriental.
No dia 29 chegaram Israel, Peru, Uruguai, Suíça, Luxemburgo e Chile.
No dia 30 de agosto chegou a Argentina.
Não foi encontrado registro do dia em que chegaram as delegações da África do Sul e da Venezuela.


As delegações foram recebidas no Aeroporto Salgado Filho com muita festa.
Havia um grupo de recepcionistas especialmente à espera das delegações, que já as encaminhava em ônibus fretados para a Vila Olímpica.
As expectativas que a cidade de Porto Alegre estava vivendo estão muito bem sintetizadas nas palavras de Alberto André, conclamando os habitantes a tomarem ativa participação nos Jogos Mundiais Universitários:
Falando idiomas os mais diversos, latinos, saxônicos, eslavos, africanos e orientais, deixarão em nossa cidade seus dólares, libras e outras moedas. Em troca, mandarão daqui informações e conceitos que cerca de 200 jornalistas – pelo que se anuncia – se encarregarão de transmitir.
(...) Todos, praticamente, que vivem nesta cidade estão vinculados a U-63 e devem cooperar, se estiver ao seu alcance, para que seja bem sucedida.

Nota: 
- Os Estados Unidos não vieram a Porto Alegre, mas também não participaram de nenhuma Universíade anterior.
Comenta Cláudio Cabral:
“A ausência dos Estados Unidos não diminuiu a importância da U-63, porque a Europa era muito forte esportivamente. Os europeus, na época, tinham mais prestígio que os americanos”. (KOCH, 2003, pp.81).

De acordo com Maristel Nogueira “Os americanos não compareceram à U-63 e a justificativa enviada ao Comitê Executivo informava que os universitários americanos não recebiam verbas do governo, e não havia diferentes culturas em suas ruas”.

Em Porto Alegre era hora de se unir e colocar a cidade no mapa do mundo, diante desta cornucópia de culturas.

Ingressos
Os ingressos foram colocados a venda nas bilheterias dos clubes e locais onde ocorreram as provas.



Cerimônia de Abertura da U-63
Em 31 de agosto de 1963, a noite, ocorreu a inauguração dos 3ºs Jogos Mundiais Universitários, em Porto Alegre.
Mais de 40 mil pessoas estiveram presentes ao Estádio Olímpico na programação de abertura, uma verdadeira festa do esporte.

Houve a apresentação das 27 delegações que desfilaram pela pista atlética do Estádio Olímpico antes do ato inaugural, com seus devidos pavilhões.



- O evento contou com a presença do Ministro da Educação do Brasil, Paulo de Tarso (representando o Presidente João Goulart), Governador Ildo Meneghetti (homenageado especial), Primo Nebiolo, presidente da FISU, deputado Rogê Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Desportos, Henrique Halpern presidente da FUGE, além de outras autoridades nacional, locais e eclesiásticas.

- A cerimônia contou com um coral de 6 mil vozes, que iniciou com o hino oficial, "Gaudeamus Igitur".

- O campeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva acendeu a pira simbólica, com o estádio totalmente às escuras;

Adhemar Ferreira da Silva

- Sob uma salva de 32 tiros de canhão.



A platéia vibrou muito. Porto Alegre nesse momento vivia a emoção de sediar o que de melhor havia no mundo em matéria de esporte.
Antônio Succar, bicampeão mundial de basquete pelo Brasil, proferiu o juramento do atleta em três idiomas: português, francês e inglês.
O mestre de cerimônia foi Lauro Hagemann:
“Foi uma atividade gratificante. Porto Alegre assistiu a um espetáculo diferente. Nunca havia ocorrido uma coisa daquele tamanho em nossa cidade”.

Quando a delegação do Brasil desfilou, houve uma expressão de nacionalismo muito forte, saudando aos atletas brasileiros como se fossem heróis do povo.
A ovação para a delegação do Brasil era entusiasmante. (CORREIO DO POVO, 01/09/63, p. 32).

