Bem Vindo

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Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

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domingo, 5 de março de 2017

Ilhota

Ilhota
- Um dos objetivos dos governos brasileiros na metade do século XX era o de fazer uma reestruturação (limpeza) em suas grandes cidades.

- Com o fim da escravidão, em 1888, os negros não tiveram nenhum tipo de assistência para adaptação à sua nova condição de “liberdade”.

- A grande maioria foi se realocando em lugares ruins de morar, porém próximos da zona urbana. A exemplo de outras cidades, a região da Ilhota seguiu essa linha de desenvolvimento. “Eles preferem morar ali, sem pagar aluguel, porque fica próximo de locais de trabalho. Essa situação é extremamente comum na época. Preferem viver mal ali, mas podendo ir a pé para local do trabalho, ir a pé para unidades sanitárias gratuitas, centro modelo, etc. Tudo ali fica acessível, ao mínimo de custos”, contextualiza o sociólogo do Demhab.

- Como não existem muitos documentos sobre a Ilhota, lendas surgiram para contar sua história.

- A Ilhota, parte de terra recortada por uma sinuosa curva do tempo em que havia curvas no Riacho, que viria a ser o Arroio Dilúvio.



- A “Ilhota” - a primeira grande favela de Porto Alegre - estava localizada às margens do arroio Dilúvio, quase na confluência com o Guaíba.

- Habitada por moradores pobres e, em sua maioria, negros ou pardos, era mal vista pelos demais porto-alegrenses, que a consideravam um local de marginais e ladrões - o que, em certa medida, era verdade.

- Mas, também foi habitada por uma esmagadora maioria de trabalhadores que davam duro para ganhar a vida. Vivendo em sub-habitações, os moradores da Ilhota eram, inevitavelmente, as primeiras vítimas das grandes enchentes que assolavam a capital gaúcha, entre elas a fantástica cheia de 1941. 

Imagem, dos anos 1940, Lupi toca um samba na Sacumba

- Sacumba era um galpão lateral da sua casa, que ficava em um terreno estreito e comprido (13m x 57m) na Travessa Batista, 97, uma rua sem saída. Era uma construção simples de alvenaria, com pátio espaçoso. Os fundos davam para um dos braços de arroio da Ilhota.

- A “Ilhota” era habitada por pessoas pobres que queriam ficar perto do centro de Porto Alegre (Foto: Marcello Campos/arquivo pessoal)

Considerada uma chaga urbana, todos os prefeitos anunciavam que iriam removê-la, o que aconteceu aos poucos e foi consumado durante o governo de Guilherme Socias Villela, na década de 1970, quando se construiu o bairro da Restinga, hoje uma verdadeira cidade, e para onde foram transferidas as famílias.

Em 1914, o Plano Geral de Melhoramentos de Porto Alegre, elaborado pelo engenheiro-arquiteto João Moreira Maciel, norteou à modernização da cidade sob três conceitos básicos: circulação, higienização e embelezamento.'


- O plano só foi colocado em ação 10 anos depois e, como você já pode esperar, não respeitou os territórios negros. A Ilhota foi destruída para a horrorosa canalização do fétido Arroio Dilúvio.

Na Ilhota, nasceram gaúchos ilustres, como o compositor Lupicínio Rodrigues e o craque do futebol, Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha.

Reprodução do Correio do Povo de 1966 - foto Santos Vidarte (uma legenda do fotojornalismo gaúcho) retrata o que era aquela "maloca"

A antiga Ilhota, área onde passa a Av. Erico Verissimo, entre a Av. Ipiranga e a Praça Garibaldi, atualmente – conta com homenagens póstumas em forma de logradouros e edificações.

O Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (CPC), o Ginásio Osmar Fortes Barcellos (Tesourinha) e a Praça Lupicínio Rodrigues são os exemplos.

Apesar da lembrança, muitos que passam pelo bairro não imaginam que aquele lugar era cercado de água, sofria constantemente com inundações, era discriminado pelo resto da cidade, e, mesmo assim, abrigava histórias fantásticas.

Lembranças

Aldovan Moraes, sociólogo do Departamento Municipal de Habitação de Porto Alegre (Demhab), afirma que “as chamadas populações ‘decentes’ buscavam evitar a Ilhota”, nutrindo “um medo permanente em relação a ela”.

Pelotense, a professora estadual Ilka Torres veio morar aqui em 1959 e lembra bem disso: “Tinha uma fama meio pesada, a gente tinha até restrições de ir lá por perto. Diziam que a polícia tinha receio de entrar na Ilhota”.
Moradora do Bom Fim, bairro próximo dessa comunidade pobre, ela conta que “havia um certo preconceito”:
“Acho que de serem negros, pobres e bêbados. Faxineiras ou empregadas não se queria que fosse da Ilhota, agora, por quê, não sei. Eu nunca tive [empregados] da Ilhota”, revela.

O sociólogo do Demhab Aldovan Moraes considera que boa parte dos moradores “eram pequenos criminosos”. Segundo ele, batedores de carteira, golpistas e assaltantes em geral.

O funcionário público aposentado e ex-morador da Ilhota Jairo Rodrigues esclarece:

“Alguns a gente sabia que eram marginais, mas não tenho notícias de alguém ser assaltado na vila. Nem de tráfico. Alguém conhecia alguém que fumava maconha, e que ia lá no cais pegar dos marinheiros que vinham de fora… Bebida sim, tinha os botecos… E, de vez em quando, um cara dava uma facada no outro. A beberagem, né? E claro, mulher, né? Ciúme. Uma vez, vi uma briga que o cara tocou uma faca e matou o outro. Mas foi poucas vezes”.

Na verdade, a violência era o último dos problemas dos moradores da Ilhota. Jairo Rodrigues viveu lá de 1947 a 1962 e hoje, aos 69 anos, o que mais se destaca em sua memória é a extrema precariedade do local:

“A lembrança que eu tenho é muito, muito ruim. No verão secava um pouco, mas no inverno era lodo. Tu tinha que ser equilibrista e pisar numas tabuinhas para não atolar o pé. Eu tinha até vergonha, trabalhava numa loja na Praça Garibaldi e chegava lá todo embarrado, tinha que limpar os sapatos… Vou dizer, pra quem morou na Ilhota, não tem vila ruim”.

Jairo Rodrigues afirma que a Prefeitura nem se aproximava do local. “Não tinha órgão público que chegasse. A água era de bica, botavam uma torneira e tu ia de balde. Luz, só gateada. Nem gateada, era pior! Na 17 de Junho, uns camaradas vendiam luz pro pessoal da vila. Era ‘paliteiro’: puxavam um fio de 150 metros, todo emendadinho, e cobravam uma taxa por mês pela luz. Um biquinho né? Frigidaire, essas coisas, nem pensar”.

Esgoto? “Casinha. Patente, um buraco. Malcheiroso, com mosquito, o que tu possa imaginar. Era tudo de madeira, as casas uma do lado da outra, e cada um fazia seu banheiro. Tinha que tomar banho de bacia, era o que todos faziam. Saneamento básico não existia”, conta Jairo Rodrigues.

“Pra tu ver como era insalubre, na minha família, dos quatro irmãos, três contraíram tuberculose. Era comum. Morriam muitas crianças. Febre, vermes, doenças infantis… Era muito ruim, uma página negra na história de Porto Alegre”.

Remo junto a Ilhota

Postal registra uma das pontes que ligava a Ilhota a Cidade Baixa - década de 1920

Localizacão

A região conhecida como “Ilhota” ocupava a área que hoje vai da Praça Garibaldi (antiga Praça da Concórdia, na esquerda da Av, Venâncio Aires com a Av. Erico Verissimo) até a Av. Ipiranga, se espalhando em direção à Rua Lima e Silva por um lado e, pelo outro, até a Av. Getúlio Vargas (antiga 13 de Maio).


Conforme Aldovan Moraes, sociólogo do Departamento Municipal de Habitação de Porto Alegre (Demhab), a “Ilhota” se baseava em duas ruas.

“Houve uma troca entre as ruas Olavo Bilac e Lobo da Costa”.

