Bem Vindo

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Ruas do Centro de Porto Alegre Antigo

Ruas, história e estórias























Como chegar no Centro de Porto Alegre

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01. Avenida Alberto Bins, começa na Rua Senhor dos Passos, junto à Praça Otávio Rocha, e termina na Avenida Cristóvão Colombo.
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Foi aberta dentro dos terrenos da grande chácara da família Pinto Bandeira, denominada “Chácara São Rafael” e popularmente chamada de “Chácara da Brigadeira”. Em 1870, Rafaela Pinto Bandeira Freire, filha do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, ofereceu ao municipio terrenos para abrir uma nova via pública, desde a Senhor dos Passos até à Rua da Conceição, que então se chamava Rua União. Em 1872 a Câmara construiu uma comissão especial para a execução da via que desde passou a ser chamada de Rua São Rafael.
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Junto a Igreja São José
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Em 1874, um mapa da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense já registra dez ligações domiciliares de água, sendo oito delas no ano anterior. A Rua São Rafael, concluída em 1877, foi prolongada até a Rua da Aurora, atual Barros Cassal em 1893. O nivelamento do leito da artéria foi dificultado por uma pedreira, no cruzamento da Rua Pinto Bandeira.
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Em 1889, Guilherme Kluwe obteve licença municipal para extrair pedra e cascalho das ruas São Rafael e Pinto Bandeira, comprometendo-se a nivelá-las já que o anterior contratante, Malfati Virgilio, teria abandonado o trabalho, deixando-as esburacadas. Recebeu o seu primeiro calçamento em 1906.
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Embora fosse considerada “rua nobre”, com vários colégios, o Turner Bund (atual SOGIPA) e residências de pessoas importantes da colônia germânica, ainda não assumira, no princípio deste século, a função de radial urbana, decisiva para o fluxo do tráfego entre o Centro e o Bairro Floresta. Só assumiu esse caráter no plano de reformas do Intendente Otávio Rocha, que abriu na antiga Rua 24 de Maio (Beco Rosário) a avenida que hoje tem seu nome, conectada à embocadura da Rua São Rafael e projetou a conexão com a Avenida Cristóvão Colombo, que só foi concluída em 1929, pelo prefeito Alberto Bins:
“A Avenida São Rafael acha-se com seu traçado completo, sendo já intenso o seu tráfego, a começar da Praça 15 de Novembro até a Rua Cristóvão Colombo”.
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O segmento final desse traçado, desde a Praça Otávio Rocha até a Cristóvão Colombo recebeu, por lei municipal de 6/7/1936, o nome de Avenida Alberto Bins.
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02. Avenida Borges de Medeiros, começa na Avenida Mauá e termina na Avenida Padre Cacique.
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Década de 1940
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No final do século XIX, com o nome de General Paranhos, a Borges era um estreito beco que subia da Andrade Neves até a Rua Duque de Caxias e descia em outra fortíssima ladeira até a rua Coronel Genuíno. Por muitos anos, a General Paranhos conviveu com três apelidos populares: Travessa do Poço, entre a Duque e a Riachuelo, Beco do Freitas, entre a Riachuelo e a Andrade Neves e Beco do Meireles, da Duque para o sul.
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Obra junto a rua Fernando Machado
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Para resolver o problema da topografia, que transformara a via em foco de crime e prostituição, houve muitos planos de urbanização e melhorias, prevendo o seu alargamento. No governo de Otávio Rocha que a Borges de Medeiros foi pensada como obra de viação:
(...) "As rampas de acesso à Rua Duque de Caxias, que atualmente têm 9% e 12%, ficarão reduzidas, respectivamente, a 1% e 5%, para o que se vai fazer o rebaixo de 13 metros no ponto culminante. Ai será construído um viaduto de cimento armado, em arco abatido, por onde se fará a passagem da Rua Duque de Caxias (...) É uma obra de viação de grande relevo, porque vai encurtar o trajeto para todas as linhas de comunicação dos arrebaldes Menino Deus, Glória, Teresópolis e Partenon".
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Década de 1940
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Em 1932 foi inaugurado o Viaduto Otávio Rocha, que permitiu unir o porto à zona sul, mudando consideravelmente o perfil urbano do centro da cidade. O Viaduto foi uma obra conjugada com o aumento do trajeto da avenida, indo primeiro até a Praça Montevidéu e depois com sua extensão até a Praia de Belas, em 1943.
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Vista esquina rua dos Andradas
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No início dos anos quarenta do século passado, começaram a surgir grandes espigões na Borges de Medeiros, fruto de incentivos fiscais concedidos pelas autoridades que queriam pressa na mudança da arquitetura da cidade. A resposta foi rápida e logo brotaram prédios com 10, 15 ou 20 andares, como o Sulacap, o Sul América, o União e o Vera Cruz, este último considerado, na época, um marco da arquitetura modernista.
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Junto a avenida Mauá, década de 1960
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Com o aterro na região do Praia de Belas, a Borges é ampliada até a Avenida Padre Cacique tendo como área limítrofe de lazer, o Parque Marinha do Brasil.
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1964
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03. Avenida Desembargador André da Rocha, começa na Avenida João Pessoa e termina na Rua General Lima e Silva.
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Resultou do alargamento e reforma do primitivo Beco do Oitavo criado por volta de 1828, quando foi construído o quartel do 8º Batalhão da Infantaria, no local da atual Praça Raul Pilla.
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As referências à travessa ou beco do 8º Batalhão, registradas a partir de 1833, descrevem reclamações dos moradores, contra as imundices despejadas pelo quartel na via pública. Em 1894, o Barão de Caxias, como presidente da Província, determinou providências ao Marechal comandante da guarnição.
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Em 1879, recebeu o nome de Rua Três de Novembro, data da segunda Batalha de Tuiuty.
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A proximidade com o quartel e as péssimas condições sanitárias ocasionaram uma desvalorização da rua que, nos primeiros decênios do século XX, foi tomada por cortiços, focos de meretrício e cabarés de terceira categoria. Em 1938, o Prefeito José Loureiro da Silva, desapropriou as casinhas, implantando uma avenida de duas pistas, oficialmente denominada Avenida Três de Novembro.
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Finalmente, em 1952, a avenida teve seu nome alterado Rua Desembargador André da Rocha, em homenagem ao ilustre magistrado e professor de Direito, Manoel André da Rocha, nascido no Rio Grande do Norte, com vasta folha de serviços à magistratura, à administração e ao ensino.
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04. Avenida Independência, vai da Praça Dom Feliciano à Rua Mostardeiro.
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Rua Independência
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O caminho nasceu espontaneamente como ligação entre a vila de Porto Alegre e a Aldeia dos Anjos de Gravataí, que tiveram fundação quase simultânea. Desde 1829 são encontradas referências à “estrada denominada dos Moinhos de Vento” que, partindo do Alto da Misericórdia, ou Alto da Santa Casa, dava acesso aos moinhos de vento de Antônio Martins Barbosa ou Barbosa Mineiro, prosseguindo tortuosa até os campos da Aldeia dos Anjos.
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As Mansões
A Paulista Gaúcha
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Esta saída da cidade era embaraçada pela propriedade de dona Josefa Eulália de Azevedo, a “Brigadeira” que em meados de 1826, possuía uma olaria e andara extraindo argila no caminho, prejudicando o livre trânsito.
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A tendência de urbanizar a “estrada dos moinhos” é, provavelmente, anterior a Revolução Farroupilha, que impediu a expansão da cidade, fechada por entrincheiramentos defensivos.
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Beneficência Portuguesa - século XIX
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A partir de 1843, o alinhamento da estrada começa a ser projetado. Entre 1845 e 1846, para efetivar a regularização da rua foi necessário indenizar os herdeiros da chácara da Brigadeira, “... à base de seis mil-réis o palmo de frentes, desde a esquina da Rua da Conceição (Rua da Brigadeira)”. Uma altíssima quantia foi paga pela Província “pela porção de terreno necessário para se continuar a Rua da Praia, assim como pelo que ficasse entre esta e os terrenos da Santa Casa, atual Praça Dom Feliciano”.
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Em 1857, aquela artéria passou a denominar-se Rua da Independência iniciando na Praça da Misericórdia.
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A água encanada foi instalada pouco depois da implantação dos serviços da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense. Desde então, a urbanização permaneceu precária por muito tempo. Em 1884, Felicíssimo de Azevedo, em suas crônicas denominadas “Cousas municipais”, deplorava a situação de abandono em que se achava a Rua Independência, embora fosse, na sua opinião, “o mais lindo arrabalde da cidade, não só pela sua posição elevada, de onde se goza a mais bela vista, como pela solidez do terreno, que o torna o mais salubre de Porto Alegre”. Em 1885, a rua ainda não possuía sarjetas e nem marcação dos cordões, mesmo no trecho inicial, entre as ruas da Conceição e Barros Cassal.
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Sob o regime republicano o calçamento da Rua Independência é efetuado. Primeiro em 1893, na administração do Intendente Alfredo Azevedo e, em 1916, na administração do Intendente Montaury, com o emprego de pedras irregulares. Os paralelepípedos só seriam utilizados em 1925, como se deduz do relatório do intendente Otávio Rocha daquele ano:
“Comecei a substituir todo o calçamento da Rua Independência, que pretendo seguir a paralelepípedos até ao Prado”.
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A estatística predial de 1892 encontrou na Rua da Independência um total de 96 casas, sendo 44 prédios térreos, 47 assobradados e cinco sobrados. O que explica e justifica a implantação da linha de bondes da Cia. Carris Urbanos, a contar de 1894, ano da inauguração do Prado Independência.
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Em 1933, um decreto determinou a mudança do nome da Rua Independência para Avenida General Flores da Cunha, restabelecido em 1937, pelo Prefeito Loureiro da Silva.
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No início do século XX, a Avenida Independência começou a se consolidar como um dos locais prediletos da burguesia para habitação. Os palacetes da Independência, construídos entre 1900 e 1930, expressam um momento histórico de prosperidade do comércio e da indústria porto-alegrense. Com o surgimento do Bairro Petrópolis e a urbanização de outros arrabaldes, a preferência burguesa pela avenida foi enfraquecida, ocasionando a degradação de muitos dos antigos palacetes que foram demolidos para a construção de edifícios de apartamentos ou transformados em pensões, casas de cômodos e prédios comerciais.
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05. Avenida João Pessoa, começa na Avenida Salgado Filho, atravessa a Cidade Baixa e terminar na Avenida Bento Gonçalves.
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Junto a Faculdade de Direito
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Conhecida desde o século XVIII como “caminho da Azenha”, nasceu como o caminho de ligação entre a vila e a ponte da Azenha que conduzia a Viamão, através da Estrada do Mato Grosso.
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Década de 1910
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No início do século XIX, devido às medições da Várzea “de fora do Portão”, o alinhamento desse caminho, ao longo do qual se situavam várias chácaras, começa a ser pensado.
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Em 1820, já é conhecida como rua Nova do Portão, ou “rampa que desce para a vargem imediata ao mesmo”, não passando de um caminho semi-rural. Em 1842 começa a ser urbanizada e recebe o nome de Rua da Azenha, com extensão muito superior à remanescente e atual Avenida da Azenha. Em 1842 e 1843, foi estabelecido o alinhamento das residências.
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Rua Duque de Caxias com avenida João Pessoa
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O calçamento da ladeira adjacente ao antigo quartel do 8º Batalhão (Praça Raul Pilla), assim como a correção dos alargamentos sempre foi motivo de preocupação. A primeira “calçada do Portão para a Várzea”, foi executada em 1845. Mas só com a cooperação da Província, por volta de 1857, foi possível fazer uma obra duradoura, com a urbanização da Praça Argentina. Desta época é a imagem que o cronista Catão Coelho registrou para a posteridade em seu livro “A várzea de outrora”, dando a seqüência de casas e propriedades que conhecera em sua meninice. Até a Rua Venâncio Aires, só havia, de transversais, o Beco do Oitavo (André da Rocha), o Firme (Avaí), o Beco da Olaria (Sarmento Leite), o Beco do Totta (República) e o Beco de Dona Aurélia (Otávio Corrêa). “Do beco em diante, seguia um grande terreno vago...”.
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Garagem de bondes da Carris
Década de 1920
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Em 1864, o estabelecimento do primeiro sistema de transporte coletivo, com a popular “maxambomba”, ao longo da Rua da Azenha, gerou muita polêmica, porque os empresários do “trilho de ferro” desejavam construir valos protetores ao longo dos trilhos que impediriam o trânsito de outros veículos e os vereadores se opuseram. Fracassada a “maxambomba” (tipo de bonde a tração animal), os bondes de tração animal, implantados a partir de 1873, também usaram a Rua da Azenha.
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Junto ao Parque da Redenção - década de 1920
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Relatório de 1887 descreve: “a (estrada) que da terminação do Campo da Redenção conduz à ponte da Azenha sofreu radical e dispendioso conserto. Baixa e pantanosa, pelo derramamento das águas do arroio da Azenha ao menor crescimento destas, hoje oferece seguro e enxuto trânsito pelo grande aterro que sofreu e extensas calhas que se construíram, restando terminar o aterro de um e outro lado das proximidades da ponte”. Tratava-se, provavelmente, da urbanização do trecho da Avenida João Pessoa, entre a Venâncio Aires e o início da Azenha, e desta última até a ponte.
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Década de 1960
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Adotada em 1884, a denominação oficial de Campo da Redenção para a antiga Várzea e Campo do Bom Fim, a primitiva Rua da Azenha, no trecho adjacente àquele Campo, passou a ser chamada de Rua da Redenção, e, mais adiante, de Avenida da Redenção, que terminava na embocadura da Rua Venâncio Aires, onde começava a Rua da Azenha.
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Um dia após a Revolução de 1930, o nome Avenida Redenção foi substituído por Avenida João Pessoa, em homenagem ao presidente da Paraíba, companheiro de chapa de Getúlio Vargas na campanha da Aliança Liberal.
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O prolongamento da Avenida João Pessoa, desde a esquina da Rua Laurindo até a Avenida Bento Gonçalves, já projetado desde 1925 por Otávio Rocha, foi completado pelo Prefeito Loureiro da Silva, na década de 40.
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06. Avenida Julio de Castilhos, começa na Avenida Borges de Medeiros, junto ao Mercado Público e termina na Rua da Conceição. Aterro da década de vinte do século XX.
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Início do século XX
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Os terrenos acrescidos ao litoral da Rua Voluntários da Pátria, desde a Rua Vigário José Inácio até a Rua da Conceição, foram objeto de uma longa ação judicial entre os proprietários e o Município, sendo afinal decidida a favor do município. Os herdeiros desejavam que a abertura da Rua Voluntários da Pátria fosse executada sobre suas propriedades para assegurar os terrenos acrescidos no lado norte da mesma.
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A idéia de uma avenida litorânea, implantada nos fundos dos terrenos marginais da Rua Voluntários da Pátria, surgiu em 1862, quando o governo central permutou com o município terrenos definidos como de marinha, sob a condição de que fossem destinados a logradouro público e “aformoseamento” do litoral. A avenida ou rua faria conexão com outra rua litorânea, a Rua das Flores (atual Siqueira Campos).
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Foi concebida em 1914, numa época de grandes obras que objetivavam a modernização da cidade, incluindo a destruição dos cortiços e abertura de largas avenidas para absorver a frota de automóveis que já atingia três mil veículos, conforme registro do jornal Diário de Notícias. Considerada como ação imprescindível para a remodelação do centro, a obra só foi iniciada em 1925, pelo intendente Otávio Rocha, com demolições de inúmeras casas e 24 armazéns, numa operação arrasa quarteirão.
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A ampla Avenida Júlio de Castilhos foi inaugurada em 1928, pelo intendente Major Alberto Bins, em cerimônia presidida por Borges de Medeiros, pouco tempo antes de deixar o Governo do Estado, descongestionando a estreita Rua Voluntários da Pátria.
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07. Avenida Loureiro da Silva, Primeira Perimetral, começa na Avenida Presidente João Goulart e termina na Rua Engenheiro Luiz Englert.
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Junto ao Colégio Parobé
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08. Avenida Mauá, começa na Rua General Portinho e termina na Rua da Conceição.
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Desfile Militar da avenida Mauá - Década de 1930
Revolução de 1930
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Implantada na década de vinte sobre a área aterrada do Guaíba para construção do porto, margeia os armazéns.
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Em 1928 recebeu o nome de Rua Visconde de Mauá que, por sucessivos atos administrativos, foi alterado para Avenida Mauá.
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Projeto da Mauá, com a elevada sobre a avenida
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A Avenida Mauá foi dividida longitudinalmente pelo Muro da Mauá que possui 2.647 metros de extensão e 14 comportas sendo parte de um complexo de proteção contra as cheias, construído em 1971, pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), composto por 68 quilômetros de diques de proteção que se estendem de norte a sul da cidade que inicia no entroncamento das avenidas Assis Brasil e Freeway e vai até o morro da Assunção. Esse sistema também inclui 18 casas de bombas que bombeiam as águas da cidade e evitam a invasão das águas do rio Gravataí e do lago Guaíba, fechando suas comportas por gravidade.
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09. Avenida Osvaldo Aranha, começa na Praça Argentina e termina na Rua Ramiro Barcelos, no Bairro Bom Fim, contornando, pelo lado norte, o quarteirão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o Parque Farroupilha - antiga Várzea.
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Década de 1910
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Conhecida como Estrada do Meio ou Caminho do Meio, teve o primeiro arruamento requerido, em 1833, pela Santa Casa de Misericórdia para edificar, no fundo de seu terreno, que fazia frente à Várzea, algumas casas, citadas, em 1836, pelo jornal O Mensageiro, como “casas novas da Caridade, sitas na Várzea”.
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Avenida Bom Fim sem as palmeiras, junto ao prédio do Cine Baltimore - 1931
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Fica evidente, pelo exame de várias resoluções da Câmara Municipal, que a face norte do caminho era toda de chácaras com frentes irregulares, o que retardou a fixação de um logradouro público regular. Em 1849, os vereadores autorizam um fiscal municipal à “mandar compor a Estrada do meio nas proximidades da Várzea desta Cidade, podendo para isso comprar pedra ou cascalho”.
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Em 1867, que foi lançada a pedra fundamental da capela do Senhor do Bom Fim, que deu origem ao nome Campo do Bom Fim em 1870 e, posteriormente, ao Bairro Bom Fim.
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Acidente entre uma Lambreta e o Bonde - 1968
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Desde 1896, a avenida foi servida pelos bondinhos de tração animal da Cia. Carris Urbanos, da linha “Partenon”, que se dirigia àquele bairro através da Rua Santana.
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Na planta municipal de 1916, a face norte do Campo da Redenção foi designada como Avenida do Bom Fim. O Intendente Montaury iniciou, em 1917, a sua arborização e entre 1918 e 1919, o seu calçamento:
“No corrente ano, foi iniciado o calçamento da Avenida Bom Fim, de acordo com o plano de embelezamento desse logradouro, ficando a arborização abrigada pelo passeio central que corre longitudinalmente. No ano próximo começará os trabalhos de calçamento da avenida, no lado oeste desse logradouro, onde já estão executados grande número de trabalhos, como sejam os de drenagem de todo o Campo, esgotos de águas pluviais, terraplanagem e arborização”.
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O calçamento da Avenida Bom Fim, com duas pistas de concreto armado, foi inaugurado pelo Intendente Otávio Rocha, em 1927. Em 1930, recebeu o nome de Avenida Osvaldo Aranha, em homenagem ao ilustre político riograndense, partícipe da Revolução de 1930.
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HPS - 1950