Modalidades

Obrigatórias
As modalidades obrigatórias são determinadas pela Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU) e, salvo alteração feita na Assembléia Geral da FISU, valem para todas as Universíade de Verão.
 Atletismo (29)
 Basquetebol (1)
 Esgrima (8)
 Ginástica artística (4)
 Natação (15)
 Pólo aquático (1)
 Saltos ornamentais (4)
 Tênis (5)
 Voleibol (2)
Obs.: - Os números entre parênteses representam o número de eventos de cada modalidade.

Opcionais
Não houve modalidades opcionais nesta edição.

As Competições
Com a abertura dos Jogos Mundiais Universitários no Estádio Olímpico no dia 31 de agosto, teria no dia seguinte início às competições.
Muitas provas ocorreram de forma simultânea na cidade, forçando o público a escolher alguns jogos em relação aos outros.
Os mais populares foram o basquete, vôlei, e atletismo.
Mas todos os jogos tiveram um excelente nível, mesmo às vezes não tendo as melhores condições materiais, como no caso do piso do atletismo ou no dos locais de treino para a ginástica, que não tiveram o nível de qualidade esperado pelos europeus, especialmente os húngaros e soviéticos.
Os resultados oficiais das competições foram todos extraídos do belo almanaque de Rodrigo Koch, divididos da seguinte forma: atletismo, esgrima, vôlei, ginástica, basquete, tênis, natação, saltos ornamentais, pólo aquático.

Atletismo
As provas de atletismo foram disputadas no Estádio Olímpico.
Foi o grande destaque da Universíade-63, não sendo exagero dizer que valeu por uma Olimpíada.
Participaram do atletismo 21 países:
Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Cuba, Espanha, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Luxemburgo, Peru, Portugal, Suíça, Tchecoslováquia, URSS e Venezuela.

Entre os países que conquistaram o ouro em Sofia, apenas Irlanda e Romênia não estavam presentes.
A elite do atletismo mundial se encontrava em Porto Alegre.
Muitos desses atletas vinham direto do podium nas Olimpíadas de Roma, em 1960.
Era esse o caso de Valery Brumel (recordista mundial do salto em altura e prata em Roma), Igor Ter Ovanesyan (bronze no salto em distância em Roma), Gyula Zsyvotzky (prata no arremesso de martelo em Roma), Gergely Kulcsar (bronze no arremesso de dardo em Roma), Tamara Press (ouro no arremesso de peso e prata no arremesso de disco em Roma) e Elvira Ozolina (ouro no arremesso de dardo em Roma).
Com tantos atletas medalhistas na última Olimpíada, o atletismo despertava muita curiosidade do povo porto-alegrense.
Em Sofia (Bulgária) o domínio total no atletismo foi dos soviéticos.
Os atletas mais esperados eram soviéticos: Valery Brumel, Tamara Press, Elvira Ozolina e Aleksandr Zolotarev.

O Correio do Povo traz em manchete:
“Russos fornecerão a grande vedeta da Universíade-63: Valery Brumel. A presença de Valery Brumel, um dos mais notáveis atletas de todos os tempos, deverá ser o ponto alto nos Jogos Mundiais Universitários” (CORREIO DO POVO, 25/08/63, pp. 13).

Quando ele desembarcou em Porto Alegre a imprensa logo perguntou se ele esperava bater algum recorde mundial em Porto Alegre. Ele respondeu:
“Todo atleta quer sempre melhorar. Não me falta, em qualquer competição, vontade de alcançar marcas melhores. Se for possível, vou melhorar o recorde”.

Logo no primeiro dia de provas dois recordes foram quebrados:
Anatliy Mikhailov (URSS) nos 110 metros com barreiras e Tamara Press (URSS) no arremesso de peso.
Nos 100 metros rasos, a prova que divide com a maratona o charme de qualquer olimpíada, o cubano Enrique Figuerola ficou com o ouro. Ele já detinha o recorde mundial e só confirmava uma coisa: era o homem mais rápido do mundo.
No segundo dia de competição Tamara Press ganhou o ouro com facilidade no arremesso de disco.
Foi seguida pelas húngaras Joland Kontsek e Judit Bognar.

Nota:
- Nesse dia começaram as reclamações sobre o piso do Estádio Olímpico. Os atletas, especialmente os europeus, se ressentiam da qualidade do piso das competições.

