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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Alto da Bronze

 Alto da Bronze

Alto do Manoel Caetano,

Alto do Senhor dos Passos,

Alto da Conceição,

Ladeira de São Jorge,

Há várias versões conflitantes dessa história e estórias, cada uma delas contada conforme a conveniência do autor

___O termo “Alto da Bronze” refere-se à região do Centro Histórico de Porto Alegre onde hoje fica a Praça General Osório – Pracinha do "Alto da Bronze", trecho entre as ruas: - Duque de Caxias, Fernando Machado e General Portinho, mais precisamente. A denominação vem do apelido de uma antiga moradora local do século XIX.

Relevância Cultural: - A região do Alto da Bronze um ponto boêmio e folclórico importante da capital gaúcha, com personagens, estórias únicas e seu Castelinho icônico, chegando a inspirar o clássico samba "Alto da Bronze".

Pracinha do Alto da Bronze

Origem do Nome  

___A partir de 1880, segundo Pereira Coruja, registra no livro “Antigualhas”, com suas crônicas escritas, antes de se consolidar como Alto da Bronze, nome perpetuado na tradição de Porto Alegre, o local teve outras denominações, como:

Alto do Manoel CaetanoAlto do Senhor dos Passos Alto da Conceição Ladeira de São Jorge.

___Até o início do século XX, o local situado entre as ruas atuais Duque de Caxias, Coronel Fernando Machado e General Portinho era considerado um “largo” antes de se tornar “praça”.

___Há versões dessa história do nome “Bronze”, mais picantes, que dizem estar documentada, é sempre possível que cada autor, ao escrevê-lo, tenha mantido a discrição.

Versões do Nome

Versão 1

___A origem do nome “Alto da Bronze”, conforme o político, historiador, educador e escritor Antônio Álvares Pereira (conhecido pelo nome adotado e incorporado de “Coruja”), nascido em Porto Alegre em 31 de agosto de 1806 e morto em 4 de agosto de 1889, o Professor Coruja foi um célebre e primeiro cronista de Porto Alegre, deixou importantes relatos sobre a cidade no século XIX, escreveu um livro chamado “Antigualhas” Reminiscências de Porto Alegre, sobre vultos e eventos do Rio Grande do Sul, onde relata a origem do nome do local.

___Segundo Pereira Coruja, habitava na área uma morena, estranha e poderosa, chamada Felizarda, mas conhecida apenas por “Bronze”, por ser morena. Dedicava-se a tirar a sorte com as cartas, fazer mandingas e despachos, bem como rezas e benzeduras para espantar o mau olhado, logo ganhando o respeito e consideração das pessoas mais humildes, entre as quais encontravam-se as prostitutas das imediações; boatos diziam que, embora seus modos discretos, a própria “Bronze” praticava a prostituição, embora mantendo um nível bem mais alto na seleção dos seus fregueses.

___Na época, era comum dar aos bairros nomes que lembrassem alguma característica importante ou o nome ou apelido de um morador que se sobressaísse. E tal foi a importância adquirida pela “famosa morena” Felizarda, por suas boas obras, de todas as espécies, que logo a área passou a ser conhecida apenas como “Alto da Bronze”.

Nota: - Seria comum ver os malandros da época, quando perguntados sobre o seu destino, numa bela noite de sábado, apenas respondendo que iam ao Alto da Bronze, para não ter que dizer que, na verdade, estavam indo aos prostíbulos da área do Gasômetro, na Rua General Paranhos (Rua Washington Luís), Rua da Igreja (Rua Duque de Caxias) e Rua da Várzea do Riacho (Rua Demétrio Ribeiro).

Versão 2

___Professor Coruja também escreveu:

“Quem indo pela Rua da Igreja para os lados do Arsenal e tivesse passado a Rua dos Pecados Mortais, que hoje têm a placa de Rua General Bento Martins, subindo para o alto que já se chamou do Rua Manoel Caetano, Rua  Senhor dos Passos, Rua da Conceição, e hoje com a placa do “Praça General Osório”, encontraria à direita uma meia dúzia de casas de porta e janela, em uma das quais morava uma mulher que alguém me disse que se chamava Felizarda, mas que só era conhecida por “não sei quê” de “Bronze”, e que, por decência, só era chamada “Bronze”, nome que foi dado àquele lugar por ser ela a figura mais notável do lugar.

Versão 3

___O senador Mem de Sá (1905-1989), em suas memórias, refere que seria “Cu de Bronze” o verdadeiro apelido completo desta personagem Felizarda, mulher de vida airada, na Porto Alegre provinciana do século XIX.

Alto da Bronze  

___As diferentes denominações dadas ao Alto da Bronze ao longo do tempo, conforme Ary da Veiga Sanhudo concluiu que, “embora hoje a praça tenha, legalmente, o valoroso nome de General Osório, o heroico cabo de guerra da Batalha do Tuiuti, ninguém, realmente, a conhece a não ser pelo pitoresco nome de Alto da Bronze. Uma prova de que Felizarda deixou sua marca indelével não apenas na paisagem, mas na “história afetiva” de Porto Alegre.

Cronologia

Brasil Colônia

Século XIX

___Ao longo do século XIX, o Alto da Bronze ganhou feições urbanas, constituindo-se em um dos principais redutos de boemia e prostituição da cidade. Tanto que a Rua General Bento Martins, então chamada de Os 7 Pecados (devido a uma fileira de sete casinhas com luz vermelha) e Pecados Mortais.

1800

Por volta de 1800, em Porto Alegre, o Alto da Bronze começou a surgir no mapa da Villa de Porto Alegre, quando era apenas um “espesso matagal” que servia como “depósito de lixo” para os poucos moradores da redondeza, habitado por saruês, tatus e tamanduás. No Rio de Janeiro a corte portuguesa do príncipe regente D. João VI nem sequer havia ainda chego em sua Colônia lusitana (1808).

___Com o passar dos anos, os “colonos açorianos” começaram a construir suas casas na Rua Formosa (atual Rua Duque de Caxias) e na parte alta da Rua do Arvoredo (atual Rua Fernando Machado).

Espaço Livre

___Na última quadra das ruas Formosa e do Arvoredo (nenhuma casa foi construída e aquele “espaço livre” viria, muitos anos mais tarde, a ser usado pelos moradores, criando a chamada Pracinha do Alto da Bronze, um pequeno “Largo”.

Felizarda

VERACIDADE___ Recompor cenários e episódios do passado é sempre arriscado, nunca estamos isentos de preconceitos e interpretações que dizem mais acerca de nosso próprio tempo do que da época que buscamos retratar, não sabemos se Felizarda era ou havia sido livre, escrava ou alforriada. Ary da Veiga Sanhudo alerta que “é preciso não perder de vista que muitos dos pitorescos aspectos de sua movimentada vida vão hoje passando para o domínio da lenda, crivados das mais variadas versões e acrescidos duma muito humana dose de exagero e fantasia”.

VERSÕES DO QUE NÃO SE CONHECE___A mulher Negra, que deu nome a um ponto referencial o “Alto da Bronze”.

___Felizarda era natural de São Borja/RS, veio morar em Porto Alegre em uma época em que o local do espigão central no Alto da Praia (acima da Rua da Praia) ainda era pouco habitado.

ARY VEIGA SANHUDO ___Instalou-se em uma casinha de porta e janela, “trepada desajeitadamente num dos barrancos do Alto, no lado oposto ao que dava para o Riachinho (Arroio Dilúvio), mencionou Ary Veiga Sanhudo.

___Misto de prostituta e batuqueira, é retratada como uma mulher “terrível e temida”, de personalidade forte e dominadora, apesar da condição humilde (“trajava-se tão modestamente como as lavadeiras de seu tempo”). Curiosamente, ao mesmo tempo em que exaltou os atributos sensuais da personagem, “criatura irresistível e insaciável”, Sanhudo fez questão de salientar que ela tinha o dom da profecia, comparando-a a “uma verdadeira pitonisa” (sacerdotisa do templo de Apolo, na Grécia Antiga).