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A partir da década de vinte, a avenida e suas transversais se transformaram em ponto de atração de comerciantes judeus, de origem polonesa ou russa, transformando o Bom Fim no bairro judeu de Porto Alegre.
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10. Avenida Otávio Rocha, inicia na Rua Marechal Floriano junto à Praça XV de Novembro e termina na Senhor dos Passos, adjacente à Praça Otávio Rocha.
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Década de 1920
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Até boa parte do Século XIX, o local era conhecido como “Beco do Rosário”, um estreito caminho que dava acesso aos terrenos de Antônio Pereira Couto, um dos quais doado para a construção da Igreja do Rosário. Em 1876, depois de algumas melhorias nessa via pública, o lugar passou a ser chamado oficialmente de Rua 24 de Maio, em homenagem à Batalha de Tuiuti.
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Década de 1940
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A inauguração do Cais do Porto da cidade, em 1921, determinou a reorganização no sistema viário e a abertura de novas ruas para facilitar a circulação de mercadorias. A Rua 24 de Maio foi então alargada para melhorar o acesso aos arrabaldes da Floresta e de São João, como previa o arquiteto João Maciel em seu plano visionário de melhoramentos da cidade, elaborado em 1914 e resgatado pelo Intendente Otávio Rocha.
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Década de 1940
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Em 1932, o Intendente Alberto Bins, responsável pelo término da obra, alterou seu nome para Avenida Otávio Rocha, uma homenagem ao Intendente que iniciou a obra e faleceu em 1928.
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Vista da Praça Otávio Rocha
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11. Avenida Padre Tomé, começa na Avenida Mauá e termina na Rua dos Andradas, em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores.
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Antiga Praça Padre Tomé - década de 1910
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Integrava, no princípio do século passado, a Praia do Arsenal, concedida ao município em 1824, pelo presidente da Província Visconde de São Leopoldo. Em 1859, com a urbanização da Rua da Alfândega (hoje Sete de Setembro), e a construção de um novo Arsenal de Guerra, o Presidente Ângelo Muniz da Silva Ferraz permutou com a Câmara Municipal os terrenos situados entre as atuais ruas General Canabarro com os da marinha da Rua Voluntários da Pátria, entre as ruas Vigário José Inácio e Barros Cassal. Também nesta época, conforme o resumo histórico do Padre C. J. Papen sobre a Igreja de Nossa Senhora das Dores, a Irmandade da Ordem Terceira obteve a concessão do terreno da marinha enfrente à igreja, devendo, em contrapartida, construir um cais na extensão correspondente, “pelo alinhamento além da Rua da Alfândega”.
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Em 1860, o aterro e o cais protetor nos fundos da Rua Sete de Setembro já estavam prontos, como relata Antão Fernandes Leão:
“O aspecto repulsivo que apresentavam essas praias em toda a extensão em que hoje se acham a praça e cais da Marinha e o da Rua da Alfândega não incomodará mais a quem demandar o porto desta cidade e nem os seus habitantes”.
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Em 1873, a “praça em frente à igreja”, onde foram realizados vários enforcamentos, segundo alguns relatos, recebeu a denominação oficial de Praça Padre Tomé. Já no século XX, o logradouro foi prolongado até o cais do porto, em função do aterro no qual se implantaram a Rua Siqueira Campos e a Avenida Mauá.
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Atual avenida Padre Tomé
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Em 1931, o prefeito Alberto Bins alterou seu nome para Avenida Padre Tomé em homenagem ao Padre Tomé Luiz de Souza, professor e pároco da Catedral.
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12. Avenida Presidente João Goulart,
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Junto ao antigo Gazômetro
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13. Avenida Senador Salgado Filho,
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Em obras e as demolições para o alargamento - década de 1930
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Já concluída na década de 1930
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2000
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14. Avenida Sepulveda, começa na Avenida Mauá e termina na Praça da Alfândega.
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Década de 1960
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Foi implantada em área do aterro para a construção do cais do Porto, a partir de 1912.
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Em 1925 foi urbanizada e recebeu, do Intendente Otávio Rocha, a denominação mantida até hoje, em homenagem ao oficial português Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, que, sob o falso nome de José Marcelino de Figueiredo, foi governador e capitão-general da Capitania do Rio Grande de São Pedro e o virtual fundador de Porto Alegre.
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A colônia portuguesa radicada em Porto Alegre doou um obelisco em sua homenagem, implantado no centro da avenida.
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15. Largo Archimedes Fortini, 
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Largo Visconde do Caírú,
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16. Largo dos Medeiros, ponto em que a Rua dos Andradas se alarga, entre a Rua General Câmara e a Praça da Alfândega.
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Década de 1910
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Em 1957 foi sancionada a lei que oficializou a homenagem aos irmãos Eugênio e Pantaleão Medeiros, proprietários da antiga Confeitaria Central, na esquina Rua dos Andradas com a Rua General Câmara, onde hoje está o edifico do Banco Itaú, que foi o ponto de reunião das famílias depois das sessões dos cinemas (nessa época os melhores eram localizados ao redor da praça), que para lá se dirigiam para tomar o chá acompanhado de deliciosos doces.
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17. Largo Glênio Peres, idealizado como um espaço sociocultural e universal, o projeto de implantação objetivou criar um amplo espaço aberto, livre de obstáculos, integrando num eixo visual os prédios históricos implantados no seu entorno: o Paço Municipal, o Mercado Público, a Praça XV, o antigo abrigo de bondes e os da Rua José Montaury.
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1924
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Sua implantação foi idealizada ao longo de algumas décadas. As primeiras tentativas de mudar o visual da Praça XV e arredores ocorreram nas décadas de 60 e 70, envolvendo iniciativas e ações de três prefeitos: Telmo Thompson Flores, Guilherme Villela e João Dib. Mas foi com o prefeito Alceu Collares, no final dos anos 80, que surgiu a proposta de transformar o local num “Largo Cívico”. O projeto acabou sendo desenvolvido e implantado no governo seguinte, na gestão de Olívio Dutra, e recebeu o nome de Largo Jornalista Glênio Peres, em homenagem ao político recentemente falecido.
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Terminal de ônibus - 1970
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O projeto foi executado por etapas e exigiu a transferência de inúmeras linhas de ônibus, do então chamado Terminal Praça XV de Novembro, para os terminais Rui Barbosa, Parobé e Conceição.
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Atual
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Com área total de 6.309,00 metros quadrados, foi pavimentado com pedras portuguesas seguindo um desenho rendilhado, semelhante, segundo pesquisa histórica, ao que existia no local no final dos anos 20, incluindo a instalação de trilhos e do Bonde nº 123, totalmente restaurado e retirado, após algum tempo, em função da depredação.
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Projeto
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Por ser uma área concebida para ficar a maior parte do tempo livre, destinada à circulação de pedestres e para manifestações populares diversas, sem nenhum tipo de comercialização, recebeu um tratamento urbanístico diferenciado, inclusive no mobiliário urbano. Na época, cogitou-se a realização de uma feira de artesanato, nos moldes do Brique da Redenção, que funcionaria somente aos sábados à tarde e de amostras de feiras regionais, como a Festa da Uva ou a Ocktoberfest ou mesmo feiras étnicas, com apresentações de espetáculos musicais, mas sempre obedecendo a um calendário básico de eventos e ao horário, sempre do meio para o final da tarde e à noite.
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As obras iniciaram no dia 2 de agosto de 1991 e a inauguração ocorreu em abril do ano seguinte.
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18. Largo José Almorim de Albuquerque,
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19. Largo Vespasiano Julio Veppo,
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Junto a Estação Rodoviária
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20. Rua Avaí, antiga rua da Cidade Baixa reduzida a um pequeno segmento entre a Avenida João Pessoa e a Primeira Perimetral, devido à implantação desta última artéria, em 1974. Anteriormente chegava até o Riacho, um pouco acima da Ponte de Pedra.
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Em 1821 era conhecida como Rua da Fonte, pois desembocava na Várzea diante de uma das primeiras fontes da Vila. Entretanto, o nome consagrado pela população foi Beco do Firme, pois na esquina voltada para o norte e o nascente, olhando para a Várzea e para a nova ruela, existia a residência de Antônio Francisco Firme, que foi uma das requisitadas para abrigar a comitiva do Imperador Pedro I, quando este veio a Porto Alegre, em 1826.
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Em 1884, a Câmara Municipal resolveu “mandar abrir desde já à servidão pública a rua Avaí na parte ultimamente desapropriada”, prolongando o Beco do Firme, até a Rua da Concórdia (atual José do Patrocínio).
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Após 1886 foi estendida até a Rua da Margem (atual Rua João Alfredo), atravessando terrenos muito alagadiços e pantanosos. A secção final, além da Rua João Alfredo, somente foi aberta pelo Intendente José Montaury, já na república.
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Em 1879, a Câmara Municipal alterou a denominação de “Beco do Firmo” para Rua Avaí, em homenagem à famosa batalha vencida pelas armas brasileiras no Paraguai. Com fortes razões, o cronista Coruja contestou a nome “Firmo” em vez de “Firme”, erro da memória municipal.
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21. Rua Caldas Junior, inicia na Avenida Mauá e termina na Rua Riachuelo.
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Grande Hotel - 1930
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Sua origem remota aos tempos da vila, quando foi conhecida como Beco da Inácio Manoel Vieira que, segundo o cronista Coruja, ali edificara vários prédios, até o ano de 1829, quando já era chamada, também, de Beco Quebra-Costas e Beco do Fanha, apelido de um taverneiro fanhoso, Francisco José Azevedo.
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Segundo seu traçado original, o beco deveria subir o morro em direção à Rua Duque de Caxias, até a atual Rua General Auto. Mas, já e 1829, a passagem morro acima achava-se vedada “por ter o Exmo. Visconde de São Leopoldo, em tempo que serviu de Presidente desta Província, amurado os terrenos de sua propriedade e estreitado a largura do dito beco”. Em 1860, em função da largura do Beco do Fanha, que impossibilitava a passagem de dois carros ao mesmo tempo, foi estabelecida a mão única de tráfego no sentido da subida.
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Em 1873, a Câmara trocou a denominação popular para Travessa Paysandu, em homenagem ao feito de armas da guerra contra o Uruguai em 1864/65. Em 1874, recebeu calçamento entre as ruas Riachuelo e Andradas, e, em 1882, no segmento entre a Andradas e a Sete de Setembro.
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Na administração do Intendente José Montaury, o beco perde suas características primitivas através de um alargamento de sete metros do lado da numeração ímpar, totalizando 13 metros, maior que a dimensão de muitas ruas centrais consideradas nobres. As obras, concluídas em 1919, e a construção do primeiro prédio da Caixa Econômica Federal, na esquina da Rua Sete de Setembro, do “A Federação” (Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa) e do Grande Hotel (já demolido), na esquina da Rua dos Andradas, concorreram, decisivamente, para inovar a imagem da via.
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Junto ao prédio do Correio do Povo
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Em 1944, o Prefeito Antônio Brochado da Rocha efetuou uma troca de nomes entre as ruas “Caldas Júnior” no Bairro do Partenon, e a Rua Paissandu, em homenagem ao Correio do Povo.
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22. Rua Capitão Montanha, inicia na Avenida Mauá e termina na Praça da Alfândega.
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Foi implantada sobre o aterro executado para a construção do porto. Em 1925 recebeu o nome Rua Capitão Montanha, em homenagem ao Capitão Alexandre José Montanha, engenheiro do Exército português, responsável pelo primeiro plano urbano de Porto Alegre e medição dos lotes distribuídos aos colonos açorianos.
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23. Rua Carlos Chagas, começa na Avenida Mauá e termina na Rua Comendador Manoel Pereira.
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Foi aberta nos terrenos acrescidos pelo aterro do Cais do Porto, na década de vinte. Recebeu sua atual denominação em 1936, em homenagem ao médico e cientista mineiro Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, descobridor da moléstia de Chagas.
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24. Rua Cassiano do Nascimento, vai da Avenida Mauá à Praça da Alfândega.
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Implantada na área de aterro do Guaíba para a construção do Porto. Foi nomeada por decreto, em 1925, do Intendente Otávio Rocha, em homenagem ao Dr. Alexandre Cassiano do Nascimento, pelotense, propagandista da República, vice-presidente do Estado, deputado federal, constituinte de 1891, Ministro do Exterior no governo do Marechal Floriano Peixoto, e senador pelo Rio Grande do Sul.
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25. Rua Chaves Barcelos, vai da Avenida Mauá à Rua Voluntários da Pátria.
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Implantada na área do aterro do Guaíba para a construção do Porto. A denominação foi dada, em 1926, pelo Intendente Otávio Rocha, “considerando que a família Chaves de Barcelos tem conquistado justos títulos de benemerência por obras meritórias que atestam os sentimentos filantrópicos de seus membros”, especialmente o Comendador Antônio Chaves Barcelos, que destinara vultosa quantia à organização de uma fundação beneficente com o seu nome.
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26. Rua Comendador Manoel Pereira, começa na Praça Osvaldo Cruz e termina na Rua da Conceição.
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Foi aberta sobre terrenos conquistados pelo município após longa discussão judicial entre a Intendência Municipal e herdeiros do Cel. Vicente Ferrer da Silva Freire, concluída na década de noventa, do século XIX.
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Na planta municipal de 1896, a rua aparece em projeto e sem denominação. Em 1902, conforme o relatório, o município ainda possuía ali terrenos com 118 metros de frente, neles incluídos os 22 metros de um lote reservado à construção da Usina Elétrica Municipal, na esquina da Rua Coronel Vicente.
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Entre 1905 e 1906, o Intendente Montaury mandou executar um aterro na então chamada Rua Triunfo. Nesta época a Câmara propõe que “a nova rua em construção que parte da Praça Pinto Bandeira e termina à Rua da Conceição” fosse denominada Rua Montaury, que não foi possível, pois não era permitido homenagear pessoas vivas.
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Em 1909, o leito da Rua Triunfo foi reparado com resíduos de carvão de pedra. O nome só foi alterado para o atual, em 1936, em homenagem a um forte empresário, com descendência ilustre.
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27. Rua Coronel Fernando Machado, começa na Rua General Vasco Alves e termina na Rua Coronel Genuíno.
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Rua do Arvoredo - 1860
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A Rua do Arvoredo, que deu origem à Rua Coronel Fernando Machado, ganhou notoriedade por um episódio insólito: o crime do século XIX, história macabra de um açougueiro que, auxiliado por sua mulher, esquartejava corpos humanos transformando-os em lingüiça.
O crime foi desvendado pelo cachorro farejador de um menino, vítima do açougueiro.
O historiador Décio Freitas tratou do tema escrevendo o livro “O Maior Crime da Terra – O Açougue Humano da Rua do Arvoredo”.
Talvez nosso primeiro serial killer.
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Início século XX
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Com a designação de Rua do Arvoredo, foi uma das primeiras ruas dos tempos da vila de Porto Alegre. Em 1788 encontra-se registrada a escritura pública de compra e venda, relativa a uma “casa e cozinha de palha”, fazendo frente “para a rua direita que sai da Matriz” e “fundos para a rua do Arvoredo”, fato que assinala a existência de moradores, de condição modesta, já no século XVIII.
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Em 1843, os vereadores determinaram a execução de calçadas aos proprietários da Rua do Arvoredo. Em 1851, a Câmara autorizou seu procurador a fazer um cano de tábuas nos fundos do quintal do Palácio para canalizar as águas que desciam do morro, ali colocando de 20 a 40 carroçadas de aterro, “a fim de dar trânsito àquele lugar”. Dois anos depois, obras são realizadas na Rua do Arvoredo, desde a Rua de Belas (atual General Auto), até o Alto da Bronze (atual Praça General Osório), “onde proximamente se acabou de abrir a dita rua”. Embora constando aberta até a Rua General Vasco Alves na planta oficial de 1839, o trecho imediato ao Alto da Bronze talvez se conservasse ainda irregular e intransitável.
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1923
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A inauguração da Fonte dos Pobres, em 1857, atrás do palácio do Governo, determinou a realização de algumas obras complementares. Os proprietários dos terrenos localizados em frente ao chafariz foram intimados a construírem um muro, para que fosse possível executar o nivelamento e aterro daquele trecho da rua.
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Em 1865, foi iniciada a construção do Seminário Diocesano (hoje Cúria Metropolitana), na esquina da Rua Espírito Santo. Nesta época a Câmara concedeu licença ao tambeiro Propício de Abreu para manter vacas de leite em seu curral à Rua do Arvoredo.
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Em 1870, a Câmara Municipal mudou o nome de Rua do Arvoredo para Coronel Fernando Machado, em homenagem a Fernando Machado de Souza, coronel no combate de Itororó, em 1868, na Guerra do Paraguai.
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Estatística Predial de 1892 registrava a existência de 234 prédios. No fim do século, havia um trecho da rua que concentrava um grande número de prostíbulos: o famigerado Beco do Céu, que movimentava os plantões policiais...
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Em 1894, a Intendência adquiriu um terreno para “desobstrução da Rua Cel. Fernando Machado, entre General Paranhos e Marechal Floriano”, evidenciando a existência de estreitamentos que impediam a implantação do alinhamento projetado.
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Atual
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Segundo o Intendente José Montaury o calçamento foi executado em 1906. A urbanização da Praça General Osório (Alto da Bronze), a construção da escadaria de acesso à Rua General João Manoel, a abertura da Avenida Borges de Medeiros e o ajardinamento dos fundos do Palácio do Governo foram fatores relevantes na melhoria da Rua Coronel Fernando Machado.
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28. Rua Coronel Genuíno, começa acima da Praça Marquesa de Sévigné e termina no Praça dos Açorianos.
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Estabelecendo uma seqüência cronológica das ruas da “cidade baixa” antiga, Felicíssimo de Azevedo registrou que a Rua Coronel Fernando Machado era a avó, a Demétrio Ribeiro a Filha, e a Coronel Genuíno a neta.
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Documento de 1820 já cita uma “rua travessa da margem do Riacho”, que não pode ser outra senão a mesma Rua da Figueira, referida na documentação municipal de 1827, que iniciava na Rua Alegre ou São José, um dos segmentos da atual Rua Duque de Caxias, e que foi interrompida por proprietários do local.
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A tentativa de reabrir a parte alta da Rua da Figueira ao público transcorre de 1827 a 1843, com sucessivas determinações da Câmara Municipal desrespeitadas pelos proprietários. Em ata de 1827 é relatado o início dessa novela:
“... que sempre esteve livre ao trânsito público, se achava agora vedada com tapagem de cercas de taquaras (...) e que a dita rua era designada no Plano da Cidade, acordou a mesma Câmara que se passasse mandando para serem notificados os moradores da Rua Alegre, cujos fundos entestam naquela rua da Figueira, para recuarem as suas divisas e cercas, deixando livre ao mesmo trânsito em toda largura que o dito Arruador sinalaria na conformidade do mesmo Plano...”.
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Em 1843 os vereadores pediram ao presidente da Província para desapropriar um trecho de uma das propriedades:
“fazendo-lhe ver que achando-se aberta a Rua da Figueira até quase ao encontrar-se com a Rua do Rosário (...), acontece faltar somente abrir-se em um terreno ocupado por dona Francisca Barreta, sendo ele de foro, e que em conseqüência só se tem de indenizar as benfeitorias...”.