No último dia de competições, dia 08 de setembro, Valery Brumel iria competir.
A torcida estava com uma grande expectativa, falava-se na quebra de mais um recorde por parte do atleta. Entretanto, entre os organizadores e atletas não se acreditava nisso, pela má qualidade do piso. Valery Brumel ficou com o ouro facilmente, mas não bateu nenhum recorde àquela tarde em Porto Alegre.

Estádio Olímpico
Esgrima
Aconteceu nos Armazéns A e B do Cais do Porto.
Na competição de esgrima estavam representados 18 países:
Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Cuba, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Peru, Polônia, Portugal, Suíça, URSS, Uruguai e Venezuela.

Vindos de excelente resultado na Universíade-61, em Sofia, os húngaros eram os grandes favoritos. No seu patamar estavam URSS, Polônia e Itália. Todas as outras equipes estavam em processo de formação, assim como a esgrima em seus países.
A primeira medalha de ouro da Universíade-63 não causou surpresa.
Foi para um húngaro, Jeno Kamuti, que em sete combates anteriores contra o polonês Skrudlik tinha ganhado apenas uma vez.
No entanto, dessa vez a final não foi entre o húngaro e o polonês, mas sim entre o húngaro e um francês, Revenu. Depois, ficou sabendo-se que Skrudlik estava fortemente resfriado e jogou no sacrifício.
A primeira medalha no feminino também foi para uma húngara, Jozsefine Sakovitz.
Na final, bateu a francesa Annick Lever. Mas esse resultado talvez tenha sido o mais inesperado de toda a Universíade-63.
Sakovitz levou mais do que uma medalha para a Hungria.

Nota:
- Esse resultado nos causou admiração. A campeã do florete disputou a competição quinze dias após ter um filho. Veio ao Brasil; fez o parto; ficou três dias em repouso; reiniciou os treinamentos, jogou; e ganhou.

Confirmou-se o que se esperava: Porto Alegre reuniu os melhores esgrimistas do planeta no ano de 1963.
No quadro geral de medalhas da esgrima:
- Em primeiro lugar ficou a Hungria com 9 medalhas, 4 de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.
- Em segundo, bem abaixo, ficou a Polônia, com 3 medalhas, duas de ouro e 1 de prata.
- Em terceiro lugar ficou a França, com 3 medalhas.
Também obtiveram medalhas a Inglaterra, URSS, Suíça, Itália e Alemanha, respectivamente nessa ordem de classificação.

Vôlei
Os Jogos de Vôlei tiveram lugar no novíssimo Ginásio Universíade, recém inaugurado e com capacidade para 10.000 pessoas.
No masculino eram oito os países disputando o título:
Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Portugal, Tchecoslováquia, URSS e Uruguai.
No feminino, apenas três seleções disputaram o título:
Brasil, Chile e Peru.

Fez muita falta algum time europeu nessa disputa, pois embora o Peru estivesse evoluindo no vôlei feminino, o Brasil era muito superior as duas equipes.
No masculino já era diferente. O predomínio era dos europeus. O Brasil conseguiu um honroso terceiro lugar.
A campeã foi a URSS, tendo sido vice a Tchecoslováquia. Um ano após, nas Olimpíadas de Tóquio-64, a URSS foi a primeira campeã olímpica de vôlei.
No feminino, o esperado aconteceu. O Brasil foi o grande campeão, com um time onde atuavam cinco gaúchas.
O público, que lotou todos os dias o Ginásio Universíade, delirou. Foi uma grande comoção o título conquistado pelas brasileiras.

Ginástica
As exibições de ginástica se deram no Ginásio do Grêmio Náutico União.
Os países participantes eram:
Alemanha, Brasil, Bulgária, Cuba, França, Hungria, Iugoslávia, Japão, Noruega, Portugal, URSS, e Venezuela.

As maiores delegações eram Brasil e Cuba, sendo o primeiro representado por seis homens e seis mulheres e o segundo por cinco homens e cinco mulheres.
Os grandes países na ginástica mundial eram a URSS e o Japão.

