Alto do Manoel Caetano,
Alto do Senhor dos Passos,
Alto da Conceição,
Ladeira de São Jorge,
Há várias
versões conflitantes dessa história e estórias, cada uma delas contada conforme
a conveniência do autor
___O termo “Alto da Bronze” refere-se
à região do Centro Histórico de Porto Alegre onde hoje fica a Praça
General Osório – Pracinha do "Alto da
Bronze", trecho entre as ruas: - Duque de Caxias, Fernando
Machado e General Portinho, mais precisamente. A denominação vem do
apelido de uma antiga moradora local do século XIX.
Relevância Cultural: - A região do Alto da Bronze um ponto boêmio e folclórico importante da capital gaúcha, com personagens, estórias únicas e seu Castelinho icônico, chegando a inspirar o clássico samba "Alto da Bronze".
Origem do Nome
___A
partir de 1880, segundo Pereira
Coruja, registra no livro “Antigualhas”,
com suas crônicas escritas, antes de se consolidar como Alto da Bronze, nome
perpetuado na tradição de Porto Alegre, o local teve outras denominações, como:
Alto do Manoel Caetano – Alto do Senhor dos
Passos – Alto da Conceição – Ladeira de São Jorge.
___Até o início do século XX,
o local situado entre as ruas atuais Duque de Caxias, Coronel
Fernando Machado e General Portinho era considerado um “largo” antes de se tornar “praça”.
___Há versões dessa história do nome “Bronze”, mais picantes, que dizem estar documentada,
é sempre possível que cada autor, ao escrevê-lo, tenha mantido a discrição.
Versões do Nome
Versão 1
___A origem do nome “Alto da
Bronze”, conforme o político, historiador, educador e escritor Antônio Álvares Pereira (conhecido pelo nome
adotado e incorporado de “Coruja”), nascido em
Porto Alegre em 31 de agosto de 1806 e morto em 4 de agosto de 1889, o
Professor Coruja foi um célebre e primeiro cronista de Porto Alegre, deixou
importantes relatos sobre a cidade no século XIX,
escreveu um livro chamado “Antigualhas” Reminiscências
de Porto Alegre, sobre vultos e eventos do Rio Grande do Sul, onde relata a
origem do nome do local.
___Segundo Pereira Coruja, habitava na área uma
morena, estranha e poderosa, chamada Felizarda, mas conhecida apenas por
“Bronze”, por ser morena. Dedicava-se a tirar a
sorte com as cartas, fazer mandingas e despachos, bem como rezas e benzeduras
para espantar o mau olhado, logo ganhando o respeito e consideração das pessoas
mais humildes, entre as quais encontravam-se as prostitutas das imediações;
boatos diziam que, embora seus modos discretos, a própria “Bronze” praticava a prostituição, embora mantendo um
nível bem mais alto na seleção dos seus fregueses.
___Na época, era comum dar aos bairros nomes que
lembrassem alguma característica importante ou o nome ou apelido de um morador
que se sobressaísse. E tal foi a importância adquirida pela “famosa morena” Felizarda, por suas boas
obras, de todas as espécies, que logo a área passou a ser conhecida apenas como
“Alto da Bronze”.
Nota: - Seria comum ver os malandros da época,
quando perguntados sobre o seu destino, numa bela noite de sábado, apenas
respondendo que iam ao Alto da Bronze, para não ter que dizer que, na verdade,
estavam indo aos prostíbulos da área do Gasômetro, na Rua General
Paranhos (Rua Washington Luís), Rua da Igreja (Rua Duque de Caxias)
e Rua da Várzea do Riacho (Rua Demétrio Ribeiro).
Versão 2
___Professor Coruja também escreveu:
“Quem indo pela Rua da Igreja para os lados do Arsenal
e tivesse passado a Rua dos Pecados Mortais, que hoje têm a placa de
Rua General Bento Martins, subindo para o alto que já se chamou do Rua
Manoel Caetano, Rua Senhor dos
Passos, Rua da Conceição, e hoje com a placa do “Praça General Osório”, encontraria à direita uma
meia dúzia de casas de porta e janela, em uma das quais morava uma mulher que
alguém me disse que se chamava Felizarda, mas que só era conhecida por “não sei quê” de “Bronze”,
e que, por decência, só era chamada “Bronze”,
nome que foi dado àquele lugar por ser ela a figura mais notável do lugar.”
Versão 3
___O senador Mem de Sá (1905-1989), em suas
memórias, refere que seria “Cu de Bronze” o
verdadeiro apelido completo desta personagem Felizarda, mulher de vida
airada, na Porto Alegre provinciana do século XIX.
Alto da Bronze
___As diferentes denominações dadas ao Alto da Bronze
ao longo do tempo, conforme Ary da Veiga Sanhudo concluiu que, “embora hoje a praça tenha, legalmente, o valoroso nome de General
Osório, o heroico cabo de guerra da Batalha do Tuiuti, ninguém,
realmente, a conhece a não ser pelo pitoresco nome de Alto da Bronze”.
Uma prova de que Felizarda deixou sua marca indelével não apenas na
paisagem, mas na “história afetiva” de Porto
Alegre.
Cronologia
Brasil Colônia
Século
XIX
___Ao longo do século XIX,
o Alto da Bronze ganhou feições urbanas, constituindo-se em um dos
principais redutos de boemia e prostituição da cidade. Tanto que a Rua
General Bento Martins, então chamada de Os 7 Pecados (devido a uma
fileira de sete casinhas com luz vermelha) e Pecados Mortais.
1800
Por volta de 1800, em Porto Alegre, o Alto da Bronze começou
a surgir no mapa da Villa de Porto Alegre, quando era apenas um “espesso matagal” que servia como “depósito de lixo” para os poucos moradores da
redondeza, habitado por saruês, tatus e tamanduás. No Rio de Janeiro a corte
portuguesa do príncipe regente D. João VI nem sequer havia ainda chego em
sua Colônia lusitana (1808).
___Com o passar dos anos, os “colonos
açorianos” começaram a construir suas casas na Rua Formosa (atual
Rua Duque de Caxias) e na parte alta da Rua do Arvoredo (atual Rua Fernando
Machado).
Espaço Livre
___Na última quadra das ruas Formosa e do
Arvoredo (nenhuma casa foi construída e aquele “espaço
livre” viria, muitos anos mais tarde, a ser usado pelos moradores,
criando a chamada Pracinha do Alto da Bronze, um pequeno “Largo”.
Felizarda
VERACIDADE___ Recompor cenários e episódios do
passado é sempre arriscado, nunca estamos isentos de preconceitos e
interpretações que dizem mais acerca de nosso próprio tempo do que da época que
buscamos retratar, não sabemos se Felizarda era ou havia sido livre, escrava ou alforriada. Ary da Veiga Sanhudo alerta que “é preciso não perder de vista que muitos dos pitorescos
aspectos de sua movimentada vida vão hoje passando para o domínio da lenda,
crivados das mais variadas versões e acrescidos duma muito humana dose de
exagero e fantasia”.
VERSÕES DO QUE NÃO SE CONHECE___A mulher Negra,
que deu nome a um ponto referencial o “Alto da Bronze”.
___Felizarda era natural de São Borja/RS, veio
morar em Porto Alegre em uma época em que o local do espigão central no Alto
da Praia (acima da Rua da Praia) ainda era pouco habitado.
ARY VEIGA SANHUDO ___Instalou-se em uma
casinha de porta e janela, “trepada desajeitadamente
num dos barrancos do Alto, no lado oposto ao que dava para o Riachinho (Arroio Dilúvio)”, mencionou Ary Veiga Sanhudo.
