Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

jpmcomenta@gmail.com






segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esquina Inglesa


Serviço à inglesa

- A expressão “esquina inglesa”, uma das versões, se refere ao prédio do Chalé da Praça XV, construção de 1874, em estilo romântico normando e traços “art-noveau”, feita com estrutura de ferro e aço desmontável de “origem inglesa”.

Chá Inglês - Chalé da Praça XV - 1915

A famosa esquina inglesa, com a Praça XV ainda cercada ao estilo europeu, vê-se ao lado o edifício Malakoff

- A localização da “esquina inglesa” estava centrada entre a Praça XV de Novembro de frente com Mercado Público e ao lado do antigo edifício Malakoff, no antigo Largo do Paraizo.


Esquina inglesa vista do alto - década 1930

- A estrutura do chalé foi adquirida na Feira Internacional de Buenos Aires, em 1915, veio desmontado até o porto de Porto Alegre, direto da Argentina, por ser considerado argentino não era muito aceito, o então prédio era chamado de Chá Inglês.

Esquina inglesa, em frente ao Mercado Público, no antigo Largo do Paraízo - década 1960

- O “Chá Inglês” substituiu o chalé antigo em madeira de refrescos e sanduíches instalado na Praça Paraizo (Praça XV), desde o início do século XIX.

Antigo Chalé da Praça Paraizo, atual Praça XV de Novembro 

Praias de Porto Alegre



Balneários do Guaíba
A Nossa Praia

Veraneio em Porto Alegre
Orla do Guaíba
Até a década de 1970 foi o auge como:
Rio de Janeiro,
Baixada Santista ou
Florianópolis

Praia - do grego plágia, pelo latim tardio plagĭa

- Uma praia é uma formação geológica composta por partículas soltas de rocha tais como areia, cascalho, seixo ou calhaus ao longo da margem de um corpo de água, ou seja, uma costa, quer do mar, de um rio ou de um lago.

E mais: - Com paisagens de natureza exuberante.

- Ao longo da orla de 72 quilômetros de extensão do Lago Guaíba é possível vislumbrar as ilhas e uma cadeia de morros que faz um recorte ondulado no horizonte.
Às margens do Lago, em bairros da Zona Sul da Capital ou nas ilhas do Parque Delta do Jacuí, ou da orla sul, dá para refrescar o corpo e descansar os olhos e a mente nas águas calmas do Guaíba.

A prática de esportes náuticos é uma constante no Guaíba, assim como, o transporte de carga, bem sinalizado junto ao canal central.

As praias de areia grossa oferecem sombra, tranqüilidade, segurança e águas próprias para o banho. Para quem fica na cidade durante os meses de calor escaldante do verão gaúcho, os locais são espaço de lazer para acomodar toda Família.
E não dá para esquecer o famoso pôr-do-sol de Porto Alegre que ganha um encanto ainda maior às margens do Lago, por onde navegam navios, veleiros e barcos de passeio.

Nos balneários de Belém Novo e Lamí, as águas são calmas e sem buracos, a segurança é outra vantagem dos locais.
Nas duas praias durante a Operação Golfinho da Brigada Militar está presente com salva-vidas diariamente das 8h30min às 19h30min.

Porto Alegre é um caso particular de capital situada as margens de um grande sistema estuarino, onde processos tanto continentais como marinhos desempenham papeis as vezes conflitantes. Sendo assim uma região que merece tratamento especial.

Quem disse que praia apenas combina com o calor? - Aproveite os primeiros raios solares aquecidos do ano: passeie pelas areias fluviais e faça um piquenique com vista para as águas do rio. E, agora que os dias começam a ficar maiores, tem também mais tempo para fazer as caminhadas depois do seu trabalho. Saia de casa, a natureza chama por si.

Praias Fluviais

- As praias fluviais sofrem a influências das cheias dos rios e dos sedimentos trazidos por eles. Estas praias podem desaparecer durante as cheias. Já na época da estiagem podem se tornar bem extensas.

Uso Humano

- Para além de particularmente adequadas para certas práticas piscatórias, as praias são local de eleição para atividades recreativas relacionadas a banhos e sol à natação, devido à facilidade e risco relativamente baixo de acesso, sendo geralmente locais de grande importância turística.