“Fazia longas sessões de batuque em sua casinha acanhada, que mal comportava os visitantes, e entregava-se desbragada e ardentemente aos seus preferidos”.

____Em Porto Alegre — Crônicas de Minha Cidade, o cronista Ary Veiga Sanhudo escreve que Felizarda seria "uma mulher do povo, procurada por ele e verdadeira pitonisa (mulher que tem o dom de predizer o futuro) da cidadezinha envolvida na sua lábia".

"O seu nome vivia de boca em boca, e boa ou ruim, violenta ou carinhosa, a Bronze às vezes era ouvida como uma benfeitora e outras vezes, porém, fugiam dali como o diabo da cruz", segundo o cronista, que ainda registrou:

"Fazia longas sessões de batuque em sua casinha acanhada, que mal comportava os visitantes, despejava despachos nos monturos da Várzea e entregava-se desbragada e ardentemente aos seus preferidos (...) Era uma mulher terrível e temida".

___Por Paulo César Teixeira – interino, GZH, diz que foi Ary Veiga Sanhudo quem esboçou o perfil da personagem Felizarda em Porto Alegre, Crônicas de Minha Cidade para explicar como ela emprestou seu apelido à área em que, hoje, localiza-se a Praça General Osório. Uma região que, até o fim do século XVIII, não passava de “medonho sangão, coberto de brejos e arbustos”, com “uns barrancos horrorosos, cheios de macegas”, além de “muita toca de tatu e alguns penachudos tamanduás”.

ANTÔNIO ÁLVARES PEREIRA CORUJA ___ No alto do declive vivia uma mulher chamada Felizarda, de São Borja/RS (…) em uma casinha de porta e janela, trepada num barranco da praça (…) um verdadeiro tipo de china, e daí lhe veio o apelido expressivo de “Bronze” (Porto Alegre, Aquiles. Noutros Tempos. P. Alegre, Editora Globo, 1922, p. 108).

___A menção mais antiga a seu respeito de Felizarda é do cronista Antônio Álvares Pereira Coruja no livro Antigualhas — Reminiscências de Porto Alegre.

___Contemporâneo da misteriosa moradora da região, o autor a descreveu como:

"Uma mulher que para falar pelos cotovelos não precisava arregaçar as mangas, porque se apresentava de saia e camisa, sendo por isso a indivídua mais notável do local.”

AQUILES PORTO ALEGRE ___Segundo Aquiles Porto Alegre (seu livro de 1922), Felizarda ali se “estabelecera há mais de sessenta anos”.

SANDRA JATAHY PESAVENTO ___O historiador Charles Monteiro, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e autor do livro Breve História de Porto Alegre, cita como uma das referências sobre Felizarda a obra Os Sete Pecados da Capital, da historiadora Sandra Jatahy Pesavento:

“A casinha de Felizarda ficava nessa região da cidade que ainda não tinha passado pela remodelação urbana que aconteceria no início do século XX. Ela recebia muitas pessoas e inclusive políticos. Era muito conhecida, tinha muitos atributos.” Isso aparece um pouco nos jornais e nos cronistas — contextualiza Monteiro.

CHARLES MONTEIRO ___O professor afirma que Felizarda também teria sido uma espécie de vidente da época:

— Ela atendia pessoas, lia a sorte e sabe-se que até alguns deputados se aconselhavam com ela. E ela fazia seus feitiços para ajudar essas pessoas. Tem quase uma mitologia a seu redor. Era uma mulher que, seja por seus atributos sexuais, seja por sua capacidade de prever as coisas, infiltrou-se na teia política, conseguiu certo grau de influência e ficou famosa na época. Seu nome passou a estar na boca das pessoas que a invejavam também por sua proximidade com o poder. Para o historiador, Felizarda teria vindo das classes populares, destacando-se como uma espécie de líder comunitária da época. O professor diz que provavelmente ela tivesse a pele Negra e, como prestava serviços que não podiam aparecer para a sociedade de então — a prostituição —, sua história foi praticamente apagada dos registros oficiais.

SÉRGIO DA COSTA FRANCO ___Apesar de tudo que se escreveu sobre Felizarda, o historiador Sérgio da Costa Franco destacou, em A Velha Porto Alegre, o relato de Coruja como o mais digno de fé entre os cronistas do passado.

"A boa verdade é que sobre a Bronze (...) muito pouca coisa se sabe com segurança. A única fonte confiável, a seu respeito, é o depoimento de Coruja em suas crônicas das Antigualhas. Coruja a conheceu (...). Nada (se sabe) de preciso sobre raça. Nem qualquer referência à atividade em 'casa de religião'. E quem a viu no Rio de Janeiro foi certamente o próprio Coruja, que por lá andava no ano mencionado", escreve o historiador.

LENDAS E COMENTÁRIOS POPULARES ___Conforme corre a história popular, mais ou menos, como toda estória. O apelido da Sãoborjense Felizarda, era "cu de bronze" porque só ela sabia fazer coisas que senhoras casadas, recatadas, de boa índole, tementes a Deus, na época jamais fariam. Contemporâneo a Bronze são os crimes da Rua do Arvoredo (Rua Fenando Machado).

___Há quem diga que a mulata Felizarda, que além de macumbeira tinha o “hímen duro como bronze”.

___No Brique da Redenção, falado pelo historiador L. T., autor do livro "Crônicas das Ruas de Porto Alegre”, quando perguntado a ele:

- Professor Leandro, o que a Felizarda tinha de bronze?

___Resposta curta e grossa:

- “A buceta!”

O TERMO - Popularmente, a palavra "buceta" (muitas vezes grafada ou dicionarizada como "boceta") é um termo vulgar amplamente utilizado no Brasil para se referir à vagina ou vulva (o órgão sexual feminino).

Sentido original: Historicamente, a palavra (derivada do francês antigo “boucette”) significava apenas uma pequena caixa ou bolsa (geralmente usada para guardar moedas ou rapé).

- Por questões de censura e o uso de apelidos populares para partes do corpo, o termo assumiu conotação sexual no Brasil a partir do século XX.

-  Em Portugal e na Galiza, o termo ainda pode manter sua raiz náutica ou de recipiente, referindo-se a uma pequena embarcação ou caixa.

___ Conta-se também a estória: - Bronze era uma morena que morava no Centro e trabalhava para a saúde pública municipal no controle contra a sífilis, gonorreia que na época era muito disseminada nos bordeis. Ensinava a meninas da vida a trabalhos manuais como crochê e bordado, corte de costura e pintura. Os malandros da época para não dizer onde iam quando eram perguntado o destino, diziam que iam p os lados da “Bronze”, mas iam cabarés da volta do Alto da Bronze.

(...) Centro de Porto Alegre tem coisas incríveis!

NATALIA MÉNDEZ ___Natalia Méndez contrasta os relatos dos cronistas do passado com a perspectiva oferecida pela caminhada "As mulheres na história e arquitetura de Porto Alegre", realizada em março último, que passou pelo Alto da Bronze.

— No roteiro, estava escrito que a Bronze seria uma “mulher bondosa e discreta”, que acolhia mulheres vulneráveis.

ESTEREÓTIPOS SOBRE AS MULHERES___A professora Natalia Pietra Méndez, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), observa que no final do século XIX a presença de mulheres no espaço público de Porto Alegre era grande, principalmente aquelas vindas das camadas populares. Isso contrastava com as mulheres da elite, educadas a partir de um ideal vitoriano de pureza, castidade e domesticidade.