___Misto de prostituta e batuqueira, é retratada como uma
mulher “terrível e temida”, de personalidade
forte e dominadora, apesar da condição humilde (“trajava-se tão modestamente
como as lavadeiras de seu tempo”). Curiosamente, ao mesmo tempo em que exaltou
os atributos sensuais da personagem, “criatura
irresistível e insaciável”, Sanhudo fez questão de salientar que
ela tinha o dom da profecia, comparando-a a “uma
verdadeira pitonisa” (sacerdotisa do templo de Apolo, na Grécia Antiga).
“Fazia longas sessões de batuque
em sua casinha acanhada, que mal comportava os visitantes, e entregava-se
desbragada e ardentemente aos seus preferidos”.
____Em Porto Alegre — Crônicas de Minha Cidade, o
cronista Ary Veiga Sanhudo escreve que Felizarda seria "uma mulher do povo, procurada por ele e verdadeira
pitonisa (mulher que tem o dom de predizer o futuro) da cidadezinha envolvida na sua lábia".
"O seu nome vivia de boca
em boca, e boa ou ruim, violenta ou carinhosa, a Bronze às vezes era
ouvida como uma benfeitora e outras vezes, porém, fugiam dali como o diabo da
cruz", segundo o cronista, que ainda registrou:
"Fazia longas sessões de
batuque em sua casinha acanhada, que mal comportava os visitantes, despejava
despachos nos monturos da Várzea e entregava-se desbragada e
ardentemente aos seus preferidos (...) Era uma mulher terrível e temida".
___Por Paulo César Teixeira – interino, GZH, diz
que foi Ary Veiga Sanhudo quem esboçou o perfil da personagem Felizarda
em Porto Alegre, Crônicas de Minha Cidade para explicar como ela emprestou
seu apelido à área em que, hoje, localiza-se a Praça General Osório. Uma
região que, até o fim do século XVIII, não
passava de “medonho sangão, coberto de brejos e
arbustos”, com “uns barrancos horrorosos,
cheios de macegas”, além de “muita toca de tatu
e alguns penachudos tamanduás”.
ANTÔNIO ÁLVARES PEREIRA CORUJA ___ No alto do
declive vivia uma mulher chamada Felizarda, de São Borja/RS (…) em uma
casinha de porta e janela, trepada num barranco da praça (…) um verdadeiro tipo
de china, e daí lhe veio o apelido expressivo de “Bronze”
(Porto Alegre, Aquiles. Noutros Tempos. P. Alegre, Editora Globo, 1922,
p. 108).
___A menção mais antiga a seu respeito de Felizarda é
do cronista Antônio Álvares Pereira Coruja no livro Antigualhas —
Reminiscências de Porto Alegre.
___Contemporâneo da misteriosa moradora da região, o
autor a descreveu como:
"Uma mulher que para falar pelos cotovelos não
precisava arregaçar as mangas, porque se apresentava de saia e camisa, sendo
por isso a indivídua mais notável do local.”
AQUILES PORTO ALEGRE ___Segundo Aquiles Porto
Alegre (seu livro de 1922), Felizarda ali se “estabelecera há
mais de sessenta anos”.
SANDRA JATAHY PESAVENTO ___O historiador Charles
Monteiro, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul (PUCRS) e autor do livro Breve História de Porto Alegre, cita como uma das
referências sobre Felizarda a obra Os Sete Pecados da Capital, da
historiadora Sandra Jatahy Pesavento:
“A casinha de Felizarda
ficava nessa região da cidade que ainda não tinha passado pela remodelação
urbana que aconteceria no início do século XX. Ela recebia muitas pessoas e
inclusive políticos. Era muito conhecida, tinha muitos atributos.” Isso aparece um pouco nos jornais e nos cronistas —
contextualiza Monteiro.
CHARLES MONTEIRO ___O professor afirma que Felizarda
também teria sido uma espécie de vidente da época:
— Ela atendia pessoas, lia a sorte e sabe-se que até
alguns deputados se aconselhavam com ela. E ela fazia seus feitiços para ajudar
essas pessoas. Tem quase uma mitologia a seu redor. Era uma mulher que, seja
por seus atributos sexuais, seja por sua capacidade de prever as coisas,
infiltrou-se na teia política, conseguiu certo grau de influência e ficou
famosa na época. Seu nome passou a estar na boca das pessoas que a invejavam
também por sua proximidade com o poder. Para o historiador, Felizarda
teria vindo das classes populares, destacando-se como uma espécie de líder
comunitária da época. O professor diz que provavelmente ela tivesse a pele Negra
e, como prestava serviços que não podiam aparecer para a sociedade de então
— a prostituição —, sua história foi praticamente apagada dos registros
oficiais.
SÉRGIO DA COSTA FRANCO ___Apesar de tudo que se
escreveu sobre Felizarda, o historiador Sérgio da Costa Franco
destacou, em A Velha Porto Alegre, o relato de Coruja como o mais digno
de fé entre os cronistas do passado.
"A boa verdade é que sobre
a Bronze (...) muito pouca coisa se sabe com segurança. A única fonte
confiável, a seu respeito, é o depoimento de Coruja em suas crônicas das
Antigualhas. Coruja a conheceu (...). Nada (se sabe) de preciso sobre
raça. Nem qualquer referência à atividade em 'casa de religião'. E quem a viu
no Rio de Janeiro foi certamente o próprio Coruja, que por lá andava no
ano mencionado", escreve o historiador.
LENDAS E COMENTÁRIOS POPULARES ___Conforme corre
a história popular, mais ou menos, como toda estória. O apelido da Sãoborjense Felizarda,
era "cu de bronze" porque só ela
sabia fazer coisas que senhoras casadas, recatadas, de boa índole, tementes a
Deus, na época jamais fariam. Contemporâneo a Bronze são os crimes da Rua
do Arvoredo (Rua Fenando Machado).
___Há quem diga que a mulata Felizarda, que além
de macumbeira tinha o “hímen duro como bronze”.
___No Brique da Redenção, falado pelo historiador L.
T., autor do livro "Crônicas das Ruas de Porto Alegre”, quando
perguntado a ele:
- Professor Leandro, o que a Felizarda
tinha de bronze?
___Resposta curta e grossa:
- “A buceta!”
O TERMO -
Popularmente, a palavra "buceta" (muitas
vezes grafada ou dicionarizada como "boceta")
é um termo vulgar amplamente utilizado no Brasil para se referir à vagina ou
vulva (o órgão sexual feminino).
Sentido original:
Historicamente, a palavra (derivada do francês antigo “boucette”)
significava apenas uma pequena caixa ou bolsa (geralmente usada para guardar
moedas ou rapé).
- Por questões de
censura e o uso de apelidos populares para partes do corpo, o termo assumiu
conotação sexual no Brasil a partir do século XX.
- Em Portugal e na Galiza, o termo ainda pode
manter sua raiz náutica ou de recipiente, referindo-se a uma pequena embarcação
ou caixa.
___ Conta-se também a estória: - Bronze era uma
morena que morava no Centro e trabalhava para a saúde pública municipal no
controle contra a sífilis, gonorreia que na época era muito disseminada nos
bordeis. Ensinava a meninas da vida a trabalhos manuais como crochê e bordado,
corte de costura e pintura. Os malandros da época para não dizer onde iam
quando eram perguntado o destino, diziam que iam p os lados da “Bronze”, mas iam cabarés da volta do Alto da
Bronze.
(...) Centro de
Porto Alegre tem coisas incríveis!
NATALIA MÉNDEZ ___Natalia Méndez
contrasta os relatos dos cronistas do passado com a perspectiva oferecida pela caminhada "As mulheres na história e arquitetura de
Porto Alegre", realizada em março último, que passou pelo Alto
da Bronze.
— No roteiro, estava escrito que a Bronze seria
uma “mulher bondosa e discreta”, que acolhia
mulheres vulneráveis.