Daí em diante, porém, o assunto foi esquecido, explicando o estreito e ladeirento beco, onde hoje nasce a Rua Coronel Genuíno, atrás do prédio do Colégio Sevigné.
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Em 1874, a designação Rua da Figueira foi alterada para Rua Coronel Genuíno, em homenagem a Genuíno de Sampaio, morto na repressão aos “Mucker” (em alemão, significa falso santo em português). Na Estatística predial de 1892, a rua possuía 101 prédios.
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Ao longo do tempo, a Rua Coronel Genuíno sofreu transformações profundas em decorrência de algumas obras marcantes: A canalização do Riacho, que inutilizou a Ponte de Pedra, eliminou sua clássica função de rua de acesso ao Riacho; a implantação da Praça Daltro Filho, em 1938/39, tomou parte do seu leito; e, finalmente, o prolongamento da Avenida Borges de Medeiros seccionou sua extremidade sul.
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29. Rua Coronel Vicente, começa na Avenida Mauá e termina na Avenida Independência.
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A abertura dessa rua foi, a princípio, embaraçado por uma discordância partidária entre a maioria da Câmara, o governo provincial e os proprietários da “Chácara da Brigadeira”, aonde o logradouro viria a ser aberto.
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Em 1877, a Câmara, já com outra composição, recebeu um ofício de dona Rafaela dizendo concordar com a abertura, em sua chácara, de “uma rua com a cláusula de ser denominada Rua do Coronel Vicente e com a expressa cláusula de ser denominação perpétua”. No mesmo ano, o Fiscal Geral comunicava que havia intimado dona Mariana Minaberry a desocupar “a parte da Rua Coronel Vicente que tem edificada”. Em 1880, é construída uma pequena calha e de alguns aterros são executados na nova rua.
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Na planta da cidade em 1881, por Henrique Breton, o novo logradouro figura com uma única construção, na esquina da Avenida Independência.
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Na Estatística Predial de 1892 havia 21 prédios térreos e três assobradados na Rua Coronel Vicente.
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Entre 1905 e 1906, a rua recebeu seu primeiro calçamento e foi prolongada até a Rua Triunfo (atual Comendador Manoel Pereira). A extensão até a Avenida Mauá decorreu das obras do Porto e respectivo aterro, já na década de vinte do século XX.
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A designação da rua é óbvia homenagem ao Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire, marido da doadora do respectivo terreno. Nascido em Salvador em 1782, veio para o Rio Grande do Sul em 1809, ocupou funções de relevo na administração militar da Província. Partidário dos caramurus, foi assassinado pelos Frroupilhas, em sua fazenda do Rio dos Sinos, a em 1839.
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30. Rua da Conceição, começa na Avenida Mauá e termina na Rua Alberto Bins.
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Em 1834, o Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire, casado com dona Rafaela Pinto Bandeira Freire, filha do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira manifestou sua intenção de abrir uma rua por dentro de sua chácara, conhecida como “Chácara da Brigadeira”, para ligar a Estrada dos Moinhos de Vento com o caminho Novo, em requerimento à Câmara Municipal. Porém, devido à Revolução Farroupilha, a abertura só foi concretizada em 1845.
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Em 1857, os vereadores deliberaram que a denominação Rua da Brigadeira fosse alterada para Rua da União, enquanto a “travessa que segue da Conceição para a Várzea” passaria a se chamar Rua da Conceição.
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Em 1874, a Câmara Municipal unificou o topônimo Rua da Conceição desde a embocadura da Várzea, ou Campo do Bom Fim, até a Rua Voluntários da Pátria, já que, desde 1858, o consagrado nome da padroeira da Igreja de Nossa Senhora da Conceição originou o nome da rua adjacente e da praça na sua frente.
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No mesmo ano, foi instalada, na esquina da Rua Voluntários da Pátria, a estação da estrada de ferro para Novo Hamburgo, fator que ocasionou a transformação econômica da Rua da Conceição naquele setor, tornando-a numa rua de grande importância comercial.
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Em agosto de 1935, a extensa Rua da Conceição sofreu uma redução: o segmento que ia de Avenida Osvaldo Aranha até a Avenida Independência e a Travessa 1º de Março foram unificadas compondo uma nova rua, designada Rua Sarmento Leite.
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Sob a administração do prefeito Telmo Thompson Flores (1969 – 1975), a Rua da Conceição sofreu profundas transformações devido à construção do conjunto de pista elevada e túnel destinados a ligar, por um sistema viário expresso, as áreas da Rua Voluntários da Pátria e do quarteirão universitário. Um grande trecho do lado ímpar da rua desapareceu e seu leito foi rebaixado, em parte, até o nível do túnel.
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31. Rua Demétrio Ribeiro, começa na Washington Luís e terminando na Praça Daltro Filho.
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Sua execução data de 1810, como se deduz de um ofício dirigido pela Câmara Municipal ao Governador da Capitania daquele ano. A nova rua, aberta na pequena várzea que se estendia entre a Rua do Arvoredo e o curso do Riacho, foi chamada, a princípio, de rua nova da Vargem do Riacho. A partir de 1827, entretanto, começa a aparecer a denominação de Rua da Varzinha ou Varginha, pela qual foi popularmente conhecida durante mais de um século.
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Mas a abertura dessa nova via pública não foi pacífica: o trecho situado entre as atuais ruas General Auto e General Portinho permaneceria fechado ao trânsito até o fim da década de cinqüenta, porque os proprietários de chácaras e terrenos resistiram à desapropriação e usaram de todos os recursos protelatórios para que a via não fosse aberta. Desde 1827, pelo menos, a Câmara Municipal determinou providências para pôr a rua “livre ao trânsito público em toda a sua extensão” .
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Em 1833, os vereadores vistoriaram o local, verificando que a rua estava praticamente aberta, “ficando apenas no centro um pequeno espaço cuja tapagem interpolada embaraça o trânsito”. Como a Rua do Riacho (Washington Luíz) alagava durante o inverno era necessário assegurar uma passagem.
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Os abaixo-assinados de moradores interessados na abertura da rua se repetiram em 1844 e em 1851. Mas, sobretudo João Marcos dos Santos Bittencourt, o famoso “Mil onças”, que o cronista Coruja aponta como indivíduo mais cacete da cidade, dificultou a desapropriação. Com o arquivamento dos dois últimos processos de desapropriação, em 1856, pressume-se que o assunto tenha se encerrado. Em 1861 são instalados dois lampiões da iluminação pública na área recém aberta: um na esquina da Rua do Arroio e outro na esquina da Rua Direita.
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Em 1885, para celebrar a visita a Princesa Imperial, Isabel de Órleans, a Câmara mudou o nome da Rua da Varzinha para Rua Dona Isabel, denominação que durou pouco mais de quatro anos, pois com a proclamação da República, as placas da Dona Isabel cediam lugar às do jovem republicano Demétrio Ribeiro.
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Em 1874, a rua contava 36 ligações d’água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense. O calçamento foi cogitado a partir de 1884, completado. Segundo a Estatística Predial de 1892, contava 294 prédios, entre os quais 13 sobrados. Uma obra pública modificou sensivelmente a aparência da rua no seu trecho final: a instalação da Praça Daltro Filho, mediante a demolição das casas de todo um quarteirão, a partir de 1938.
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32. Rua Dom Sebastião, ligava a Rua Duque de Caxias com a Rua Coronel Fernando Machado.
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Em 1868, durante a construção o Seminário Diocesano o Bispo Dom Sebastião Dias Laranjeira solicitou à Câmara Municipal a abertura uma rua entre as construções eclesiásticas e o Palácio, oferecendo auxilio monetário para desapropriar algumas casas localizadas no alinhamento da Rua do Arvoredo e que só foram efetivadas em 1875.
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Em 1884, a câmara nomeia a rua como Dom Sebastião e envia o projeto e o orçamento ao presidente da Província, solicitando auxílio para a obra.
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Em 1929, conforme relato do Intendente Alberto Bins ao Conselho Municipal, foram executadas diversas obras, objetivando amenizar a forte rampa impeditiva ao tráfego de veículos, transformando-a em escadarias:
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“No início da rua, a uns 30 metros além do alinhamento do Palácio, em demanda à rua Fernando Machado, começa o primeiro lance da escadaria, que se segue debaixo de um terraço, por sua vez sustentado por uma colunata. (...) Descendo-se em direção à rua Fernando Machado, encontra-se outro amplo patamar, calçado com pedras de cores tipo português, e por onde, com mais sete degraus, conduz ao terraço principal, que ocupa toda a largura da rua em frente à cripta da nova Catedral. Daí em diante, a escadaria segue em lances retos, intercalados por amplos patamares, moldurados pelo verde das rampas naturais. A construção, com o seu reboco de imitação a pedra, está em perfeita harmonia com as linhas arquitetônicas do Palácio e com as da Catedral”.
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Em data não conhecida, a rua e sua escadaria foram fechadas para o uso público, passando a fazer parte integrante dos jardins do Palácio e sua saída para a Rua Coronel Fernando Machado foi obstruída pela construção de uma casa de bombas do Departamento Municipal de Água e Esgotos.
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33. Rua dos Andradas, a Rua da Praia nasceu com cidade de Porto Alegre, às margens do Guaíba, compondo com as atuais ruas Riachuelo e Duque de Caxias os três eixos principais da ocupação urbana.
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1888
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A mais antiga rua da cidade começava na ponta do Gasômetro, onde foram implantados os Armazéns Reais e o Arsenal da Marinha, e ia até a General Câmara, junto a Praça da Alfândega, na época, Largo da Quitanda, onde se aglutinavam os comerciantes. Recebeu seu primeiro calçamento, provavelmente, em 1799. Da Rua do Ouvidor (Atual General Câmara) até a Senhor dos Passos era conhecida como Rua da Graça, até 1843, quando as ruas foram emplacadas.
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1900
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O botânico francês Saint-Hilaire, que esteve na cidade em 1820, fez elogios a Rua da Praia, destacando a grande movimentação do comércio. Já Nicolau Dreys destaca as edificações: ”Nesta rua, formada por casas geralmente altas, de estilo elegante e moderno...”.
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Junto a Rua Mal. Floriano, início século XX
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Em 1865, a Câmara Municipal, em comemoração ao aniversário da Independência, alterou seu nome para Rua dos Andradas, desconsiderando sua identidade centenária e popular. Neste período, o antigo calçamento, executado à base de calha central, para a qual se inclinavam as calçadas, começou a ser substituído utilizando-se o sistema de pista abaulada, com sarjetas adjacentes a cada um dos passeios.
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Junto a praça da Alfândega - 1906
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As pedras irregulares só são substituídas por paralelepípedos a partir de 1885.
Em 1923 é introduzido o “requinte do calçamento de paralelepípedos de granito em mosaico” com duas cores.
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Vista da Rua da Praia, onde se observa o Grande Hotel e o Theatro São Pedro e Palácio Piratini (ao fundo)
 Década de 1920
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No passado a rua abrigou cafés, confeitarias e uma quantidade de cinemas que agitavam a noite da cidade, como o Cacique, o Imperial, o Guarani e o Ópera e foi o centro cívico da cidade e do estado, ponto de encontro de políticos e estudantes.
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Final século XIX
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A Rua da Praia é o coração da cidade. Nela estão a Igreja das Dores, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Museu Hipólito da Costa, o Clube do Comércio, o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, a Catedral Episcopal, as Galerias Chaves e Malcon, a Livraria do Globo e os quartéis do Exército Brasileiro e da Brigada Militar.
Temos ainda, a Esquina Democrática, a Praça Brigadeiro Sampaio, a Praça da Alfândega, grande palco da feira do livro, e o calçadão para pedestres.
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Início século XX
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34. Rua Doutor Flores, inicia na Rua Voluntários da Pátria e termina na Rua Riachuelo, junto à Praça Conde de Porto Alegre, antiga Praça do Portão.
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Atualmente composta por cinco quadras, por volta de 1814 era chamada de Rua Santa Catarina e não chegava no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria), pois era fechada por uma chácara. Esta ligação só foi efetivada em 1842 quando o terreno foi desapropriado.
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Em 1873, a Câmara Municipal alterou o nome da rua para Rua Doutor Flores, em homenagem ao ilustre médico e político Luiz da Silva Flores, antigo morador da rua.
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A Sociedade Germânia, denominada “Gesellschaft Germânia”, a mais antiga sociedade recreativa de Porto Alegre, fundada em 1855 por alemães radicados na cidade, construiu uma imponente sede social na Rua Doutor Flores, funcionando de 1886 a 1917, quando foi incendiada e saqueada por manifestantes antialemães.
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35. Rua Duque de Caxias, começa na Rua General Salustiano e termina na Praça Conde de Porto Alegre e Viaduto Loureiro da Silva.
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1906
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A tradicional rua da Capital, que se desenvolveu ao longo da parte mais alta da colina onde nasceu a antiga vila, teve várias denominações espontâneas: Rua Formosa, Rua Direita da Igreja, Rua da Igreja, da Praia do Arsenal até a igreja Matriz e Rua São José, Rua Alegre, Rua do Hospital da Igreja até a Praça do Portão (atual Praça Conde de Porto Alegre). Nenhum desses nomes era oficial e eram usados arbitrariamente.
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Antigo Liceu
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Em 1820 Saint-Hilaire assim a descreveu:
”Uma das três grandes ruas, chamada rua da Igreja, estende-se sobre a crista da colina. É ai que ficam os três principais edifícios da cidade, o Palácio, a Igreja Paroquial e o Palácio da Junta. São construídos alinhados e voltados para noroeste. Na outra face da rua, em frente, não existem edifícios, mas tão somente um muro de arrimo, a fim de que não seja prejudicada a linda vista daí descortinável”.
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Em 1843 foram colocadas, pela primeira vez, placas indicativas nas ruas e o nome Rua da Igreja foi adotado. A denominação de Rua Duque de Caxias só foi adotada no final de 1869, quando os vereadores nomeiam uma comissão para angariar fundos para o seu calçamento, pois se tratava de uma rua nobre, freqüentada pelos estudantes do liceu e da Escola Normal e por famílias aristocráticas da cidade como a dos Barreto Pereira Pinto e a dos Corrêa da Câmara.
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No final do século XIX o ajardinamento de três praças – da Matriz, Conde de Porto Alegre e General Osório – em três pontos da rua Duque de Caxias, concorreu para seu embelezamento. A partir de 1909, com o estabelecimento dos bondes elétricos, foi implantada a linha circular “Duque”, também conhecido como bonde “D”.
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Década de 1960
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Abriga prédios que são cartão postal da cidade, como o Palácio Piratini, a Catedral Metropolitana, o Palácio Farroupilha, o palacete do Visconde de Pelotas, onde Dom Pedro II se hospedou quando visitou o Rio Grande do Sul, denominado atualmente de Solar dos Câmara e que abriga um centro cultural, o Museu Júlio de Castilhos, a antiga Junta da Real Fazenda, único prédio da época da fundação de Porto Alegre, que permanece até os dias de hoje e a sede da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE).
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36. Rua Engenheiro Luiz Englert,
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37. Rua Espirito Santo, com apenas três quadras, a estreita Rua Espírito Santo tem seu início ao lado da Catedral Metropolitana na Rua Duque de Caxias, terminando na Whashington Luis, próximo ao Largo dos Açorianos.
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Final século XIX
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Foi aberta em 1817, atendendo as reivindicações dos moradores da Rua do Arvoredo (atual Rua Fernando Machado). O memorial dos moradores descrevia que, para chegarem à igreja, tinham que passar pelo interior do cemitério que seria fechado pela execução de um muro.
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A ladeirenta via pública de 43 palmos ficou conhecida como Beco do Império, nome da construção que servia às festas da Irmandade do Divino Espírito Santo, ao lado da Matriz, e como Beco do Cemitério.
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Em 1856, os vereadores decidiram alterar seu nome para Beco do Espírito Santo, certamente atendendo as reivindicações dos moradores envolvidos com as tradicionais festas da Irmandade do Divino Espírito Santo, realizadas na Igreja da Matriz. Em 1881, o beco ganha status de rua e passa a ser chamado de Rua do Espírito Santo.
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O poeta Mário Quintana, atento á história de Porto Alegre, escreveu o poema “Imemorial”, que fala do Beco do Império
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38. Rua General Andrade Neves, antigo Beco do Leite, começa na Rua General Câmara e termina na Avenida Borges de Medeiros, junto à Avenida Salgado Filho.
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Início do século XX
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É uma das ruas mais antigas da cidade, conhecida pelo nome de Rua Nova. Parece ter sido aberta por convenção entre os moradores da Rua da Praia e Rua da Ponte, pois a maioria das casas de ambas as ruas possuiam portão de saída por ela. Até a abertura da Avenida Salgado Filho, na década de quarenta, se desenvolvia até a Rua Marechal Floriano. No século XIX um projeto previa seu prolongamento até a Santa Casa, que não ocorreu por questões judiciais que envolviam desapropriações.
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A estreita travessa teve seu primeiro calçamento executado em 1843. Seu nome foi alterado, em 1869, para Rua Barão do Triunfo, em homenagem ao herói riograndense na Guerra do Paraguai, José Joaquim de Andrade Neves. Como já existia a Rua Barão do Triunfo no bairro Menino Deus, batizada pelos moradores, a Câmara municipal reparou o equívoco alterando o nome para Rua Andrade Neves, concedendo dupla homenagem ao Barão do Triunfo.
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Antes de se transformar em rua comercial, com edifícios de escritórios e hotéis, no início do século XX, a ruela era o centro da boemia, com seus cabarés e casas de jogos. O clube dos caçadores, um elegante cassino, foi por muitos anos o grande ponto de jogatina do centro.
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39. Rua General Auto, começa na Duque de Caxias e termina na Rua Washington Luís.
Foi descrita pelo cronista Coruja como “um caminho ladeiro por onde se descia para a praia do Riacho”. Chamada de Rua de Belas, era, possivelmente, a continuação do velho Beco do Fanha (atual Rua Caldas Júnior), que foi absorvida por proprietários privados, no segmento entre a Rua Riachuelo e a Rua Duque de Caxias, com o passar do tempo. Um memorial de 1831 menciona a “rua que faz alinhamento com o beco do Fanha, para baixo da Junta da Fazenda”. O prédio da Junta da Fazenda correspondia ao da antiga Assembléia Legislativa, à Duque de Caxias, quase esquina de General Auto.
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Apesar de ser caracterizada pela forte ladeira, a Rua de Belas foi ocupada regularmente, tanto que, já em 1847, os moradores entregaram à Câmara um abaixo-assinado requerendo a instalação de lampiões para a iluminação pública.
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Em 1873, por resolução dos vereadores, passou a denominar-se Rua General Auto, em homenagem ao militar porto-alegrense José Auto da Silva Guimarães, Barão de Jaguarão.
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Em 1874 possuía 132 casas ligadas à rede de água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense. E a Estatística Predial de 1892 registrou 98 prédios, sendo 95 térreos, 2 assobradados e 1 sobrado.
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40. Rua General Bento Martins, começa na Mauá, junto ao Cais do Porto e termina na Whashington Luís.
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Seu primeiro nome oficial foi Rua do Arroio, dado em 1777, desconhecido pela maioria da população que a apelidara com três nomes distintos, dados por seções:
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Entre a Rua da Praia e a da Ponte “Rua dos Pecados Mortais” ou “Rua dos Sete Pecados”, pois ali existiam sete choupanas que eram alugadas para encontros amorosos.
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Entre a Rua da Ponte e da Igreja “Rua da Bola” porque o comerciante Antônio Pereira da Silva, dono de um armazém de secos e molhados criou um campo de futebol nos fundos de seu mercado para que a freguesia pudesse bater uma bolinha entre petiscos e aperitivos.
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Entre a Rua da Igreja até a Rua do Arvoredo “Rua dos Nabos a Doze”, ou somente “Rua dos Nabos”, pois ali residia um comerciante que ficou famoso por vender doze nabos por um vintém.
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O nome General Bento Martins foi adotado pela Câmara em 1870 em homenagem ao Barão de Ijuí.
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41. Rua General Câmara, começa na Avenida Mauá e termina na Rua Riachuelo.
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Final século XIX
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No início do século XIX, quando o governo central transformou a freguesia em Vila de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, existiam apenas sete ruas com edificações na península. Três paralelas à margem do Guaíba e quatro transversais.
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Cia. Telefônica - 1870
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A Rua General Câmara era uma dessas transversais e fazia a conexão direta entre a Rua da Praia e o alto da Matriz desde 1799. Já nesta época possuia dois nomes: no trecho entre a Rua dos Andradas e a Rua Riachuelo era conhecida como Rua do Ouvidor, certamente por causa do Ouvidor da Comarca, Dr. Lourenço José Vieira Souto que determinou a execução do seu calçamento à Câmara e, no trecho entre a Rua dos Andradas e a Avenida Mauá, como Beco do João Inácio ou Beco da Garapa, porque este comerciante ali vendia uma garapa de qualidade, procedente de sua chácara localizada no Caminho Novo, que atraía um bom número de apreciadores.
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Década de 1910
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Por volta de 1829 a Rua do Ouvidor passou a ser conhecida, também, por Rua da Ladeira. As três designações coexistiram até 1870, quando a Câmara Municipal oficializou o nome de Rua General Câmara em toda a sua extensão, em homenagem ao General José Antônio Corrêa da Câmara, Visconde de Pelotas.
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Década de 1910
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Apesar da denominação centenária, a Rua General Câmara continua a ser chamada, pela população de Porto Alegre, de “Rua da Ladeira”.
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42. Rua General Canabarro, começa na Rua Siqueira Campos e termina na Rua Duque de Caxias.
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Até 1936 englobava a Rua General Cipriano Ferreira, que vai da Rua Duque de Caxias à Rua Washington Luiz. Segundo o cronista Coruja, esta via era conhecida como Beco do Pedro Mandinga, pois, nas proximidades da Igreja de Nossa Senhora das Dores, residia Pedro de Souza Lobo.