Equipe Sovietica

Na ginástica feminina, a equipe soviética era bicampeã olímpica.
No masculino individual, Yuri Titov também era bicampeão mundial.
E Larissa Latynina também ganhara as duas últimas olimpíadas. No entanto, os japoneses já haviam se apresentado muito bem na Universíade-61. Lá ganharam o ouro com Takashi Mitsukuri. E as húngaras contavam também com um grande time.
Os japoneses foram as grandes estrelas da ginástica. Ganharam o ouro no solo
Matsomoto Masatake –, no cavalo – Hayata Takuji – e nas argolas dividiram o ouro com a URSS, Kato Takeshi e Laonid Arkaico, respectivamente.
No feminino houve um empate em primeiro lugar entre a húngara Katalin Makray e a soviética Larissa
Latynina.
Dentre os oito países que disputaram a ginástica masculina individual, as três primeiras colocações ficaram com os japoneses.
O experiente Yuri Titov acabou ficando em quarto lugar.
Na disputa masculina por equipe, o Japão também sagrou-se campeão, tendo URSS ficado com a segunda colocação e a Alemanha em terceiro, Cuba ficou em quarto.
Na disputa por equipe feminina, a Hungria ficou em primeiro lugar, tendo a URSS em segundo e Cuba em terceiro.

Basquete
O basquete foi realizado no Ginásio Universíade.
Os países que disputaram foram:
 Argentina, Brasil, Cuba, França, Peru e Uruguai.

Nessa época, os grandes times de basquete eram o norte-americano e o brasileiro, e o Brasil era Bicampeão Mundial, em Santiago do Chile em 1959 e no Rio de janeiro em 1963.
Atrás dessas seleções, que mais se aproximava era a URSS que não veio com time de basquete a Universíade-63.
O Brasil estava em larga vantagem. O Brasil era um grande time.
Quem poderia ameaçá-lo era Cuba, mas ainda estava com um basquete incipiente.
Com todo esse favoritismo, a torcida lotou o Ginásio de forma que os portões eram fechados às 17 horas, mesmo os jogos começando às 18 horas.

Nota:
- Por essa lotação acima da capacidade, um triste episódio ocorreu na Universíade-63:
- Morreu uma moça durante o tumulto de entrada no ginásio. O povo queria entrar de qualquer forma e empurrava a fila, pressionando os que estavam à frente contra a grade. A Brigada Militar tentou segurar o portão de ferro, mas a massa derrubou e a moça foi pisoteada pelo público.

O Brasil havia vencido todas as partidas, Cuba também. Eram as duas únicas seleções invictas.
E, casualmente, estavam com o jogo marcado para a última rodada.
O Ginásio veio à baixo.
O Brasil fez uma grande atuação, com destaque para Jathir e Vitor, ambos com 37 pontos.
No final, Brasil 106 pontos, Cuba 80 pontos.
Foi uma grande festa brasileira.
Em terceiro lugar ficou o Peru.

Tênis
Os Jogos foram realizados nas quadras da Associação Leopoldina Juvenil.
Estiveram presentes tenistas da:
Alemanha, Brasil, Bulgária, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Japão, Peru, Portugal, Tchecoslováquia, URSS, Uruguai.

Os grandes nomes do tênis mundial eram da Alemanha, Itália e Japão. A Universíade-63 só veio confirmar isso.
No torneio simples masculino, a final se deu entre o alemão Bodo Nitsche e o italiano Giordano Majoli. Apesar de o alemão ter ganhado o jogo por três sets a um, a partida foi equilibrada.
A terceira colocação ficou com o japonês Mitsuru Motoi.
Nas duplas do masculino, a Alemanha representada por Bodo Nitsche e Lothar Pawlik bateu o Japão, que contava com Takeshi Koura e Mitsuru Motoi.
A Itália ficou com o bronze.
Nas duplas mistas, deu em primeiro lugar Itália, com Maria Teresa Riedl e Giordano Majoli.
Em segundo lugar ficaram Anick Larue e Michel Leclerrq da França.
O bronze ficou com a Alemanha, representada por Gerda Hausslein e Gerhard Muller.
No simples feminino o ouro ficou com Jitka Horcickova, da Tchecoslováquia.
A prata com Irina Ermolowa, da URSS, e o bronze com a italiana Maria Teresa Riedl.
Nas duplas do feminino, a final foi disputada por Suzane Kunowitz e Vadja Feher da Hungria contra Doris Silva e Maria Puljak do Uruguai. Venceram as húngaras.