— Os registros dos cronistas estão influenciados por essa percepção a respeito do espaço público tomado por mulheres trabalhadoras das mais diversas ocupações. Seria como algo indesejável, ao passo que o ideal de mulher desejável desse período era o da castidade e da domesticidade — explica.

NATALIA PIETRA MÉNDEZ ___De acordo com a historiadora, os poucos registros sobre Felizarda foram deixados por cronistas homens daquela época, representando uma percepção sobretudo masculina:

- A visão que desenvolveram sobre as mulheres no espaço público são permeadas por uma visão patriarcal, racista e eivada de estereótipos do que se esperava de uma conduta adequada das mulheres desse período.

___A historiadora exemplifica que as crônicas descreveram Felizarda como uma mulher "temida", o que não aparece em nenhum registro ou processo judicial. Em se tratando de uma personagem popular, a imagem de Felizarda vai sendo reconstruída e relida a partir das concepções do tempo de quem está escrevendo. Mais interessante do que saber o que era verdade ou mentira sobre Felizarda é identificar como uma personagem pode ser modificada aos olhos da cidade a partir dessas diferentes percepções — conclui.

Natalia Pietra Méndez

Professora do Departamento de História da UFRGS

Lenda Urbana

___ A partir de poucos registros (nem todos confiáveis) tornou Felizarda em uma “lenda urbana” da Porto Alegre do século XIX.

1833

A ‘BRONZE’

Em 1833, sem indicação da fonte, menciona-se mesmo que Felizarda já constava como colaboradora da Saúde Pública. Fato que mais ou menos se alinha com a informação de Aquiles Porto Alegre de que ela, além de viver “de fazer mandingas”, também “engazopava [iludia] com benzeduras e engrimanços (artimanhas) as pobres mulheres que fazem comércio do corpo” (Ibidem, p. 108).

MALEDICÊNCIA ___Um campo aberto para toda espécie de maledicência e até de escabrosas relações da formação anatômica de Felizarda com o codinome que lhe foi conferido. Maledicências que sua memória resistiu, a ponto de até hoje superar a nomenclatura oficial do local onde morava.

PONTO DE REFERÊNCIA

Desde 1833, a região aparece como referência, nas Atas da Câmara, como "Alto da Bronze".

1839

ALTO DA BRONZE

Em 1839, em Mapa de Luis Pereira Dias já nomina o local como “Alto da Bronze”, com uma única habitação, possivelmente a de Zeferina Bronze.

Mapa de Porto Alegre, 1839, de Luís Pereira Dias

Brasil Império

1865

ADQUIRIR O TERRENO PARA PRAÇA

Em 1865, o município resolveu adquirir o terreno vazio do Alto da Bronze, a fim de ali fazer uma praça para instalação de um chafariz da Companhia Hidráulica Porto-Alegrense, para “abastecimento de água potável” à população, mas o terreno, ainda baldio, entre a Rua da Igreja (atual Duque de Caxias) e a Rua do Arvoredo (atual Cel. Fernando Machado), era privado e pertencia ao herdeiro João Soares de Paiva, que residia na Corte no Rio de Janeiro, e, fez propostas extorsivas para a venda.

PROVIDENCIA AO GOVERNO DA PROVÍNCIA

Em 1865, a Câmara pediu auxílio ao presidente da Província, Visconde da Boa Vista para uma providencia.

1866

ÁREA DESAPROPRIADA

Em 1866, o Visconde da Boa Vista desapropriou a área, declarando-a de “utilidade pública”.

LARGO GENERAL OSÓRIO

Em 17 de junho de 1866, o local passou a se chamar Largo General Osório, mas continuou sendo chamada de “Pracinha do Alto da Bronze”.

___O Chafariz Príncipe Augusto foi instalado no Alto da Bronze, no Alto da Praia, em uma extremidade da Rua da Igreja (Rua Duque de Caxias).

Modelo Catálogo A. Durenne, Chafariz Príncipe Augusto, Alto da Bronze

Imagem de Felizarda

___Fotografias ou representações da Felizarda Bronze, se existem, não são do conhecimento público. Fotografias é até muito provável que tenham sido feitas e que circulem por aí, porém sem identificação.

MÃE RITA ___Mãe Rita (1836 – 1910), “mãe de santo”, sacerdotisa afro-brasileira mais antiga de Porto Alegre de que se tem registro, contemporânea de Felizarda Bronze. Para a foto abaixo a qual se apresentou para tirar com todos os adereços que seu papel autorizava.

Mãe Rita, foto Virgílio Calegari, acervo Museu Joaquim José Felizardo

1884

ALFORRIA

Em 07 de setembro de 1884, em sessão da Câmara, junto ao Centro Abolicionista cuja Ata teve o “Livro de Ouro”; celebravam a alforria “total” (aspas necessárias) dos escravos Negros de Porto Alegre, quase 5 anos antes da Lei Áurea do Império (1888).

CANDOMBE ___Na mesma noite, os atabaques do Campo do Bom Fim repicaram com redobrado vigor (perto da Igreja do Bom Fim onde, em 1884, ocorriam os principais batuques da cidade). Também é de se imaginar que não faltou a recorrente celebração da Mãe Rita e seu legendário candombe do antigo Campo da Várzea, referido por Antônio Alvares Pereira Coruja (Antigalhas: reminiscências de Porto Alegre. P. Alegre: Tipografia Jornal do Comércio, 1881, p. 15) como “localizado na Várzea (…) no terreno então baldio e depois ocupado pelas casas do Firme e Olaria do Juca”. A datação do referido candombe tem sido apresentada (com divergências) como na primeira metade do século XIX. Estima-se tal datação entre 1820 e 1840, com base na suposição de que o professor Coruja conheceu o local antes de se transferir para o Rio de Janeiro (1839).

1887

Pracinha

PAISAGISMO

Em 1887, iniciou-se o ajardinamento da área, que pertencera a João Soares de Paiva, agora do município, a área chamada de “pracinha” do Alto da Bronze.

 Século XX

República

Década 1910

Pracinha do Alto da Bronze, Chafariz Príncipe Augusto, déc. 1910

1920

REMODELAÇÃO DA PRACINHA

Em 1920, a área do Largo do Alto da Bronze, passou por uma remodelação completa, visando “corrigir o nivelamento do terreno e minimizar a íngreme ladeira” onde se inseria.

Largo do Alto da Bronze

1926

Jardim de Recreio ou Praça

JARDIM DE RECREIO

Em novembro de 1926, foi instalado o primeiro “Jardim de Recreio”, espaço destinado ao lazer e à recreação de crianças, jovens e adultos. A idealização e efetivação deste projeto foi obra do professor Frederico Guilherme Gaelzer que, durante o governo do intendente Dr. Octavio Rocha, sensibilizou o poder público para a construção desses espaços, identificados por ele como importantes para a mocidade como prevenção da delinquência e um meio de qualificar a sociedade, num trabalho pioneiro na América Latina.

Jardim de Praça, Divulgação / UFRGS/ LUME 

Década 1930

PRAÇA DE ESPORTES

Por volta de 1930, o Intendente Otávio Rocha promoveu a reforma da praça, transformando-a em “praça de esportes”.

Dia de lazer na Pracinha do Alto da Bronze, 1929

O Samba

A letra nostálgica homenageia a antiga pracinha do Alto da Bronze

ALTO DA BRONZE

Pelos idos de 1930, já conquistada a simpatia da vizinhança, o nome “Alto da Bronze” acabou sendo imortalizado num “Samba”, fruto da parceria entre duas figuras muito conhecidas da Porto Alegre daqueles tempos: - na melodia e arranjo, o pianista e compositor Paulo Coelho, o “Gordo”; assinando a letra, um dos mais talentosos artistas de sua época, Plauto de Azambuja Soares, o “Foquinha”, acadêmico de Direito, cronista de rádio e jornal (repórter da Folha da Tarde), dublê de compositor e nascido na mesma área.