“Depois do seu falecimento – diz Coruja -, este nome foi ficando esquecido por ter sido substituído pelo de Rua Direita ou Rua do Conde de Porto Alegre. Chamou-se Direita por ser muito torta, pois de praia a praia tem nada menos de quatro rumos ou direções diversas e a Rua da Igreja desencontrou-se por tal modo que nas suas duas partes sul e norte as casas de uma não vêem nem podem ver as casas da outra. O que as liga entre si estas duas secções da Rua Direita, é uma pequena parte da Rua da Igreja”. (Antigualhas, Coleção ERUS, p.111)
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A velha Rua Direita também era chamada “dos Quartéis”, por hospedar corpos de tropa e, na esquina da Rua da Praia, os Armazéns Nacionais, e possuía uma ponte de embarque e desembarque em 1827.
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Na administração do Brigadeiro Salvador José Maciel, foi construído, no trecho entre Andradas e Riachuelo, cortando mais de metade da largura da rua, um armazém para guardar cal que, posteriormente, abrigou os corpos de tropa e, finalmente, a Companhia de Inválidos. Em 1873, foi aprovado em requerimento do vereador Martins de Lima para que fosse demolido “ o antigo e arruinado quartel denominado da companhia de Inválidos, colocado no centro da rua Direita”, (...) “a fim de se abrir ao trânsito público a mencionada rua, que se acha obstruída com o dito quartel”.
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Mediante resolução datada de 1879, os vereadores mudaram sua denominação para Rua General Canabarro.
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43. Rua General Cipriano Ferreira, inicia na Rua Duque de Caxias e termina na Washington Luís.
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Constituia, a princípio, um segmento desencontrado da Rua General Canabarro, conhecida pelo nome de Rua da Direita. O cronista Coruja assim a descreveu:
"Chamou-se Rua Direita por ser muito torta, pois de praia a praia tem nada menos de quatro rumos ou direções diversas, e na Rua da Igreja desencontrou-se por tal modo que nas suas duas partes sul e norte as casas de uma não vêem nem podem ver as casas da outra. O ue as liga entre si, estas duas secções da rua direita, é uma pequena parte da rua da Igreja."
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Em 1936, recebeu o nome de Rua General Cipriano Ferreira, em homenagem ao oficial do Exército nascido em Santana do Livramento.
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A pacata Rua General Cipriano era conhecida, no início da colonização açoriana, como “Cova da Onça”. É que ali, numa pequena ladeira coberta por mato fechado, existia a cova de uma onça-pintada. Por muitos anos, os moradores conviveram com a ameaça da presença da fera. Até que, com a intervenção do coronel José Marcelino de Figueiredo, governador do Rio Grande, os caçadores, vindos de Viamão, abateram o animal a tiros de arcabuz. Como prova do feito, o couro da onça foi exposto na Praia do Arsenal. A população passou a viver tranqüila, sem o temor de ser devorada pela fera.
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44. Rua General João Manoel, começa na Avenida Mauá e terminando na Rua Coronel Fernando Machado.
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Registros de 1785 já a denominavam, por motivos desconhecidos, de Rua Clara. Em 1788, o Senado da Câmara decidiu alugar as casas de Antônio Ferreira de Brito para abrigar a sua sede, determinando o despejo dos seus moradores.
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Em 1808, quando estava sendo executado seu calçamento, ocorreu um incidente entre funcionários e o todo-poderoso Ouvidor da Comarca, Doutor Desembargador e Ouvidor da Comarca José Carlos Pinto de Souza, que queria alterar o alinhamento já traçado e acordado com os proprietários em benefícios de um ou dois moradores.
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Em 1829, dois figurões ilustres resolveram fechar o segmento ao sul da Rua da Igreja, amparados por concessões irregulares do Governador da Capitania, o Conde da Figueira. A Câmara reivindicou a posse, esclarecendo que José Inácio da Silva fora ajudante de ordens do Conde da Figueira, articulador da concessão de um terreno de 22 palmos de frente à Rua Formosa (atual Rua Duque de Caxias). O assunto foi parar nos jornais e, com intervenção da imprensa, José Inácio renunciou à parcela do terreno em questão, prontificando-se a demolir o portão que edificara, possibilitando a reabertada da via. Já o Vigário Geral Soledade só fez acordo com o Procurador da Câmara “para desembaraçar o seguimento da Rua” em 1833.
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Entre 1834 e 1844, uma grande pedra localizada na esquina da Rua Riachuelo atrapalhou o trânsito em ambas as ruas e foi objeto de preocupação dos vereadores que só resolveram a questão em 1844 quando o procurador foi autorizado a concluir o serviço.
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Em 1869, por resolução dos vereadores, a velha denominação de Rua Clara é alterada para Rua General João Manoel, em homenagem ao porto-alegrense João Manoel Mena Barreto, combatente da guerra do Paraguai.
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Desde 1883, o município demonstrava preocupação com a urbanização da quadra final, entre a Rua Duque de Caxias e a Rua Coronel Fernando Machado, uma vez que a ladeira do Morro da Formiga criava dificuldades intransponíveis. Em 1844, a Câmara adiou as obras por considerá-las onerosas, “feita, entretanto, a demarcação, para evitar que se construa qualquer obra”. Em 1922, conforme relatório do Intendente José Montaury, foram plantados 20 jacarandás.
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Em 1928, foram construídos o belvedere e a escadaria para a Rua Coronel Fernando Machado, obra da construtora de Theo Wiedersphan. A família Chaves Barcelos, dona dos imóveis do quarteirão, custeou um terço das despesas. Em relatório de 1929, o Intendente Alberto Bins descreve que “A zona compreendida entre o alto do morro e a rua Fernando Machado, aberta e abandonada, era receptáculo de clandestinos despejos de lixo e de junções de toda a natureza, com grave dano à higiene daquela zona”.
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Na Rua General João Manoel foi construída a primeira usina elétrica da cidade, a Cia. Fiat Lux, na esquina da Rua Sete de Setembro.
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45. Rua General Lima e Silva, começa no entroncamento da Rua Coronel Genuíno e Praça Marquesa de Sévigné, e termina na Avenida Ipiranga.
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Em medição judicial ocorrida em 1813 nas terras de João José de Oliveira Guimarães, o Joãozinho da Olaria, proprietário de uma chácara em frente à Várzea (atual Avenida João Pessoa), com 100 braças (220 metros) de frente e 80 braças da frente ao fundo (176m), onde existia uma grande fábrica de tijolos, já se fala na rua nova da Olaria, para a qual faziam fundos as chácaras de vários proprietários, incluindo a do próprio requerente.
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Pelo menos desde 1825 até 1844, a Câmara Municipal desejava que a Rua da Bragança (atual Rua Marechal Floriano Peixoto) tivesse continuidade até a embocadura da Rua da Olaria. Todavia, a oposição dos moradores da Rua de Bragança impossibilitou a abertura.
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A situação da Rua da Olaria, que deixara de ser “nova”, em 1845, era lamentável, tanto que o Vereador Lopo Gonçalves apresentou requerimento nos seguintes termos:
“Achando-se a Rua da Olaria intransitável por causa das muitas águas que a ela acodem do lado da Várzea, acontecendo o mesmo nas quatro ruas travessas – a do 8° Batalhão, a do Firme, a do Israel Paiva, e a última, que é a saída da rua da Olaria – está em tão péssimo estado que basta chover duas horas, para que nela não se possa nem passar a pé, nem a cavalo...”