Natação
A natação teve lugar nas piscinas do Grêmio Náutico União.
Participaram das disputas nas piscinas atletas da:
África do Sul, Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Iugoslávia, Japão, Peru, Suíça, URSS e Uruguai.

As grandes estrelas da natação mundial daquela época eram os australianos e os norte-americanos, o que ressentiu um pouco o brilho da competição.
No entanto, o nível dos nadadores na Universíade-63 era muito equilibrado, oferecendo grandes emoções.
A natação foi uma grande surpresa.
Foram quebrados 13 recordes, entre mundiais e olímpicos.
A marca que mais impressionou foi obtida pela alemã Bruner, nos 400 metros livres, que melhorou o recorde em mais de sete segundos.
Nos 100 metros masculino, os lugares mais altos do podium ficaram com Hans Klein (Alemanha), Kiyoshi Fukui (Japão) e Gyula Dobay (Hungria).
Nos 200 metros costa masculino, a ordem foi a seguinte: Jozsef Csikani (Hungria), Jan Weeterling (Holanda) e Julio Cabrera (Espanha).
Nos 200 metros peito masculino, o ouro ficou com Ivan Karetnikow (URSS), a prata com Nazario Padron (Espanha), e o bronze com Gianno Gross (Itália).
Nos 400 metros livre masculino, o ouro ficou com Haruo Yoshimuta, (Japão), a prata com Murray McLachlan (África do Sul) e o bronze com Hanss Klein (Alemanha).
Nos 200 metros borboleta masculino, o russo Valentin Kusmin ficou em primeiro, o italiano Federico Dennerlein em segundo e o japonês Isao Nakajima, em terceiro.
Nos 1.500 metros livres masculino, o ouro ficou com o japonês Haruo Yoshimuta, a prata com soviético Piotr Pikaliw e o bronze com o sulafricano Murray McLachlan.
O revezamento 4x100 medley masculino foi vencido pela Hungria, seguido da Itália e da Alemanha.
E no revezamento 4x100 livre masculino o campeão foi o Japão, tendo a Hungria em segundo lugar e a Itália em terceiro.
Nas provas femininas, os 100 metros livres foram vencidos por Csilia Madarasz (Hungria) Maria Frank (Hungria), e Ursel Bruner (Alemanha).
Nos 100 metros costa, ficou com o ouro Maria Balla (Hungria), Olga Korenyi (Hungria) e Ursel Bruner (Alemanha).
Os 100 metros borboleta foram vencidos por Marta Egervari, (Hungria), Olga Korenyi (da Hungria) e Ankie Huselbos (Holanda).
Nos 200 metros peito, as vencedoras foram a húngara Marta Egervari, a francesa Michele Pialat e a brasileira Lísia Barth.
Os 400 metros livre, ficaram com Ursel Bruner (Alemanha), que melhorou muito o recorde, Maria Frank (Hungria) e Hilda Zeier (Iugoslávia).
No revezamento 4x100 o ouro ficou com a Hungria, a prata com a França e o bronze com o Brasil.
No 4x100 medley feminino o ouro ficou com a Hungria, a prata com a França e o bronze com o Brasil. Nessas duas competições havia apenas esses países participando.

Gremio Náutico União
Saltos Ornamentais
Nos Tanques do Grêmio Náutico União.
Apenas quatro países participaram dos saltos ornamentais realizados no tanque do Grêmio Náutico União:
Alemanha, Brasil, Itália e Japão.

Nota:
- O tanque não oferecia boas condições.