Por ironia, a “Ilhota” não existiu desde sempre.

O Início
A Ilhota surgiu após obra da Intendência Municipal de Porto Alegre, que foi realizada do final de 1904 ao início de 1905.

O objetivo do intendente José Montaury (1858-1939) era de dar maior vazão a dois arroios que estavam atingindo ruas da região, como a Rua Arlindo (região do Colégio Protásio Alves à Praça Garibaldi).

Em seu lugar havia o Riacho, apelidado Riachinho, que era o mesmo Arroio Jacareí do século XIX, cujas curvas acentuadas delimitavam uma zona que se alagava muito quando chovia.

A memória popular optou por chamar esses arroios de Dilúvio e Cascatinha, porém eles tiveram outros nomes:
Dilúvio: - Arroio Jacareí, Arroio do Sabão, Arroio da Azenha, Arroio Dilúvio, Riacho e Riachinho foram as alcunhas do primeiro.
Cascatinha: - Arroio das Águas Mortas, Cascata e Cascatinha foram do segundo.

Com o término da obra, criou-se uma região ilhada, mas bem localizada, próxima do centro da Capital.

A obra de José Montaury criou um veio onde a água mal circulava, tornando-se um fétido berçário de mosquitos que os porto-alegrenses denominaram “braço morto do Riacho”.

A obra originou um curso d’água próximo ao encontro dos dois arroios, formando uma ilha na região.

Nascia a “Ilhota”.

Seu leito formava uma área cercada de água onde se formou uma vila, que se expandiu e deu nome a um conjunto de comunidades carentes chamado popularmente de “Ilhota”.

Para a Prefeitura, aquilo eram 22 hectares de problemas: além de ser considerado um antro de criminosos, todo ano caminhões precisavam ficar de plantão para recolher os flagelados das cheias.

Os Moradores
Logo apareceram os primeiros moradores.

No início do século XX, os habitantes iniciais da Ilhota eram proprietários que adquiriram terrenos ali conforme sugere Aldovan Moraes.

Na metade no século XX, o crescimento populacional de Porto Alegre atingiu também a pequena ilha, que foi ficando cada vez mais densa. A área sujeita a inundações atraiu pessoas que não tinham condições de morar na parte urbana, mas que tinham interesse em ficar perto do coração da cidade.

E as cheias dos arroios que a cercavam vitimavam cada vez mais os moradores.

A partir de 1910, os primeiros invasores tenham chegado, eram “os pobres do próprio município”.

Em 1911, a curva da Rua Lobo da Costa, cruzando o arroio, passava a se chamar Rua Ilhota. E o final da Rua Ilhota tinha um esquema de cruz, um formato de “T”.

O “T” se chamava Travessa Baptista. Então, a Rua Ilhota era o segundo nome de um logradouro. O que estivesse dentro da região [Ilhota] era Rua Ilhota e Travessa Baptista, e o que estivesse fora era Lobo da Costa, atual Olavo Bilac.

Rua Arlindo

A Rua Ilhota era, simplesmente, a continuação ou final da Lobo da Costa.

Porto Alegre foi a primeira cidade do país a ter um Plano Diretor.

Em 1914, o arquiteto João Moreira Maciel (1877-?) propôs um projeto que tentava organizar o crescimento da cidade, o Plano Geral de Melhoramentos. Apesar do projeto centenário, ele foi fundamental para capital gaúcha. Muitos pontos saíram da cabeça de Maciel, como a Perimetral Loureiro da Silva, a Av. Mauá (que era Av. do Porto), Av. Júlio de Castilhos, Av. Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio), etc.

Entre eles, a canalização do Arroio Dilúvio, que mudaria totalmente a Ilhota. Levaram anos para a mudança acontecer.

A Ilhota se tornou um bairro mítico de Porto Alegre, lendas se criaram naquela porção de terra cercada por água.

Em 16 de setembro de 1914, nascia na Ilhota Lupicinio Rodrigues

Casa da Família Rodrigues

Falam em uma Ilhota gigantesca.

Entretanto, em 1935, o número de domicílios na região não era expressivo, aproximadamente 78. E é errôneo dizer que a Ilhota tratava-se de uma única vila. Foram diversos conjuntos que formaram esse território. Onde hoje se situa o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o Julinho, ficava a Vila Piratini.

Em 1939, a prefeitura começou a executar suas ações práticas sobre o Arroio Dilúvio e a Ilhota.

Dos anos 1940 aos 60, Porto Alegre sofreu o seu maior aumento populacional e na Ilhota não foi diferente. O funcionário público aposentado conta que, enquanto morou lá, “mudou só pra pior”: “Cresceu, apertou mais. Tinha lugares que o pessoal não ia e começou a ir, a ocupar os espaços. Lugares alagados mesmo, baixinhos. Cada um fazia o que dava, arrumava uma carroça, botava terra. Cada um por si e Deus por todos”.

Os jornais da época são unânimes ao descrever o local como abrigo de marginais.

O Início do Fim

A partir das enchentes de 1941, a Intendencia Municipal (Prefeitura) começou a projetar o fim da Ilhota, e, conforme ela foi superlotando, começaram as remoções massivas.

Até 1945, segundo o sociólogo Aldovan Moraes do Demhab, havia poucas vilas irregulares em Porto Alegre:

“A Prefeitura só começa a se preocupar com isso na segunda metade dos anos 1940, não existe problema antes disso. Existe, mas não era considerado um problema. Numericamente falando, o percentual de invasões anterior a 1945 não é importante. Era um assunto irrelevante”.

Uma das primeiras vilas removidas da cidade foi a Vila Piratini, que ficava onde hoje está o Colégio Júlio de Castilhos.

Foto área da Ilhota na década de 1940, quando começaram as ações da prefeitura para modificar a região (Foto: Marcello Campos/arquivo pessoal)

De acordo com o livro Porto Alegre: Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco, no Decreto Municipal nº 333, de 06/07/1946, 77 construções, localizadas entre a Rua Ilhota e a Travessa Baptista, foram demolidas em função da canalização do Riacho, além do saneamento e urbanização da zona.

D.T.O.

Em 1947, os moradores dessa vila foram mandados para as proximidades da Rua Arlindo, uma zona ao lado da Ilhota criando a Vila DTO onde agora fica o Colégio Protásio Alves.

Na prática, essa era mais uma vila chamada popularmente de Ilhota, assim como a Vila dos Eucaliptos, Cabo Rocha, a Araquilândia, o Cantão da Arlindo.

 “O que dividia a DTO da Ilhota era a Rua Arlindo [mais ou menos por onde abriram a Erico Verissimo]. Mas é meio misturado, né?”, ressalta Jairo Rodrigues.

Em novembro de 1954, foram retiradas 704 malocas da Vila DTO, mas foi durante a ditadura que o processo se intensificou.

Em 1948, conforme os registros Demhab, 295 pessoas moravam na Ilhota (o Cantão), num total de 87 casas.

A reportagem Ilhados na Miséria, escrita em 2011, por Ariel Fagundes e Leandro H. Rodrigues para o Jornal Tabaré, contou a história da Ilhota. Como diz no texto: “Em novembro de 1954, foram retiradas 704 malocas da Vila DTO”, mas foi durante a ditadura que o processo se intensificou.


Nasce a Restinga

Em 1967, o Demhab (Departamento Municipal de Habitacaão), com a gentil ajuda do Exército, retirou mais de mil casas da Ilhota e levou seus moradores para inaugurarem a recém criada Restinga, os moradores da Ilhota foram designados a morar também na região de Mato Sampaio (bairro Bom Jesus) e São Gabriel (bairro Camaquã).

Aldovan Moraes admite que “os antigos habitantes da Ilhota não foram beneficiados pelas obras que retiraram eles dali”. “O ponto de vista da vítima era desconhecido, os moradores não eram ouvidos. Houve sofrimento, houve horror inicial, a coisa piorou”, garante o sociólogo do Demhab.

