Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

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- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Trem e Porto Alegre

O Trem, Porto Alegre e região

Até a década de 1980 as pessoas conviviam com o Trem, os mais antigos com as famosas Maria-Fumaça, os demais com os trens a diesel, o famoso Expresso Farroupilha (década 1940), o Minuano, o Pampeiro (Década 1950/60), o Húngaro (década 1970/80); mas os governantes simplesmente de uma hora para outra acabaram com toda a maravilhosa história sobre trilhos de Porto Alegre, onde brincava-se nos vagões e locomotivas parados na linha e ramais, em toda a extensão da rua Voluntários da Pátria, desde quando a linha férrea seguia a beira do rio Guaíba antes do aterro.


A grande Estação Castelinho com seu grande muro na Rua da Conceição de onde se via o teto dos trens que estavam parados na plataforma de embarque, local onde hoje está a Rodoviária de Porto Alegre e os acessos do viaduto da Conceição, - simplesmente "Bons Tempos".



The railroad arrives in Porto Alegre 
A Ferrovia chega a Porto Alegre

No Rio Grande do Sul, construiu-se a primeira via férrea com projeto apresentado na Assembléia Provincial, no Brasil Império em 1866, aprovado a Lei em 1867, que autorizava o Governo a abrir concorrência para concessão de uma estrada de ferro ligando Porto Alegre e São Leopoldo ou Novo Hamburgo.
Após revisado o contrato com a empresa inglesa em 1871, a construção começou em novembro do mesmo ano.
Apesar da justificativa da construção ser a necessidade de transporte para manter a prosperidade do complexo colonial, não deixaram de ocorrer debates na Assembléia. Neste sentido, e em muitos outros, esta primeira linha foi paradigmática.
Alguns defendiam o transporte fluvial já existente e, portanto, a ferrovia seria uma concorrência, além de inútil, muito cara para os cofres da província, dada as garantias de juros de 5% para os construtores ingleses (alteradas em 1871 para 7%). As garantias de juros que haviam baixado para 5% dada a intervenção do deputado Gaspar Silveira Martins (representante da campanha de instalação da ferrovia) se elevaram para 7%, o capital da companhia foi reduzido e, principalmente, especificações técnicas foram alteradas visando à economia de recursos à custa do sacrifício da ferrovia, deformando os objetivos iniciais e condenando a transformar-se numa linha de transporte lento e de baixa rentabilidade. 


A empresa concessionária foi autorizada a funcionar em 23 de novembro de 1871, como Companhia Limitada Estradas de Ferro de Porto Alegre a Nova Hamburgo.

The Porto Alegre e New Hamburg 
Brazilian Railway Company Limited (1871-1905)

Esta ferrovia foi contratada com o Governo do Estado pelo empreendedor inglês John Mac Ginity, sendo criada a empresa “The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway Company Limited” para sua construção.
A empresa tinha sua sede era em Londres – Inglaterra até 1907.
A finalidade principal da ferrovia era trazer um transporte moderno para o Vale dos Sinos e levar a sua produção a capital da província, Porto Alegre.

Em 1871, após discussões sobre a criação de um caminho de ferro entre a capital provincial, Porto Alegre, e a cidade de São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos.

A primeira etapa da obra ficou pronta em 14 de abril de 1874, data em que correu a primeira locomotiva entre Porto Alegre e São Leopoldo.
São Leopoldo era ponto final da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul.

O trecho com extensão de 33,75 km quilômetros, foi inaugurado, com oito estações ferroviárias em seu percurso, passando por Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo.

São Leopoldo
A Estação Ferroviária de São Leopoldo foi a primeira a ser construída no Rio Grande do Sul e iniciada em 26 de novembro de 1871. Esta estação faz parte da primeira estrada de ferro que, partindo de Porto Alegre, passava por São Leopoldo e alcançava Novo Hamburgo.
O prédio chegou pré-fabricado da Inglaterra e foi montado no espaço a ele destinado.
No final do século XIX, a estação foi aumentada, com a inclusão de mais um corpo que ganhou uma janela da então recém-demolida estação original de Porto Alegre, que era igual.