Esta utilização pode dar-se tanto ao longo de todo o ano como concentrada numa época.


A Autoridade Nacional da Água, tem por missão propor, acompanhar e assegurar a execução da política nacional no domínio dos recursos hídricos de forma a assegurar a sua gestão sustentável, bem como garantir a efetiva aplicação da Lei da Água

Águas próprias para o banho

Conforme relatório divulgado em janeiro de 2009 pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) e realizado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), todos os pontos das praias do Lamí e Belém Novo estão próprios para banho.

O conceito de balneabilidade está definido na resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). A legislação considera a água própria para banho quando, no conjunto das cinco últimas amostras coletadas, apenas uma delas apresentar mais de 800 coliformes fecais por cem mililitros.

Praias da Orla do Guaíba, junto ao Distrito de Pedras Brancas

Praia do Conde, antiga Pedras Brancas, Distrito de Porto Alegre até 1926 (atual cidade de Guaíba).

Praia de Pedras Brancas, antiga Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba).

Praia da Alegria, antiga Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba).

  Praias da Orla do Guaíba, junto a Porto Alegre, situação em 2013.

Praias do Delta do Jacuí (Junto ao Parque), Poluído e Buracos

Praia do Humaitá (na foz do Rio Gravataí), Poluído e Buracos

Praia das Pontas das Pedras (junto a antiga praça da Harmonia), não mais existe, aterrada pelo porto.

Praia da Ponta da Cadeia, antiga Ponta do Arsenal (junto a Usina do Gasômetro do lado direito), Poluído e Buracos

Praia do Gasômetro, conhecida como Prainha (junto à antiga usina do lado esquerdo), Poluído e Buracos

Praia do Riacho (junto à antiga foz do antigo Riacho), Poluído e Buracos

Praia Pôr do Sol (junto ao palco Pôr do Sol), Poluído e Buracos

Praia de Belas (junto ao Parque da Marinha do Brasil), Poluído e Buracos

Praia do Padre Cacique (junto ao Morro Santa Teresa), Poluído e Buracos

Praia da Ponta do Mello (junto ao Museu Iberê Camargo), Poluído e Buracos

Praia do Cristal (junto ao Morro do Cristal na Avenida Diário de Notícias), Poluído e Buracos

Praia da Ponta do Dionysio (do Clube Regatas Guaíba/POA à Villa Guayba), Poluído e Buracos
- Antigo Porto natural desde o primeiro sesmeiro Dionísio Mendes, junto ao maciço, teve suas praias e enseadas para descarte de lixo, esgoto, e depois explorada como pedreira para a construção principalmente do Cais Mauá. 
Junto ao maciço e a pedreira ficava a Prainha, atualmente (2012) tomada pela Vila Villa Guayba (antiga Vila dos Pescadores).

Praia da Assunção (junto a Villa Assunção), Poluído
- Balneário para as famílias abastadas do final do século XIX e início do XX, onde construíram suas chácaras ou casas de veraneio para usufruir da brisa leve do Guaíba, fugindo do verão quente do Centro da cidade.

Praia da Tristeza, Poluído
- Neste balneário existia a estação Tristeza do trem Riacho/Tristeza para as famílias abastadas aqui chegarem no final do século XIX e início do XX, região de chácaras e casas de veraneio, com seu famoso Clube Jocotó, dos grandes bailes de carnaval e festas movimentadas.

Praia da Ponta dos Cachimbos, Poluído

Praia da Pedra Redonda, Poluído
- Balneário de chácaras e casa de veraneio, ponto final do antigo trem Riacho/Tristeza, até um cassino foi construído para a alegria de seus freqüentadores.

Praia do Sabiá, Poluído

Praia de Ipanema, Poluído
- Com 1.200 metros de extensão, Ipanema é a praia mais popular da cidade, com águas tranqüilas, suas casas de veraneio, sua exuberância em vegetação de Mata Atlântica, sucesso entre as décadas de 1950 e 70, suas águas começaram a perder a balneabilidade na década 1970, o “point” da cidade aos sábados e domingos.
O passeio no calçadão ali estruturado, com a escultura em azulejos “Para Namorar ao Pôr-do-Sol” da artista Maria Tomaseli ou até os “Arcos” onde os visitantes contemplarão o pôr-do-sol por um ângulo privilegiado.
O bom papo o chimarrão, a circulação de pessoas de todas as tribos e intensa e corrente. O bom é aproveitar os bares e restaurantes, junto a Avenida Guaíba de frente para o belo visual do rio Guaíba.
Não se pode esquecer o belo pôr do sol que só Porto Alegre e o Guaíba proporcionam.