Apesar de não morar lá desde 1962, Jairo conta o que seus amigos passaram: “Vieram caminhões, desmancharam tudo na marra e jogaram o pessoal na Restinga. Tenho um conhecido que levaram tudo e ele nem foi buscar. Foi traumático”.

Pois se a Ilhota era ruim, a Restinga do fim dos anos 1960 era muito pior: “Nos primeiros anos, não tem rede de água, nem nada”, afirma Aldovan Moraes. Segundo ele, o plano era que “os habitantes de cada domicílio da Ilhota tivessem direito a um lote na Restinga”.

A partir dos anos 1970, já não há mais lotes suficientes e se começa a pôr mais de uma casa no mesmo.

Os Moradores da Ilhota Sofrem

Apenas por estarem próximos ao Centro, os habitantes da Ilhota tinham acesso a serviços públicos mínimos, como o Centro de Saúde Modelo e o colégio Emílio Massot, além de poderem trabalhar formal ou informalmente.

Na Restinga, isso acabou. Aldovan Moraes conta que lá eles ficaram “simplesmente atirados, todos na mesma situação, sem nada” e a fome virou rotina.

Toda atividade econômica da Ilhota é impossível nesse novo local. Eles não têm para quem mendigar, quem roubar, ou como ir a pé pros locais de emprego.

Na Restinga tudo que existia eram os coitados dos pequenos proprietários de chácaras que tinham que se precaver pra evitar que suas lavouras fossem roubadas.

Enquanto a Restinga ia sendo ocupada por egressos de várias vilas que foram removidas na época, alguns ainda permaneciam na Ilhota.

Projeto Renascença

Até 1972, a situação se arrastou, quando o Banco Nacional de Habitação - BNH, lançou o plano Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada (Cura). Com isso, Porto Alegre recebeu mais de Cr$ 360 milhões de cruzeiros, para realizar uma imensa reforma urbanística chamada Projeto Renascença, sobre o pretexto de estar recuperando áreas deterioradas da cidade.



Meio século depois de apresentado o Plano Maciel, o prefeito Guilherme Socias Vilella pôs em prática o Projeto Renascença.

Assim foi construída a Av. Erico Verissimo e seus arredores.

Além da remoção total da Ilhota, esse projeto previu a criação da Primeira Perimetral, o aterro de parte do Guaíba criando o Parque Marinha do Brasil e a e Avenida Beira Rio, dentre várias outras supostas melhorias.

Aldovan Moraes afirma que até houve “o projeto de apartamentos para egressos da Ilhota na mesma região onde ela seria extinta”, mas essa foi “uma das tantas coisas que nunca saíram do papel”.

Em 1978, o Centro Municipal de Cultura - CMC foi inaugurado.

Em 1986, durante o governo do prefeito Alceu Collares, passaria a homenagear Lupicínio Rodrigues.

O Fim total da Ilhota

Com a retificação do Dilúvio, a ilhota foi riscada do mapa.

Seus últimos habitantes deixaram o local, em 1979.

Em 1979, o Projeto Renascença foi concluído, acabando de vez com os últimos suspiros da Ilhota. Como mais um tumor social, a ilhota foi removida cirurgicamente por máquinas pesadas que a transplantaram para longe dos olhos da cidade.

Da “Ilhota”, não restou praticamente nenhum resquício, apenas o traçado irregular de algumas ruas indicando por onde passava o velho Riachinho (Rio Jacareí).

É pequeno em território, mas de grande simbolismo histórico-cultural.

Ilhota Cultural

Lupicínio Rodrigues foi o filho mais ilustre da Ilhota.
Ali nasceu, em 1914, e morou por cerca de quarenta anos.

Além de Lupi, a Ilhota foi berço de manifestações artísticas da cidade, como o Carnaval e o Samba.

O texto do projeto de lei diz que a iniciativa busca resgatar a vida cultural de Porto Alegre entre as décadas de 1940 e 1960.
O perímetro abrange o Centro Municipal de Cultura, a Praça Lupicínio Rodrigues e o Ginásio Tesourinha.

O Novo Bairro

A “Ilhota” agora um bairro.
A antiga ilhota nasceu e viveu Lupicínio Rodrigues e é oficialmente um bairro de Porto Alegre.

A lei foi publicada no Diário Oficial.

Um naco de terra foi suprimido do Menino Deus para dar origem ao novo arrabalde, tentando reconstituir os limites do antigo lugarejo.

A iniciativa é uma justa homenagem ao autor de Se acaso você chegasse.

É, todavia, contraditória sob o aspecto geográfico. Afinal, a ilhota não existe mais. Ficará sendo como é hoje o Guaíba. Chamamos de rio, mas não é rio, é lago. Passaremos a chamar de Ilhota um pedaço de terra que não é uma ilhota, mas uma fração de continente.

Em abril 2015, o Projeto altera o Menino Deus e cria o Bairro Ilhota
Está em tramitação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, projeto de lei de autoria da Mesa Diretora que propõe a alteração dos limites do Bairro Menino Deus e a criação do Bairro Ilhota.

A proposta, se aprovada, modifica a Lei nº 2.022, de 7 de dezembro de 1959. Além do presidente da Câmara, vereador Professor Garcia (PMDB), também integram a Mesa Diretora os vereadores Mauro Pinheiro (PT), Delegado Cleiton (PDT), Guilherme Socias Villela (PP), Any Ortiz (PPS) e Márcio Bins Ely (PDT).

A zona do Bairro Ilhota seria compreendida pelos seguintes limites e logradouros públicos, conforme descrito no projeto:

"Com ponto inicial na Avenida Erico Verissimo, no Ginásio Municipal Osmar Fortes Barcellos (Tesourinha), esquina com a Rua Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, segue pela Avenida Érico Veríssimo até encontrar a passagem de pedestres localizada entre o Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicinio Rodrigues e a Praça Augusto César Sandino; daí, segue pela passagem de pedestres até encontrar a Rua Marechal Setembrino de Carvalho; daí, segue pela Rua Marechal Setembrino de Carvalho até encontrar a Praça Lupicinio Rodrigues; daí, segue para a esquerda, contornando a Praça Lupicinio Rodrigues, até encontrar a Rua Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva; daí, segue pela Rua Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, por sua numeração de lado ímpar, até a convergência com a Avenida Érico Verissimo".

As Homenagens 

De acordo com o vereador Professor Garcia (PMDB), a alteração objetiva fazer uma homenagem ao centenário de Lupicinio Rodrigues, nascido na Ilhota, comunidade do Bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, no dia 16 de setembro de 1914.

Falecido no dia 27 de agosto de 1974, Lupicinio – ou Lupi, como era mais conhecido – estaria completando, neste ano, 100 anos de vida.

"Esse projeto busca resgatar a vida cultural de Porto Alegre entre as décadas de 1940 e 1960, uma vez que o Bairro Ilhota irá abranger o Centro Municipal de Cultura, a Praça Lupicinio Rodrigues e o Ginásio Tesourinha", explica Garcia.

Personalidades
Lupicínio Rodrigues

Nome completo         Lupicínio Rodrigues
Também conhecido(a) como Lupe
Nascimento    16 de setembro de 1914
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Data de morte, 27 de agosto de 1974 (59 anos)
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Compositor

Período em atividade década de 1920 — 1973

Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre, 27 de agosto de 1974) foi um cantor e compositor.


- Lupicínio Rodrigues nasceu pelas mãos da parteira-benzedeira Júlia “Dona Quimbá” Garcia, às 21h30min de uma quarta-feira, 16 de setembro de 1914.

- Ele deixou uma composição que nunca foi gravada, de 1937, intitulada Ilhota. O samba é uma das quase 300 canções.


- Consta que a casa da Travessa Batista, 97, ficava onde hoje é a praça Lupicínio Rodrigues, atrás do Ginásio Tesourinha

Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs marchinhas de carnaval e sambas-canção, músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido.


O Termo

Foi o inventor do termo “dor-de-cotovelo”, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora pela perda da pessoa amada.

Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio Rodrigues buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.


Casa de Lupicinio na Ilhota

De 1935 a 1947, trabalhou como bedel da Faculdade de Direito da UFRGS.