Situação atual

Sapucaia do Sul
A Estação Ferroviária de Sapucaia foi inaugurada em 1874 pela The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway.
Em 1905 foi assumida pela Cie. Auxiliaire, e, em 1920, pela VFRGS.
Em um livro de 1907, a estação era descrita como sendo "uma casa construída de alvenaria, servindo de estação, tem sala de espera, bilheteria e sala de telégrafo e um armazém, com área é de 13 x 5,50 m".
A partir de 1909, a estação serviria às linhas de Caxias e de Porto Alegre/ Uruguaiana, até 1937, que passou a atender apenas as linhas para Caxias e Canela.
A partir de meados dos anos 1940, a estação passou a se chamar Guianuba, nome alterado depois de 1953 para Sapucaia do Sul.
Os trens de passageiros cessaram suas atividades na estação em 1982.
A estação de Sapucaia do Sul foi demolida.
Pelo leito da linha original, passa o metrô de superfície, o Trensurb.


Esteio
A Estação Ferroviária de Esteio aparece em 1911, num livro contábil da Cie. Auxiliaire refere-se à "construção de uma estação de cruzamento no quilômetro 368/395, entre as estações de Canoas e Sapucaia", segundo o aviso nº 39, de 8/2/1911, a estação primitiva, chamada então de Parada 20.
A nova estação de Esteio foi inaugurada em 1928, porque o relatório da VFRGS de 1928 relata a "construção de uma nova casa para esta parada", já referindo-se a ela com Esteio.
Ela serviria às linhas de Caxias e de Porto Alegre/ Uruguaiana, até 1937, a partir desta data só a linha Caxias e Canela.

1924

1930

Década de 1940

Canoas
A Estação Ferroviária de Canoas foi inaugurada em 1874 pela The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway.
A estação, construída em terras da Fazenda Gravataí, deu origem à cidade, que começou a se formar durante a construção da ferrovia, onde alguns trabalhadores aproveitavam toras de madeira derrubada para dormentes e produziram canoas.
A vila, chamada de Capão das Canoas, desenvolveu-se rapidamente e passou a ser ponto de veraneio das famílias de Porto Alegre, de forma que, em 1885, eram anunciados oito trens ligando Porto Alegre a Canoas em cada domingo.
Em 1905, a estação e a linha foram assumidas pela Cie. Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil, e, em 1920, pela VFRGS.
Em 1907, o prédio da estação foi descrito em um livro desse ano como sendo "uma casinha de alvenaria de tijolos, coberta de telhas de barro destinadas à bilheteria e a estação com área de 5,50 x 3,40 m".
A partir de 1909, a estação serviria às linhas de Caxias e de Porto Alegre/ Uruguaiana, até 1937, quando a foi aberta a variante ligando Diretor Pestana a Barreto, encurtando em 50 km a linha para Uruguaiana e evitando a passagem pela estação, que passou a atender apenas as linhas para Caxias e Canela.
Em 1934, foi inaugurada uma nova estação, muito maior que a original, que era de madeira.
Os trens suburbanos da Grande Porto Alegre trafegaram até 1982, a estação foi desativada nos anos 1970, servindo apenas como parada de embarque e desembarque. Foi recuperada em 1983 pela Trensurb.
Está desativada, ao lado da linha, e serve como fundação cultural.
Cerca de 200 metros antes fica a estação da Trensurb, com o nome de Canoas/ La Salle.