As quatro transversais a que se refere o vereador seriam, em termos atuais, a Av. André da Rocha, a Rua Avaí, a Rua Sarmento Leite e a Rua Otávio Corrêa, que era a “saída” mencionada no requerimento.
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Em 1870, uma resolução da Câmara Municipal alterou o nome de Rua da Olaria para Rua General Lima e Silva, em homenagem ao comandante geral da Guarda Nacional do Município, morador da Rua da Olaria e membro da Câmara Municipal.
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Neste período, a via não chegava na Rua Venâncio Aires. A existência de terrenos pertencentes a herdeiros menores embaraçou por vários anos a saída para a então Rua da Imperatriz, provavelmente só concretizada em 1879.
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A campanha pela abolição da escravatura repercutiu favoravelmente na Rua General Lima e Silva. Em 1884, A Federação notificava a emancipação de todos os escravos da rua, na qual se afixava uma placa: “Na Rua Lima e Silva todos são livres”.
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O prolongamento até a esquina da Rua Dr. Sebastião Leão só aconteceu de 1911, quando a Intendência Municipal abriu a rua sobre terrenos do Cel. Emílio Guilayn e outros, loteadores das ruas Olavo Bilac, Lobo da Costa e Dr. Sebastião Leão. Muito mais tarde, como a retificação do arroio Dilúvio, foi possível a implantação do segmento final, que vai da Rua Dr. Sebastião Leão até a Avenida Ipiranga.
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Em 1944, um Decreto municipal determinou um alargamento em toda sua extensão, de quatro metros de cada lado da rua, mediante recuo progressivo das construções.
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46. Rua General Portinho,
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47. Rua General Salustiano, começando na Rua do Andradas e terminando na Rua Duque de Caxias.
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Localizada na extremidade da península, é assim descrita pelo cronista Coruja: “Praia do Arsenal. Era este o nome dado à praia ocidental da cidade; nem outro nome podia ter; pois do lado do rio só havia umas duas ou três casinhas de capim que serviam de moradia à gente pobre. Hoje tem a placa de General Salustiano”. Em outro trecho de suas Antigualhas, Coruja sita que a Rua General Salustiano era também conhecida como Rua da Passagem, porque nela desembocava a passagem do gado que provinha da outra margem do rio. Na extremidade ocidental da Rua dos Andradas, havia um desembocadouro para a barca que transportava o gado a partir da Ilha da Pintada, e o “curral de passagem”. Ao sair do curral, o gado era conduzido pelos tropeiros ao longo da Praia do Arsenal, prosseguindo pela Praia do Riacho (hoje Rua Washington Luís) e pela Rua da Margem em direção ao matadouro.
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Em 1824, o Visconde de São Leopoldo doou ao município terrenos na Praia do Arsenal, permitindo que, a partir de 1831, quando foi concluída a medição em sete quarteirões distintos, a Câmara os loteasse e vendesse. Vários deles ficaram reservados para logradouro públicos, mas os da face leste da Rua da Praia do Arsenal tiveram seus lotes vendidos a particulares.
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Entre 1852 e 1855, na face oeste da rua, junto ao Guaíba, foi construída a Cadeia, chamada posteriormente de Casa de Correção.
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Com a instalação dos serviços de água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense, a rua recebeu encanamentos. Mas os assinantes de penas domiciliares eram apenas três em 1869, elevando-se para 15 em 1874, conforme relatórios daquela empresa.
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Uma resolução da Câmara Municipal em 1876 mudou a designação de Rua da Praia do Arsenal para Rua General Salustiano, em homenagem ao General Salustiano Jerônimo dos Reis, Barão de Camaquã, que fez brilhante carreira militar na Revolução Farroupilha e nas campanhas do Uruguai e do Paraguai.
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Nesta época o perigoso trânsito de tropas de gado ainda existia. Aquiles Porto Alegre descreveu em uma de suas crônicas:
“E ia o gado xucro, de cabeça em pé, olhar espantadiço, sacudindo a cola no ar, pela Rua da Passagem, obrigando os moradores do sítio a trancarem as portas com receio de algumas rês entrar pelo corredor a dentro”.