Nunca saiu de Porto Alegre, a não ser por uns meses em 1939, para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo.

Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos.

Torcedor do Grêmio, compôs o hino tricolor, em 1953:

Até a pé nós iremos / para que der e vier / Mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.

Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate.

Encontra-se sepultado no Cemitério São Miguel e Almas em Porto Alegre.

Obras:
Aves daninhas
Cadeira vazia
Cevando o amargo
Ela disse-me assim
Esses moços, pobres moços
Exemplo
Felicidade
Foi assim
Hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
Judiaria
Loucura
Maria Rosa
Migalhas
Nervos de Aço
Nunca
Quem há de dizer
Se acaso você chegasse
Se é verdade
Sozinha
Torre de Babel
Um favor
Vingança
Volta
Zé Ponte


Discografia
Francisco Egydio (C/ Walter Wanderley e Seu Conjunto) - Vive os Sucessos de Lupicinio Rodrigues - LP 1963 (Odeon)
Jamelão - Interpreta Lupicinio Rodrigues - LP 1972 (Continental)
Lupicinio Rodrigues - Gravações Originais - LP 1974 (Discos Copacabana)
Lado A_____________________________Lado B
01 Felicidade______________________01 Vingança
02 Se acaso você chegasse__________02 Namorados
03 Aves daninhas___________________03 Inah
04 Os beijos dela___________________04 Não sou de reclamar
05 Nunca__________________________05 Nossa senhora das graças
06 Jardim da saudade_______________06 Amor é um só


NELSON COELHO DA CASTRO, GELSON OLIVEIRA, BEBETO ALVES, PAULO GAIGER, NEUSA ÁVILA, PERY SOUSA, NANCI ARAÚJO - Coompor Canta Lupi - LP 1989
Vários Interpretes Revivendo 4 CDs - CD (Cedar Revivendo)
Thedy Corrêa Loopcinio - CD 2005 (Orbeat)
Joanna - Joanna canta Lupicínio - (1994, BMG Ariola / 400.000 cópias

Tesourinha


Osmar Fortes Barcellos - O Tesourinha


Osmar Fortes Barcellos
Nascido em 03 de dezembro de 1921
Em Porto Alegre (RS), Brasil
Falecido em 17 de junho de 1979 (57 anos)
Local da morte Porto Alegre (RS), Brasil
Pé Destro
Apelido Tesourinha, A Flecha

Informações Profissionais
Posição Ponta-direita

Clubes Profissionais
Anos Clubes Jogos e Gol(o)s

1939–1949 Internacional 149 (176)

1949–1952 Vasco da Gama

1952–1954 Grêmio

1954–1957 Nacional

Seleção Nacional

1940–1944 Rio Grande do Sul 7 (6)

1944–1950 Brasil 23 (10)

Osmar Fortes Barcellos, mais conhecido como Tesourinha (Porto Alegre, 3 de dezembro de 1921 — Porto Alegre, 17 de junho de 1979), foi um futebolista brasileiro que atuava como ponta-direita.

Carreira
Tesourinha, que teve o apelido tirado de um bloco carnavalesco no qual participava chamado Os Tesouras. Começou a carreira jogando em um clube amador de Porto Alegre, o Ferroviário, time da Ilhota, sua ex-vila na capital do Rio Grande do Sul, hoje batizada de Praça Garibaldi.

Em 1939, foi convidado por um olheiro do Internacional a fazer testes no clube, sendo aprovado. No Internacional, Tesourinha estreou no dia 23 de outubro de 1939, em uma vitória de seu time sobre o Cruzeiro por 2–1, em partida válida pelo Citadino de Porto Alegre.


Seu primeiro gol como profissional só viria a ocorrer em um amistoso com o Força e Luz em 14 de dezembro daquele ano, no qual o Internacional venceu por 7–0, sendo Tesourinha autor de um dos gols.

Devido à concorrência com o consagrado Carlitos, Tesourinha foi deslocado para a ponta direita, onde teve exitosa carreira. Consagrou-se no chamado Rolo Compressor, como foi denominada a equipe do Internacional da década de 1940 hexacampeã gaúcha e tida como como "imbatível".

Em 1944, foi convocado pelo treinador Flávio Costa para a Seleção Brasileira, onde Tesourinha estreou em um amistoso contra a Seleção do Uruguai, no dia 14 de maio, marcando um dos gols da vitória brasileira por 6–1.

No ano seguinte, seria titular nas seis partidas da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de Seleções, sendo eleito o melhor atleta da competição.



Em 1949, participou de nova edição do Sul-Americano de Seleções, desta vez sendo campeão e novamente escolhido como melhor atleta. Tesourinha marcou 7 gols neste campeonato.

Ainda em 1949, Tesourinha transferiu-se do Internacional para o Vasco por uma quantia considerada uma fortuna na época.

Estreou no dia 4 de janeiro de 1950, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo, na qual o Vasco venceu a Portuguesa de Desportos por 5–2 e Tesourinha marcou um gol cobrando falta.


No clube carioca, fez parte do lendário Expresso da Vitória. Atuou no Vasco até o ano de 1952.

Na seleção, foi titular absoluto por cinco anos seguidos. Tinha participação certa na Copa do Mundo de 1950, formando o ataque titular ao lado de Zizinho, Ademir, Jair e Chico, mas sofreu uma grave lesão nos meniscos na véspera que o deixou de fora da competição.

Em 1952, Tesourinha foi contratado pelo Grêmio, ficou conhecido por quebrar um tabu histórico de ter sido o primeiro atleta negro da história a jogar no clube. Tesourinha fez a sua estréia no Grêmio no amistoso do dia 16 de março daquele ano, em uma vitória por 5–3 sobre o Juventude, em Caxias do Sul. Tesourinha marcou dois gols na partida.

Encerrou a carreira em 1957, jogando pelo Nacional de Porto Alegre.

Ainda ensaiou seguir a carreira de técnico, ao dirigir o Futebol Clube Montenegro em 1960.



Tesourinha faleceu em 1979, aos 57 anos, vitimado por um câncer no estômago.

Títulos
Internacional
Campeonato Gaúcho: 1941,1942,1943,1944,1945,1947 e 1948.
Vasco da Gama
Campeonato Carioca: 1950.
Seleção Brasileira
Copa Roca: 1945
Copa Rio Branco: 1947 e 1950
Copa América: 1949
Taça Oswaldo Cruz: 1950
Prêmios Individuais
Melhor jogador da Copa América: 1945 e 1949


O que Restou da Ilhota

- Pouco restou da Ilhota de Lupi e Tesourinha. A referência geográfica do novo bairro é o triângulo formado pelas avenidas Ipiranga, Érico Veríssimo e Getúlio Vargas.

PRAÇA GARIBALDI (antigo potreiro da Várzea, depois praça da Concórdia até 1907) - Virgílio Calegari, 1912: construção do monumento em homenagem a Giuseppe e Anita Garibaldi, confeccionado por marmoristas de Carrara (acervo do Museu Joaquim José Felizardo);
Adriana Bednarz, 2013 (acervo Porto História PH).

- A Praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa, é uma referência que permite situar a ILHOTA; marca o local que delimitava a fronteira entre o espaço interno da vila e o espaço exterior urbanizado.

- A Praça Garibaldi era um lugar de sociabilidade. As famílias iam se refugiar nas noites quentes de verão e ali também ocorriam encontros amorosos, folias de carnaval e conflitos entre marginais e a polícia.


Em 1975, o Projeto Renascença transformou a Ilhota. Reformulou o bairro através da construção do Ginásio Tesourinha e do Centro Municipal de Cultura e Teatro Renascença. A avenida Érico Veríssimo cortou a vila ao meio enquanto o processo de urbanização valorizou os terrenos da área desocupada, onde na década de 1980 se multiplicaram os condomínios de classe média.


- Os moradores foram transferidos para a recém criada VILA RESTINGA, situada na periferia de Porto Alegre.

Curiosidades
Por apresentar um físico franzino quando contratado pelo Internacional, Tesourinha foi autorizado pela diretoria do clube a retirar meio quilo de carne e dois litros de leite por dia em uma padaria próxima ao Estádio dos Eucaliptos, para que pudesse adquirir massa muscular.