Primeira Estação de Canoas


Passagem de gado diante da estação Canoas

Segunda Estação de Canoas


Situação atual

Porto Alegre
A primeira Estação Ferroviária original de Porto Alegre era um prédio de madeira, igual ao de São Leopoldo, importados da Inglaterra em módulos pré-fabricados, o de São Leopoldo foi montado em 1871, o de Porto Alegre foi montado próximo a inauguração em 1874, pois havia uma dúvida quanto ao real ponto em que ela seria instalada.
Localizava-se junto a um terreno à beira do rio Guaíba, situado na Rua Voluntários da Pátria e a atual Avenida Julio de Castilhos e entre as ruas da Conceição e a atual Dr. Barros Cassal.
O prédio acabou demolido em 1910, algumas partes e uma de suas janelas foram transferidos para São Leopoldo, e nessa cidade foi colocada como parte da ampliação desta estação.
Os trens de passageiros pararam nesta estação de 1874 a 1910.






Em 1° de janeiro de 1876 foi inaugurado o prolongamento de São Leopoldo até Novo Hamburgo.

Estação Novo Hamburgo - 1927

A linha segue até a Estação Hamburgo Velho.



Em 1880, já eram transportados 40.000 passageiros por ano.

Em 1885 é inaugurada a Parada Navegantes, situada no centro do bairro de mesmo nome em Porto Alegre, no final da Rua Voluntários da Pátria.
Era uma parada de carga e descarga, uma plataforma sem construção alguma, que mostra o rio ao fundo, em frente à igreja dos Navegantes, abaixo da atual ponte do Guaíba.
Em 1907, já existia um quiosque de madeira, "recentemente construído”, com 16 m2.
Em 1928, foi construído um novo edifício para a estação, de acordo com relatório da VFRGS.
Em 1937, outro relatório da VFRGS acusa a elevação da "Parada Navegantes" a Estação Navegantes de 5ª classe.
Foi extinta em dezembro de 1972 para dar lugar ao acesso definitivo à nova estação de Porto Alegre na Avenida Castelo Branco.
Inventário das Estações 1874 - 1959, do IPHAE, segue uma breve descrição, retirada do mesmo:
A estação secundária de Navegantes ficava em frente à igreja de mesmo nome.
O primeiro prédio de madeira foi construído por volta de 1886, e substituído por outro de alvenaria por volta de 1929. (Ivanhoé Reynoso, 10/2009).

Final da Rua Voluntários da Pátria

Ao fundo vê-se o prédio da estação em frente a igreja dos Navegantes

Em 15 de agosto de 1903, a estrada de ferro Porto Alegre/ Novo Hamburgo foi estendida até Taquara, por João Corrêa Ferreira da Silva.

1ª Estação Taquara - 1903

2ª Estação de Taquara

Última estação de Taquara

The Brazil Great Southern Railway Company Ltd

Para assegurar o poder na Fronteira Oeste, começou as obras do caminho entre Porto Alegre e Uruguaiana.
No início foi até a localidade de Amarópolis, no município de General Câmara, chegando a Cachoeira do Sul em 1884 e em Uruguaiana em 24 de dezembro de 1907.
Ao mesmo tempo criou-se uma linha entre Barra do Quaraí e Itaqui, passando por Uruguaiana e estendida à São Borja em 1897.
Nos anos seguintes surgiram as linhas Rio Grande/Cacequi (cruzando por Bagé) e Santa Maria/Marcelino Ramos, passando por Cruz Alta e Passo Fundo.
Todas as estradas de ferro, mais tarde, foram interligadas pela estrada de Ferro São Paulo/Rio Grande.

Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil (1905-1920)

Em decreto de 06 de junho de 1905 o governo federal unificou a rede ferroviária no estado, tais estradas de ferro foram então arrendadas à empresa belga Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Bresil; tal empresa foi responsável pelas construções posteriores.

Apenas em 1909 a linha teve continuação, partindo da Parada Rio dos Sinos, 7 km antes de Novo Hamburgo e começo o caminho para a Serra.

Estação Rio dos Sinos

Em 1910, a linha foi estendida até Carlos Barbosa.