1937

SAMBA LANÇADO

Em 19 de novembro de 1937, a composição do “Samba Alto da Bronze” teria sido lançada pelos cantores Alcides Gonçalves e Horacina Correa, em diferentes horários da programação, na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, alcançando tal sucesso que a incluiria no repertório do pianista cuja orquestra se preparava para uma temporada pelos cafés e emissoras de Buenos Aires (Argentina).

Nota: - Paulo Coelho, o “Gordo”, seria lembrado também pela vocação endiabrada para pegadinhas, cujo alvo preferencial eram os colegas de profissão. Ele próprio, aliás, crescera naquele pedaço de maroteza encravado entre as Rua Duque de Caxias e Rua Fernando Machado, quase na ponta do Gasômetro.

1938

SAMBA FAZ SUCESSO

Em 1938, a composição agradou de tal forma aos porteños que acabou sendo gravada, quando da inauguração da Rádio Municipal de Buenos Aires, pela RCA Victor argentina, em disco de “78 rotações”, recebido com grande festa em seu retorno ao Brasil. Tal, o único registro fonográfico da Orquestra de Paulo Coelho. Gravação de "Alto da Bronze", interpretada pela vocalista da orquestra, Horacina Correa.

ORQUESTRA DE PAULO COELHO ___A orquestra do “Gordo”, quando da gravação apresentada, era constituída pelos seguintes componentes:

Horacina Corrêa - Vocalista

Ernani Oliveira - Trompete

Marino dos Santos - Clarinete

Fritz Preuss - Sax Tenor

Waldemar Moura - Trombone

Antoninho Gonçalves - Cavaquinho

Paulo Coelho - Piano

Flávio Corrêa - Contrabaixo

Oscar Corrêa - Bateria

Juvenal e Walter Gonçalves – Percussão

Paulo Coelho, o Gordo, com membros da orquestra à época da gravação

Samba: Alto da Bronze

Letra: Paulo Coelho e Plauto de Azambuja

Alto da Bronze

Cabeça quebrada

Praça querida,

Sempre lembrada

A Praça Onze da mulecada

Praça sem banco

Do rato branco

E do futebol

Da garotada

Endiabrada

Nas manhãs de sol

És a eterna lembrança

Do tempo feliz

Em que eu era criança

Do tempo em que a vida era

Da minha infância

A doce quimera

Hoje, eu pobre profano

Me lembro de ti

E dos meus desenganos

Oh! meu Alto da Bronze

Dos meus oito anos (…)

Horacina Corrêa:

https://soundcloud.com/r-dio-no-rs-17/alto-da-bronze-horacina-corr-a?utm_source=clipboard&utm_campaign=wtshare&utm_medium=widget&utm_content=https%253A%252F%252Fsoundcloud.com%252Fr-dio-no-rs-17%252Falto-da-bronze-horacina-corr-a

EXPRESSÕES: - Rato Branco: - apelido dado aos guardas municipais, em virtude das fardas brancas que envergavam, impecavelmente brancas. Segundo; a qualquer travessura da molecada, ou mesmo brigas entre grupos rivais, os “Ratos Brancos” apareciam sem aviso, como verdadeiros ratos surgindo de suas tocas, marcando a constante presença da Lei. (conforme o consultor Nelson Azambuja)

Orquestra de Paulo Coelho

Orquestra de Paulo Coelho

Samba de Artistas

PAULO COELHO - Iniciou sua carreira artística aos 14 anos de idade, atuando como pianista na Confeitaria Central em Porto Alegre, ajudando no sustento da família após o falecimento do pai, onde ficaria até 1930, quando foi convidado pela Companhia de Revistas Cândida Villa para realizar uma excursão à Argentina. Em Buenos Aires fez sucesso apresentando-se em diferentes Rádios locais. Seguiu depois para a cidade de Córdoba, onde acabaria se casando com uma argentina, que faleceu logo depois do nascimento de seu primeiro filho, o que o fez retornar ao Brasil. Em 1933, já de volta à Porto Alegre, ingressou na Orquestra da Rádio Gaúcha, atuando no Café Colombo, então o mais famoso da cidade. Em 1934 foi para o Rio de Janeiro e, em companhia do saxofonista Marino dos Santos, passou a trabalhar no Cassino Atlântico, integrando a orquestra de Romeu Silva, apontada na época como a mais famosa da capital federal. Voltou desiludido à Porto Alegre, sem ter recebido nenhuma remuneração por seu trabalho. Em 1935, quando da fundação da Rádio Farroupilha, foi contratado por ela, deixando a Rádio Gaúcha. Por essa época, dirigia também a orquestra do Café Flórida. Atividade incansável que incluiu a sociedade em um bar nas imediações da Ladeira com a Rua da Praia. O “rival de si mesmo” (título informal que recebeu da imprensa, convicta da falta de concorrentes à altura) já era um dos nomes mais bem pagos do rádio porto-alegrense quando não resistiu às complicações de saúde agravadas pela tuberculose, na tarde de 21 de setembro de 1941. Sua certidão de óbito indicava inacreditáveis 31 anos de juventude.

PLAUTO DE AZAMBUJA - Plauto de Azambuja Soares, companheiro de composição, muito pouco saboreou a repercussão de “Alto da Bronze” seu sucesso. Na ensolarada tarde de 5 de abril de 1938, em meio à cobertura dos testes para um circuito automobilístico nas ruas do bairro Tristeza, o repórter participante decidiu entrar em uma das baratas concorrentes. O veículo acabou capotando em alta velocidade e a morte foi instantânea. Ele tinha apenas 23 anos. Seu colega Sadi Rafael Saadi (hoje nome de rua no Menino Deus) ficou gravemente ferido, mas sobreviveu para prosseguir sua trajetória no jornalismo policial.

HORACINA CORREA – INTERPRETE - Mulata nascida no Rio Grande do Sul, Horacina Correa iniciou a carreira artística na década de 1930, inspirando-se em Carmen Miranda. Contratada pelo empresário Walter Pinto foi uma das atrações do Theatro Recreio. Realizou temporadas consecutivas em Buenos Aires, onde possuía prestígio comparável ao de Carmen Miranda, nos Estados Unidos. A bela Horacina Correa, que em outubro de 1936 se casara com o ritmista Oscarino Correa em uma cerimônia transmitida ao vivo dos estúdios da Rádio Farroupilha. Ao final da década de 1940 mudou-se para São Paulo e Rio de Janeiro, onde gravou discos e atuou no cinema. No Brasil, Horacina Corrêa gravou, entre 1945 e 1947, três discos pela Continental. Participou, em 1951, do LP de 10 polegadas que o maestro Fon-Fon gravou em Londres com sua orquestra, nunca lançado no Brasil. Tempos depois, migrou para a Europa, sendo hoje desconhecido o seu destino. O jornalista Flávio Alcaraz Gomes afirmava tê-la visto como “artista cubana” em uma boate de Roma, nos anos 1950. Outros relatos sugerem que Horacina se radicou no Egito, como dona de um hotel no Cairo. Não falta nem mesmo uma versão de que a intérprete de Alto da Bronze teria morrido em um atentado terrorista.

Horacina Correa, vocalista da Orquestra do "Gordo"

Nota: - Horacina Correa gravou ainda, no Brasil, mais dois LPs de 10 polegadas pela MUSIDISC, em 1955/1956, e outro “78 rotações” nessa mesma marca. Tempos depois, migrou para a Europa, desaparecendo do cenário artístico.

1941

Era uma vez ...

O Deslumbre

NILZA LINCK E CARLOS EURICO GOMES

Em 1941, Nilza Linck, entre 17/ 18 anos, conheceu Carlos Eurico Gomes, mas na data se apresentou a Nilza como ela diz:

- ''Conheci o Carlos num sábado à tarde, quando caminhava com minha prima na Rua da Praia. Estávamos olhando as vitrines quando o vi e começamos a conversar. Eu tinha uns 17, e ele, uns 40. De início ele estava interessado em namorar minha prima'', revelou.