Foi o primeiro atleta negro da história a vestir a camisa do Grêmio, em 1952.

Na partida amistosa de despedida do Estádio dos Eucaliptos, em 26 de março de 1969 (Internacional 4 x 1 Rio Grande), Tesourinha entrou em campo pelo Internacional tendo, na época, 47 anos de idade. Entrou apenas no segundo tempo, substituindo Bráulio. Ao final da partida, Tesourinha retirou as redes

Notas:

Carlos Garcia
Site: Nonada Jornalismo Cultural Investigativo
Jornal Zero Hora
Jornal Correio do Povo
Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho

quarta-feira, 1 de março de 2017

Fonte A Samaritana, Porto Alegre

A Samaritana


Em fevereiro de 1919, a revista Kodak, considerando tal realização como fato inédito na capital gaúcha. O jornalista saiu empolgadíssimo do atelier porque pôde contemplar bem de pertinho uma moça, de seios de fora, posando para os olhos discretos do artista.
Consta que a obra foi modelada por Alfred Adloff, um dos nomes mais respeitados na estatuária local daquele tempo.

Em 1925, a Samaritana fora instalada no Largo dos Açorianos à beira de uma “bacia de granito”.

Paço Municipal

A estátua da Samaritana foi feita por Alfred Adloff, trabalho feito em galvanoplastia nas oficinas de João Vicente Friederichs. A Samaritana parece ter sido moldada com base em modelo vivo, do que dá a notícia.


A Samaritana teve que deixar um ponto nobre, um lugar privilegiado, em frente ao Palácio Municipal, na Praça Montevidéu, assim denominada desde 25 de setembro de 1916.

Doberstein (2002) comenta que o apelido "Samaritana" é equivocado para a obra pois ela se parece muito mais com uma camponesa portando um Cântaro.

Em 1935, a Samaritana foi levada para a Praça da Alfândega, junto com a bacia de granito que a acompanharia na transferência forçada de local, cujo futuro ninguém seria capaz de imaginar.

Praça da Alfandega

Essa mudança de endereço decorreu da imposição das circunstâncias que marcaram as comemorações do Centenário Farroupilha.

A Fonte Talavera foi a substituta da Samaritana.


Fonte Talavera

Vistosa, muitíssimo bonita, na antiga Praça Municipal, a Fonte Talavera, como presente da colônia espanhola à cidade que a abrigara, ao ensejo das festividades comemorativas dos 100 anos da Revolução Farroupilha.

Procedente de Talavera de La Reina, como obra executada por D. Juan Ruiz de Luna, ceramista famoso, a fonte veio a ser montada pelo professor Fernando Corona (Espanha, 1895-Porto Alegre, 1979), a quem o sangue atávico e um talento alcandorado ensejaram perfeição ao honroso trabalho.

Fonte Talavera

Talvez uma das estátuas mais comentadas nos últimos anos em Porto Alegre, a Samaritana estava desde 2002 fora da Praça de Alfândega, sendo o seu retorno praticamente uma década depois.




Mas como comentou Chaves (2012) a peça que está atualmente no local é uma cópia, tendo em vista que a original sofreu uma ação de depredação tão grande que foi cortada ao meio.

A Samaritana Cercada

A Samaritana Lúdica


O Vandalismo e a sujeira de Porto Alegre, a falta de respeito e o cuidado com o patrimonio por parte do poder publico é total, uma vergonha. E não muda nada.

Edificio Santa Cruz, Porto Alegre

Edifício Santa Cruz

Introdução

O Edifício Santa Cruz é o edifício mais alto da cidade de Porto Alegre, com 34 pavimentos, sendo salas comerciais até o 24º andar e apartamentos do 25º ao 31º andar. Possui também mais 2 níveis de subsolo com 14 metros de profundidade.

A obra foi construída entre as décadas de 1950 e 60 e está localizada no Centro da cidade, à Rua dos Andradas nº 1234, próximo à Praça da Alfândega e à Rua General Câmara.

Possui 107 metros de altura e 50 mil m² de área construída. Está assentado sobre 120 pilares de 0,8m x 0,8m, fincados 14 metros abaixo do solo; o subsolo possui dois pisos (de geradores de energia e bombas de água), e as estacas entram mais 4 metros para dentro do solo.

O projeto final é do Arquiteto e Urbanista Jayme Luna dos Santos. Foi o primeiro edifício com estrutura metálica construído no Rio Grande do Sul.

O Edifício Santa Cruz foi construído pela Construtora Ernesto Woebcke, para ser a sede administrativa e agência matriz do Banco Agrícola Mercantil também conhecido Agrimer, que depois fundiu-se com o Unibanco que depois virou Itaú.



A Cidade

A verticalização foi um processo iniciado em diversas cidades latino-americanas na primeira metade do século XX. Na origem do processo de verticalização se verifica a gradativa estrutura urbana.
 No caso de Porto Alegre, um dos primeiros investimentos públicos na estrutura urbana foi o “Plano Geral de Melhoramentos” feito pelo engenheiro João Moreira Maciel em 1914, para a área central da cidade. Esse plano propôs grandes intervenções em um centro consolidado na cidade.

As influências do Plano de Paris de Haussmann estão refletidas no Plano de Maciel, segundo Célia Ferraz de Souza:
- O Plano Geral de Melhoramentos está muito próximo do tripé do urbanismo Haussmaniano: - transportar, sanear e equipar, se ocupa fundamentalmente dos dois primeiros itens, aliados da questão da estética da composição.

O processo de verticalização em Porto Alegre se iniciou no centro da cidade, e gradativamente foi se expandindo aos bairros. Esse processo pode ser dividido em fases, de acordo com o tipo de verticalização de cada época.
A primeira fase da verticalização se inicia em 1910, apresentando edifícios de um, dois e três pavimentos.
A segunda fase corresponde o período entre as décadas de 1920 e 1930, e relaciona-se com a abertura das primeiras avenidas e com a construção de edifícios de cinco e seis pavimentos.
A terceira fase é na década de 1940. Esse período foi marcado pelo surgimento de edifícios com 12, 15 e 17 pavimentos. Nesse período predominava o capital financeiro e imobiliário, promovendo com isso a produção da habitação vertical na cidade.
A área central era o espaço preferido para este tipo de empreendimento. Nessa época a habitação vertical se consolidou e iniciou-se a substituição dos sobrados por apartamentos.
A quarta fase corresponde à década de 1950. Foi quando Porto Alegre se consolidou como cidade verticalizada e viu serem construídos seus maiores arranha-céus. Esses edifícios marcaram a renovação e modernização do centro, consolidando ainda mais esse tipo de edificação e destacando os edifícios comerciais e de escritórios.
A quinta fase, após 1960 marca a desverticalização da cidade. Adotou-se mecanismos de controle de altura e índices de solo, de modo que os limites de altura fossem relacionados com o atendimento aos índices de aproveitamento, taxas de ocupação e recuos obrigatórios.

Na década de 1950, houve um decréscimo da verticalização em relação à década anterior, já que desvantagens que a excessiva massificação do centro da cidade já estava evidente. Isso encaminhou para a criação de uma nova Lei Municipal, nº 986, de 1952, que era anunciada como um instrumento de regulamentação da verticalização, e passou a permitir que as alturas máximas, que eram duas vezes a largura das vias, fossem ultrapassadas por recuos progressivos, no centro, após atingirem altura correspondente ao limite.


Foi na década de 1950, que foram construídos os maiores arranha-céus da cidade, e entre eles destaca-se Edifício Santa Cruz, e, a partir disso definiu-se o objeto de estudo para o presente artigo.

Histórico

Em 1955, a partir de iniciativa do Banco Agrícola Mercantil, foi realizado um concurso fechado de anteprojetos para escolha do projeto a ser executado para sede do banco. Três escritórios de arquitetura foram convidados a participar, sendo eles:

Um projeto do Uruguay, do arquiteto Vicente Marsiglia Filho,

E o projeto vencedor do arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça.