Estação Carlos Barbosa

Em 1911,  finalmente a ferrovia chega a cidade de Caxias do Sul.

Estação Caxias do Sul - 1911





No início do século XX é inaugurada a segunda Estação Central da Viação Férrea de Porto Alegre era uma estação maior, de alvenaria próxima a estação original.
A frente da estação era para a Rua Voluntários da Pátria, esquina com Rua da Conceição. e era recortado, com dois andares mais uma torre.

Mapa de localização da Estação Castelinho


O prédio era recortado, com dois andares mais uma torre em destaque.
No térreo, à direita a bilheteria e um quarto de bagagem; à esquerda o buffet, a sala para senhoras e o toilette, a descrição do prédio é de 1907, de um relatório de entrega da já criada VFRGS ao Governo Federal.
A estação, apelidada de Castelinho, por causa de sua torre de castelo medieval, é mostrada na mesma área da primeira estação, os trilhos avançavam para bem depois da estação, em frente ao prédio as plataformas seguiam em direção das avenidas Mauá e o rio Guaíba até o final da rua Coronel Genuíno, depois os trilhos seguiam no leito lateral da Rua Voluntários da Pátria, que após o aterro da margem da Rua Voluntários, os trilhos foram transferidos em linha paralela da atual Avenida Castelo Branco.


O jornal Correio do Povo publica em 09/11/1909:
- "Noticiamos, há dias, que teriam de ser feitas judicialmente, pelo Governo Federal, quase todas as desapropriações dos terrenos de marinha destinados, no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria) à construção da estação central da Viação Férrea. Com efeito, parece que somente um dos interessados aceitou, a desapropriação amigável proposta pelo governo da União, o qual oferece apenas 225$000 e 250$000 por metro de terreno, quando são muito mais elevados os preços pedidos pelos proprietários".

Nota-se que o modelo com torre era moda na época, vendo-se esta imagem abaixo da primeira Estação Férrea de Belo Horizonte - Minas Gerais.

Estação de Belo Horizonte-MG, demolida em 1920



A estação foi desativada e demolida em 1969/70, para a construção do viaduto da Conceição.
A Estação Castelinho de Porto Alegre era citada como sendo a km 0 (zero) da rede.



Porém, em 1920, por dificuldades financeiras, a empresa Belga abandona o projeto no Rio Grande do Sul, entregando-o ao Governo do Estado.

Viação Férrea do Rio Grande do Sul – VFRGS (1920-1972)

Com a desistência da empresa Belga, o estado criou a Viação Ferroviária Rio Grande do Sul para controlar as linhas e estações, conhecida como VFRGS, era empresa estatal coordenada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, criada em 1920 e extinta em 1959, quando foi encampada pela RFFSA.
A nova empresa buscou modernizar as locomotivas que faziam o serviço, introduzindo os populares Minuanos e as locomotivas a óleo diesel.


Em 1922, a linha férrea alcança a cidade de Gramado na Serra.


Em 1924 chega a Canela, vencendo um desnível de 798 metros desde Porto Alegre.

Estação Canela 17/02/1920



Em 1925, passando por Porto Alegre, o Rio Grande do Sul conectou-se aos outros estados, com a linha São Paulo/ Paraná, iniciando em Ourinhos (SP) e encerrando em Rio Grande (RS).

Em 1930, Getúlio Vargas viaja de trem via VFRGS de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, durante a Revolução de 1930.

Getúlio Vargas e comitiva -1930

Em 08 de março de 1940 a linha São Paulo/ Rio Grande foi encampada pelo Governo Federal e repassada para a RVPSC em 1942.

Desembarque do Farroupilha no Porto de Rio Grande, década 1940


Expresso Farroupilha

Em 1954, a VFRGS introduziu os trens Minuano e Pampeiro, os TUDs (Trens-Unidade Diesel), fabricado pela alemã IRFA-MAN (Maschinenfabrik Augsburg-Nürnberg AG), encomendados dois anos antes.
No início, pelo menos nos primeiros dois anos, rodaram entre a capital Porto Alegre e Cruz Alta, e também da capital a Bagé. Eram duas composições alemãs.