ESTEREÓTIPOS SOBRE AS MULHERES___A professora Natalia
Pietra Méndez, do Departamento de História da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), observa que no final do século
XIX a presença de mulheres no espaço público de Porto Alegre era grande,
principalmente aquelas vindas das camadas populares. Isso contrastava com as
mulheres da elite, educadas a partir de um ideal vitoriano de pureza, castidade
e domesticidade.
— Os registros dos cronistas estão influenciados por essa
percepção a respeito do espaço público tomado por mulheres trabalhadoras das
mais diversas ocupações. Seria como algo indesejável, ao passo que o ideal de
mulher desejável desse período era o da castidade e da domesticidade — explica.
NATALIA PIETRA MÉNDEZ ___De acordo com a
historiadora, os poucos registros sobre Felizarda foram deixados por
cronistas homens daquela época, representando uma percepção sobretudo
masculina:
- A visão que desenvolveram sobre as mulheres no
espaço público são permeadas por uma visão patriarcal, racista e eivada de
estereótipos do que se esperava de uma conduta adequada das mulheres desse
período.
___A historiadora exemplifica que as crônicas descreveram
Felizarda como uma mulher "temida",
o que não aparece em nenhum registro ou processo judicial. Em se tratando de
uma personagem popular, a imagem de Felizarda vai sendo reconstruída e
relida a partir das concepções do tempo de quem está escrevendo. Mais
interessante do que saber o que era verdade ou mentira sobre Felizarda é
identificar como uma personagem pode ser modificada aos olhos da cidade a
partir dessas diferentes percepções — conclui.
Natalia Pietra
Méndez
Professora do
Departamento de História da UFRGS
Lenda Urbana
___ A partir de poucos registros (nem todos confiáveis)
tornou Felizarda em uma “lenda urbana” da
Porto Alegre do século XIX.
1833
A ‘BRONZE’
Em 1833, sem indicação
da fonte, menciona-se mesmo que Felizarda já constava como colaboradora
da Saúde Pública. Fato que mais ou menos se alinha com a informação de Aquiles
Porto Alegre de que ela, além de viver “de fazer
mandingas”, também “engazopava [iludia] com benzeduras e engrimanços (artimanhas) as pobres mulheres que fazem comércio do corpo”
(Ibidem, p. 108).
MALEDICÊNCIA ___Um campo aberto para toda
espécie de maledicência e até de escabrosas relações da formação anatômica de Felizarda
com o codinome que lhe foi conferido. Maledicências que sua memória resistiu, a
ponto de até hoje superar a nomenclatura oficial do local onde morava.
PONTO DE REFERÊNCIA
Desde 1833, a região
aparece como referência, nas Atas da Câmara, como "Alto
da Bronze".
1839
ALTO DA BRONZE
Em 1839, em Mapa de Luis
Pereira Dias já nomina o local como “Alto da
Bronze”, com uma única habitação, possivelmente a de Zeferina Bronze.
Brasil Império
1865
ADQUIRIR O TERRENO PARA PRAÇA
Em 1865, o município
resolveu adquirir o terreno vazio do Alto da Bronze, a fim de ali fazer
uma praça para instalação de um chafariz da Companhia Hidráulica
Porto-Alegrense, para “abastecimento de água
potável” à população, mas o terreno, ainda baldio, entre a Rua da
Igreja (atual Duque de Caxias) e a Rua do Arvoredo (atual Cel.
Fernando Machado), era privado e pertencia ao herdeiro João Soares de Paiva,
que residia na Corte no Rio de Janeiro, e, fez propostas extorsivas para a
venda.
PROVIDENCIA AO GOVERNO DA PROVÍNCIA
Em 1865, a Câmara
pediu auxílio ao presidente da Província, Visconde da Boa Vista para uma
providencia.
1866
ÁREA DESAPROPRIADA
Em 1866, o Visconde
da Boa Vista desapropriou a área, declarando-a de “utilidade
pública”.
LARGO GENERAL OSÓRIO
Em 17 de junho de 1866, o
local passou a se chamar Largo General Osório, mas continuou sendo
chamada de “Pracinha do Alto da Bronze”.
___O Chafariz Príncipe Augusto foi instalado no
Alto da Bronze, no Alto da Praia, em uma extremidade da Rua da
Igreja (Rua Duque de Caxias).
Imagem de Felizarda
___Fotografias
ou representações da Felizarda Bronze, se existem, não são do
conhecimento público. Fotografias é até muito provável que tenham sido feitas e
que circulem por aí, porém sem identificação.
MÃE RITA ___Mãe Rita
(1836 – 1910), “mãe de santo”, sacerdotisa afro-brasileira mais
antiga de Porto Alegre de que se tem registro, contemporânea de Felizarda
Bronze. Para a foto abaixo a qual se apresentou para tirar com todos os
adereços que seu papel autorizava.
1884
ALFORRIA
Em 07 de setembro de 1884, em
sessão da Câmara, junto ao Centro Abolicionista cuja Ata teve o “Livro de Ouro”; celebravam a alforria “total” (aspas necessárias) dos escravos Negros
de Porto Alegre, quase 5 anos antes da Lei Áurea do Império
(1888).
CANDOMBE ___Na mesma noite, os atabaques do Campo
do Bom Fim repicaram com redobrado vigor (perto da Igreja do Bom Fim
onde, em 1884, ocorriam os principais
batuques da cidade). Também é de se imaginar que não faltou a recorrente
celebração da Mãe Rita e seu legendário candombe do antigo Campo da
Várzea, referido por Antônio Alvares Pereira Coruja (Antigalhas:
reminiscências de Porto Alegre. P. Alegre: Tipografia Jornal do Comércio, 1881,
p. 15) como “localizado na Várzea (…) no
terreno então baldio e depois ocupado pelas casas do Firme e Olaria do Juca”.
A datação do referido candombe tem sido apresentada (com divergências) como na
primeira metade do século XIX. Estima-se tal
datação entre 1820 e 1840, com base na suposição de que o professor Coruja
conheceu o local antes de se transferir para o Rio de Janeiro (1839).
1887
Pracinha
PAISAGISMO
Em 1887, iniciou-se o
ajardinamento da área, que pertencera a João Soares de Paiva, agora do
município, a área chamada de “pracinha” do Alto
da Bronze.
Século XX
República
Década 1910
1920
REMODELAÇÃO DA PRACINHA
Em 1920, a área do Largo do Alto da Bronze, passou por uma remodelação completa, visando “corrigir o nivelamento do terreno e minimizar a íngreme ladeira” onde se inseria.
1926
Jardim de Recreio ou Praça
JARDIM DE RECREIO
Em novembro de 1926, foi
instalado o primeiro “Jardim de Recreio”,
espaço destinado ao lazer e à recreação de crianças, jovens e adultos. A
idealização e efetivação deste projeto foi obra do professor Frederico
Guilherme Gaelzer que, durante o governo do intendente Dr. Octavio Rocha,
sensibilizou o poder público para a construção desses espaços, identificados
por ele como importantes para a mocidade como prevenção da delinquência e um
meio de qualificar a sociedade, num trabalho pioneiro na América Latina.
Década
1930
PRAÇA DE ESPORTES
Por volta de 1930, o Intendente
Otávio Rocha promoveu a reforma da praça, transformando-a em “praça de esportes”.
O Samba
A letra nostálgica homenageia a antiga
pracinha do Alto da Bronze
ALTO DA BRONZE
Pelos idos de 1930, já
conquistada a simpatia da vizinhança, o nome “Alto da
Bronze” acabou sendo imortalizado num “Samba”,
fruto da parceria entre duas figuras muito conhecidas da Porto Alegre daqueles
tempos: - na melodia e arranjo, o pianista e compositor Paulo Coelho, o “Gordo”; assinando a letra, um dos mais talentosos
artistas de sua época, Plauto de Azambuja Soares, o “Foquinha”, acadêmico de Direito, cronista de rádio e
jornal (repórter da Folha da Tarde), dublê de compositor e nascido na mesma
área.