Praia do Espírito Santo, Poluído

Praia do Guarujá, Poluído

Praia da Serraria, Poluído

Praia da Ponta Grossa, Poluído
- No morro da Ponta Grossa, região de chácaras de moradia e veraneio, com suas belas praias e enseadas junto às pedras.

Praia do Veludo, Própria ao banho

Praia do Leblon, Própria ao banho

Praia do Belém Novo, Própria ao banho
- No balneário de Belém Novo, na Ponta do Arado, há mais de 20 km do centro de Porto Alegre, também tem praia na margem do rio própria para banho. Com uma população de 14 mil habitantes em toda sua extensão geográfica, além da praia de rio, Belém Novo já está preparado para oferecer aos visitantes serviços públicos básicos como: agências bancárias, lotéricas, farmácias, restaurantes, clínicas médicas, supermercados, delegacia de policia e posto da Brigada Militar.

Salva-Vidas - Praia de Belém Novo
Posto 1 (Leblon) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 2 (próximo ao antigo Restaurante Poletto) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 3 (Veludo) - águas PRÓPRIAS para banho.

Praia da Ponta dos Coatis, Própria ao banho

Praia das Garças, Própria ao banho

Praia da Ponta do Cego, Própria ao banho

Praia do Lamí, Própria ao banho
- No balneário do Lamí, de água doce no extremo sul de Porto Alegre, a Praia do Lamí tem extensão aproximada de 1.500 metros e fica na margem esquerda do Lago Guaíba. A população residente de pouco mais de três mil pessoas, chega a dobrar no período mais quente do ano.
No Bairro do Lamí, distante aproximadamente 39 km do centro de Porto Alegre
Para pessoas que gostam de descanso e paz é aconselhável ir no sábado ou durante a semana. Os "foliões" de fim de semana devem ir no domingo, quando o fluxo de pessoas é maior.
Churrascada sob as sombras das árvores que margeiam o lago Guaíba, possui espaço para a prática de esportes, muita música popular, bate-papos e reuniões familiares, todas as tribos se reúnem na praia.
Muvuca da boa!

Salva-Vidas - Praia do Lamí
Posto 1 (extremo sul) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 2 (em frente à Rua Luis Feula) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 3 (em frente à Rua José Bernardes) - águas PRÓPRIAS para banho.
Posto 4 - águas PRÓPRIAS para banho.

Para a praia prefira o Verão, mas no Inverno no frio dos pampas com visitas guiadas, prestigie a Reserva Biológica do Lamí.

Tendo disposição pode ir de ônibus partindo da Av. Salgado Filho, Centro de Porto Alegre.
Operada pelo Consórcio STS e Lotação
Para o Balneário de Ipanema
- Linha Serraria
- Linha Ponta Grossa
- Lotação Guarujá

Para o Balneário da Ponta Grossa
- Linha Ponta Grossa

Partindo da Av. Borges de Medeiros, Centro de Porto Alegre.
Para o Balneário de Belém Novo
- Linha Belém Novo
- Linha Lamí
- Linha Lamí Direta

Para o Balneário do Lamí e Praia das Garças
- Linha Lamí
- Linha Lamí Direta

Programa Guaíba Vive

Mas a nova cara da praia é resultado de um longo trabalho de reurbanização da orla e de recuperação da água. Dentro do projeto Guaíba Vive da Secretaria Municipal do Meio Ambientes foram priorizados, ações como a instalação de vestiários, quiosques com churrasqueiras, além da higienização das áreas de praia, permitindo sua utilização em atividades de lazer e recreação.

Também foram realizadas obras de saneamento nos bairros de Belém Novo e Lamí da Zona Sul, com implantação do sistema de tratamento e abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos. Permanentemente são realizados monitoramento da qualidade da água a fim de verificar as condições de balneabilidade, especialmente nos períodos de Verão.