O jornal O mercantil, em 1879, divulgou a seguinte notícia:
“No sábado último, pela manhã, ao desembarcar na Passagem uma tropa de gado vindo do outro lado do matadouro do Sr. José Burkat, dispararam dois touros; um foi logo laçado pelos tropeiros, o outro, porém houve mais dificuldades, pois sendo mais bravo e ligeiro, correu pelas ruas do Riachuelo, Martins de Lima, Arvoredo, até a Várzea, onde morreu extenuado. Assim, pois, a remoção da passagem para o outro local é uma necessidade, e a Câmara Municipal deve tratar quanto antes dessa medida urgente”.
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Em 1894, o Conselho Municipal aceitou a proposta de um empreiteiro para calçar, entre outras ruas, a General Salustiano com pedras retiradas da Rua Voluntários da Pátria. Em 1927 o intendente Otávio Rocha mandou alargar a via para 22 metros, segundo projeto de João Moreira Maciel, de 1914.
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48. Rua General Vasco Alves, tem início na Rua dos Andradas e termina na Avenida Loureiro da Silva.
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Com seis quadras, era conhecida pelos nomes de Beco dos Guaranis, Rua Principal e Rua Principal do Arsenal, pois, por volta de 1773, soldados guaranis da Cavalaria Miliciana, se instalaram na esquina da Rua Riachuelo para proteger a “Casa da Pólvora”. Um raio teria destruído o depósito de explosivos em 1831.
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Em 1829, passa a ser chamada Rua da Guarda Principal devido à presença da legião de artilharia de São Paulo. O nome foi oficializado, provavelmente, quando as ruas receberam emplacamento, em 1843. Em 1870, a Câmara alterou seu nome para Rua General Vasco Alves em homenagem ao herói de Campanhas Platinas.
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Na esquina da Vasco Alves com a Rua Duque de Caxias, encontra-se a tradicional Escola Técnica Ernesto Dornelles, anteriormente ocupada pelo prédio do Colégio Fernando Gomes. Na esquina com a Rua Fernando Machado há uma estranha construção que a população apelidou de “Castelinho”, onde funcionou nos anos sessenta, a casa de dança “Ivanhoé”.
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49. Rua General Vitorino, começa na Rua Marechal Floriano Peixoto e termina na Rua Professor Annes Dias, junto à Praça Dom Feliciano.
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Recebeu dos moradores o apelido de Rua do Arco da Velha, pois ali funcionavam algumas casas de prostituição, mas a designação mais freqüente nas concessões de lotes urbanos, entre 1813 e 1814, era a de Travessa de Baixo. A existência de uma prisão militar determinou que a rua também fosse conhecida como Rua ou Travessa da Prisão Militar. Em 1831, documentos apontam mais um nome -Travessa da Caridade.
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Em 1837 começa a ser adotado o nome de Rua da Alegria, que terminou consagrado nas placas oficiais e pela população. Em 1870, uma resolução altera a denominação de Rua da Alegria para Rua do General Vitorino, uma homenagem ao Barão de São Borja, o militar pernambucano Vitorino José Carneiro Monteiro.
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A estreita rua de apenas três quadras foi ponto de partida dos bondes puxados a burro da Companhia Carris Urbanos, linha Floresta, na esquina com a Rua Marechal Floriano Peixoto. No período de 1900 a 1924, a Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre funcionou num prédio entre as ruas Doutor Flores e Professor Annes Dias. O médico rio-pardense Protásio Alves foi o fundador e primeiro diretor da faculdade.
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50. Rua Jerônimo Coelho, começa na Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz) e termina na Rua Duque de Caxias.
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Recebeu a denominação espontânea de Rua do Poço, pois foi construído, no sopé da íngreme descida que vinha da Rua da Igreja, onde mais tarde se rasgou a Avenida Borges de Medeiros, um poço público. No trecho entre a Praça da Matriz e a atual Avenida Borges de Medeiros, a rua era alagadiça, justificando o outro nome recebido - Rua do Pântano.
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Em 1843, a Câmara intimou os proprietários de casas e terrenos da Rua do Poço para calçarem suas testadas no prazo de quatro meses, contratando o empreiteiro João Antônio de Souza Lima para realizar o aterro, que estimou como necessárias 1000 carradas de aterro. Mas, segundo uma ata de 1844, o contratante teve um grande prejuízo, pois foram necessárias outras 1000 carradas para a conclusão do serviço. Mas, nem o aterro, nem o calçamento resolveram os problemas da Rua do poço, visto que, já em 1850, a via era descrita como intransitável ou em completa ruína.
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Em 1851, os vereadores decidiram intimidar “os proprietários de terrenos onde se estagnam águas na Rua do poço, para que os aterrem”, aplicando a norma da lei provincial de 1850, que previra verba para “o aterro das lagoas e pântanos dos lados da Rua Nova do Poço, desapropriando-se os terrenos dos proprietários que não se puderam, por falta de meios, procederem ao mesmo aterro, devendo posteriormente ser vendidos pela Câmara os terrenos aterrados”.
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O problema foi resolvido através da execução de um esgotamento pluvial adequado, custeado pela Província entre 1856 e 1857, na administração do Brigadeiro Jerônimo Coelho. Isso explica a resolução da Câmara Municipal que denominou a via de Rua São Jerônimo, homenageando o santo protetor do protetor da rua... Só mediante resolução, em 1879, a rua recebeu o nome de Rua Jerônimo Coelho.
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Apesar da excelente localização, permaneceu durante muito tempo com uso predominantemente residencial. A Estatística Predial de 1892 acusou na Rua Jerônimo Coelho 49 prédios, sendo 39 térreos, sete sobrados e três assobradados.
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51. Rua José do Patrocínio, começa no entroncamento das ruas Marechal Floriano, Coronel Genuíno e Demétrio Ribeiro e termina na Rua Dr. Sebastião Leão.
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A idéia de uma rua que “partindo da Figueira vá paralela à da Olaria, a sair na da Imperatriz” surgiu em1857 na Câmara Municipal, que nomeou uma comissão para negociar a doação da área afetada com os proprietários dos terrenos. Entretanto, parece ter havido dificuldades nas negociações e a abertura só foi iniciada por volta de 1870.
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Na planta organizada por Henrique Breton em 1881, chamada de Rua da Concórdia, não ultrapassava o alinhamento da Rua Avaí. Em 1883, a Câmara Municipal solicitou recursos à Assembléia Legislativa “para desapropriar os terrenos necessários ao prolongamento da Rua da Concórdia”. E várias outras resoluções, do mesmo ano e do seguinte, deixam entrever que, entre 1883 e 1884, a Rua Concórdia se estendia gradativamente para o sul.
O Jornal do Comércio anunciava, em 1883, a venda de terrenos “nas futuras ruas Lima e Silva, Concórdia e Venezianos”, sinal de que os três logradouros tinham um desenvolvimento simultâneo.
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A ligação final com a Rua da Imperatriz (atual Rua Venâncio Aires) foi brevemente retardada em 1888, devido à recusa do Comendador Batista em doar parte do seu terreno que interrompia a continuidade da via.
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A Estatística Predial de 1892 registrou 108 prédios térreos e um sobrado.
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Finalmente, em 1911, a rua atingiu sua atual configuração, para além da Venâncio Aires, nos terrenos do Coronel Emílio Guilayan, loteador das ruas Dr. Sebastião Leão, Lobo da Costa e Olavo Bilac.
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Em 1914, o Intendente Montaury alterou o nome original desse logradouro para Rua José do Patrocínio, em homenagem ao ilustra jornalista, negro e abolicionista, nascido em Campos – RJ.
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Em 1944, o Decreto n° 313, do Prefeito Antônio Brochado da Rocha, determinou o alargamento de quatro metros em cada um dos lados, mediante recuo progressivo das construções.
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52. Rua José Motaury, começa na Rua Uruguai e termina na Rua Marechal Floriano Peixoto.
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Década de 1960
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O litoral do Guaíba, recortado e irregular, possuía um braço que entrava terra adentro, até, aproximadamente, o local onde foi edificado o Chalé da Praça XV. No século XVIII, a área era conhecida como Porto dos Ferreiros. Em 1822, a Câmara faz referência a uma Rua da Ferraria, que poderia corresponder à atual José Montaury.
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Na década seguinte, a Praça do Paraíso (atual Praça 15 de Novembro) foi projetada, e aparecem citações sobre a Rua Nova do Paraíso e Rua do Paraíso.
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Em 1839, uma planta registra nessa rua a presença do quartel da Polícia Provincial que originou a alcunha popular de Rua da Polícia. Mas o nome oficial, adotado pelo emplacamento de 1843, provavelmente foi de Rua do Paraíso, nome que aparece nos registros da Câmara Municipal.
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Em 1857 recebeu calçamento, renovado em 1870. Nessa época, segundo o relatório da Cia. Hidráulica, a Rua do Paraíso possuía 32 ligações domiciliares de água. Em 1892, possuía 30 prédios, sendo 18 de sobrado.
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Com a Praça do Paraíso, também teve seu nome mudado para Rua Conde D’Eu, conforme resolução de 1869. Em 1889, com o advento da República, passou a ser Rua 15 de Novembro. Recebeu a denominação atual por decreto do Prefeito Alberto Bins, em 1935, em homenagem à José Montaury, Intendente da Capital de 1897 até 1924.
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53. Rua Marechal Floriano Peixoto, vai da Praça XV de Novembro até o entroncamento composto pelas ruas Coronel Genuíno, José do Patrocínio e Demétrio Ribeiro.
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Rua Marechal Floriano - década de 1900
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Final do século XIX
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Demarcava o perímetro externo no primeiro arruamento da vila. Seu primeiro nome, Rua de Bragança, tem origem desconhecida. Era caminho tradicional de procissões da Matriz, que percorriam a Rua da Igreja (Duque de Caxias), a Rua da Praia, a Rua do Arroio (Bento Martins), retornando à Matriz. É provável que, por este motivo, tenha recebido calçamento já em 1819.
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Casa Negra, início século XX
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A abertura do segmento entre a Duque e “as ruas de baixo” ocorreu por volta de 1844 e ficou conhecido como a “Ladeira do Liceu”, porque ali havia um grande número de escolas particulares para meninas que ensinavam a ler, escrever, coser e a bordar.
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A Casa Negra - importante estabelecimento de fumos desta capital
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Entre 1838 e 1857 funcionou ali o Teatro Dom Pedro II, conhecido como “Teatrinho”, antecessor do Theatro São Pedro, que apresentava espetáculos populares.
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Em 1870, era uma das artérias mais importantes do centro, com forte comércio atacadista e varejista e foi batizada pela Câmara como Rua General Silva Tavares, em homenagem ao Barão de Itaqui. Vinte e três anos depois, Júlio de Castilhos, presidente do Estado, articulou a troca do nome para Rua Marechal Floriano Peixoto, Presidente da República, militar da simpatia dos castilhistas, não admitindo a homenagem ao adversário político Silva Tavares que havia assumido o comando de uma tropa na Revolução Federalista.
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Em 2006, a última quadra da Marechal Floriano, passou a fazer parte do “Caminho dos Antiquários”, passeio cultural que atrai, aos sábados, um público aficionado por antiguidades.
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54. Rua Ofredy Strenge Torgo,
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55. Rua Pinto Bandeira, começa na Rua Voluntários da Pátria e termina na Praça Dom Feliciano.
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Rafaela Pinto Bandeira Freire, na ocasião do loteamento da antiga “Chácara da Brigadeira”, ofereceu à Câmara Municipal terrenos para abertura de uma nova rua, com 60 palmos de largura, “que desemboque em frente à Caridade”. O Código de Posturas proibia a abertura de ruas com menos de 80 palmos (17,60m) de largura. Então, a Câmara Municipal aprova a Lei Provincial n° 1085, de 1877, revogando a norma geral e autorizando a abertura da via para que os terrenos pudessem ser postos à venda. Em 1881, a rua já aparece traçada na planta municipal organizada por Henrique Breton.
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Em 1887 a urbanização continuava precária: “Era intenção da Câmara tornar efetiva a abertura da Rua Pinto Bandeira em toda a sua extensão, mas viu-se inibida de prestar esse serviço pelas reclamações que lhe apresentou o Dr. Israel Rodrigues Barcelos, quanto à abertura da rua na secção compreendida entre a praça de D. Feliciano e a rua São Rafael; tendo então contratado, com o italiano Malfatti Virgilio, por preço vantajoso, a abertura da rua desde a desembocadura da rua São Rafael até a dos Voluntários da Pátria, achando-se esse serviço bastante adiantado.”
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Entre a Avenida independência e a Alberto Bins, a Rua Pinto Bandeira havia uma pedreira, da qual, por muitos anos ainda (pelo menos até 1905) se retiraram pedras para a construção civil e para execução dos cordões das calçadas. Em 1888, os vereadores aprovaram a abertura da Rua Pinto Bandeira neste trecho, aceitando um empréstimo sem juros oferecido pelo Sr. Manoel Py, pelo prazo de um ano e a proposta de Malfatti Virgilio, que propôs executar a obra em troca das pedras extraídas da pedreira.
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Em 1905, segundo o relatório do Intendente José Montaury, o logradouro só foi concluído em seu trecho mais alto naquele ano, após a extração de 760m³ de pedras.
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A Estatística Predial de 1892, que ocorreu na fase inicial da abertura da via, registrou a existência de apenas 12 prédios: oito térreos, um assombrado e três sobrados.
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56. Rua Professor Annes Dias, começa no Viaduto Loureiro da Silva e termina na Avenida Independência.
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Corresponde, com sensível redução, ao traçado da antiga Rua da Misericórdia, assim conhecida desde a construção da Santa Casa de Misericórdia, inaugurada em 1826. Ao ser edificada, em seus primórdios, a Santa Casa estava fora do arruamento urbano, e tal circunstância foi louvada pelo viajante francês Saint-Hilaire, em 1820:
“Sua posição foi escolhida com rara felicidade, ficando perfeitamente arejado, bastante distanciado da cidade para evitar contágios e ao mesmo tempo próximo quanto às facilidades de suprimento médico e farmacêutico”.
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Em 1829, foram registrados pedidos de licença ao município, para particulares construírem na Rua da Misericórdia. Todavia, a urbanização dessa via só fica evidente em 1841, quando a Câmara solicita ao presidente da Província todos os galés existentes nas prisões e nos hospitais militares, para trabalharem nos serviços de aterro e desaterro da Rua da Misericórdia e outras. No mesmo ano, os proprietários foram notificados para executarem as calçadas no prazo de quatro meses. Tais preocupações decorriam, naturalmente, do crescimento da Santa Casa, alavancado pela construção do prédio central, asobradado, do lado esquerdo da capela. O “aformoseamento” da Santa Casa era motivo de orgulho da cidade.
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Pela Estatística Predial de 1892, a Rua da Misericórdia possuía 28 prédios, entre térreos e assobradados.
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A abertura da Avenida Senador Salgado Filho, entre 1939 e 1940, determinou a redução da via ocasionada pela destruição do quarteirão que fazia esquina com a Rua Riachuelo.
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Por lei municipal de 1952, o nome antigo e tradicional foi mudado para “Professor Annes Dias”, em homenagem ao ilustre médico riograndense Heitor Annes Dias.
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57. Rua do Riachuelo, inicia na Rua General Salustiano e termina na Rua Doutor Flores em frente à Praça Conde de Porto Alegre.
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Início século XX
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Um dos mais antigos logradouros da cidade, traçada no primeiro Plano da Vila, elaborado pelo Capitão Alexandre Montanha. Da Rua da Ladeira (atual General Câmara) até a Praia do Arsenal era conhecida como Rua do Cotovelo, devido ao seu traçado que configurava um grande cotovelo atrás do Teatro São Pedro. Da Ladeira até a Praça do Portão (atual Praça Conde de Porto Alegre) era conhecida como Rua da Ponte, devido à existência de uma ponte na esquina com a Avenida Borges de Medeiros.
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Início século XX
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O trecho conhecido como Rua da Ponte possuía sérios problemas de alagamento tanto que, em 1830, um vereador propôs que fossem executados os serviços nas ruas que precisavam ser desaterradas para possibilitar o aterro das que necessitavam, tais como a Rua do Poço e da Ponte. Para isso, sugere ao governo provincial que faça uso dos serviços dos condenados a galés.
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Já na Rua do Cotovelo, o maior entrave era a existência de uma pedreira na esquina com a Rua Clara (atual Rua João Manoel), que ali permaneceu por onze anos, de 1833 a 1844, quando finalmente foi quebrada.
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1906
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Em 1843, na ocasião do emplacamento das ruas, a artéria passou a ser chamada unicamente de Rua da Ponte. Essa designação foi alterada em 1865 para Rua do Riachuelo, para solenizar a grande vitória naval sobre a esquadra paraguaia na "Batalha do Riachuelo".
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A Rua Riachuelo abrigou algumas residências nobres, entre elas a primeira casa de Porto Alegre a ter vidraças, motivo de grande inquietação da população, acostumada a resguardar o interior de suas casas. Nesta casa residiram o “Conde da Cunha”, o Conde de Porto Alegre e o Barão do Jacuí. O Palacete Rocco, na esquina da Rua Doutor Flores foi um dos prédios mais elegantes de Porto Alegre.
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1870
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Em 1886 a União Telefônica se instalou na esquina da Rua General Câmara onde, mais tarde, foi construído o prédio imponente da Biblioteca Pública, um dos maiores ícones da arquitetura positivista do Governo de Borges de Medeiros.
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A Estatística Predial de 1892 registrou o denso povoamento da rua, típico da zona central, totalizando 349 prédios, sendo que 270 térreos, 44 sobrados e 35 assobradados.
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58. Rua Sarmento Leite, começa na Avenida Independência, junto à Praça Dom Sebastião, e termina na Rua José do Patrocínio.
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Era conhecida como o Beco do Juca da Olaria no trecho compreendido entre a Avenida João Pessoa à Rua José do Patrocínio, pois, segundo Coruja descreveu nas Antigualhas:
“Era outra travessa entre a Várzea e a Rua da Olaria, na qual residia com sua família e tinha seu estabelecimento o bom velho, nosso conhecido e há poucos anos falecido, José de Souza Costa, geralmente denominado Juca da Olaria; e o seu estabelecimento Olaria do Juca, para a diferenciar da do Joãozinho que lhe ficava próxima”.