A nomenclatura era confusa: eram composições bastante semelhantes, que eram nomeadas (Minuano e Pampeiro) conforme as rotas.


Mais tarde, passaram a rodar entre Porto Alegre e Uruguaiana e entre Porto Alegre e São Borja.
A partir dos anos 1960, passaram a existir TUDs construídos nas oficinas de Santa Maria agora com 5 unidades e não mais com três como originalmente.




Rodaram até os anos 1980.



Houve pelo menos um Minuano que seguiram até Brasília, numa das viagens inaugurais da linha.
Também existiram TUDs com essa característica trafegando na linha de Porto Alegre a General Câmara, fabricado pela empresa alemã MAN, para o transporte de passageiros, onde operou rotas entre Porto Alegre e as principais cidades do Estado.
Com o surgimento da RFF, gradativamente a VFRGS foi extinguindo-se até que a última linha foi encampada, em 1959, a empresa encerrou em 1972

Rede Ferroviária Federal - RFF

Em 1957, surge a Rede Ferroviária Federal - RFF que desde o fim da década de 1940 vinham-se realizando estudos para a encampação de toda a rede ferroviária nacional em uma única empresa.

Rede Ferroviária Federal S/A - RFFSA (1957-1992)


Durante o Regime Militar RFFSA assume toda a malha ferroviária do país, suas instalações e estrutura.

Com o correr do tempo, e atendendo à política de desativar os ramais antieconômicos, o trecho entre Novo Hamburgo e Canela foi suprimido em 1963.

Aconteceu o mesmo em 1965, com a linha Rio dos Sinos a Novo Hamburgo.



Em 14 de abril de 1970 é inaugurada a terceira Estação Ferroviária de Porto Alegre, a nova estação localizava-se na Rua Voluntários da Pátria, 1358.
Com a desativação da Estação Castelinho, os trens para Uruguaiana e os de subúrbio para São Leopoldo passaram a partir de uma estação um pouco mais adiante, construída num prédio da RFFSA, junto a administração da RFFSA no RS, entre a Avenida Castelo Branco e a Rua Voluntários da Pátria, e as esquinas das ruas Comendador Coruja e Ramiro Barcelos.
O prédio desativado permanece no mesmo local.
Em 10 de março de 1983, com a inauguração do Trensurb, a terceira estação também foi desativada, os trens passaram a sair de Estação Diretor Pestana, próxima ao Aeroporto na entrada da cidade para quem vem do interior do Estado.
Em 1995 no governo do presidente FHC a RFFSA foi colocada em leilão e comprada pela ALL, que manteve somente os trechos considerados lucrativos, praticamente todas as linhas de passageiros foram desativadas.






Em 1973 / 1974, desembarca o Trem Húngaro, seis TUDH de bitola 1,00 metro seriam destinados ao Sistema Regional Sul, para a 13ª Divisão — Rio Grande do Sul, onde substituiriam o famoso trem Minuano, ou Pampeiro, que desde 1952 fazia o serviço entre Porto Alegre e Uruguaiana.


Na viagem ao Rio Grande do Sul 1 dos 6 TUDH destinados foi gravemente avariado por uma tempestade na passagem do canal da Mancha na Inglaterra, de modo que só 5 foram recebidos pelo Brasil.

A imprensa da época parece não ter noticiado este fato.

Com capacidade total para 120 passageiros, cada TUDH, não apresentavam maiores diferenças em relação aos TUDH de bitola larga.

Com o mesmo padrão de conforto dos trens da Central do Brasil, os Húngaros da 13ª Divisão tiveram trajetória mais estável, circulando por 13 anos entre Porto Alegre e Uruguaiana — trecho de características planas, adequado ao projeto do equipamento — como "Noturno".