Curta os Balneários e Praias de Porto Alegre

Avenida Guaíba
A Avenida Guaíba, é uma extensa avenida projetada de Porto Alegre, mas fragmentada devido aos obstáculos naturais ou construções irregulares.
Tem seu traçado junto à orla do Lago Guaíba em direção a Zona Sul de Porto Alegre.
Inicia junto a rótula da Avenida Diário de Notícias e o Iate Clube Guaíba, e termina na Avenida Copacabana, junto a casa de José Assunção, na Assunção, inicia novamente junto a Rua (...) e termina 100 mts depois, na Pedra Redonda, inicia junto a Rua (...) em Ipanema e termina na rua (...) na Serraria, segue junto ao Residencial Di Primo Becker, inicia junto a Rua (...) e termina na Rua (...), em Belém Novo.

Navegação, aguateiros, lavadeiras, trapiches, atracadouros, balneário, capitação de água potável e descarte das águas servidas, sempre fizeram parte do diário do Guaíba, no passado com mais ênfase, mas hoje em dia muitas destas ainda são desempenhadas.

Algumas praias desapareceram e outras foram criadas pelos vários aterros feitos junto a orla de Porto Alegre da várzea do Rio Gravataí a Ponta do Dionísio na Vila Assunção.

Praias que não mais existem:

Praia da Alfândega
- Foi a primeira praia da cidade, no porto natural no século XVIII.

Praia do Arsenal
Em frente ao arsenal de guerra ao lado da futura igreja das Dores, desde o início da colonização da cidade, local de banho e retirada de água para beber.

Praia da Ponta das Pedras
- Era localizada no final da Rua da Praia, com muitas pedras no fundo, era a alegria da gurizada nos séculos XVIII e início do XIX.

Ribeira
- Entre o atual Mercado Público, Praça Parobé e Praça Rui Barbosa.

Praia do Riacho
- Esta Praia ficava junto a foz do Riacho (Arroio Dilúvio), muito suja, pelo esgoto, criações, e gado de passagem por suas margens, era coberta a margem por grande quantidade de salseiros.

Praia do Caminho Novo
- Ficava junto a atual Rua Voluntários da Pátria, tinha uma linha de salgueiros no lado das águas e uma sebe de mimosácea espinhosa do outro, a orla bordado de lindas chácaras, de jardins aparatosos. Abundante em flores e frutos, cujos aromas misturados a atmosfera suavizavam o olfato e despertam o apetite. Nestas margens ficava o belo sobrado do governador Dom Diogo de Sousa.

Praia de Belas
- Extensa praia que seguia a orla no Caminho de Belas, no final do século XIX, junto ao arraial do Menino Deus, Nestas margens foram construídos o famoso Solar da Baronesa do Gravatay, incendiado em 1888 e o prédio do Pão dos Pobres, serviu de passagem para a Estrada de Ferro Riacho/Tristeza.

Praia da Santa Teresa
- Entre 1845-1848, foram abertos os eixos de formação do Arraial do Menino Deus (primeiro bairro de Porto Alegre), caminhos entre as chácaras existentes. O único que tinha nome até meados do século XIX.
Esses caminhos que mais tarde se transformaram nas Ruas Treze de Maio (Getulio de Vargas) e Rua Caxias (José de Alencar), davam acesso às bucólicas praias do Guaíba, primeira Estação de Veraneio dos porto-alegrenses.

 Praia do Cristal
- Esta praia existia antes do aterro ali construído, onde hoje está localizado o Hipódromo do Cristal, local de chácaras e estâncias.


O Guaíba no Horizonte da Cidade

Zona Sul de Porto Alegre
Caminho Rumo as Praias 

Via Avenida Borges de Medeiros, ligação do Centro com a Zona Sul da cidade.

Avenida Borges de Medeiros - década 1970

Praia de Belas
No século XIX e início do XX era possível banhar-se junto às margens do Guaíba, desde a Ponta da Cadeia até a Ponta do Mello, depois com a instalação do trem junto a margem, era só atravessar os trilhos e ir para a praia.

Praia de Belas e as lavadeiras - 1910

Praia de Belas e o trilho do trem - 1910


Trem passando na orla da Praia de Belas - 1899

Praia da Assunção
Para fugir do calor do centro de Porto Alegre, foram construídas as primeira casas de verão no começo do século XX na Zona Sul da cidade, no local conhecido como Ponta do Dionísio, Villa Assunção.