Em junho de 1956, o projeto teve a primeira aprovação pela Prefeitura de Porto Alegre, e após um mês o arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça veio a falecer. O arquiteto Jayme Luna dos Santos assume o andamento do projeto.

Luna foi responsável por diversas mudanças no projeto, que constam em plantas datadas de 1961 e algumas alterações datadas de 1965, data do final da construção.

Grande parte do material do projeto acabou se perdendo. Nas plantas de 1961 consta uma observação que especifica que o projeto é uma substituição a um processo de 1959, mas referente a esse nada foi encontrado.

Localização

O Edifício Santa Cruz está localizado no centro histórico da cidade de Porto Alegre, em lote privilegiado com área aproximada de 2.300 m² localizado entre as Ruas dos Andradas (Rua da Praia) e a Rua 7 de Setembro.


Estrutura

O Edifício Santa Cruz é composto de dois blocos unificados. Ele está estruturado com aço desde as fundações, com placas de base e grelhas de apoio assentadas sobre sapatas de concreto armado, nas quais foram fixados os pilares de aço.


Na sua maioria, as vigas são constituídas por perfis “I” laminados, variando de 6” a
18”. Na montagem de campo, as vigas foram unidas por processo de rebites aos pilares de seção “H”, formados pela composição de chapas e perfis.

Foram empregadas ainda, porém em menor quantidade, vigas de alma cheia e vigas caixão, também compostas de chapas e perfis “L” e “U”, nos vigamentos do segundo, vigésimo quarto e trigésimo primeiro pavimentos.

As lajes misuladas foram moldadas “in loco”, e a estabilidade vertical do edifício em ambos os sentidos foi alcançada através de contraventamentos. Todos os elementos da estrutura em aço estão protegidos contra incêndio por um sistema de recobrimento do tipo caixa.
“Os pilares e vigas receberam contorno por estribos de diâmetro 3/16”, que foram colocados antes da concretagem das lajes para receber o pano de aniagem utilizado para evitar desperdício da argamassa.

Após essa etapa, foi colocado sobre os pilares e vigas tela tipo “deployer” para otimizar a fixação à argamassa de cimento, cal e vermiculita aplicada a seguir.

A montagem da estrutura foi executada em duas etapas: a primeira foi iniciada em 4 de abril de 1960, e terminou em 20 de agosto de 1961, e a segunda, foi iniciada em 25 de fevereiro de 1962 e finalizada em 8 de março de 1963.





Projeto

O Edifício Santa Cruz possui 34 pavimentos, sendo dois pavimentos de subsolo, e apresenta 107 metros de altura.


Esse edifício compõe um conjunto de prédios construídos em aço no Brasil na década de 1950, foi produzido e montado pela Cia. Siderúrgica Nacional.

No primeiro subsolo localizam-se a tesouraria e o caixa-forte de um dos bancos, sanitários, transformador e os serviços gerais, no segundo subsolo estão os reservatórios d’água e de óleo, as centrais calorígera e frigorífera, os geradores e compressores do ar condicionado.

O pavimento térreo do edifício apresenta área aproximada de 2.287,65 m², tendo 24,15 m de fachada voltada para a Rua das Andradas e 27,85 m para a Rua Sete de Setembro.
Nesse pavimento encontra-se a área destinada ao uso do Banco Agrícola Mercantil, com acesso pela Rua das Andradas, e a área destinada ao expediente do Banco de Crédito Real, com acesso pela Rua Sete de Setembro.
Apresenta ainda sete lojas com mezanino com pé direito total de 6,00 m voltadas para a Rua das Andradas e para o interior do edifício, área destinada a serviço, e acesso ao subsolo pela Rua 7 de Setembro.
Apresenta um elevador destinado a uso exclusivo do Banco Mercantil, um elevador de serviço e um de carga, e dezesseis elevadores sociais.

O segundo pavimento apresenta área aproximada de 2.012,90 m², tendo a mesma dimensão de fachadas. Nesse pavimento encontram-se nove salas comerciais, e o restante da área é destinado ao Banco Agrícola Mercantil e ao Banco de Crédito Real. Apresenta o mesmo número de elevadores do pavimento térreo.

O terceiro ao sétimo pavimento apresenta a mesma área do segundo pavimento e conta com dezenove salas comerciais e o restante da área é destinado ao uso do Banco de Crédito Real. Apresenta ainda o mesmo número de elevadores do pavimento térreo.

O oitavo pavimento apresenta dezenove salas comerciais, restaurante e área destinada ao madeiramento para estrutura do auditório. Esse pavimento apresenta um elevador social a menos em relação aos demais pavimentos.

O nono pavimento apresente dezesseis salas comerciais, e é o primeiro pavimento que apresenta recuo do alinhamento do terreno na face voltada para a Rua das Andradas, criando um terraço sobre este espaço, área destinada a Associação dos Funcionários da Agrimer, auditório, e quatorze elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O décimo pavimento apresenta dezessete salas comerciais, bar, restaurante, recuo do alinhamento da fachada, com terraço na face para a Rua 7 de Setembro, setor de apoio ao restaurante, rouparia central, maquinário de elevadores, possui doze elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O décimo primeiro ao décimo sétimo pavimento apresenta dezessete salas comerciais, quinze dormitórios destinados ao hotel, possui mesmo número de elevadores do pavimento anterior.

O décimo oitavo ao vigésimo terceiro pavimento possui dezoito salas comerciais, apresenta novo recuo nos alinhamentos das fachadas, com terraço na face para a Rua dos Andradas, quinze dormitórios destinados ao hotel, possuem nove elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O vigésimo quarto e vigésimo quinto pavimento possui dezoito salas comerciais, área destinada a transformadores e quadro de distribuição, casa de máquinas, tv e rádio, estar de funcionários, lavanderia, tipografia, marcenaria, e demais ambientes destinados a uso de serviços e apoio, possui nove elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O vigésimo sexto ao trigésimo primeiro pavimento possui quatro apartamentos amplos por andar, sendo dois deles voltados para a Rua das Andradas e os outros dois para a Rua 7 de Setembro. Os apartamentos apresentam áreas amplas, sendo que três deles possuem três dormitórios, sala e cozinha ampla, banheiro, vestíbulo, dependência de empregada e área de serviço. O apartamento menor possui dois dormitórios, sala ampla, cozinha, vestíbulo e área de serviço.

No vigésimo sexto pavimento encontra-se um amplo espaço destinado à casa de máquinas dos elevadores, apresenta novo recuo em relação as fachadas, e possui dois elevadores sociais e uma escada de acesso vertical.
O trigésimo segundo pavimento possui um amplo terraço voltado para a Rua dos Andradas, espaço para casa de máquinas, bombas d’água e torres de resfriamento, apartamento do zelador, e um terraço panorâmico voltado para a Rua 7 de Setembro, conta com dois elevadores sociais e uma escada.

O edifício apresenta fachadas escalonadas, devido à imposição da legislação na época da sua construção.

Os acessos dão-se pelas duas ruas, onde se têm um recuo que forma uma marquise nas duas faces, sendo que na face voltada para a Rua dos Andradas apresenta pilares circulares em uma espécie de varanda, e na face voltada para a Rua 7 de Setembro apresenta marquise em balanço.

As fachadas apresentam grandes planos envidraçados compostos por caixilhos de alumínio, cristais importados “Saint Gobain” fumê, peitoris com chapas esmaltadas na cor turquesa, e em certo trecho da fachada leste, na cor vermelha.

A parede externa do auditório se projeta em balanço sobre a Rua 7 de Setembro e é revestida com mármore branco. Os demais elementos das fachadas receberam tratamento com pastilhas brancas.

Nas fachadas observam-se os três recuos criados, que apresentam terraços que são cobertos com marquises e pérgolas. A cobertura possui o mesmo tratamento, porém apresenta um pé-direito elevado em relação aos outros três terraços.