1937
SAMBA LANÇADO
Em 19 de novembro de 1937, a
composição do “Samba Alto da Bronze” teria sido
lançada pelos cantores Alcides Gonçalves e Horacina Correa, em
diferentes horários da programação, na Rádio Farroupilha, de Porto
Alegre, alcançando tal sucesso que a incluiria no repertório do pianista cuja
orquestra se preparava para uma temporada pelos cafés e emissoras de Buenos
Aires (Argentina).
Nota: - Paulo Coelho, o “Gordo”, seria lembrado também pela vocação
endiabrada para pegadinhas, cujo alvo preferencial eram os colegas de
profissão. Ele próprio, aliás, crescera naquele pedaço de maroteza encravado
entre as Rua Duque de Caxias e Rua Fernando Machado, quase na
ponta do Gasômetro.
1938
SAMBA FAZ SUCESSO
Em 1938, a composição
agradou de tal forma aos porteños que acabou sendo gravada, quando da
inauguração da Rádio Municipal de Buenos Aires, pela RCA Victor
argentina, em disco de “78 rotações”, recebido
com grande festa em seu retorno ao Brasil. Tal, o único registro fonográfico da
Orquestra de Paulo Coelho. Gravação de "Alto
da Bronze", interpretada pela vocalista da orquestra, Horacina
Correa.
ORQUESTRA DE PAULO COELHO ___A orquestra do “Gordo”, quando da gravação apresentada, era
constituída pelos seguintes componentes:
Horacina Corrêa - Vocalista
Ernani Oliveira - Trompete
Marino dos Santos - Clarinete
Fritz Preuss - Sax Tenor
Waldemar Moura - Trombone
Antoninho Gonçalves - Cavaquinho
Paulo Coelho - Piano
Flávio Corrêa - Contrabaixo
Oscar Corrêa - Bateria
Juvenal e Walter Gonçalves – Percussão
Samba: Alto da
Bronze
Letra: Paulo Coelho e Plauto de Azambuja
Alto da Bronze
Cabeça quebrada
Praça querida,
Sempre lembrada
A Praça Onze da mulecada
Praça sem banco
Do rato branco
E do futebol
Da garotada
Endiabrada
Nas manhãs de sol
És a eterna lembrança
Do tempo feliz
Em que eu era criança
Do tempo em que a vida era
Da minha infância
A doce quimera
Hoje, eu pobre profano
Me lembro de ti
E dos meus desenganos
Oh! meu Alto da Bronze
Dos meus oito anos (…)
Horacina Corrêa:
EXPRESSÕES: - Rato Branco: - apelido dado aos guardas
municipais, em virtude das fardas brancas que envergavam, impecavelmente
brancas. Segundo; a qualquer travessura da molecada, ou mesmo brigas entre
grupos rivais, os “Ratos Brancos” apareciam sem aviso, como verdadeiros
ratos surgindo de suas tocas, marcando a constante presença da Lei. (conforme o
consultor Nelson Azambuja)
Samba de Artistas
PAULO COELHO - Iniciou sua carreira artística
aos 14 anos de idade, atuando como pianista na Confeitaria Central em
Porto Alegre, ajudando no sustento da família após o falecimento do pai, onde
ficaria até 1930, quando foi convidado pela Companhia
de Revistas Cândida Villa para realizar uma excursão à Argentina. Em Buenos
Aires fez sucesso apresentando-se em diferentes Rádios locais. Seguiu depois
para a cidade de Córdoba, onde acabaria se casando com uma argentina, que
faleceu logo depois do nascimento de seu primeiro filho, o que o fez retornar
ao Brasil. Em 1933, já de volta à Porto
Alegre, ingressou na Orquestra da Rádio Gaúcha, atuando no Café
Colombo, então o mais famoso da cidade. Em 1934
foi para o Rio de Janeiro e, em companhia do saxofonista Marino dos
Santos, passou a trabalhar no Cassino Atlântico, integrando a
orquestra de Romeu Silva, apontada na época como a mais famosa da
capital federal. Voltou desiludido à Porto Alegre, sem ter recebido nenhuma
remuneração por seu trabalho. Em 1935,
quando da fundação da Rádio Farroupilha, foi contratado por ela,
deixando a Rádio Gaúcha. Por essa época, dirigia também a orquestra do Café
Flórida. Atividade incansável que incluiu a sociedade em um bar nas
imediações da Ladeira com a Rua da Praia. O “rival de si mesmo” (título informal que recebeu da
imprensa, convicta da falta de concorrentes à altura) já era um dos nomes mais
bem pagos do rádio porto-alegrense quando não resistiu às complicações de saúde
agravadas pela tuberculose, na tarde de 21 de
setembro de 1941. Sua certidão de óbito indicava inacreditáveis 31 anos
de juventude.
PLAUTO DE AZAMBUJA - Plauto de Azambuja
Soares, companheiro de composição, muito pouco saboreou a repercussão de “Alto da Bronze” seu sucesso. Na ensolarada tarde de 5 de abril de 1938, em meio à cobertura dos testes
para um circuito automobilístico nas ruas do bairro Tristeza, o repórter
participante decidiu entrar em uma das baratas concorrentes. O veículo acabou
capotando em alta velocidade e a morte foi instantânea. Ele tinha apenas 23
anos. Seu colega Sadi Rafael Saadi (hoje nome de rua no Menino Deus)
ficou gravemente ferido, mas sobreviveu para prosseguir sua trajetória no
jornalismo policial.
HORACINA CORREA – INTERPRETE - Mulata nascida
no Rio Grande do Sul, Horacina Correa iniciou a carreira artística na década de 1930, inspirando-se em Carmen Miranda.
Contratada pelo empresário Walter Pinto foi uma das atrações do Theatro
Recreio. Realizou temporadas consecutivas em Buenos Aires, onde possuía
prestígio comparável ao de Carmen Miranda, nos Estados Unidos. A bela Horacina
Correa, que em outubro de 1936 se casara
com o ritmista Oscarino Correa em uma cerimônia transmitida ao vivo dos
estúdios da Rádio Farroupilha. Ao final da década
de 1940 mudou-se para São Paulo e Rio de Janeiro, onde gravou discos e
atuou no cinema. No Brasil, Horacina Corrêa gravou, entre 1945 e 1947,
três discos pela Continental. Participou, em 1951,
do LP de 10 polegadas que o maestro Fon-Fon gravou em Londres com
sua orquestra, nunca lançado no Brasil. Tempos depois, migrou para a Europa,
sendo hoje desconhecido o seu destino. O jornalista Flávio Alcaraz Gomes
afirmava tê-la visto como “artista cubana” em
uma boate de Roma, nos anos 1950. Outros
relatos sugerem que Horacina se radicou no Egito, como dona de um hotel
no Cairo. Não falta nem mesmo uma versão de que a intérprete de Alto da
Bronze teria morrido em um atentado terrorista.
Nota: - Horacina Correa gravou ainda, no
Brasil, mais dois LPs de 10 polegadas pela MUSIDISC, em 1955/1956, e outro “78
rotações” nessa mesma marca. Tempos depois, migrou para a Europa,
desaparecendo do cenário artístico.
1941
Era uma vez ...
O Deslumbre
NILZA LINCK E CARLOS EURICO GOMES
Em 1941, Nilza Linck, entre 17/ 18 anos, conheceu
Carlos Eurico Gomes, mas na data se apresentou a Nilza como ela
diz:
- ''Conheci o Carlos num sábado à tarde, quando caminhava com
minha prima na Rua da Praia. Estávamos olhando as vitrines quando o vi e
começamos a conversar. Eu tinha uns 17, e ele, uns 40. De início ele estava
interessado em namorar minha prima'', revelou.