Esse trecho mais antigo já aparece, sem nome, na planta da cidade em 1839, da autoria de L. P. Dias, protegida pelo entrincheiramento que resguarda a cidade na Revolução Farroupilha. Além de ser conhecido como beco do Juca da Olaria, também recebia outras denominações como Beco do José de Souza Costa e Beco do Israel Paiva.
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Em 1845, o vereador Lopo Gonçalves solicitou que fossem executadas melhorias nas condições de trânsito da Rua da Olaria, “por causa das muitas águas que a ela acorrem do lado da Várzea, acontecendo o mesmo nas quatro ruas travessas”.
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Em 1857, o segmento da rua entre a Praça da Conceição (atual Praça Dom Sebastião) e a Osvaldo Aranha, que era inteiramente separado do referido anteriormente, recebeu a denominação de Rua da Conceição.
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Em 1874 a Câmara contratou o aterro da Travessa da Olaria com a Cia. Carris Porto Alegrense, que instalara sua sede na esquina da Várzea e precisava manter a travessa em boas condições, pois havia construído 330 metros de trilhos na mesma travessa, para uma ligação auxiliar entre suas duas linhas principais, a da Rua da Margem e a da Várzea.
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Do outro lado, em 1874, foram realizados aterros na Rua da Conceição, “desde a igreja até o Campo do Bom Fim, fazendo-se as calhas laterais e pondo uma camada de cascalho sobre o aterro e o abaulamento”.
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Em 1876 a denominação de Travessa da Olaria foi alterada para Travessa 1° de Março, lembrando o término da Guerra do Paraguai em 1870.
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Em 1866, a Cia. Hidráulica Porto Alegrense instalou um dos seus chafarizes entre os dois segmentos interrompidos da rua, em plena Várzea. Quando a ligação entre a Rua da Conceição e a Travessa 1° de Março foi executada, o chafariz acabou ficando no meio da via pública, determinando sua retirada em 1907.
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Em 1935, foi denominada de Rua Sarmento leite tanto a antiga Travessa 1° de Março como o prolongamento da Rua da Conceição até encontrar a Avenida Independência, em homenagem solicitada pelos doutorandos da Faculdade de Medicina ao Professor Doutor Eduardo Sarmento Leite da Fonseca, diretor da Faculdade de Medicina, falecido naquele ano.
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59. Rua Senhor dos PasSOS, começa na Rua Voluntários da Pátria e termina na confluência da Rua dos Andradas com a Praça Dom Feliciano.
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Era conhecida como Beco do Cordoeiro, assim descrita por Coruja: “Em terrenos contíguos da chácara da Brigadeira e de Antônio Pereira de Couto havia uma estrada, viela ou atalho, que dava caminho da Caridade para a praia, e que não tinha nome de rua por não ter casas laterais. Edificadas algumas casinhas, foi para uma delas morar um cordoeiro chamado João, conhecido por João Cordoeiro, que deu à rua o nome de Beco do Cordoeiro...”.
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Nas posturas municipais de 1831 e na planta da cidade de 1839, a viela é chamada de Beco do Couto ou Rua do Couto. Em 1836, um anúncio do jornal O Mensageiro, assim como um expediente da Câmara Municipal que solicita a colocação de um lampião para iluminação pública, já se referem ao logradouro como Beco do Cordoeiro.
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Em 1841, deliberando sobre ruas que demandavam melhoramento urgente, a Câmara solicitou ao presidente da Província todos os galés existentes nas prisões, para os serviços de aterro e desmonte nas ruas de Santa Catarina, da Misericórdia e do Cordoeiro.
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Em 1843, o beco recebeu definitivamente o nome de Rua Senhor dos Passos.
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Em 1847, a Câmara sugeriu um alargamento da Rua Senhor do Passos, de 48 palmos para 80 palmos, visando o “aformoseamento do edifício da Santa Casa”, que naquela época estava sendo ampliado. Entretanto o alargamento não foi concretizado, pois o argumento parece não ter convencido o presidente da província, que era precionado pela influência de dona Rafaela Pinto Bandeira Freire, senhora da Chácara da Brigadeira e de toda a face leste da rua.
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Em 1869, depois de instalados os serviços de distribuição de água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense havia, na Rua Senhor dos Passos, 28 ligações domiciliares.
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A Estatística Predial de 1892 registrou 75 prédios construídos na rua, sendo 50 térreos, 14 sobrados e 11 assobradados.
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Em 1944 um alargamento de 8,10m para 14,00m, mediante recuo progressivo das construções, foi determinado por decreto, pelo Prefeito Antônio Brochado da Rocha.
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60. Rua Sete de Setembro, começa na Rua General Portinho e termina na Rua Uruguai, junto à Praça Montevidéu, onde está localizado o prédio da Prefeitura de Porto Alegre.
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Até o início do século XIX a atual Sete de Setembro correspondia apenas à irregular costa do Guaíba, quintal das casas da Rua da Praia. Era conhecida, no trecho entre a Rua General Câmara e o Largo Paraíso (Praça XV de Novembro), como Porto dos Ferreiros e, nas imediações da João Manoel, como Beco da Rua Clara ou Beco dos Marinheiros, freqüentadores das bodegas que ali se estabeleceram.
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Em 1844, recebe o primeiro nome oficial: Rua Nova da Praia, alterado em 1856, para Rua da Alfândega. Em 1860 recebe o primeiro nivelamento e alguns melhoramentos até a Praça da Harmonia (Brigadeiro Sampaio) e do Arsenal de Guerra, assim descrito pelo presidente Antão Fernandes Leão: “O aspecto repulsivo que apresentavam essas praias em toda a extensão em que hoje se acha a praça e o cais da Marinha e o da rua da Alfândega não incomodará mais aquém demandar o porto desta cidade e nem os seus habitantes”.
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Em 1865, no mesmo dia em que a Rua da Praia foi designada Rua dos Andradas, recebeu o nome de Rua Sete de Setembro. Com a abertura da Avenida Borges de Medeiros, foi seccionada na altura da Rua Uruguai.
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A Sete de Setembro é conhecida por todos como um centro financeiro, pela existência de um grande número de instituições bancárias. Dois prédios imponentes e importantes do centro da cidade estão na Sete de Setembro: o da Casa de Cultura Mário Quintana, antigo Hotel Majestic, e o Santander Cultural, antiga sede do Banco do Comércio.
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61. Rua Siqueira Campos, começa da Rua General Portinho e termina na Avenida Borges de Medeiros.
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É conhecida popularmente, pelos moradores de Porto Alegre, como a rua da “Paineira” por haver, próximo à esquina da Travessa Francisco Leonardo Truda, uma paineira – árvore frondosa com flores róseas e frutos que se abrem libertando as sementes envoltas em paina – que se transformou em porto de referência na cidade, devido a sua beleza incomum.
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Em 1850, logo após a implantação da Rua Nova da Praia, já se falava em outra rua litorânea. Esta via, chamada de Rua das Flores, aprovada oficialmente pelo presidente da província com largura de 26,49m “... dado ao grande movimento que deveria ter graças ao cais que se planejava construir...”, permaneceu no papel por muito tempo.
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Em 1900, um mapa publicitário já exibe a Rua das Flores em embrião, totalmente implantada na quadra entre a Rua General Câmara e a Uruguai, possuindo diversos trapiches. As obras de aterro do cais, a partir de 1912, contribuíram para sua conclusão entre a Rua General Câmara até a Rua General Portinho. Em 1915, havia poucas linha telefônica, mas já havia alguns aparelhos instalados na Rua das Flores, nas empresas Cia, Nacional de Navegação Costeira, Bromberg e Cia, Companhia Fluvial entre outras, como indicava o catálogo do ano.
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Em 1931, um decreto do prefeito Alberto Bins alterou o nome da Rua das Flores para Siqueira Campos, em homenagem ao oficial paulista do Exército Brasileiro, Antônio de Siqueira Campos, líder do movimento tenentista.
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62. Rua Uruguai, vai da Rua dos Andradas a Avenida Mauá.
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Surgiu no do século XVIII como um simples beco transversal à Rua da Praia com casario colonial até o Porto dos Ferreiros, adjacente à atual Rua Sete de Setembro, à beira do Guaíba. Recebeu o nome popular de Beco ou Rua da Casa da Ópera, pois, em 1794, ali foi construído um barracão de madeira destinado a servir de teatro, chamado inicialmente de Casa da Comédia e, mais tarde, de Casa da Ópera, que foi destruído pela grande enchente de 1833.
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A designação Beco da Casa da Ópera continuou a ser utilizada pela população, alternada para Rua dos Ferreiros ou beco do Porto dos Ferreiros. A partir de 1860, após definição e urbanização da Rua Sete de Setembro, o alinhamento do Beco da Ópera foi marcado, desta em direção ao Guaíba, que era tomado cada vez mais pelos contínuos aterramentos.
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Em 1869, o aterro do Porto dos Ferreiros provoca expressiva transformação naquela área e o nome Beco da Ópera é substituído por Rua do Comércio, devido à grande quantidade de lojas de tecidos que reforçavam sua vocação comercial. No princípio do século XX, a Rua do comércio é prolongada até a Rua das Flores (Siqueira Campos) e o prédio do Paço Municipal é concluído.
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Em 1916, o Intendente José Montaury, em homenagem à República do Uruguai, alterou o nome da Praça Municipal para Praça Montevidéu e da Rua do Comércio para Rua Uruguai. Por volta de 1920, com a construção do Cais do Porto, a rua é prolongada até a Avenida Mauá.
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63. Rua Vigário José Inácio, começa na Avenida Mauá e termina na Rua Duque de Caxias.
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Conhecida como Rua do Bandeira, foi assim descrita pelo cronista Coruja:
“Seus moradores se contavam por unidades, pois não chegava à dezena: começando por cima via-se com frente ao nascente a casa da família do velho Bogango, pai de José Mulher, em frente a esta, mais abaixo, a de D. Catarina Benfica, parente da família Portinho; seguia-se um grande banhado até a Rua da Ponte; mais abaixo o Trem Velho, com o Manoel da Fazenda em frente, e nada mais; o tal Bandeira que lhe dava o nome, morava na esquina do Caminho Novo. Depois que em 1816 aí lançaram a pedra fundamental da Igreja do Rosário, começaram a chamá-la Rua do Rosário”.
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De fato, só a partir de 1813 os governadores da Capitania começaram a conceder, por doação, os terrenos da então chamada Rua do Bandeira, simultaneamente a formação da Rua da Graça (parte superior da Rua dos Andradas), da Rua de Santa Catarina (atual Rua Doutor Flores) e da “Travessa de Baixo”, (atual Rua General Vitorino).
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Apesar da construção da Igreja do Rosário, entre 1817 e 1827, pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, uma confraria de negros livres e escravos o nome de Rua do Bandeira sobreviveu por muito tempo.
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Segundo o plano oficial da cidade, a Rua do Bandeira não deveria acabar na crista da colina, mas sim descer para o sul. Em 1824, a Câmara realizou uma inspeção no lugar onde a Rua do Bandeira “atravessa a Rua Alegre” (nome de um dos segmentos da Rua Duque de Caxias), objetivando a fixação do alinhamento que fora requerido pelo Cel. Francisco Barreto Pereira Pinto. Decidiram, de acordo com o parecer de seu engenheiro, “que a rua seguisse em direitura como se acha marcada, cortando pela pequena casa de meia água pertencente à Confraria de Nosso Senhor dos Passos”.
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Em 1829, a Câmara intimou Francisca Urbana da Fontoura Barreto (viúva do Coronel antes referido, que falecera em 1825), para “demolir o muro que construiu unido à casa de sua morada”. (...) “que, no ato da inspeção, se notou impedir o segmento da Rua do Bandeira”. Como dona Francisca era de família poderosa, após quinze dias, os vereadores deferiram a revogação da ordem que haviam dado e optando por uma ação judicial. Em 1833, a Câmara aprovou uma proposta para tentar uma conciliação, “para pôr franco o segmento da Rua do Bandeira”, que, pelo visto, não teve êxito. Já não era a primeira vez que famílias poderosas fechavam espaços de uso comum do povo.
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Em 1844, quando a cidade começava a recompor-se da Guerra dos Farrapos, os proprietários da Rua do Rosário foram intimados a calçarem as testadas de suas casas, no prazo de dois meses.
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Em 1869, após a implantação dos encanamentos de água da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense, o calçamento foi providenciado, desde o Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria) até a Rua Riachuelo. O número de ligações domiciliares de água, naquele ano, já alcançava 52.
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Em 1977, a Câmara Municipal altera seu nome, Rua do Rosário, para Rua Vigário José Inácio, em homenagem ao Padre José Inácio de Carvalho Freitas, vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, que acabava de falecer.
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Em 1892, pela Estatística Predial, a rua já alcançava pleno desenvolvimento: contava 149 prédios, sendo 105 térreos, 13 assombrados e 31 sobrados.
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O aterro do cais do Porto, com a implantação das avenidas Júlio de Castilhos e Mauá, ocasionou o prolongamento da Rua Vigário José Inácio até essa última artéria.
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Em 1944, o Prefeito Antônio Brochado da Rocha determinou seu alargamento, por decreto, em quatro metros de cada lado, mediante recuo progressivo, com a formação de galerias para o trânsito de pedestres.
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64. Rua Vinte e Quatro de Maio, começa na Rua Duque de Caxias como escadaria para pedestres e termina na confluência da Rua Avaí com a Primeira Perimetral.
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O cronista Coruja, nascido em 1806, descreve o então chamado Beco da Fonte como “um beco estreito e ladeirento cujas casas se contavam por unidades”.
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Em registros da Câmara de 1833 encontra-se um requerimento de Francisco Jacques Nicoz, residente à “rua da viela da Fonte desta cidade”.
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Já em 1841 é registrado um requerimento de José de Souza Costa, o Juca da Olaria, morador da atual Rua Sarmento leite, que emprestou sua primeira designação àquela via pública como “Beco do Juca da Olaria”, solicitando o alinhado de um terreno no Beco do Jacques, nome dado após o escrivão de ausentes Francisco Jacques Nicós ali ter fixado residência.
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Em 1845, a Câmara Municipal cogitou seu prolongamento até a Rua Sarmento leite, mas desistiu por não haver recursos para desapropriações.
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Em 1879 o nome Beco do Jacques foi alterado oficialmente para Rua Bento Gonçalves, o que pareceu a Coruja uma homenagem irônica ao grande herói da Província.
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Uma lei municipal de 1936 alterou novamente seu nome, desta vez para Rua Vinte e Quatro de Maio, em homenagem à batalha de Tuyuty. Todavia, a viela continuou, por muito tempo, conhecida pelo nome popular.
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Em 1942, o Prefeito José Loureiro da Silva procedeu obras de alargamento e embelezamento da Rua 24 de Maio, construindo uma escadaria ajardinada, entre a Rua Duque de Caxias e a Avenida André da Rocha.
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65. Rua Voluntários da Pátria, começa na Rua Marechal Floriano Peixoto, em frente à Praça Pereira Parobé (atual Terminal Pereira Parobé) e termina na Rua Júlio Castilhos de Azevedo, no Bairro Navegante.
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Final século XIX
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A abertura de uma nova via de acesso à vila de Porto Alegre, fora do esquema viário primitivo começou em 1806, no Governador Paulo José da Silva Gama, que assim a descreveu ao rei:
“Abriu uma estrada e caminho público que ao mesmo tempo em que servia a facilitar a comunicação da Vila para as quintas situadas na margem do rio, era um passeio cômodo e agradável para os moradores, pela sua situação, largura e sombra que lhe faziam as árvores plantadas de um outro lado”. 