Estante de Vendas - Fenac - Novo Hamburgo

Considerações

A partir da descrição do projeto do Edifício Santa Cruz, nota-se a complexidade do projeto, o Edifício Santa Cruz é até os dias de hoje o edifício mais alto da cidade de Porto Alegre. Ele é um marco no processo de verticalização da cidade, além de ser um exemplar do uso de novas tecnologias.


Sendo assim, ele é exceção na realidade da cidade, tendo sua estrutura em aço rebitado. A sua forma do edifício que é escalonada foi dada a partir de legislações vigentes na época, o que destaca sua imponência.

O hotel projetado a partir do décimo primeiro ao vigésimo terceiro pavimento foi extinto e ocupado por salas comerciais.

A obra construída deste importante edifício verticalizado para a cidade de Porto Alegre é um documento vivo e merece ser documentado para ser preservado. Neste edifício visualizamos uma época, onde é refletida a sua materialidade e legislação vigente.

O presente artigo descreve aqui os usos para o qual o edifício foi projetado na época, sem levar em consideração o uso atual e as possíveis mudanças que foram realizadas ao longo do tempo.


Café Rian O mais popular de Porto Alegre

Inaugurado em setembro de 1964, na loja térrea do Edificio Santa Cruz, na Rua dos Andradas (Atual Banco Itau), em seu interior reunia-se muitos jornalistas, imprensa esportiva principalmente, vereadores, deputados, jogadores de futebol, corretores faziam do famoso Café sua tribuna. Sem internet, as notícias on-line somente por lá.

Amigos que se encontravam para conversar e tomar um cafezinho, no coração da Rua dos Andradas em Porto Alegre.




Inovador foi o primeiro em somar lanchonete, bombonière e restaurante. Servia 8000 cafezinhos diário no inverno, a marca nunca baixou dos 5000, mesmo no verão.

Em suas mesas, sempre lotadas, reinava a democracia e igualdade, gente comum ou famosa o café era sempre igual para todos, a tradicional torrada americana com suco de laranja eram demais.

Em dia 15 de fevereiro de 1976, um sábado, o ponto do cafezinho na Rua Praia o Rian abriu suas portas pela última vez, para a tristeza de muitos porto-alegrenses.

O seu fechamento causou tanta tristeza em seus frequentadores que muitos prometeram jamais entrar na agência bancária que tomara o lugar do Café Rian. Porto Alegre, praticamente não tinha os famosos “cafés” que hoje, felizmente se espalham pela cidade.


Referências

BUENO, Marcos Flávio Teitelroit. Edifício Santa Cruz: Retrato de uma mudança. In:
SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9º, Brasília, junho de 2011.
DIAS, Luís Andrade de Mattos. Edificações de aço no Brasil. 3ª Edição. São Paulo:
Zigurate Editora, abril 2002. 200 páginas.
HERWING, Camella. Porto Alegre: Aspectos regionais. Porto Alegre.
LUCCAS, Luis Henrique Haas. Arquitetura moderna brasileira em Porto Alegre: sob o mito do “gênio artístico nacional”. Tese de doutorado, UFRGS. Porto Alegre, 2004.
ROVATTI, João F. Estudos urbanos: Porto Alegre e seu planejamento. 1ª Edição. Porto
Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1993. 373 páginas.
SOUZA, Célia Ferraz de. Morfologia e tipologias urbanas. In: PESAVENTO, Sandra Jatahy
(org). O espetáculo da rua: Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 11-42, 1992.
VIANNA, Patricia Pinto. O processo de verticalização em Porto Alegre: e a contribuição da construtora Azevedo Moura & Gertum. Dissertação de mestrado, UFRGS. Porto Alegre, 2004.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Balneários do Guayba

Balneários do Guaíba
A Nossa Praia

Porto Alegre também tem praia

E mais: com paisagens de natureza exuberante. Ao longo da orla de 72 quilômetros de extensão do Lago Guaíba é possível vislumbrar as ilhas e uma cadeia de morros que faz um recorte ondulado no horizonte. Às margens do Lago, em bairros da Zona Sul da Capital ou nas ilhas do Parque Delta do Jacuí, ou da orla sul, dá para refrescar o corpo e descansar os olhos e a mente nas águas calmas do Guaíba.

A prática de esportes náuticos é uma constante no Guaíba, assim como, o transporte de carga, bem sinalizado junto ao canal central.

As praias de areia grossa oferecem sombra, tranqüilidade, segurança e águas próprias para o banho. Para quem fica na cidade durante os meses de calor escaldante do verão gaúcho, os locais são espaço de lazer para acomodar toda Família. E não dá para esquecer o famoso pôr-do-sol de Porto Alegre que ganha um encanto ainda maior às margens do Lago, por onde navegam navios, veleiros e barcos de passeio.

Nos balneários de Belém Novo e Lamí, as águas são calmas e sem buracos, a segurança é outra vantagem dos locais.
Nas duas praias durante a Operação Golfinho da Brigada Militar está presente com salva-vidas diariamente das 8h30min às 19h30min.

Águas próprias para o banho

Conforme relatório divulgado em janeiro de 2009 pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) e realizado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), todos os pontos das praias do Lamí e Belém Novo estão próprios para banho.

O conceito de balneabilidade está definido na resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). A legislação considera a água própria para banho quando, no conjunto das cinco últimas amostras coletadas, apenas uma delas apresentar mais de 800 coliformes fecais por cem mililitros.

Praias da Orla do Guaíba, junto ao Distrito de Pedras Brancas

Praia do Conde, antiga Pedras Brancas, Distrito de Porto Alegre até 1926 (atual cidade de Guaíba).
Praia de Pedras Brancas, antiga Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba).
Praia da Alegria, antiga Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba).

Praias da Orla do Guaíba, junto a Porto Alegre

Da região Norte a Sul

Praias do Delta do Jacuí (Junto ao Parque), Poluído e Buracos
Praia do Humaitá (na foz do Rio Gravataí), Poluído e Buracos

Praia das Pontas das Pedras (junto a antiga praça da Harmonia), não mais existe, aterrada pelo porto.

Praia da Ponta da Cadeia, antiga Ponta do Arsenal (junto a Usina do Gasômetro do lado direito), Poluído e Buracos

Praia do Gasômetro, conhecida como Prainha (junto à antiga usina do lado esquerdo), Poluído e Buracos

Praia do Riacho (junto à antiga foz do antigo Riacho), Poluído e Buracos
Praia Pôr do Sol (junto ao palco Pôr do Sol), Poluído e Buracos
Praia de Belas (junto ao Parque da Marinha do Brasil), Poluído e Buracos
Praia do Padre Cacique (junto ao Morro Santa Teresa), Poluído e Buracos
Praia da Ponta do Mello (junto ao Museu Iberê Camargo), Poluído e Buracos
Praia do Cristal (junto ao Morro do Cristal na Avenida Diário de Notícias), Poluído e Buracos

Praia da Ponta do Dionysio (do Clube Regatas Guaíba/POA à Villa Guayba), Poluído e Buracos
- Antigo Porto natural desde o primeiro sesmeiro Dionísio Mendes, junto ao maciço, teve suas praias para descarte de lixo, esgoto, e depois explorada como pedreira para a construção principalmente do Cais Mauá.

Praia da Assunção (junto a Villa Assunção), Poluído
- Balneário para as famílias abastadas do final do século XIX e início do XX, onde construíram suas chácaras ou casas de veraneio para usufruir da brisa leve do Guaíba, fugindo do verão quente do Centro da cidade.

Praia da Tristeza, Poluído
- Neste balneário existia a estação Tristeza do trem Riacho/Tristeza para as famílias abastadas aqui chegarem no final do século XIX e início do XX, região de chácaras e casas de veraneio, com seu famoso Clube Jocotó, dos grandes bailes de carnaval e festas movimentadas.

Praia da Ponta dos Cachimbos, Poluído

Praia da Pedra Redonda, Poluído
- Balneário de chácaras e casa de veraneio, ponto final do antigo trem Riacho/Tristeza, até um cassino foi construído para a alegria de seus freqüentadores.