No trampolim masculino o ouro ficou com Shunsuke Kaneto (do Japão), a prata com Horst Rosenfeldt (Alemanha) e o bronze com Masaru Ito (Japão).
Na plataforma masculina as medalhas de ouro, prata e bronze ficaram com os mesmo atletas.
No trampolim feminino o ouro ficou com Ursel Hilss (Alemanha), a prata com Helga Berga (Alemanha) e o bronze com Tizu Sato, (Brasil).
Na plataforma feminina o ouro ficou com Barbel Urban (Alemanha), a prata com Helga Berg (Alemanha) e o bronze novamente com Tizu Sato (Brasil).
Outra vez, o Brasil fica com o bronze quando há apenas três competidores.


Pólo Aquático
O Pólo Aquático foi disputado nas piscinas do Petrópole Tênis Clube.
Disputaram medalhas:
África do Sul, Brasil, Hungria, Japão e União Soviética.

As melhores equipes eram URSS e Hungria. Em Sofia, foram respectivamente segundo e terceiros lugares, perdendo para a Iugoslávia, que não trouxe seu time a Porto Alegre.
A supremacia húngara não era apenas tática, era também física. Em quatro partidas a Hungria fez 48 gols, enquanto a URSS fez 30 gols e o Brasil fez 11 gols.
Pobre África do Sul levou 37 gols. Foi o saco de pancadas da competição.
O ouro ficou a Hungria, a prata a URSS e o bronze o Brasil.
Foi um belo resultado, fruto de muito esforço.

- Dos 27 países participantes dos Jogos Mundiais Universitários de 1963, 14 foram os que obtiveram medalhas. Entretanto, pode-se dizer sem medo de errar que a máxima aconteceu:

“O importante é competir,  foi o espírito daquela hoje distante Universíade-63”.


Quadro de Medalhas
Ordem             País                         ouro        prata   bronze  total                                         
1          URRS União Soviética          19            12          3      34
2          HUN Hungria                       18            13          6      37
3          FRG Alemanha Ocidental     10            11        14      35
4          JPN Japão                             9             3           6      18
5          GBR Grã-Bretanha                4             6           3       13
6          ITA Itália                               3             5         10       18
7          POL Polônia                          2             1                      3
8          BRA Brasil                            2                          9        11
9          FRA França                           1            6           3        10
10        CUB Cuba                            1             2           5          8

Nenhum outro país lusófono conquistou medalhas.

Cerimônia de Encerramento

Em 08 de setembro de 1963, houve a cerimônia de encerramento dos Jogos Mundiais Universitários.
O palco foi o mesmo da abertura, o Estádio Olímpico.

Foram homenageados o presidente do Comitê Organizador, José Antônio Aranha, o presidente do Comitê Executivo e da FUGE, Henrique Halpern, e o presidente da FISU, Primo Nebiolo.
Para ter uma idéia da atmosfera do final dos Jogos Mundiais Universitários de Porto Alegre, recorreremos à narração de Milton Ferreti Jung, feita no decorrer do encerramento:
- Estamos chegando à parte final da cerimônia que se realiza no Estádio Olímpico, por ocasião do encerramento da Universíade 1963.
(...) Foi apagado o fogo olímpico. Ficam apenas as luzes que estão debaixo da pira olímpica. Tudo é altamente solene, como o som dos clarins da Brigada Militar e um foguete sobe ao céu, mais outro, e mais outro.
Espoucam os fogos! Oferecendo o espetáculo ao público que aqui se encontra, pois o estádio está às escuras. (...) Um espetáculo bonito e inesquecível. Porto Alegre por muito tempo – talvez jamais – assistirá um espetáculo igual a este. (...) Os fogos iluminam tudo. Aplausos do público a este espetáculo que parece ter chegado ao fim!

Dessa forma, festiva, se encerrou a Universíade-63, tendo sido palco a cidade de Porto Alegre.

1963
Não se passara um ano ainda do evento mais quente da Guerra Fria: - Crise dos Mísseis.
O mundo vivia o pavor de uma guerra nuclear eminente. E no Brasil, isso não era diferente. Mas ao mesmo tempo em que o medo espraiava-se entre as pessoas, o esporte era capaz de proporcionar momentos de alegria e de congratulação entre os povos. Uma competição esportiva como a Universíade-63 despertava paixões, tanto pela prática desportiva quanto pelo sentimento de patriotismo.