Em 1987, a SR-6 decide suspender as viagens, alegando absoluta falta de peças de reposição. A possibilidade de re-potenciar (e nacionalizar) os Húngaros foi estudada, mas os custos — considerados proibitivos — afastaram essa idéia.
Condenados ao desaparecimento, a salvação dos Húngaros gaúchos veio do Nordeste: — O governo do Piauí decidiu implantar um serviço urbano em Teresina, para veículos leves sobre trilhos (VLTs) que seriam fornecidos pela Materfer argentina. Faltaram recursos, entretanto, surgiu a idéia de empregar os carros Ganz-Mavag que estavam parados em Porto Alegre.
Acertada a transferência da SR-6 para a SR-11, os trens-unidade foram reformados pela empresa cearense Embrametra e postos em operação em Teresina em 1991.




A quarta Estação Ferroviária de Porto Alegre.
A Estação de Gravataí foi inaugurada em 1874 e recebeu o nome aparentemente devido à sua proximidade com o rio Gravataí.
Em 20/12/1934, passou a se chamar Diretor Pestana, ou Diretor Augusto Pestana, homenageando um dos diretores da V. F. R. G. S.
Em 1938, passou a ser o ponto de bifurcação entre as linhas da Porto Alegre/ Caxias do Sul, a original de 1874, e a variante Diretor Pestana/ Barreto, que diminuiu a distância de Porto Alegre ao rio Taquari em 50 quilômetros, tornando, agora sim, viável, a chegada de passageiros à Capital, por trem, vindos do interior.
Até aí, segundo relatos, mesmo depois de 1911, quando a linha de Uruguaiana foi ligada à de Caxias do Sul em Montenegro, com uma volta tão grande que muitos continuavam a fazer o que faziam desde 1874: desciam do trem no rio Taquari e tomavam o vapor para Porto Alegre.
Em 15 de fevereiro de 1954, já se pensando na remodelação da estação de Porto Alegre, que estando no centro da cidade já causava problemas de acesso, iniciaram-se as obras da estação provisória de Diretor Pestana, visando desviar o embarque dos trens para o interior para esse local.

Estação Ferroviária de Porto Alegre - Diretor Pestana


Na década de 1980 pararam os trens entre Esteio e São Leopoldo.

Em 1984, só ficou em tráfego de trem entre Porto Alegre e Canoas.

A partir de 1984, em Porto Alegre, os trens para o interior do estado passaram a sair da quarta Estação Ferroviária de Porto Alegre - Estação Diretor Pestana, que foi reformada e adaptada ao lado da estação Aeroporto da Trensurb.
A estação passou a ser o ponto inicial dos trens de passageiros, pois a estação central de Porto Alegre não mais existia. Essa estação nada mais é que o prolongamento da plataforma da estação do Aeroporto, da Trensurb.



América Latina Logística – ALL (1996)


Atualmente, toda a malha ferroviária estadual está sob coordenação da América Latina Logística desde 1996.
Exceto a Trensurb que administra o metrô de superfície entre Porto Alegre e Novo Hamburgo.

Composição da ALL

A estação Diretor Pestana tem um pátio de manobras grande, onde, mesmo após o abandono da linha pela RFFSA e a ALL, continua, em meio a casas abandonadas e outras ainda habitadas por famílias, a servir de pátio de embarque e desembarque de madeiras.
A estação não é utilizada hoje, apenas a Estação Aeroporto do sistema Trensurb.

Na cobertura dessa plataforma ainda está escrito, no concreto:
"Estação Diretor Augusto Pestana", a última lembrança dos dias de glória do sistema ferroviário que ligada Porto Alegre ao seu interior, outros estados e países.