Praia do Sabiá, Poluído

Praia de Ipanema, Poluído
- Com 1.200 metros de extensão, Ipanema é a praia mais popular da cidade, com águas tranqüilas, suas casas de veraneio, sua exuberância em vegetação de Mata Atlântica, sucesso entre as décadas de 1950 e 70, suas águas começaram a perder a balneabilidade na década 1970, o “point” da cidade aos sábados e domingos.
O passeio no calçadão ali estruturado, com a escultura em azulejos “Para Namorar ao Pôr-do-Sol” da artista Maria Tomaseli ou até os “Arcos” onde os visitantes contemplarão o pôr-do-sol por um ângulo privilegiado.
O bom papo o chimarrão, a circulação de pessoas de todas as tribos e intensa e corrente. O bom é aproveitar os bares e restaurantes, junto a Avenida Guaíba de frente para o belo visual do rio Guaíba.
Não se pode esquecer o belo pôr do sol que só Porto Alegre e o Guaíba proporcionam.

Praia do Espírito Santo, Poluído
Praia do Guarujá, Poluído
Praia da Serraria, Poluído

Praia da Ponta Grossa, Poluído
- No morro da Ponta Grossa, região de chácaras de moradia e veraneio, com suas belas praias e enseadas junto às pedras.

Praia do Veludo, Própria ao banho
Praia do Leblon, Própria ao banho

Praia do Belém Novo, Própria ao banho
- No balneário de Belém Novo, na Ponta do Arado, há mais de 20 km do centro de Porto Alegre, também tem praia na margem do rio própria para banho. Com uma população de 14 mil habitantes em toda sua extensão geográfica, além da praia de rio, Belém Novo já está preparado para oferecer aos visitantes serviços públicos básicos como: agências bancárias, lotéricas, farmácias, restaurantes, clínicas médicas, supermercados, delegacia de policia e posto da Brigada Militar.

Salva-Vidas - Praia de Belém Novo
Posto 1 (Leblon) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 2 (próximo ao antigo Restaurante Poletto) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 3 (Veludo) - águas PRÓPRIAS para banho.

Praia da Ponta dos Coatis, Própria ao banho
Praia das Garças, Própria ao banho
Praia da Ponta do Cego, Própria ao banho

Praia do Lamí, Própria ao banho
- No balneário do Lamí, de água doce no extremo sul de Porto Alegre, a Praia do Lamí tem extensão aproximada de 1.500 metros e fica na margem esquerda do Lago Guaíba. A população residente de pouco mais de três mil pessoas, chega a dobrar no período mais quente do ano.
No Bairro do Lamí, distante aproximadamente 39 km do centro de Porto Alegre
Para pessoas que gostam de descanso e paz é aconselhável ir no sábado ou durante a semana. Os "foliões" de fim de semana devem ir no domingo, quando o fluxo de pessoas é maior.
Churrascada sob as sombras das árvores que margeiam o lago Guaíba, possui espaço para a prática de esportes, muita música popular, bate-papos e reuniões familiares, todas as tribos se reúnem na praia.
Muvuca da boa!

Salva-Vidas - Praia do Lamí
Posto 1 (extremo sul) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 2 (em frente à Rua Luis Feula) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 3 (em frente à Rua José Bernardes) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 4 - águas PRÓPRIAS para banho.

Para a praia prefira o Verão, mas no Inverno no frio dos pampas com visitas guiadas, prestigie a Reserva Biológica do Lamí.

Tendo disposição pode ir de ônibus partindo da Av. Salgado Filho, Centro de Porto Alegre.
Operada pelo Consórcio STS e Lotação
Para o Balneário de Ipanema
- Linha Serraria
- Linha Ponta Grossa
- Lotação Guarujá

Para o Balneário da Ponta Grossa
- Linha Ponta Grossa

Partindo da Av. Borges de Medeiros, Centro de Porto Alegre.
Para o Balneário de Belém Novo
- Linha Belém Novo
- Linha Lamí
- Linha Lamí Direta

Para o Balneário do Lamí e Praia das Garças
- Linha Lamí
- Linha Lamí Direta

Programa Guaíba Vive

Mas a nova cara da praia é resultado de um longo trabalho de reurbanização da orla e de recuperação da água. Dentro do projeto Guaíba Vive da Secretaria Municipal do Meio Ambientes foram priorizados, ações como a instalação de vestiários, quiosques com churrasqueiras, além da higienização das áreas de praia, permitindo sua utilização em atividades de lazer e recreação.

Também foram realizadas obras de saneamento nos bairros de Belém Novo e Lamí da Zona Sul, com implantação do sistema de tratamento e abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos. Permanentemente são realizados monitoramento da qualidade da água a fim de verificar as condições de balneabilidade, especialmente nos períodos de Verão.

Curta os Balneários e Praias de Porto Alegre

Avenida Guaíba
A Avenida Guaíba, é uma extensa avenida projetada de Porto Alegre, mas fragmentada devido aos obstáculos naturais ou construções irregulares.
Tem seu traçado junto à orla do Lago Guaíba em direção a Zona Sul de Porto Alegre.
Inicia junto a rótula da Avenida Diário de Notícias e o Iate Clube Guaíba, e termina na Avenida Copacabana, junto a casa de José Assunção, na Assunção, inicia novamente junto a Rua (...) e termina 100 mts depois, na Pedra Redonda, inicia junto a Rua (...) em Ipanema e termina na rua (...) na Serraria, segue junto ao Residencial Di Primo Becker, inicia junto a Rua (...) e termina na Rua (...), em Belém Novo.

Navegação, aguateiros, lavadeiras, trapiches, atracadouros, balneário, capitação de água potável e descarte das águas servidas, sempre fizeram parte do diário do Guaíba, no passado com mais ênfase, mas hoje em dia muitas destas ainda são desempenhadas.

Algumas praias desapareceram e outras foram criadas pelos vários aterros feitos junto a orla de Porto Alegre da várzea do Rio Gravataí a Ponta do Dionísio na Vila Assunção.

Praias que não mais existem:

Praia da Alfândega
- Foi a primeira praia da cidade, no porto natural no século XVIII.
Praia do Arsenal
Em frente ao arsenal de guerra ao lado da futura igreja das Dores, desde o início da colonização da cidade, local de banho e retirada de água para beber.

Praia da Ponta das Pedras
- Era localizada no final da Rua da Praia, com muitas pedras no fundo, era a alegria da gurizada nos séculos XVIII e início do XIX.
Ribeira
- Entre o atual Mercado Público, Praça Parobé e Praça Rui Barbosa.

Praia do Riacho
- Esta Praia ficava junto a foz do Riacho (Arroio Dilúvio), muito suja, pelo esgoto, criações, e gado de passagem por suas margens, era coberta a margem por grande quantidade de salseiros.

Praia do Caminho Novo
- Ficava junto a atual Rua Voluntários da Pátria, tinha uma linha de salgueiros no lado das águas e uma sebe de mimosácea espinhosa do outro, a orla bordado de lindas chácaras, de jardins aparatosos. Abundante em flores e frutos, cujos aromas misturados a atmosfera suavizavam o olfato e despertam o apetite. Nestas margens ficava o belo sobrado do governador Dom Diogo de Sousa.

Praia de Belas- Extensa praia que seguia a orla no Caminho de Belas, no final do século XIX, junto ao arraial do Menino Deus, Nestas margens foram construídos o famoso Solar da Baronesa do Gravatay, incendiado em 1888 e o prédio do Pão dos Pobres, serviu de passagem para a Estrada de Ferro Riacho/Tristeza.

Praia da Santa Teresa
- Entre 1845-1848, foram abertos os eixos de formação do Arraial do Menino Deus (primeiro bairro de Porto Alegre), caminhos entre as chácaras existentes. O único que tinha nome até meados do século XIX.
Esses caminhos que mais tarde se transformaram nas Ruas Treze de Maio (Getulio Vargas) e Rua Caxias (José de Alencar), davam acesso às bucólicas praias do Guaíba, primeira Estação de Veraneio dos porto-alegrenses.

Praia do Cristal
- Esta praia existia antes do aterro ali construído, onde hoje está localizado o Hipódromo do Cristal, local de chácaras e estâncias.