O ano de 1963 no Brasil foi um ano de fortes embates político-ideológicos.
Em 06 de janeiro houve o Plebiscito no qual a população optou pelo retorno ao sistema presidencialista de Governo. As posições dos maiores partidos políticos se modificavam em processo acelerado. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) se radicalizava cada vez mais à esquerda, tendo no discurso nacional-reformista seu mote. O Partido Social Democrático (PSD) até então seu tradicional aliado no tempo da experiência democrática (1945-1964) estava em processo de distanciamento político em direção à União Democrática Nacional (UDN), agremiação de cunho liberal-conservador situado à direita no espectro político do período.

No Rio Grande do Sul assumia o Governo do Estado o pessedista Ildo Meneghetti, a política gaúcha há muito já destoando da política brasileira.
O projeto político do presidente João Goulart pode ser descrito como tendo caráter nacional-reformista em razão de pugnar a interferência do Estado na realização de reformas sociais, políticas e econômicas, visando ao desenvolvimento do país. Para esse fim foi importantes a sistematização da Política Externa Independente, a criação do 13º salário, o Estatuto do Trabalhador Rural – que levava os direitos sociais aos trabalhadores do campo, a Lei da Remessa de Lucros (que limitava o envio de capitais para o exterior) e a criação da Universidade de Brasília (UNB) e Eletrobrás.

A tradição da bipolaridade política gaúcha se acentuava ainda mais numa conjuntura internacional também bipolar.

No entanto, trazer a Universíade-63 para Porto Alegre se não foi um momento de trégua política, pois os ânimos assim não o permitiam, foi um período de tolerância.

Considerações Finais
O mundo estava dividido naquele início da década de 1960.
Era o auge da Guerra Fria e os países do globo acabavam alinhando-se as duas superpotências de então. No entanto esse alinhamento era muito mais favorável as superpotências do que aos países alinhados, pois a Guerra Fria era uma constante dominação sobre os povos e as economias locais.

No Brasil, a Política Externa Independente procurava uma nova forma de relacionar-se com os demais países do globo. E uma forma de atração a esses países, com vistas comerciais e econômicas, poderia ser o esporte. Não há fator de aglutinação social melhor do que o esporte. O esporte é uma referência positiva em qualquer sociedade, seja ela capitalista ou socialista. É através do esporte e do ideal olímpico que se adquire o “homem completo”.

Havia uma alternativa a mais então para os planos da Política Externa Independente: patrocinar em terras brasileiras uma competição esportiva de nível mundial. Por isso que foi trazida a Universíade-63 para o Brasil. Através dela se conseguiria uma excelente divulgação do Brasil para o restante do mundo.
Afinal, a Universíade tinha todas as características de uma Olimpíada. O mundo estaria com suas atenções voltadas para o Brasil, o que constituiria um marco interessante para novas relações comerciais internacionais.
Então, pode-se perceber que houve uma intencionalidade por parte do governo, especialmente o Governo Jânio Quadros, na busca da Universíade para o Brasil. Através dela, seriam favorecidos os contatos para novas relações comerciais com outros países, mesmo que ideologicamente diferentes do Brasil.
Mas por que Porto Alegre sediar esses Jogos? Porto Alegre estava em um momento particularmente privilegiado. Por terem sido realizados no mesmo ano os Jogos Pan-Americanos em São Paulo, a grande metrópole estava descartada de qualquer possibilidade de sediar a Universíade-63. Minas Gerais tinha um belíssimo estádio, há pouco construído, o Mineirão. No entanto, não teve força política suficiente para garantir a conquista. Porto Alegre teve.
Suas entidades de esportes estudantis tinham peso político com as entidades nacionais. A cidade queria o evento. E o Governo do Estado investiu de forma pesada para viabilizar os Jogos Mundiais Universitários. Mesmo sendo um governado de oposição ao governo central do Brasil, o Governador Ildo Meneghetti viu na idéia dos Jogos um forte componente político. Para ele era uma boa forma de promoção. Tratou de pôr a estrutura do Estado a favor da Universíade, contando inclusive com ativa participação do Secretário da Fazenda do Estado na realização dos Jogos.