MENTIRA DE CARLOS ___Por um bom tempo, ele se
apresentava como Luciano Lobato e dizia que era “solteiro”.
Eu não queria namorar, desejava apenas trabalhar, e foi aí que ele me conseguiu
um emprego na Prefeitura, revelou Nilza, que após longa insistência de Carlos
(Luciano Lobato), Nilza acabou cedendo ao romance.
___A mentira de homem solteirão só veio à tona mais
tarde, quando a prima viu o político veraneando com a família no balneário de
Imbé, no litoral Norte. ''Foi aí que fiquei sabendo
que eu não era a única'', afirmou Nilza.
A Amante do Político
___Em
pouco tempo, os dois viveram um intenso romance.
NILZA LINCK ___Nascida em 1922, Nilza nasceu e viveu com a
família durante dez anos no sobrado de estilo colonial português na área
central da cidade de Gravataí (local atual Museu Agostinho Martha), na
região metropolitana. Nilza era desquitada e carregava em seus
braços o pequeno filho, fruto de um relacionamento anterior.
1945
Carlos Eurico Juiz Ministro
CARLOS EURICO GOMES ___Com a ditadura do Estado Novo, em 07 de julho de 1939, foi publicado o Decreto n° 7.858, que extinguiu
todos os Tribunais de Contas do Brasil.
Em 24 de outubro de 1945, esta situação permaneceu, quando o
então Interventor Federal, General Ernesto Dornelles, articulou a
reativação da Instituição, pela necessidade urgente de controlar a
administração pública (Decreto Lei n° 947). Logo após, o governador Ernesto
Dornelles expediu os atos de nomeação dos sete Juízes da Corte de Contas: -
José Acioli Peixoto, Moisés Vellinho, Demétrio Mércio Xavier, Carlos Eurico Gomes, Camilo Teixeira Mércio, Guilhermino César e Antônio
Brochado da Rocha. Como Auditores, foram nomeados Francisco Juruena, Telmo Dias
Vergara, Mário Antunes da Cunha, Raul da Silva Gudolle e Álvaro de Magalhães;
e, como Procurador, Eurico de Souza Rodrigues.
PALACETE DO ALTO DA BRONZE ___As atividades foram retomadas no Palacete
do Alto da Bronze, na Rua Gal. Portinho, nº 426, esquina Rua
Duque de Caxias, em frente a Pracinha do Alto da Bronze, uma quadra
do “Castelinho” onde o Tribunal permaneceu por mais cinco anos (atua
Justiça Militar da União 1ª Auditoria). A nova Constituição Federal, promulgada
em 1946, ampliou as atribuições da Corte. A operacionalidade do
TCE- RS se estendeu às administrações municipais.
Nota: - Na sequência, em decorrência de uma
mudança total da política nacional, foi implantado o chamado "Governo dos Magistrados". Contudo, ficou assegurada a
existência do Tribunal de Contas, dando início, assim, a segunda fase de sua
história. Nessa etapa, a denominação "Juízes"
foi substituída por "Ministros" e, em 1970, por "Conselheiros". Nesta segunda fase, a tarefa inicial
do Corpo de Ministros e dos funcionários do Tribunal de Contas foi reestruturar
o Órgão. Durante três meses, o Tribunal de Contas se instalou no mesmo lugar
onde funcionara antes da sua extinção, ocupando algumas salas da antiga
Secretaria de Obras Públicas.
Traição Descoberta pela Esposa
___Carlos Eurico Gomes, médico e político
influente, era muito conhecido na sociedade. Foi nomeado ministro do Tribunal
de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, casado com Ruth Caldas, irmã
do proprietário do jornal Correio do Povo da capital.
___Tempos depois, a traição de Carlos Eurico foi
descoberta pela esposa Ruth e pediu o desquite. O romance foi um
escândalo na época.
Carlos Eurico Abandona a Esposa
___Carlos Eurico abandonou a primeira
mulher (Ruth Caldas) e suas três filhas para viver para viver a paixão com a gravataiense,
e foi morar com a jovem Nilza
Linck, 22
anos mais nova. Para a sociedade da época isso foi um escândalo, tanto
pelas traições como pelo desquite.
O Castelo à Princesa
___Não
bastando o amor que havia encontrado, Carlos Eurico mandou
construir no centro de Porto Alegre, um prédio com arquitetura medieval, ele
era apreciador de edificações medievais. Carlos Eurico teria sido dado o “Castelo” de presente a Nilza, sua “princesa”, para que os dois pudessem viver sob o mesmo
teto.
“Ele era apaixonado por
castelos. Dizia que eu era uma princesa e que deveria morar ali. As mobílias
eram bonitas e finas, todas escolhidas por ele. Eu achava bonito, mas não era
muito aficionada a castelos”, comentou Nilza em 2020 ao UOL Notícias.
1948
Castelinho do Alto da Bronze
Um pequeno Castelo de pedra resiste no
Centro Histórico de Porto Alegre. É quase impossível não parar, fotografar e
devanear sobre a edificação.
Em 1948, no pequeno e estreito lote no Alto
da Bronze, esquina da Rua Gen. Vasco Alves, e Rua Cel.
Fernando Machado, recebeu a construção
do prédio chamado de “Castelinho” em
estilo eclético, com inspiração medieval a pedido do político filiado ao PSD, Carlos Eurico Gomes,
o prédio foi construído em pedras. Solicitou e aprovou esta construção após
pesquisas de castelos do passado.
___ O bloco de pedra que ocupa toda a esquina, obra
executada em "pedras de granito" (paralelepípedo cinza), paredes mescladas
com torres e grades dentadas, portas e janelas em estilo gótico (tem
ínfimas janelas estreitas), que
diferencia a construção totalmente do seu redor, fazendo ter um estilo único.
___ O prédio internamente é pequeno e estreito, com
escadas estreitas, mas confortável. Possui um terraço igualmente diminuto, mas
com uma boa vista para a descida da Rua Vasco Alves.
___O prédio é conhecido por “Castelinho
do Alto da Bronze”, localizado na Rua Gal. Vasco Alves, nº 432,
entre a Rua Cel. Fernando Machado e Rua Demétrio Ribeiro, no Centro
Histórico de Porto Alegre.
Lar ou Garçoniere de Luxo
O PRÉDIO E SEU FATO CURIOSO___Além do prédio ser
um “lar ou uma garçoniere”, elementos reais de
um romance verdadeiro e táctil quanto a edificação desperta a curiosidade dos
passantes por este local do Alto da Bronze em Porto Alegre.
GARÇONIERE: - pequeno apartamento ou local para
momentos românticos, para viver de forma independente, ou, especificamente, um
espaço reservado para encontros amorosos e íntimos.
O Casal no Castelinho
MORADORES ___Na habitação moravam, além do casal, o bebê de 5 meses e mais duas
empregadas domésticas.
CONVÍVIO ___Nilza conviveu com Carlos Eurico no Castelinho entre
1948 a 1952, e logo percebeu que na verdade o
conto de fadas era um pesadelo, Nilza revelou que “nunca foi feliz ali dentro”. O ciúme de Carlos
se tornou cada vez mais frequente, ocasionando insultos e até mesmo ameaças de
morte contra a jovem. Conforme os relatos da época, o político se tornou um
homem frio e agressivo, desconfiado de que ela poderia estar envolvida com um
outro homem, mesmo que não saísse do “Castelo”, impedida por ele.
___Carlos era um homem frio e agressivo, a ponto
de colocar um revólver em sua cabeça, desconfiando que a moça o estava traindo.
"No meio da noite, ele
acordava do nada e gritava: 'diz ligeiro com o que tu estás sonhando'. Eu tremia, tinha muito medo. Ele olhava para baixo da cama,
procurando alguém, algum homem. Ele tinha ciúmes de mim até dormindo'',
relembrou.