MENTIRA DE CARLOS ___Por um bom tempo, ele se apresentava como Luciano Lobato e dizia que era “solteiro”. Eu não queria namorar, desejava apenas trabalhar, e foi aí que ele me conseguiu um emprego na Prefeitura, revelou Nilza, que após longa insistência de Carlos (Luciano Lobato), Nilza acabou cedendo ao romance.

___A mentira de homem solteirão só veio à tona mais tarde, quando a prima viu o político veraneando com a família no balneário de Imbé, no litoral Norte. ''Foi aí que fiquei sabendo que eu não era a única'', afirmou Nilza.

 A Amante do Político  

___Em pouco tempo, os dois viveram um intenso romance.

NILZA LINCK ___Nascida em 1922, Nilza nasceu e viveu com a família durante dez anos no sobrado de estilo colonial português na área central da cidade de Gravataí (local atual Museu Agostinho Martha), na região metropolitana. Nilza era desquitada e carregava em seus braços o pequeno filho, fruto de um relacionamento anterior.  

1945

Carlos Eurico Juiz Ministro

CARLOS EURICO GOMES ___Com a ditadura do Estado Novo, em 07 de julho de 1939, foi publicado o Decreto n° 7.858, que extinguiu todos os Tribunais de Contas do Brasil.

Em 24 de outubro de 1945, esta situação permaneceu, quando o então Interventor Federal, General Ernesto Dornelles, articulou a reativação da Instituição, pela necessidade urgente de controlar a administração pública (Decreto Lei n° 947). Logo após, o governador Ernesto Dornelles expediu os atos de nomeação dos sete Juízes da Corte de Contas: - José Acioli Peixoto, Moisés Vellinho, Demétrio Mércio Xavier, Carlos Eurico Gomes, Camilo Teixeira Mércio, Guilhermino César e Antônio Brochado da Rocha. Como Auditores, foram nomeados Francisco Juruena, Telmo Dias Vergara, Mário Antunes da Cunha, Raul da Silva Gudolle e Álvaro de Magalhães; e, como Procurador, Eurico de Souza Rodrigues.

PALACETE DO ALTO DA BRONZE ___As atividades foram retomadas no Palacete do Alto da Bronze, na Rua Gal. Portinho, nº 426, esquina Rua Duque de Caxias, em frente a Pracinha do Alto da Bronze, uma quadra do “Castelinho” onde o Tribunal permaneceu por mais cinco anos (atua Justiça Militar da União 1ª Auditoria). A nova Constituição Federal, promulgada em 1946, ampliou as atribuições da Corte. A operacionalidade do TCE- RS se estendeu às administrações municipais.

Palacete Alto da Bronze

Nota: - Na sequência, em decorrência de uma mudança total da política nacional, foi implantado o chamado "Governo dos Magistrados". Contudo, ficou assegurada a existência do Tribunal de Contas, dando início, assim, a segunda fase de sua história. Nessa etapa, a denominação "Juízes" foi substituída por "Ministros" e, em 1970, por "Conselheiros". Nesta segunda fase, a tarefa inicial do Corpo de Ministros e dos funcionários do Tribunal de Contas foi reestruturar o Órgão. Durante três meses, o Tribunal de Contas se instalou no mesmo lugar onde funcionara antes da sua extinção, ocupando algumas salas da antiga Secretaria de Obras Públicas.

Traição Descoberta pela Esposa

___Carlos Eurico Gomes, médico e político influente, era muito conhecido na sociedade. Foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, casado com Ruth Caldas, irmã do proprietário do jornal Correio do Povo da capital.

___Tempos depois, a traição de Carlos Eurico foi descoberta pela esposa Ruth e pediu o desquite. O romance foi um escândalo na época.

Carlos Eurico Abandona a Esposa

___Carlos Eurico abandonou a primeira mulher (Ruth Caldas) e suas três filhas para viver para viver a paixão com a gravataiense, e foi morar com a jovem Nilza Linck, 22 anos mais nova. Para a sociedade da época isso foi um escândalo, tanto pelas traições como pelo desquite.

O Castelo à Princesa

___Não bastando o amor que havia encontrado, Carlos Eurico mandou construir no centro de Porto Alegre, um prédio com arquitetura medieval, ele era apreciador de edificações medievais. Carlos Eurico teria sido dado o “Castelo” de presente a Nilza, sua “princesa”, para que os dois pudessem viver sob o mesmo teto.

“Ele era apaixonado por castelos. Dizia que eu era uma princesa e que deveria morar ali. As mobílias eram bonitas e finas, todas escolhidas por ele. Eu achava bonito, mas não era muito aficionada a castelos”, comentou Nilza em 2020 ao UOL Notícias.

1948

Castelinho do Alto da Bronze

Um pequeno Castelo de pedra resiste no Centro Histórico de Porto Alegre. É quase impossível não parar, fotografar e devanear sobre a edificação.

Em 1948, no pequeno e estreito lote no Alto da Bronze, esquina da Rua Gen. Vasco Alves, e Rua Cel. Fernando Machado, recebeu a construção do prédio chamado de “Castelinho” em estilo eclético, com inspiração medieval a pedido do político filiado ao PSD, Carlos Eurico Gomes, o prédio foi construído em pedras. Solicitou e aprovou esta construção após pesquisas de castelos do passado.

___ O bloco de pedra que ocupa toda a esquina, obra executada em "pedras de granito" (paralelepípedo cinza), paredes mescladas com torres e grades dentadas, portas e janelas em estilo gótico (tem ínfimas janelas estreitas), que diferencia a construção totalmente do seu redor, fazendo ter um estilo único.

___ O prédio internamente é pequeno e estreito, com escadas estreitas, mas confortável. Possui um terraço igualmente diminuto, mas com uma boa vista para a descida da Rua Vasco Alves.

___O prédio é conhecido por “Castelinho do Alto da Bronze”, localizado na Rua Gal. Vasco Alves, nº 432, entre a Rua Cel. Fernando Machado e Rua Demétrio Ribeiro, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Castelinho, Alfredo Hilário Photografia

Lar ou Garçoniere de Luxo

O PRÉDIO E SEU FATO CURIOSO___Além do prédio ser um “lar ou uma garçoniere”, elementos reais de um romance verdadeiro e táctil quanto a edificação desperta a curiosidade dos passantes por este local do Alto da Bronze em Porto Alegre.

GARÇONIERE: - pequeno apartamento ou local para momentos românticos, para viver de forma independente, ou, especificamente, um espaço reservado para encontros amorosos e íntimos.

O Casal no Castelinho

MORADORES ___Na habitação moravam, além do casal, o bebê de 5 meses e mais duas empregadas domésticas.

CONVÍVIO ___Nilza conviveu com Carlos Eurico no Castelinho entre 1948 a 1952, e logo percebeu que na verdade o conto de fadas era um pesadelo, Nilza revelou que “nunca foi feliz ali dentro”.  O ciúme de Carlos se tornou cada vez mais frequente, ocasionando insultos e até mesmo ameaças de morte contra a jovem. Conforme os relatos da época, o político se tornou um homem frio e agressivo, desconfiado de que ela poderia estar envolvida com um outro homem, mesmo que não saísse do “Castelo”, impedida por ele.

___Carlos era um homem frio e agressivo, a ponto de colocar um revólver em sua cabeça, desconfiando que a moça o estava traindo.

"No meio da noite, ele acordava do nada e gritava: 'diz ligeiro com o que tu estás sonhando'. Eu tremia, tinha muito medo. Ele olhava para baixo da cama, procurando alguém, algum homem. Ele tinha ciúmes de mim até dormindo'', relembrou.