Trensurb (1983)


A linha Porto Alegre Novo Hamburgo, foi desativada nos anos 1980; o trecho até São Leopoldo foi retificado e serve ao sistema Trensurb (Trens Urbanos de Porto Alegre S/A) da Grande Porto Alegre, ligando Porto Alegre a Novo Hamburgo, inaugurada em 1983.





O Fim Abandonado

Da Estação Diretor Pestana para frente, em direção ao Centro de Porto Alegre, os trilhos foram retirados ou estão enterrados, para somente reaparecerem no porto, na região da Rua Voluntários da Pátria, e no Caís Mauá, ambos sem uso.


Na direção da cidade de Canoas, para onde segue a linha, esses trilhos acompanham o leito eletrificado da TRENSURB, ao lado esquerdo da linha. Pouco antes da ponte do rio Gravataí, sai um desvio para o distrito industrial da Capital, e também existe outro logo depois da ponte para as empresas ali instaladas, ambos estão hoje abandonados.  Cruzando o rio Gravataí em pontes de ferro antigas, as linhas do trem metropolitano cruzam numa ponte independente, mais alta, na altura da antiga estação de Standard, três quilômetros à frente de Diretor Pestana, separam-se, entrando na variante de 1938, hoje linha cargueira. Pouco antes da ponte, sai um desvio para o distrito industrial da Capital, e também existe outro logo depois da ponte. Ambos estão hoje abandonados.


A desolação na Estação Diretor Pestana, hoje, mesmo com locomotivas da ALL ainda manobrando vagões de madeira, é desoladora.




Referências:

↑ a b PORTO, Aurélio. O Trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.179.
↑ Estações Ferroviárias.
↑ a b América Latina Logística
↑ PORTO, Aurélio. O Trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.181.
Ivanhoé Reynoso, 2009; Germano Oscar Moehlecke: Estrada de Ferro - Contribuição para a história da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul, 2002; IPHAE: Patrimônio Ferroviário no Rio Grande do Sul- inventário das Estações 1874-1959; VFRGS: Relatórios oficiais, 1925-60; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
Guias Levi, 1940-1981; Revista Ferroviária, 08/2000; Caminhos de Ferro do Rio Grande do Sul, J. R. Souza Dias, 1987; Primórdios do Desenvolvimento do Transporte Ferroviário do Rio Grande do Sul, Attila do Amaral, 1970; jornal Zero Hora, 18/02/1996; Ralph Giesbrecht, pesquisa local, 2004; Alcindo Costa; Alfredo Rodrigues).


19 comentários:

  1. Muito legal seu blog. O post sobre a Exposição Farroupilha é super completo!!

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  2. Nossa, esse teu blog é muiito bom, guri!!!! É de perder a respiração com tanta informação e pesquisas muito bem feitas!!! Eu gostaria de tirar algumas dúvidas ctg.. Tem algum email que eu possa entrar em contato???
    Grata!

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  3. Não imaginava que ainda houvesse linhas operantes de trens até 1996. É triste passar por lá e ver o total abandono. Espero que com o surgimento da Ferrosul a estação volte a funcionar e finalmente possa passear pelo estado de trem... Tem vezes que chego a sonhar com a antiga estação, pois, quando pequeno ia com a minha mãe a General Camara nos famosos "Carros-Vagões" e tenho algumas lembranças daquela época.

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  4. Parabéns pelo blog. Quem gosta de trens e ferrovias tem a disposição aqui, muito material histórico da historia ferroviária do RS. Se puder colocar mais fotografias de estações do interior do estsdo, seria ótimo.

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  5. Como faço para te enviar algumas fotos da estação antiga de Cachoeira do Sul?

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  6. Quem disse na época da privatização que nasceria uma nova era para os trens, mais uma vez se enganou. Só o que vemos são imóveis e vagões abandonados por toda a parte. É uma tristeza! Um país do nosso tamanho sem trens. Só por causa dos "intérésses" como dizia o Brizolla.