A Prisioneira
VIGIADA___A vida da prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze era
limitada. Nilza saía somente acompanhada do marido (padrão para época).
Em encontros com correligionários em sua casa, Carlos chegava a esconder
porta-retratos com fotos de Nilza para que os companheiros não a vissem,
ela ficava no terceiro andar sem poder descer.
___
Nilza recorda que, certa vez, foi convidada pelo companheiro para
assistir a uma apresentação de artistas do Rio de Janeiro, no Cine Theatro
Coliseu (Rua Voluntários da Pátria). Comentou com Carlos que gostava
muito do cantor gaúcho Nelson Gonçalves, que estava ali presente.
- Reação de Carlos: uma forte pisada no pé de Nilza,
seguido de um ataque de ciúmes que quase virou tragédia quando Carlos Eurico,
na saída, tentou jogar o carro em direção ao lago Guaíba.
ENCARCERADA ___Nilza encarcerada via o mundo na maior parte dos dias apenas
pelas janelas estreita do Castelinho.
___Cansada
da vida de terror que levava como “fantasma no
castelo penumbroso”, Nilza
decidiu das um fim às diárias agressões psicológicas que vinha sofrendo.
A Fuga de Nilza
1952
NILZA – FILHO – EMPREGADAS
Em 1952, cansada da vida de terror que levava
como “fantasma no Castelo penumbroso”, Nilza decidiu das um fim às
diárias agressões psicológicas que vinha sofrendo, deixou o Castelinho com seu filho, de mão dada com as domésticas.
NILZA – ESCONDIDA___Escondeu-se em um apartamento alugado no
Centro, não muito distante do “Castelo”.
Carlos Acha Nilza
___Um dia Carlos apareceu no apartamento, pois ele
havia descoberto onde eu morava, e disse: “tu vais
voltar para mim! Tu juras em nome deste crucifixo (apontando para a parede) que
tu vais voltar?”
___E eu dizia: “eu não vou
voltar”.
___Ali ele me agrediu. Foi a primeira vez que me bateu.
Separação
___Após a separação de Nilza e Carlos Eurico,
ela conheceu outro homem, com quem se casou.
NILZA SENDO NILZA___Nilza passa o dia
ouvindo os boleros de Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Orlando
Silva, Altemar Dutra e Alcione. Apaixonada por cães e gatos, Nilza
Linck convive com seus animais de estimação sob os cuidados de sua filha, Fátima.
Nota: - Nilza ainda teria outro
relacionamento. Além do primeiro filho, adotou uma menina, Fátima.
Mais tarde ficou viúva, e desde então vivia com os filhos em
Porto Alegre.
CARLOS EURICO GOMES ___O médico casou-se com Nélida
Sempé. O casal viveu por alguns anos no já famoso Castelinho.
Termina o Sonho de Princesa
___A
história de Nilza Linck ressignificou para muitos o edifício que era –
até então – visto como “saído de um conto de
fadas”. Esta arquitetura
da opressão, representada ali, abriu debate para o papel doméstico das mulheres.
Nota: - Por isso, Nilza Linck é
conhecida como “Rapunzel” (a moça presa na torre do castelo) na
lenda urbana formada em torno de sua história.
___Para a cidade ela (Nilza) passou anos aprisionada — só
seu vulto aparecia à janela, vez ou outra.
CASTELINHO – ESTÓRIAS___''A história que
sempre ouvi é que aí morava uma mulher bonita que tinha um marido muito
ciumento. Foi ele que mandou construir o castelo para ela e depois a
aprisionou", conta a porto-alegrense Aida Clavér, 68 anos,
enquanto tirava fotos do castelo-ostentação.
___ Vizinho de frente ao castelo desde 1958, o contador aposentado Ronaldo Rodrigues,
73 anos, conhece o interior da fortaleza. "O
prédio é muito úmido, frio e tem pouca iluminação”, recordou. ''Meu pai de 105 anos vive aqui com a gente e falava sobre
isso."
Milhões de Mulheres
por todo o Mundo sofrem as agressões pensáveis e impensáveis, sendo até sua
morte, e neste nosso passado contemporâneo, esta independência “Feminina” era inaceitável, e até por outras mulheres;
o “machismo” e a misoginia era a regra.
Fim
DESTINO DA CANTORA HORACINA CORREA
Nos anos 1950, o
jornalista Flávio Alcaraz Gomes afirmava ter visto Horacina Correa
como “artista cubana” em uma boate de Roma
(Itália). Outros relatos sugerem que Horacina teria se radicado no
Egito, como dona de um hotel, no Cairo.
___A pior versão diz Horacina teria sido vitimada
num atentado terrorista.
CASTELINHO – VENDIDO ___Posteriormente, após a
morte do apaixonado Carlos Eurico Gomes o Castelinho ficou com
sua esposa Nélida.
Nota: - O Castelinho
do Alto da Bronze passou por muitas mãos e transformações.
1957
CARLOS EURICO GOMES – TCE
Em 26 de maio de 1957, sob a presidência de Carlos Eurico
Gomes, foi iniciada a construção da nova sede. Posteriormente, o Tribunal
de Contas do Estado do Rio Grande do Sul transferiu-se para a atual sede
própria.
CASTELINHO – BOATE IVANHOÉ ___No final da década de 1950, funcionou a casa noturna chamada “Ivanhoé”, do poeta, compositor e jornalista Ovídio
Chaves, falecido em 1978. A boate acabou
fechando por pressão da vizinhança, por causa do barulho.
___Além disso, o pequeno forte medieval foi:
- Sede do Clube das Chaves, um local com música ao
vivo, muito prestigiado por artistas e intelectuais como: - Mário Quintana,
Iberê Camargo, Nelson Gonçalves e Cecília Meireles;
- Virou “residência familiar”;
- Consultório Dentário;
- Espaço Cultural.
___Uma artista plástica vive atualmente (2020) no local,
segundo os atuais proprietários, que vivem ao lado do Castelinho.
1970
REFORMA DA PRAÇA
Em 1970, uma reforma
executada na Praça Gen. Osório (Pracinha do Alto da Bronze), deu-lhe o
aspecto atual e nela existem duas placas: - Alto da Bronze e General
Osório.
Praça Gal. Osório, Alto da Bronze
SAMBA ‘ALTO DA BRONZE’
Nota: - Anos mais tarde, as gaúchas Elis
Regina, Zilah Machado e Lourdes Rodrigues, apresentariam as
suas versões da homenagem musical ao “Alto da Bronze”.
Elis Regina:
https://youtu.be/9SAh90trIhg?si=BiJnKLp5rtyjvoF4
LEMBRANÇAS DO ALTO DA BRONZE ___Conforme Nelson Azambuja,
lembrava seu Pai do zelador Ângelo do Alto da Bronze (qual a pracinha
não tinha, então, o seu zelador), “homem muito
bom”. Lembrou mais, que
aos finais de tarde realizavam concursos de lutas, na areia colocada ao final
escorregador. E, como não poderia deixar de ser, infalivelmente ele vencia
sempre, fazendo jus ao prêmio, que era então (...) um PICOLÉ!
___Por
conhecer a melodia Alto da Bronze, acrescentou:
“Eu sou um grande admirador de Paulo Coelho e conheci
muito bem a vocalista Horacina Correia, era minha vizinha de rua e,
mesmo, de calçada”.
(Nelson
Azambuja - Consultor Independente na área de Planejamento e Gerenciamento
de Recursos Hídricos)
Década
1980
___Na década de 1980,
conforme contam, existia um “salão de beleza” no
andar de cima do Castelinho.
1993
O Livro
___Um castelo de pedras, um homem apaixonado e uma mulher
bonita: misture tudo e escreva uma história de amor. Parece fácil, não? - E até
poderia ser, se se tratasse unicamente de ficção.