Vila Assunção e o horizonte para a cidade capital, hoje próximo

Antes da Ponte do Guaíba, era da Assunção a travessia por barca até a outra margem no município de Guaíba, para se dirigir ao sul do Estado.

Estação de Balças junto ao Daer na Avenida Guaíba.

Algumas maravilhosas casas de veraneio da Villa Assunção:








Praia da Pedra Redonda
Por ser, na época, a melhor praia do Guaíba, a Pedra Redonda atraía muitos turistas, o que levou à construção das famosas vivendas para veraneio.

Final do século XIX

Conforme o historiador Roberto Pellin, “… a novidade da época era fazer um lindo passeio fluvial pelos vapores Guaporé ou Bubi e atracar no trapiche da Pedra Redonda”.


A Pedra Redonda - desde a Ponta dos Cachimbos, na Vila Conceição, até o Morro do Sabiá, em Ipanema - foi adquirida em 1903 por Frederico Guilherme Bier, um rico comerciante de Porto Alegre. Fundador do Banco Pfeiffer, foi também um dos grandes acionistas dos Bancos da Província e Nacional do Comércio. Seu Frederico fazia parte de uma burguesia ascendente que residia em Ipanema no início do século XIX, e, por isso, ficara com os melhores terrenos da região.
Por ser, na época, a melhor praia do Guaíba, a Pedra Redonda, atraía muitos turistas, o que levou à construção das famosas vivendas para veraneio. O local teve seu auge nos anos 1920 e 1930 com o advento do trem que chegava trazendo banhistas até a beira da praia, onde hoje está a Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (SERGS).
Com direito a hotel, restaurante e cassino, a praia se desenvolveu, tornando-se o point mais concorrido da cidade. Um trapiche foi construído em frente ao hotel de propriedade de Lotário Papis, um fabricante de roupas e gravatas e com o trem, uma linha de vapor também fazia a viagem até a Pedra Redonda, nos domingos e feriados.
A região se tornou zona de veraneio muito antes de Ipanema. Tempos mais tarde, continuou sendo o local preferido para descanso e lazer, pois eram as praias da Tristeza, de Ipanema e da Pedra Redonda, as preferidas pela população. Muitos porto-alegrenses para lá se dirigiam a fim de curtir os banhos no Guaíba e fazer piqueniques às sombras de figueiras centenárias.
Os jovens, especialmente, apreciavam namorar, passear e colher pitangas, entre um banho e outro. Com o calor escaldante de janeiro e fevereiro, os veranistas podiam se refrescar nas águas do Guaíba e usufruir a brisa agradável vinda da Lagoa dos Patos.


A alegria era contagiante durante os veraneios na Pedra Redonda, cujos passeios à orla eram uma constante nos domingos de verão, entre os anos 1940 e 1950 do século passado.

Assim, era a Pedra Redonda de antigamente, um lugar de lazer, de banho e veraneio, um espaço de identidade urbana e de contato dos moradores com o Guaíba.

Nesse calorão de Janeiro e Fevereiro, feliz de quem tem “uma praia pra chamar de sua”.
Pode ser de mar, de rio ou até mesmo de lago, desde que esteja ali - bem pertinho - nos esperando para refrescar e descontrair.


Praia de Ipanema
Nos verões da década de 1970, nos passeios em Ipanema nos domingos pela manhã: vestidos, devidamente calçados e protegidos do sol pelos bonés.



A grande diversão e pretexto se ir a Ipanema eram os passeios de pedalinho, que ficavam junto ao bar/restaurante/boate Taba. Pela numeração deles, se percebe a quantidade de pedalinhos que havia disponível para aluguel.


Não demorava muito para que o passeio de pedalinho se transformasse numa aventura e, de repente:
“Homem ao mar!” Tchibum!
Alguém pulava na água e logo atrás vinham outros.
Objetivo alcançado: andar de pedalinhos, sim, mas tomar banho na praia era tudo de bom.