Esse caminho marginal ao rio recebeu o nome de Caminho Novo. Seu sucessor, Dom Diogo de Souza, deu prosseguimento às obras, numa extensão de quase quatro quilômetros, até a Várzea do Gravataí, construindo uma casa de campo, com formoso portão, quase na extremidade do percurso.
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Casarão no Caminho Novo
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Se não fosse pelo estaleiro que Joaquim José de Azevedo logo instalou junto ao rio, nas imediações da atual Praça Rui Barbosa, ninguém adivinharia o destino comercial e industrial que estava reservado ao novo caminho: ele continuaria sendo, por muito tempo, “uma bela alameda plantada da banda do rio de árvores frondosas” , como a descreveu o cronista Nicolau Dreys em 1839, sendo o lado oposto ao rio, “bordado de ricas chácaras, de jardins aparatosos, abundantes de flores e de frutos” (Notícia Descritiva, etc., Rio Grande, 1927, p.88).
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Final século XIX
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O desenvolvimento urbano do Caminho Novo permaneceu estagnado durante vários anos, como o de toda Porto Alegre, devido à Revolução Farroupilha. Em razão do prolongado sítio imposto pelos rebeldes, entre 1836 e 1840, o valo que protegia a cidade, com baluartes artilhados, cortava o Caminho Novo na altura da atual Rua Pinto Bandeira, onde existia um portão, com ponte levadiça, que controlava o acesso à praça. Durante o cerco, os equipamentos públicos essenciais foram instalados dentro da área do entrincheiramento. Por essa razão, o matadouro de gado foi transferido para a então chamada Praça do Estaleiro (atual Praça Rui Barbosa - Centro Popular de Compras), onde aportavam as embarcações que traziam gado ou carne.
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Junto ao cais (atual praça Parobé) - década de 1910
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A Municipalidade de Porto Alegre travou uma luta histórica por conservar, como domínio público, para que toda a população pudesse usufruir, o lado da rua que dava fundos para o litoral. Já em 1825, diante de um requerimento de concessão de terras naquela margem, a Câmara resolveu que “em toda a extensão do dito Caminho (...) não havia lugares para se erigirem edifícios, por se achar o rio em dita extensão beirando a rua”, com canoas amarradas, pilhas de lenhas para consumo e madeiras de construção. Todavia, o município não resistiu à constante pressão dos particulares que pleiteavam para si o aforamento daqueles terrenos, considerados da Marinha, e por isso confiados ao domínio direto do Governo Imperial. A Câmara conseguiu apenas garantir a doação, para logradouro público, da área situada entre as embocaduras das atuais ruas Vigário José Inácio e Barros Cassal, formalizada em 1861 pelo Conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão, presidente da Província. Todo o restante da margem do rio, a contar da embocadura da Rua Barros Cassal, foi concedido pelo governo central, a partir de 1869, em aforamento perpétuo aos proprietários de outra face da rua, na proporção de suas respectivas testadas.
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1957
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Em 1870, o Caminho Novo recebeu o batismo oficial de Rua dos Voluntários da Pátria. No mesmo ano, a Câmara providenciou o inicio do calçamento da primeira quadra, até a Rua do Rosário, pois as reclamações eram constantes contra “os grandes pantanais e atoleiros” formados durante o período das chuvas, em virtude da intensa utilização do caminho pelas carretas que se dirigiam ao Mercado.
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Lojas Mesbla (Grande Magazine) - 1960
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A rua sofreu expressiva alterando com a implantação da ferrovia para São Leopoldo, ao longo de toda sua extensão, cuja estação foi edificada em 1874, sob protestos dos moradores e da Câmara Municipal, na esquina da Rua da Conceição.
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A presença da ferrovia, e a utilização da margem do rio para o estabelecimento de trapiches, depósitos, estaleiros e oficinas, iriam traçar definitivamente o destino do Caminho Novo, transformando-o, de um passeio bucólico, numa suja rua de armazéns de atacado e indústrias. A prosperidade de suas empresas refletia-se, contudo, na solidez e ornatos dos sobrados neoclássicos.
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A partir de 1881, começaram os esforços para retirar os carreteiros que freqüentavam a Praça Rui Barbosa (chamada de Praça das Carretas). Foi esse um processo lento, pois os comerciantes da rua eram contrários à retirada dos carreteiros. Parece que, só em 1894, quando a Intendência Municipal fixou o Campo da Redenção como paradeiro oficial das carretas, estas deixaram definitivamente a Voluntários da Pátria. A rua continuou sendo, todavia, por muitos anos, o paraíso das carroças puxadas a cavalo ou burro. Tais carroças, até serem substituídas totalmente pelos caminhões, na década de quarenta, povoavam toda a artéria, lotando o largo da Estação e as ruas adjacentes.
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A construção do novo cais do porto, nas décadas de 50/60 que aterrou uma larga faixa de terrenos, isolou a Rua Voluntários da Pátria do Guaíba, acarretando uma certa degradação, que acabou por afastar as sedes de inúmeras empresas e de diversos clubes náuticos.
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Notícia do Correio do Povo 03 de abril 1909. 
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Rua Voluntários da Pátria, Caminho Novo
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A’ Intendencia – Diversos commerciantes do Caminho Novo, entre as ruas Marechal Floriano e dr. Flores, pedem-nos reclamemos da Intendencia Municipal sobre o estado em que se acha aquelle trecho. Depois que se refez o empedramento, por occasião dos trabalhos de exgottos, não foram retiradas a arêa e a terra ali deixadas pelos trabalhadores. Assim, quando venta, a poeira é insupportavel, e, em dias de chuva, a rua fica transformada em verdadeiro pantano. 
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66. Rua Washington Luis, começa na confluência das ruas Duque de Caxias e General Salustiano e termina na Rua Espírito Santo.
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Praia do Riacho
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Era conhecida como a Praia do Riacho, pois demarcava o litoral sul da península central e a embocadura e o curso inferior do Riacho, antes do aterro.
Em 1824, a Câmara Municipal publicou em edital “para que mais ninguém continue a tirar areia no Caminho de Belas e mais Praia do Riacho, no caminho pelo qual se transita”. Era o caminho escolhido para o trânsito das tropas de gado, quando se deslocavam da Passagem, na Praia do Arsenal, para o matadouro localizado próximo à Várzea.
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Há indícios, desde o século XVIII, da existência de moradores na Praia do Riacho, que conviviam com a freqüente passagem das tropas de gado e com os despejos da cidade na frente de suas casas. Em 1850, os vereadores receberam um abaixo-assinado pedindo providências quanto aos despejos de “imundices e fezes excrementícias dos quartéis e cadeia desta capital perto das casas em que moram os suplicantes”.
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O município resistiu às tentativas de privatização dos terrenos junto ao rio, no lado sul da rua. A Câmara informa, em 1863:
“Por ser este um logradouro público de que se acha de posse desde que começou a povoar-se esta Cidade, e porque está destinado a tomar maior dimensão com o cais, cuja planta já mandou levantar a Assembléia Provincial, e que se projeta para todo aquele litoral da Cidade”.

Entretanto, os presidentes da Província foram menos sensíveis e cautelosos que os vereadores: no mesmo ano, um certo Dr. Francisco Antônio Pereira da Rocha obteve o aforamento de 90 braças de terreno junto ao rio, apesar dos protestos da Câmara. E, pouco depois, a companhia que instalou o gasômetro para produção de gás de iluminação, também foi favorecida com a doação de um terreno contíguo ao anterior. Neste último caso, com anuência dos vereadores.
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ACM
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O litoral da Praia do Riacho era utilizado por lavadeiras e por alguns depósitos de lenha. Em 1886 passou a se chamada de Rua Major Pantaleão Teles, herói da Campanha do Paraguai. Nesta época, havia na região uma Estação de Trem a estrada de ferro de onde partia o conhecido “Trenzinho da Tristeza”, que fazia a ligação com o tradicional balneário fluvial (Riacho/Tristeza).
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O Senador Men de Sá assim a descreve:
“Era zona de classe média, famílias ‘remediadas’ como se dizia então, com a moral, os costumes, a decência e os ridículos, característicos deste segmento social. Havia tudo que figura nos romances, incluindo os saraus, a declamação ao som da Dalila, os namoriscos...”.
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Nas décadas de quarenta e cinqüenta a rua, socialmente degradada, tornou-se um dos maiores focos de meretrício da cidade. Em 1958, quando as casas de lenocínio foram retiradas, a rua teve seu nome alterado, a pedido dos novos moradores, para a Rua Washington Luís, em homenagem ao ex-presidente da República, Washington Luís Pereira de Souza.
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67. Travessa Araújo Ribeiro,

68. Travessa dos Cataventos,

69. Travessa Engenheiro Acelino de Carvalho,

70. Travessa Francisco Leonardo Truda,

71. Travessa Mario Cinco Paus, começa na Avenida Borges de Medeiros e termina na Rua Uruguai.
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72. Travessa Tuiuty,


Outras vias da cidade de Porto Alegre
Outros Bairros

Avenida Azenha ou da Azenha,
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Século XIX
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Avenida Benjamin Constant,
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Avenida Benjamin Constant com Rua Olinda - início século XX
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Igreja São João Batista - 22.06.1969
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Avenida Cristovão Colombo,
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Cervejaria Bopp - década de 1900
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Cervejaria Bopp, atual Shopping Total
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Avenida Cristovam Colombo com avenida Benjamin Constant - década 1960
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Avenida Getúlio Vargas, antiga rua 13 de Maio
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Ponte sobre o Arroio Dilúvio, século XIX
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Avenida Farrapos,
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Abertura da av. Farrapos, década de 1940
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Presidente Jango e Primeiro Ministro Tancredo Neves - 1961
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Avenida Praia de Belas,
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Projeto Plano Diretor para orla aterrada da Praia de Belas - 1953
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Avenida Oscar Pereira,
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Década de 1900
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Avenida President Roosevelt, antiga av. Eduardo
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Av. Eduardo, junto ao Cine Thalia - década de 1910
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Estrada da Cascata,
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1900
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Rodovia BR 290, Freeway
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Inauguração da BR 290 (Freeway) - 1973
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Inauguração da Freeway
Foi na tarde de 26 de setembro de 1973, uma quarta-feira, que o presidente Médici, acompanhado de ministros, inaugurou a então mais moderna via expressa do país: a auto-estrada Porto Alegre-Osório da BR-290. A solenidade foi debaixo do trevo da travessia do Guaíba. A placa que lá existia (foi roubada e nunca reposta) registrava o evento. Grande número de populares acompanhou o ato de cima da ponte. O ministro Mário Andreazza, o grande tocador de obras, foi o único orador da cerimônia. Só no final de sua fala é que revelou o nome oficial que a rodovia estava recebendo: “Auto-Estrada Marechal Osório”. Denominação que, na prática, acabou sendo esquecida. Hoje, de certa forma por culpa da imprensa, todo mundo prefere chamá-la à moda americana: “Freeway”. Mais um dos nossos modismos. Mas Anreazza deixou  também, no seu discurso, um recado importante. Foi quando, dirigindo-se aos motoristas, disse: “Esta rodovia foi feita para ser aproveitada e não para encurtar vidas”.
Cobre um percurso de 96 quilômetros e, ao ser entregue, apresentava mais de duas mil placas de sinalização e recebera mais de 33 mil mudas de plantas no canteiro que separa os dois conjuntos de pistas. Acompanhei a inauguração como integrante da comitiva presidencial, fazendo a cobertura para a Agência Nacional, hoje Radiobrás. Lembro que, embora as placas indicassem a velocidade de até 120 km, o comboio oficial não chegou a tanto: gastou uma hora e dez minutos até Osório. Recordo ainda que, na altura das lagoas, um dos carros da comitiva teve um pneu furado. Parou no acostamento para providenciar a troca. O veículo da imprensa encostou para prestar socorro, mas não foi necessário. Outro episódio fora do ritual foi proporcionado por um jornalista que foi pego com credencial falsa. Ameaçado de detenção, ficou muito assustado e acabou solto, mas impedido de fazer a cobertura. A inauguração da auto-estrada terminou, já noite, com um grande churrasco no galpão do CTG Marquês do Herval, no Parque Marechal Osório. O presidente Médici veio acompanhado de sua mulher, dona Scila, dos ministros Andreazza, dos Transportes;  João Leitão de Abreu, Casa Civil;  e João Batista Figueiredo, Casa Militar, mais o diretor-geral do DNER, Elizeu Resende, e  o deputado federal Arnaldo da Costa Prieto  Os anfitriões no Estado foram o governador Euclides Triches, acompanhado de dona Neda, e o comandante do III Exército, general Oscar Luís da Silva, além de inúmeras outras autoridades locais. 
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Rua Comendador Coruja,
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1970
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Rua Garibaldi,
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Em direção aos Campos da Redencpção - final século XIX
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Rua João Telles,
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Em direção ao Bom Fim - 1900
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Rua Luiz de Camões,
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Táxis junto a igreja São Jorge (em obras) no Parthenon - 1950
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Rua Miguel Tostes,
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Local da atual rua Miguel Tostes - final século XIX
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Rua Ramiro Barcelos,
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Junto a Voluntários da Pátria (antigo Caminho Novo) - 1906
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9 comentários:

  1. Gostaria que houvesse um relato sobre a região do centro-cidade baixa, no entorno da ponte de pedra, onde hoje está situado a praça dos Açorianos. Era um lugar(é)histórico. Não só pelo período da construção da ponte, mas como poucos sabem, na foz do riacho, que era pouco adiante da ponte de pedra, era o porto onde os casais Açorianos desembarcaram, e iniciaram a povoação da mais tarde vila de Porto Alegre. Até o início da década de 60 do século passado (20) ainda havia a estação do riacho, que pertenceu à VFRGS num determinado tempo de sua existência. Foi nesta época, na década de 50, morei na casa de um tio meu, que era funcionário da VFRGS, portanto morava na vila de ferroviários que existia nas instalações da referida
    estação do riacho. O aterro da praia de belas,modificou toda aquela região da cidade.
    Hoje leio parcas referências à este lugar histórico, cuja vila de ferroviários e seus moradores,tinham um "modus vivendi"diferenciado aos moradores do entorno, até porque seu trabalho específico à manutenção da estação de trens, e uns veículos os "carros motor", conhecidos prá quem era daquela época da linha férrea...Havia tambem uma estrutura social mantida pela VFRG, que dava acesso de seus servidores, ao quadro da ACM, para prática de esportes, e educação física. Tinha a Associação Aimoré que era do quadro de funcionários, que promovia festas, jogos de salão, bocha, tenis de mesa,bolão, hora de arte, excurções etc...Esta vila se situava numa viela entre a estação e oficinas, e a orla do Guaíba, na continuação da av. Praia de Belas, e terminava na foz do antigo riacho, separado por um pequeno bosque...Foi um tempo mágico da minha infância. E não ví referencia nenhuma, nem fotos daquela região, eu era menino, e não me liguei que aquilo tudo um dia iria desaparecer...Até da memória da cidade...Gostaria de receber resposta, e se alguem conseguir fotos do lugar, por favor me façam contato! Meu e-mail: albertoxerife@gmail.com e albertomoliveira@bol.com.br Abraços

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  2. Obrigado pela viagem no tempo! Sou Academico de História e seu blog me proporcionou esta super viagem, obrigado!

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  3. Muito bom teu Blog, tenho 37 anos e sou um pouco nostálgico, vendo algumas fotos, me reporto ao inicio do século passado, onde não tinha violência, drogas, trânsito, nossa cidade era outra, Parabéns e Obrigado...

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  4. muito legal teu blog, admiro quem se preocupa com a historia da cidade

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  5. Ola James
    Vc poderia entrar em contato comigo o quanto antes no e-mail:
    tatianaogino@tvcultura.com.br

    OBRIGADA

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  6. Amigo, na foto com a legenda"TAXIS JUNTO A IGREJA SANTO ANTONIO", na realidade é junto a Igreja São Jorge na av. Bento Gonçalves.
    Parabéns pelo ótimo blog.
    Um grande abraço.
    João Antonio , Porto Alegre
    joaoapcarvalho@gmail.com

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  7. Oi eu sou uma apaixonada por história e amei teu blog,comento aqui em casa andamos por esta cidade e achamos que sabemos de tudo,o que na verdade não sabemos de nada..hj estou radiante com tantas informações ,as ruas não serão mais as mesmas,depois deste blog.Te agradeço de coração por esta iniciativa.abraço

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  8. Somos fãs incondicional de sua página.Com certeza é um grande repositório de Porto Alegre, de valor imensurável. Muitas vezes usamos suas postagens em nossa página do facebook (citando o crédito). Ontem postamos a foto rua dos Andradas -1909 na fan page (Nossa Porto Alegre). Um amigo virtual comentou que a foto seria da década de 20. Também achamos, poderia nos confirmar?

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