Em 1993, é lançado o
romance-reportagem que imortalizou o caso Nilza e Eurico, escrito
por Juremir Machado da Silva "A
Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze", a partir do próprio
relato da prisioneira Nilza Linck.
Século
XXI
2004
CASTELINHO – RESTAURAÇÃO
Em 2004, o Castelinho,
embora pequeno, mas com seu charme, foi restaurado internamente pelo morador Celso.
CASTELINHO CULTURAL___O Castelinho,
também foi utilizado como espaço cultural, integrou expressões fotográficas,
teatrais e de artes plásticas em oficinas e ateliês, além de exposições de
artes, saraus literários e apresentações musicais e cênicas.
POEMITOS ___O Castelinho teve habitando
por Sandra Santos e Alexandre Brito também autores da série “Poemitos”. O espaço foi preenchido por muitas
crianças que ouviram atentas os autores na leitura de seus poemas, pintaram,
recortaram e jogaram, degustaram cachorros-quentes e de sobra ouviram
misteriosas histórias que acontecem no Castelo, ou será que são lendas
urbanas?
2006
CASTELINHO – ALTO DA BRONZE VENDIDO
Em 2006, os atuais
proprietários compraram o “Castelo” de
familiares de Nélida Sempé, viúva de Carlos Eurico Gomes, que
havia deixado a propriedade como herança.
CASTELINHO – OS NOVOS PROPRIETÁRIOS___O casal
que reside vizinho de parede do prédio, Rui Cláudio da Cunha Marques, 73
anos, e a esposa Neila Marques, 63 anos, contam que compraram o imóvel,
apesar da fama do lugar, o casal garante que não se arrependeu.
''Compramos com a intenção de
integrar o prédio com a casa, já que nossos filhos eram pequenos, então virou
um verdadeiro parque de diversões'', afirmou Neila. ''Imagina se alguém comprasse esse Castelo e transformasse
numa cafeteria, ou numa boate, daí tu não dormes mais à noite. Na verdade, nós
compramos a nossa tranquilidade'', acrescentou Rui.
2009
NILZA – RETORNO A GRAVATAÍ
Em 2009, durante a
reinauguração do Museu Municipal no sobrado no qual Nilza Linck morou,
ela veio a cidade de Gravataí quando soube por meio de jornais que o local em
que viveu havia sido restaurado.
NILZA – RETORNO AO CASTELINHO
Em 2009, Nilza
Linck, aos 86 anos visitou o Castelinho do Alto da Bronze,
acompanhada de uma equipe do jornal Zero Hora.
LÍTERA – CLIP
Em 2009, é encontrada uma gravação, considerada
uma relíquia escondida. Depois de encontrar o clipe inédito de “Dois”, Rodrigo vasculhou
mais arquivos antigos e localizou mais um tesouro esquecido: - clipe nunca
lançado de “Lá Se Foi” gravado em 2009.
LÍTERA NO CASTELINHO ___Como cenário, o Castelinho do Alto da Bronze,
em Porto Alegre — um dos lugares mais emblemáticos da cidade. Um casarão
histórico, cheio de charme e mistério, que faz parte do imaginário da capital
gaúcha com suas lendas, memórias e presença marcante na paisagem urbana.
___Esse
clipe foi mais uma das experiências que vivemos nos nossos primeiros anos,
cheios de coragem e poucos recursos, tentando fazer arte com o que tínhamos.
Por motivos da vida (e da correria de quem está começando), o material acabou
nunca sendo lançado e se perdeu no tempo.
___Hoje
reaparece — acreditamos que seja o único clipe já gravado no Castelinho
do Alto da Bronze. — Assista com olhos atentos, porque o passado ainda
tem muito a contar.
Música: Lá Se Foi
Artista: Lítera
Composição: André Hernandez e Thiago Marques
Álbum: Um Pouco de Cada Dia (2009)
VISITA PERMITIDA
Em 30 de março de 2009, nesse dia foi a primeira vez que os
proprietários permitiram visitas no interior do Castelo, após algum
tempo.
2011
RESGATE DA PRAÇA GAL. OSÓRIO
Em 05 de outubro de 2011, a
atual direção da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim de Praça
Pica-Pau Amarelo assumiu a instituição, em 2008,
começou um movimento de resgate da Praça General Osório (antigo Largo
Alto da Bronze). "A praça estava abandonada”,
conta a diretora da escola, Denise Ayala, que recebeu o projeto Caravana
das Boas Práticas Pedagógicas, da Câmara Municipal
de Porto Alegre, cujo objetivo é homenagear o
trabalho e a dedicação dos professores das redes de
ensino público da Capital. A visita da Câmara é um prazer e muito importante para dar visibilidade à nossa comunidade, comemorou. Segundo Denise, o resgate
da praça foi o objetivo central do “Projeto Alto da
Bronze A Praça
é Nossa”,
desenvolvido desde 2008. A
praça não tinha iluminação, estava pichada, sem pintura, e a escola estava fechada,
relembrou. A ideia foi buscar, junto à cidade de
Porto Alegre, a valorização desse espaço
educacional, histórico, cultural e de lazer. Denise
disse que o Alto da Bronze é, para os
porto-alegrenses moradores do Centro, uma referência
histórica e afetiva. Muitos passaram a infância e a
juventude entre as árvores e seus pica-paus. A diretora
contou que, todos os anos, nos meses de abril e setembro, realizam o plantio de
ervas medicinais, temperos e flores, tanto na praça quanto na escola. Pintar os
muros da praça que, seguidamente, são pichados, também é rotina. Além disso,
existe a cancha de esportes, usada inclusive pela comunidade, e são feitos
diversos eventos culturais. Aqui parece uma cidade do interior. A nossa escola é o coração da praça. E já estamos na terceira geração que
frequenta a Pica-pau Amarelo.
___Outra prática pedagógica de sucesso da Pica-pau
Amarelo é o projeto Dançando no Jardim.
A professora voluntária Ângela
Rodrigues, em parceria com os pais, dá aula de
dança de diferentes estilos para os alunos e
alunas de 3 a 5 anos de idade. A finalidade é
desenvolver as diferentes linguagens para essas faixas etárias. E há turmas específicas
para os adultos da comunidade que quiserem,
acrescentou Denise. A leitura também é estimulada. Em todas as
sextas-feiras, os alunos levam livros para ler em casa no final de semana, em
sacolas de material reciclado produzidas por eles mesmos.
JARDIM DE PRAÇA ___ Única escola infantil no
Centro Histórico e arredores, a Pica-Pau Amarelo foi fundada em 1926, no governo do Intendente Otávio Rocha.
Foi o primeiro “Jardim de Praça” de Porto
Alegre. Na data, atende a 75 crianças com idades entre 3 e 5 anos e 11
meses, nos turnos da manhã (das 8h às 12h) e tarde (das 13h às 17h30min). Mas
sua capacidade é para 86 crianças. São quatro turmas, entre maternal e
jardim. Em seu quadro existem dois funcionários terceirizados, três
professores, um estagiário, além da diretora. E um desejo da comunidade escolar
é que o nome passe a ser Emei Jardim de Praça Alto da Bronze.
___A presidente da Câmara, vereadora Sofia Cavedon (PT), ficou encantada com a Pica-Pau Amarelo. É muito gratificante ver as iniciativas que as escolas fazem para manter a qualidade da educação. E aqui se nota que o pedagógico vem empurrando paredes, disse, ressaltando a necessidade de expansão da escola. Eles precisam de um espaço maior para suas atividades, e a Câmara pretende buscar, junto à Secretaria Municipal de Educação (SMED), caminhos para que essa demanda seja conquistada. Quanto à mudança de nome, Sofia instruiu a direção a conseguir um abaixo-assinado com pais e moradores do entorno. A partir dessa mobilização, podemos encaminhar um projeto para mudar o nome da instituição.