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  7. Muito bom o blog, parabéns. Mas peço que você coloque o meu nome abaixo das fotos que utilizou. Pode utilizar outras imagens que coloquei no Panoramio, só coloca o meu nome junto. Grato.

    Recanto Alpino - http://www.panoramio.com/photo/29583221
    http://lealevalerosa.blogspot.com/2010/05/parque-da-redecpcao.html

    Galeria Chaves (Saída para rua José Montaury) - http://www.panoramio.com/photo/21721784
    http://lealevalerosa.blogspot.com/2010/03/predios-tombados-de-porto-alegre.html

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  8. Olha onde estamos usando as informações do teu blog. - http://www.facebook.com/groups/221732327878137/?id=221748424543194&notif_t=group_activity

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  9. muito bom teu blog.Nossa deveria ser muito legal andar nestas maria fumaça, pena que hoje esta tudo abandonado.Bem que a trensurb e a ALL poderiam reativar estes trens.

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  10. O que aconteceu com os TUDs (Trens-Unidade Diesel), fabricado pela alemã IRFA-MAN (Maschinenfabrik Augsburg-Nürnberg AG) ? para onde foram após 1980 ? onde estão hoje ?

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  11. James, desejo a ti, teus familiares e todos os visitantes do teu blog um Feliz Natal. Aproveito para informar que dia 02 de janeiro estreia Urbanascidades 2012, igual mas...diferente.
    Paulo Bettanin.

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  12. os gigantes adormecidos,e um apena que seja a sim quando vejo essas imagens me lembra a minha infancia e sei que os meus filhos e netos nunca irao viajar aqui no brasil de trem, e ai eu me envergonho de ser brasileiro......

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  13. Gostei muito de ler sobre os trens. Meu pai falava desse trem húngaro, pena que não existe mais. Ainda tem algum trem de passeio aí no RS?

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  14. Muito bom o blog. mas tem uma foto que não se trata da estação de Porto Alegre, e sim a estação de Santos (SP). É a foto que tem o trem inox nº 244. trata-se de um Budd 141 da Estrada de ferro Santos a Jundiaí, em foto de 1979.

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  15. Parabéns pela garimpagem de dados dessa história do transporte pesado gaúcho !___ Só não fecha certas datas em relação à linha NH - TAQ - CAN !

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  16. Pra quem viveu na infancia em meio aos trens , em sta maria rs , é de emocionar hj com 58 anos ainda posso sentir o cheiro do carvão das maria fumaças manobrando no km 2 , quando eu ia na padaria dacoop da vfrgs onde meu pai atendia ,dec de 60 , saudades , muitas saudades... se tiver algo daquele tempo ,km 2 , coop dos empr da vfrgs, etc..por favor publique.Grande abraço e Parabens.

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  17. É uma tristeza verificar o que foi feito com o transporte ferroviário no país a partir do governo FHC que extinguiu a RFFSA, entregou um imenso patrimônio pertencente ao país e que está sendo destruído pelo tempo, sem investimentos e sem perspectivas.
    A empresa que arrematou foi o contrato, a ALL, sucateou os instalações, ramais e todos maquinario rodante que recebeu, investindo muito pouco.
    Um dos itens do contrato com o governo federal era o retorno das principais linhas de passageiros dois anos após a concessão o que nunca foi cumprido e nem fiscalizado pelo governo FHC e nos governos posteriores.
    A ALL acabou e agora existe uma nova operadora, a RUMO.
    E a política de transportes ferroviária brasileira continua , absurdamente, a ignorar os trens de passageiros interestaduais e intermunicipais.

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  18. Muito legal! Meu pai hoje com seus 80 anos conta a viagem de trem que fez até Porto Alegre nos anos 40 quando era uma criança, lembra de ter desembarcado onde hoje é a Tumeleiro próximo a Rodoviária, nessa semana ele vem me visitar e vou mostrar pra ele esse Blog, certamente vai adorar. Parabéns!!!

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