Para Porto Alegre foi bom.
Ela esteve no centro do mundo por alguns dias.
Estabeleceu-se relações sociais com pessoas de diferentes procedências, o que foi enriquecedor para parte da população que pode se integrar ao evento.
Em termos econômicos foi bom, pois os atletas e membros da imprensa mundial fizeram muitos gastos aqui, e uma propaganda positiva da cidade para o mundo. Além disso, a cidade ganhou importantes espaços de integração esportiva, sendo o maior deles o Ginásio Universíade.

Por fim, através da Política Externa Independente - PEI, que mesmo não atingindo plenamente suas ambições por particularidades históricas bem conhecidas, o Brasil se integrou ao mundo e ajudou na busca pela paz, pelo congraçamento dos povos.

Referências:
Texto adaptado de Charles Sidarta Machado Domingos

CARRAVETA, Elio Salvador. O Esporte olímpico. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1997.
DILLENBURG, Sérgio. Correio do Povo: História e Memória. Passo Fundo: Editora da UPF, 1997.
DOMINGOS, Charles Sidarta Machado. Política Externa Independente e Guerra Fria: intrincadas relações de um golpe militar no Brasil. In: WASSERMAN, Claudia;
GUAZZELLI, César A. B. (orgs.) Ditaduras Militares na América Latina. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, pp.205-215.
FONSECA, Pedro Cezar Dutra. A crise do Governo Goulart: uma interpretação. In: Encontro Nacional de Economia Política. Anais [recurso eletrônico]. Uberlândia: SEP, 2004, 28p.
HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
KOCH, Rodrigo. Universíade 1963: História e resultados dos Jogos Mundiais Universitários de Porto Alegre. São Leopoldo: Editora da Unisinos, 2003.
NOGUEIRA, Maristel Pereira. Universíade de 63: reconstrução da memória através da perspectiva dos jornais. Porto Alegre: Dissertação de Mestrado, PUCRS, 2004.
TRINDADE, Hélgio; NOLL, Maria Izabel. Rio Grande da América do Sul: partidos e eleições (1823-1990). Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1991.
VIZENTINI, Paulo G. F. Relações Internacionais e desenvolvimento: o nacionalismo e a Política Externa Independente. Petrópolis: Vozes, 1995.

Fontes Primárias:
Boletim da Universíade-63. Porto Alegre, Números 01, 03,04. Agosto e setembro de 1963.
Jornal Correio do Povo, Porto Alegre, edições de agosto e setembro de 1963.

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1963

3 comentários:

  1. Andava pelas ruas de POA atrás dos acontecimentos
    e assisti alguns jogos de basquete. As outras modalidades acho que era difícil de adquirir pelo preço.A gente ficava na frente olhando o movimento. A cidade viveu momentos únicos por algumas semanas.Era um clima para (1963)de muitas novidades.O contato com outras línguas e outros povos.Tudo era festa.Porto Alegre não tinha essa miséria que tem hoje. Dava para caminhar à noite tranquilamente em qualquer lugar.Íamos muito ao Mercado de madrugada, quando as frutas recém chegadas estavam fresquinhas. Para amenizar o excesso de álcool ingerido nas boates.E o Brahms da Cristóvão esq. Garibaldi, do Malafaia ? Bar de vanguarda daquela época, dos universitários e gente cabeça.

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  2. Participei da cerimônia de abertura cantando com o Orfeāo Artístico do Instituto de Educação Flores da Cunha, regido pela prof.Diná Nėri Pereira e composto por umas300 meninas.
    Participaram também muitas outras escolas.A organizaçāo do evento foi impecável .Tinha 13 anos na época e lembro de ter me emocionado muito e ficado orgulhosa de fazer parte de um evento que entraria para a história de Porto Alegre e do Brasil.

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  3. Participei da cerimônia de abertura cantando com o Orfeāo Artístico do Instituto de Educação Flores da Cunha, regido pela prof.Diná Nėri Pereira e composto por umas300 meninas.
    Participaram também muitas outras escolas.A organizaçāo do evento foi impecável .Tinha 13 anos na época e lembro de ter me emocionado muito e ficado orgulhosa de fazer parte de um evento que entraria para a história de Porto Alegre e do Brasil.

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