A Prisioneira

VIGIADA___A vida da prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze era limitada. Nilza saía somente acompanhada do marido (padrão para época). Em encontros com correligionários em sua casa, Carlos chegava a esconder porta-retratos com fotos de Nilza para que os companheiros não a vissem, ela ficava no terceiro andar sem poder descer.

___ Nilza recorda que, certa vez, foi convidada pelo companheiro para assistir a uma apresentação de artistas do Rio de Janeiro, no Cine Theatro Coliseu (Rua Voluntários da Pátria). Comentou com Carlos que gostava muito do cantor gaúcho Nelson Gonçalves, que estava ali presente.

- Reação de Carlos: uma forte pisada no pé de Nilza, seguido de um ataque de ciúmes que quase virou tragédia quando Carlos Eurico, na saída, tentou jogar o carro em direção ao lago Guaíba.

ENCARCERADA ___Nilza encarcerada via o mundo na maior parte dos dias apenas pelas janelas estreita do Castelinho.

___Cansada da vida de terror que levava como “fantasma no castelo penumbroso”, Nilza decidiu das um fim às diárias agressões psicológicas que vinha sofrendo.

A Fuga de Nilza

1952

NILZA – FILHO – EMPREGADAS

Em 1952, cansada da vida de terror que levava como “fantasma no Castelo penumbroso”, Nilza decidiu das um fim às diárias agressões psicológicas que vinha sofrendo, deixou o Castelinho com seu filho, de mão dada com as domésticas.

Filho de Nilza no Castelinho

NILZA – ESCONDIDA___Escondeu-se em um apartamento alugado no Centro, não muito distante do “Castelo”.

Carlos Acha Nilza

___Um dia Carlos apareceu no apartamento, pois ele havia descoberto onde eu morava, e disse: “tu vais voltar para mim! Tu juras em nome deste crucifixo (apontando para a parede) que tu vais voltar?”

___E eu dizia: “eu não vou voltar”.

___Ali ele me agrediu. Foi a primeira vez que me bateu.

Separação

___Após a separação de Nilza e Carlos Eurico, ela conheceu outro homem, com quem se casou.

NILZA SENDO NILZA___Nilza passa o dia ouvindo os boleros de Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Orlando Silva, Altemar Dutra e Alcione. Apaixonada por cães e gatos, Nilza Linck convive com seus animais de estimação sob os cuidados de sua filha, Fátima.

Nota: - Nilza ainda teria outro relacionamento. Além do primeiro filho, adotou uma menina, Fátima. Mais tarde ficou viúva, e desde então vivia com os filhos em Porto Alegre.

CARLOS EURICO GOMES ___O médico casou-se com Nélida Sempé. O casal viveu por alguns anos no já famoso Castelinho.

Termina o Sonho de Princesa

___A história de Nilza Linck ressignificou para muitos o edifício que era – até então – visto como “saído de um conto de fadas”. Esta arquitetura da opressão, representada ali, abriu debate para o papel doméstico das mulheres.

Nota: - Por isso, Nilza Linck é conhecida como “Rapunzel” (a moça presa na torre do castelo) na lenda urbana formada em torno de sua história.

___Para a cidade ela (Nilza) passou anos aprisionada — só seu vulto aparecia à janela, vez ou outra.

CASTELINHO – ESTÓRIAS___''A história que sempre ouvi é que aí morava uma mulher bonita que tinha um marido muito ciumento. Foi ele que mandou construir o castelo para ela e depois a aprisionou", conta a porto-alegrense Aida Clavér, 68 anos, enquanto tirava fotos do castelo-ostentação.

___ Vizinho de frente ao castelo desde 1958, o contador aposentado Ronaldo Rodrigues, 73 anos, conhece o interior da fortaleza. "O prédio é muito úmido, frio e tem pouca iluminação”, recordou. ''Meu pai de 105 anos vive aqui com a gente e falava sobre isso."

Milhões de Mulheres por todo o Mundo sofrem as agressões pensáveis e impensáveis, sendo até sua morte, e neste nosso passado contemporâneo, esta independência “Feminina” era inaceitável, e até por outras mulheres; o “machismo” e a misoginia era a regra.

Fim

DESTINO DA CANTORA HORACINA CORREA

Nos anos 1950, o jornalista Flávio Alcaraz Gomes afirmava ter visto Horacina Correa como “artista cubana” em uma boate de Roma (Itália). Outros relatos sugerem que Horacina teria se radicado no Egito, como dona de um hotel, no Cairo.

Horacina Correa

___A pior versão diz Horacina teria sido vitimada num atentado terrorista.

CASTELINHO – VENDIDO ___Posteriormente, após a morte do apaixonado Carlos Eurico Gomes o Castelinho ficou com sua esposa Nélida.

Nota: - O Castelinho do Alto da Bronze passou por muitas mãos e transformações.

1957

CARLOS EURICO GOMES – TCE 

Em 26 de maio de 1957, sob a presidência de Carlos Eurico Gomes, foi iniciada a construção da nova sede. Posteriormente, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul transferiu-se para a atual sede própria.

Nova Sede Tribunal de Contas – TCE

CASTELINHO – BOATE IVANHOÉ ___No final da década de 1950, funcionou a casa noturna chamada “Ivanhoé”, do poeta, compositor e jornalista Ovídio Chaves, falecido em 1978. A boate acabou fechando por pressão da vizinhança, por causa do barulho.

___Além disso, o pequeno forte medieval foi:

- Sede do Clube das Chaves, um local com música ao vivo, muito prestigiado por artistas e intelectuais como: - Mário Quintana, Iberê Camargo, Nelson Gonçalves e Cecília Meireles;

- Virou “residência familiar”;

- Consultório Dentário;

- Espaço Cultural.

___Uma artista plástica vive atualmente (2020) no local, segundo os atuais proprietários, que vivem ao lado do Castelinho.

1970

REFORMA DA PRAÇA

Em 1970, uma reforma executada na Praça Gen. Osório (Pracinha do Alto da Bronze), deu-lhe o aspecto atual e nela existem duas placas: - Alto da Bronze e General Osório.

Praça Gal. Osório, Alto da Bronze

Praça e duas Placas

SAMBA ‘ALTO DA BRONZE’

Nota: - Anos mais tarde, as gaúchas Elis Regina, Zilah Machado e Lourdes Rodrigues, apresentariam as suas versões da homenagem musical ao “Alto da Bronze”.

Elis Regina

Elis Regina:

https://youtu.be/9SAh90trIhg?si=BiJnKLp5rtyjvoF4

LEMBRANÇAS DO ALTO DA BRONZE ___Conforme Nelson Azambuja, lembrava seu Pai do zelador Ângelo do Alto da Bronze (qual a pracinha não tinha, então, o seu zelador), “homem muito bom”. Lembrou mais, que aos finais de tarde realizavam concursos de lutas, na areia colocada ao final escorregador. E, como não poderia deixar de ser, infalivelmente ele vencia sempre, fazendo jus ao prêmio, que era então (...) um PICOLÉ!

___Por conhecer a melodia Alto da Bronze, acrescentou:

“Eu sou um grande admirador de Paulo Coelho e conheci muito bem a vocalista Horacina Correia, era minha vizinha de rua e, mesmo, de calçada”.

(Nelson Azambuja - Consultor Independente na área de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos)

Década 1980

___Na década de 1980, conforme contam, existia um “salão de beleza” no andar de cima do Castelinho.

1993

O Livro

___Um castelo de pedras, um homem apaixonado e uma mulher bonita: misture tudo e escreva uma história de amor. Parece fácil, não? - E até poderia ser, se se tratasse unicamente de ficção.