Castelinho da Rua Apa – VERSÃO PAULISTA
Em 17 de abril de 2011,
o CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural
e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou, a mudança na regra de tombamento
do Castelinho da Rua Apa, na região central de São Paulo,
permitindo o restauro do prédio. O conselho exigiu apenas que seja encaminhado
um projeto-executivo da obra. A proposta que estava em análise pedia a
construção de um prédio anexo com mais de 5 metros e o restauro do edifício
quase em ruínas. Segundo o arquiteto Paulo Bastos, essa edícula que
ficaria maior não tem valor histórico e as mudanças não atrapalhariam a visão
do bem tombado. O aumento permitirá que a ONG Clube de Mães do Brasil,
instalada no local, tenha uma estrutura melhor para desenvolver suas atividades
de profissionalização de pessoas de baixa renda, com espaço para oferecer
refeições, oficinas e realizar a exposição dos matérias produzidos durante os
cursos. Enquanto a obra não acontece, para evitar que a construção não se
deteriore ainda mais, foram colocadas lonas no teto do prédio para protegê-lo
da chuva.
HISTÓRIA DO CASTELINHO – PAULISTA ___Localizado na esquina com a Avenida São João, no centro de
São Paulo, o Castelinho foi palco de um dos crimes mais misteriosos já
vistos na história policial da cidade. A construção, uma cópia de um castelo
medieval, era da rica Família Reis.
Em 12 de abril de 1937, uma
empregada encontrou os corpos dos advogados Álvaro e Armando Cézar
e da mãe deles, Maria Cândida, com marcas de tiros.
VERSÕES ___As investigações à época foram contraditórias
– uma versão dava conta de que era Álvaro o autor dos crimes, em outra
era Armando Cézar – e, até hoje, não se sabe ao certo quem fez os
disparos.
2018
CAMINHADA CULTURAL
Desde 2018, acontece a
“Caminhada Cultural da Porto Alegre Mal Assombrada”,
acontece 2 vezes por mês.
2021
NILZA LINCK MORRE
Em 15 de julho de 2021,
na manhã de quinta-feira, conforme o jornal Giro de Gravataí, em
reportagem especial, morre a gravataiense Nilza Linck, aos 98 anos,
na capital Porto Alegre. Internada na segunda-feira (12) em razão de uma parada
cardiorrespiratória, que vivia na zona Norte de Porto Alegre no bairro São
João, próximo ao Centro.
___A historiadora Maria Inês Guilloux Leal,
lamentou a morte da amiga em uma rede social. Segundo ela, Nilza era uma
mulher à frente do seu tempo.
2025
ÓPERA PRISIONEIRA DO ALTO DA BRONZE
Em 29 de outubro de 2025, conforme
Darlene Silveira (Reg. Prof. 6478) Assessoria de Imprensa da Presidência
da Orquestra da Ulbra e Cia Ópera Brasil estreiam ópera inédita
baseada na história da “Prisioneira do Alto da Bronze”.
___A Cia Ópera Brasil e a Orquestra de Câmara
da Ulbra apresentam a estreia mundial da ópera inédita “A Prisioneira do Alto da Bronze”, baseada na
história real de Nilza Linck (1923–2021). A obra, cantada em português,
tem libreto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano. A
montagem reúne solistas, coro e a Orquestra de Câmara da Ulbra, sob
regência de Tiago Flores e direção cênica de Henrique Cambraia.
As apresentações serão nos dias 25 e 26 de novembro de 2025, às 20h, na Associação
Leopoldina Juvenil (Marquês do Herval, 280), em Porto Alegre.
- Ambientada na Porto Alegre dos anos 1950, a ópera em
dois atos narra a história de Elsa Laufer (interpretada por Yasmini
Vargaz), mulher livre e sonhadora, que vive reclusa após envolver-se com José
Alfredo (Daniel Germano), político influente e casado, que a seduz com
promessas de amor e casamento jamais cumpridas. A esposa dele, Rosa Cardoso
(Deizi Nascimento), enfrenta o escândalo e a humilhação pública, enquanto Elsa
se vê aprisionada entre o desejo, a esperança e a solidão. É o retrato musical
de uma mulher que transforma a dor em voz e a desilusão em libertação.
“A estreia de uma ópera é um
marco significativo. Antigamente, quando uma nova ópera era anunciada, gerava
grande expectativa e mobilização na sociedade. Era um evento que reunia
artistas, intelectuais e o público em torno de uma obra que refletia os sentimentos
e as questões do seu tempo. Hoje, ao apresentar A Prisioneira do Alto da
Bronze, estamos não apenas dando voz a uma história que faz parte da memória e
do imaginário de Porto Alegre, mas também resgatando essa tradição de
celebração e reflexão coletiva através da música.”, comenta o maestro Tiago
Flores.
A PRISIONEIRA DO ALTO DA BRONZE ___Ópera em dois
atos com libreto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano
Direção Artística: Yasmini Vargaz | Regência: Tiago
Flores
Direção cênica: Henrique Cambraia | Figurino: Daniel Lion
Elenco: Yasmini Vargas (soprano), Daniel Germano
(Baixo-barítono), Deizi Nascimento (soprano)
Dias: 25 e 26 de novembro de 2025
Horário: 20h
Local: Associação Leopoldina Juvenil – Rua Marquês do
Herval, 280, Porto Alegre
Ingressos: Sympla
R$ 100,00 (inteira) | R$ 55,00 (solidário + 1 kg de
alimento) | R$ 50,00 (meia-entrada) Dona Flor Comunicação
Raphaela Donaduce Flores/ jornalista
raphaela@donaflorcomunicacao.com.br/ 51 999757282
Galeria – Castelinho Alto da Bronze
CASTELINHO – FACHADA EXTERNA
CASTELINHO – ÁREAS INTERNA
Referências:
- Arnoldo Doberstein, professor e estudioso da história
de Porto Alegre
- Da Silva, Juremir Machado, "A Prisioneira do
Castelinho do Alto da Bronze", Artes & Ofícios, 1993
- Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto
Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal,
1988
- Pereira, Antônio Álvares, o Coruja, Antigalhas:
reminiscências de Porto Alegre. P. Alegre: Tipografia Jornal do Comércio, 1881
- Viva o Centro, Prefeitura de Porto Alegre
- ArquivoPOA - A Memória de Porto Alegre - ArquivoPOA –
JonasRS
https://arquivopoa.blogspot.com/2009/03/castelinho-do-alto-da-bronze.html
- Meio Norte, Meio News, 23/11/2020, Castelinho de Alto
da Bronze | Imagem: Luciano Nagel
- Secretaria Municipal do Meio Ambiente
- Porto Alegre, 1884-87: Alforrias, ajardinamentos e a
persistente memória de Mãe Rita e Zeferina Bronze, por Arnoldo Walter
Doberstein
- Castelinho do Alto da Bronze em Porto Alegre/RS |
Centros Culturais hagah. hagah.
- ClicRBS: Lenda urbana: a prisioneira do Castelo do Alto
da Bronze mais de meio século depois (26/08/2009)
- Lenda urbana: a prisioneira do Castelo do Alto da
Bronze mais de meio século depois/ Donna. GZH. 26 de agosto de 2009.
Fatos, Lendas e Mitos: A Prisioneira do Castelinho do
Alto da Bronze
- A prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze - AABB
Porto Alegre, www.aabbportoalegre.com.br.
- Castelinho do Alto da Bronze - Centros Culturais
- Estante Virtual - A Prisioneira do Castelinho do Alto
da Bronze
- Jornal Correio do Povo
- Jornal A Federação
- Jornal Zero Hora
- Jornal do Commércio
- Canal UOL News
- Morre aos 98 anos Nilza Linck, a gravataiense que foi a
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15 de julho de 2021/ Especial







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