Em 1993, é lançado o romance-reportagem que imortalizou o caso Nilza e Eurico, escrito por Juremir Machado da Silva "A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze", a partir do próprio relato da prisioneira Nilza Linck.

Nilza Linck na capa do livro

Século XXI

2004

CASTELINHO – RESTAURAÇÃO

Em 2004, o Castelinho, embora pequeno, mas com seu charme, foi restaurado internamente pelo morador Celso.

CASTELINHO CULTURAL___O Castelinho, também foi utilizado como espaço cultural, integrou expressões fotográficas, teatrais e de artes plásticas em oficinas e ateliês, além de exposições de artes, saraus literários e apresentações musicais e cênicas.

POEMITOS ___O Castelinho teve habitando por Sandra Santos e Alexandre Brito também autores da série “Poemitos”. O espaço foi preenchido por muitas crianças que ouviram atentas os autores na leitura de seus poemas, pintaram, recortaram e jogaram, degustaram cachorros-quentes e de sobra ouviram misteriosas histórias que acontecem no Castelo, ou será que são lendas urbanas?


2006

CASTELINHO – ALTO DA BRONZE VENDIDO

Em 2006, os atuais proprietários compraram o “Castelo” de familiares de Nélida Sempé, viúva de Carlos Eurico Gomes, que havia deixado a propriedade como herança.

CASTELINHO – OS NOVOS PROPRIETÁRIOS___O casal que reside vizinho de parede do prédio, Rui Cláudio da Cunha Marques, 73 anos, e a esposa Neila Marques, 63 anos, contam que compraram o imóvel, apesar da fama do lugar, o casal garante que não se arrependeu.

''Compramos com a intenção de integrar o prédio com a casa, já que nossos filhos eram pequenos, então virou um verdadeiro parque de diversões'', afirmou Neila. ''Imagina se alguém comprasse esse Castelo e transformasse numa cafeteria, ou numa boate, daí tu não dormes mais à noite. Na verdade, nós compramos a nossa tranquilidade'', acrescentou Rui.

2009

NILZA – RETORNO A GRAVATAÍ

Em 2009, durante a reinauguração do Museu Municipal no sobrado no qual Nilza Linck morou, ela veio a cidade de Gravataí quando soube por meio de jornais que o local em que viveu havia sido restaurado.

Nilza Linck à direita ao lado de sua amiga Maria Inês Guilloux Leal, Foto: Luciano Nagel/Especial

NILZA – RETORNO AO CASTELINHO

Em 2009, Nilza Linck, aos 86 anos visitou o Castelinho do Alto da Bronze, acompanhada de uma equipe do jornal Zero Hora.

LÍTERA – CLIP  

Em 2009, é encontrada uma gravação, considerada uma relíquia escondida. Depois de encontrar o clipe inédito de “Dois”, Rodrigo vasculhou mais arquivos antigos e localizou mais um tesouro esquecido: - clipe nunca lançado de “Lá Se Foi” gravado em 2009.

LÍTERA NO CASTELINHO ___Como cenário, o Castelinho do Alto da Bronze, em Porto Alegre — um dos lugares mais emblemáticos da cidade. Um casarão histórico, cheio de charme e mistério, que faz parte do imaginário da capital gaúcha com suas lendas, memórias e presença marcante na paisagem urbana.

___Esse clipe foi mais uma das experiências que vivemos nos nossos primeiros anos, cheios de coragem e poucos recursos, tentando fazer arte com o que tínhamos. Por motivos da vida (e da correria de quem está começando), o material acabou nunca sendo lançado e se perdeu no tempo.

___Hoje reaparece — acreditamos que seja o único clipe já gravado no Castelinho do Alto da Bronze. — Assista com olhos atentos, porque o passado ainda tem muito a contar.

Música: Lá Se Foi

Artista: Lítera

Composição: André Hernandez e Thiago Marques

Álbum: Um Pouco de Cada Dia (2009)

VISITA PERMITIDA

Em 30 de março de 2009, nesse dia foi a primeira vez que os proprietários permitiram visitas no interior do Castelo, após algum tempo.

2011

RESGATE DA PRAÇA GAL. OSÓRIO

Em 05 de outubro de 2011, a atual direção da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim de Praça Pica-Pau Amarelo assumiu a instituição, em 2008, começou um movimento de resgate da Praça General Osório (antigo Largo Alto da Bronze). "A praça estava abandonada”, conta a diretora da escola, Denise Ayala, que recebeu o projeto Caravana das Boas Práticas Pedagógicas, da Câmara Municipal de Porto Alegre, cujo objetivo é homenagear o trabalho e a dedicação dos professores das redes de ensino público da Capital. A visita da Câmara é um prazer e muito importante para dar visibilidade à nossa comunidade, comemorou. Segundo Denise, o resgate da praça foi o objetivo central do “Projeto Alto da Bronze A Praça é Nossa”, desenvolvido desde 2008. A praça não tinha iluminação, estava pichada, sem pintura, e a escola estava fechada, relembrou. A ideia foi buscar, junto à cidade de Porto Alegre, a valorização desse espaço educacional, histórico, cultural e de lazer. Denise disse que o Alto da Bronze é, para os porto-alegrenses moradores do Centro, uma referência histórica e afetiva. Muitos passaram a infância e a juventude entre as árvores e seus pica-paus. A diretora contou que, todos os anos, nos meses de abril e setembro, realizam o plantio de ervas medicinais, temperos e flores, tanto na praça quanto na escola. Pintar os muros da praça que, seguidamente, são pichados, também é rotina. Além disso, existe a cancha de esportes, usada inclusive pela comunidade, e são feitos diversos eventos culturais. Aqui parece uma cidade do interior. A nossa escola é o coração da praça. E já estamos na terceira geração que frequenta a Pica-pau Amarelo.

EMEI  Jardim de Praça

___Outra prática pedagógica de sucesso da Pica-pau Amarelo é o projeto Dançando no Jardim. A professora voluntária Ângela Rodrigues, em parceria com os pais, dá aula de dança de diferentes estilos para os alunos e alunas de 3 a 5 anos de idade. A finalidade é desenvolver as diferentes linguagens para essas faixas etárias. E há turmas específicas para os adultos da comunidade que quiserem, acrescentou Denise. A leitura também é estimulada. Em todas as sextas-feiras, os alunos levam livros para ler em casa no final de semana, em sacolas de material reciclado produzidas por eles mesmos.

JARDIM DE PRAÇA ___ Única escola infantil no Centro Histórico e arredores, a Pica-Pau Amarelo foi fundada em 1926, no governo do Intendente Otávio Rocha. Foi o primeiro “Jardim de Praça” de Porto Alegre. Na data, atende a 75 crianças com idades entre 3 e 5 anos e 11 meses, nos turnos da manhã (das 8h às 12h) e tarde (das 13h às 17h30min). Mas sua capacidade é para 86 crianças. São quatro turmas, entre maternal e jardim. Em seu quadro existem dois funcionários terceirizados, três professores, um estagiário, além da diretora. E um desejo da comunidade escolar é que o nome passe a ser Emei Jardim de Praça Alto da Bronze.

___A presidente da Câmara, vereadora Sofia Cavedon (PT), ficou encantada com a Pica-Pau Amarelo. É muito gratificante ver as iniciativas que as escolas fazem para manter a qualidade da educação. E aqui se nota que o pedagógico vem empurrando paredes, disse, ressaltando a necessidade de expansão da escola. Eles precisam de um espaço maior para suas atividades, e a Câmara pretende buscar, junto à Secretaria Municipal de Educação (SMED), caminhos para que essa demanda seja conquistada. Quanto à mudança de nome, Sofia instruiu a direção a conseguir um abaixo-assinado com pais e moradores do entorno. A partir dessa mobilização, podemos encaminhar um projeto para mudar o nome da instituição.

Castelinho da Rua Apa – VERSÃO PAULISTA

Em 17 de abril de 2011, o CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou, a mudança na regra de tombamento do Castelinho da Rua Apa, na região central de São Paulo, permitindo o restauro do prédio. O conselho exigiu apenas que seja encaminhado um projeto-executivo da obra. A proposta que estava em análise pedia a construção de um prédio anexo com mais de 5 metros e o restauro do edifício quase em ruínas. Segundo o arquiteto Paulo Bastos, essa edícula que ficaria maior não tem valor histórico e as mudanças não atrapalhariam a visão do bem tombado. O aumento permitirá que a ONG Clube de Mães do Brasil, instalada no local, tenha uma estrutura melhor para desenvolver suas atividades de profissionalização de pessoas de baixa renda, com espaço para oferecer refeições, oficinas e realizar a exposição dos matérias produzidos durante os cursos. Enquanto a obra não acontece, para evitar que a construção não se deteriore ainda mais, foram colocadas lonas no teto do prédio para protegê-lo da chuva.

Castelinho da Rua APA, 2011

HISTÓRIA DO CASTELINHO – PAULISTA ___Localizado na esquina com a Avenida São João, no centro de São Paulo, o Castelinho foi palco de um dos crimes mais misteriosos já vistos na história policial da cidade. A construção, uma cópia de um castelo medieval, era da rica Família Reis.

Castelinho da APA, déc. 1910

Em 12 de abril de 1937, uma empregada encontrou os corpos dos advogados Álvaro e Armando Cézar e da mãe deles, Maria Cândida, com marcas de tiros.

VERSÕES ___As investigações à época foram contraditórias – uma versão dava conta de que era Álvaro o autor dos crimes, em outra era Armando Cézar – e, até hoje, não se sabe ao certo quem fez os disparos.

Castelinho da Rua APA, setembro de 2024, restaurado

2018

CAMINHADA CULTURAL

Desde 2018, acontece a “Caminhada Cultural da Porto Alegre Mal Assombrada”, acontece 2 vezes por mês.

Caminhada Cultural, Rua Vasco Alves 

 2021

NILZA LINCK MORRE

Em 15 de julho de 2021, na manhã de quinta-feira, conforme o jornal Giro de Gravataí, em reportagem especial, morre a gravataiense Nilza Linck, aos 98 anos, na capital Porto Alegre. Internada na segunda-feira (12) em razão de uma parada cardiorrespiratória, que vivia na zona Norte de Porto Alegre no bairro São João, próximo ao Centro.

Nilza Linck

___A historiadora Maria Inês Guilloux Leal, lamentou a morte da amiga em uma rede social. Segundo ela, Nilza era uma mulher à frente do seu tempo.

Nilza Linck com a foto do famoso casal

2025

ÓPERA PRISIONEIRA DO ALTO DA BRONZE

Em 29 de outubro de 2025, conforme Darlene Silveira (Reg. Prof. 6478) Assessoria de Imprensa da Presidência da Orquestra da Ulbra e Cia Ópera Brasil estreiam ópera inédita baseada na história da “Prisioneira do Alto da Bronze”.

___A Cia Ópera Brasil e a Orquestra de Câmara da Ulbra apresentam a estreia mundial da ópera inédita “A Prisioneira do Alto da Bronze”, baseada na história real de Nilza Linck (1923–2021). A obra, cantada em português, tem libreto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano. A montagem reúne solistas, coro e a Orquestra de Câmara da Ulbra, sob regência de Tiago Flores e direção cênica de Henrique Cambraia. As apresentações serão nos dias 25 e 26 de novembro de 2025, às 20h, na Associação Leopoldina Juvenil (Marquês do Herval, 280), em Porto Alegre.

- Ambientada na Porto Alegre dos anos 1950, a ópera em dois atos narra a história de Elsa Laufer (interpretada por Yasmini Vargaz), mulher livre e sonhadora, que vive reclusa após envolver-se com José Alfredo (Daniel Germano), político influente e casado, que a seduz com promessas de amor e casamento jamais cumpridas. A esposa dele, Rosa Cardoso (Deizi Nascimento), enfrenta o escândalo e a humilhação pública, enquanto Elsa se vê aprisionada entre o desejo, a esperança e a solidão. É o retrato musical de uma mulher que transforma a dor em voz e a desilusão em libertação.

“A estreia de uma ópera é um marco significativo. Antigamente, quando uma nova ópera era anunciada, gerava grande expectativa e mobilização na sociedade. Era um evento que reunia artistas, intelectuais e o público em torno de uma obra que refletia os sentimentos e as questões do seu tempo. Hoje, ao apresentar A Prisioneira do Alto da Bronze, estamos não apenas dando voz a uma história que faz parte da memória e do imaginário de Porto Alegre, mas também resgatando essa tradição de celebração e reflexão coletiva através da música.”, comenta o maestro Tiago Flores.

A PRISIONEIRA DO ALTO DA BRONZE ___Ópera em dois atos com libreto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano

Direção Artística: Yasmini Vargaz | Regência: Tiago Flores

Direção cênica: Henrique Cambraia | Figurino: Daniel Lion

Elenco: Yasmini Vargas (soprano), Daniel Germano (Baixo-barítono), Deizi Nascimento (soprano)

Dias: 25 e 26 de novembro de 2025

Horário: 20h

Local: Associação Leopoldina Juvenil – Rua Marquês do Herval, 280, Porto Alegre

Ingressos: Sympla

R$ 100,00 (inteira) | R$ 55,00 (solidário + 1 kg de alimento) | R$ 50,00 (meia-entrada) Dona Flor Comunicação

Raphaela Donaduce Flores/ jornalista

raphaela@donaflorcomunicacao.com.br/ 51 999757282

Galeria – Castelinho Alto da Bronze

CASTELINHO – FACHADA EXTERNA















CASTELINHO – ÁREAS INTERNA 







CASTELINHO – LUMINÁRIAS






Referências:

- Arnoldo Doberstein, professor e estudioso da história de Porto Alegre

- Da Silva, Juremir Machado, "A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze", Artes & Ofícios, 1993

- Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1988

- Pereira, Antônio Álvares, o Coruja, Antigalhas: reminiscências de Porto Alegre. P. Alegre: Tipografia Jornal do Comércio, 1881

- Viva o Centro, Prefeitura de Porto Alegre

- ArquivoPOA - A Memória de Porto Alegre - ArquivoPOA – JonasRS

https://arquivopoa.blogspot.com/2009/03/castelinho-do-alto-da-bronze.html

- Meio Norte, Meio News, 23/11/2020, Castelinho de Alto da Bronze | Imagem: Luciano Nagel

- Secretaria Municipal do Meio Ambiente

- Porto Alegre, 1884-87: Alforrias, ajardinamentos e a persistente memória de Mãe Rita e Zeferina Bronze, por Arnoldo Walter Doberstein

- Castelinho do Alto da Bronze em Porto Alegre/RS | Centros Culturais hagah. hagah.

- ClicRBS: Lenda urbana: a prisioneira do Castelo do Alto da Bronze mais de meio século depois (26/08/2009)

- Lenda urbana: a prisioneira do Castelo do Alto da Bronze mais de meio século depois/ Donna. GZH. 26 de agosto de 2009.

Fatos, Lendas e Mitos: A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze

- A prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze - AABB Porto Alegre, www.aabbportoalegre.com.br.

- Castelinho do Alto da Bronze - Centros Culturais

- Estante Virtual - A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze

- Jornal Correio do Povo

- Jornal A Federação

- Jornal Zero Hora

- Jornal do Commércio

- Canal UOL News

- Morre aos 98 anos Nilza Linck, a gravataiense que foi a ‘prisioneira’ do castelinho do Alto da Bronze, Giro de Gravataí por Jornalismo, 15 de julho de 2021/ Especial