Década 1970

A folia depois se estendia para a areia com jogo de bola, castelinhos e tudo o que se tinha direito.
Para comemorar tinha o refrigerante Pepsi tomado no gargalo da garrafa, cachorro quente de baldinho inox, bem quentinho (pão, molho, salsicha e mostarda), baleiros, cataventos, algodão doce.
Para os adultos tinham bares e quiosques com mesinhas que se estendiam por quase toda praia, sob as arvores.

Arcos de Ipanema

Às vezes o Guaíba brindava com alguma tartaruga, que era levada pra casa para fazer companhia na semana e depois trazida de volta para ser lançada novamente nas águas de Ipanema. Claro, acreditávamos que ela tivesse sido engordada, fora possivelmente “torturada”, porém, com certeza, “batizada” com um nome carinhoso e muito amada.


Para Porto Alegre, Ipanema é “a nossa praia”.


Praia do Guarujá
Na Praia do Guarujá, logo após Ipanema, em direção a Serraria, tinha um camping (barracas e trailers) administrado pela Prefeitura de Porto Alegre, com toda a estrutura, no verão as pessoas vinham da cidade ou de outros lugares só para veraniar neste camping.
O camping foi desativado na década de 1980, onde foi construído uma grande praça junto a orla do Guaíba.
Da Avenida Guaíba  da Rua Murá até encontrar a embocadura da Estrada do Matadouro, seguindo por esta em direção até encontrar a Estrada da Serraria; desta até encontrar a Rua Murá; desta até encontrar a Avenida Guaíba junto à margem do rio.


Praia de Belém Novo
Em Belém Novo, há mais de 20 km do centro de Porto Alegre, também tem praia na margem do rio própria para banho. Com uma população de 14 mil habitantes em toda sua extensão geográfica, além da praia de rio, Belém Novo já está preparado para oferecer aos visitantes serviços públicos básicos como: agências bancarias, lotéricas, farmácias, restaurantes, clínicas médicas, supermercados, delegacia de policia e posto da Brigada Militar.


Praia do Veludo
Na zona sul da cidade, junto ao Belém Novo, eis um lugar tão lindo e tão desconhecido por muitos porto-alegrenses, com muita vegetação e enseadas.
As pessoas ignoram as belezas do Lago Guaíba.


Praia das Garças
Localizada na Avenida do Lami, 4929, no Bairro Belém Novo.
Balneário com camping, açudes para pesca e túnel verde.
Local para piquenique, churrasqueiras e áreas para descanso.


Praia do Lamí
Uma das opções é a Praia do Lami. Balneário de água doce no extremo sul de Porto Alegre, o Lami tem extensão aproximada de 1500 metros e fica na margem esquerda do Lago Guaíba.


A população residente de pouco mais de três mil pessoas, chega a dobrar no período mais quente do ano.
O Bairro do Lami, distante aproximadamente 39 km do centro de Porto Alegre
Para pessoas que gostam de descanso e paz é aconselhável ir no sábado ou durante a semana. Os "foliões" de fim de semana devem ir no domingo, quando o fluxo de pessoas é maior.
Churrascada sob as sombras das árvores de margeiam o lago Guaíba, espaço para a prática de esportes, muita música popular, bate-papos e reuniões familiares.
Muvuca da boa! - e ainda tem a Reserva Biológica do Lamí.



Prefira o verão, pois o frio dos pampas é de lascar.
Todas as tribos se reúnem na praia, famílias inteiras.
Tendo disposição pode ir de ônibus partindo do centro de Porto Alegre.



Zona Norte de Porto Alegre

Delta do Jacuí
Parque Delta do Jacuí, localizado junto ao desembocadoro dos rios dos Sinos, Jacuí, Gravataí e Taquarí que formam o estuário Guaíba, local nativo, de preservação, suas mais de quinze ilhas, grandes canais e suas maravilhosas mansões.






Zona Sul de Porto Alegre

Trem para a Praia
O funcionamento da locomotiva era um acontecimento. Quando o trem chegava ao ponto final dos trilhos, na praia da Pedra Redonda, o retorno se dava por meio de uma plataforma giratória chamada de redondel. Era uma operação manual feita pela força dos rapazes da Via Férrea e de alguns passageiros mais prestativos. Uma engenhoca para a época, mas que funcionava muito bem, pois permitia que a máquina ficasse virada no sentido bairro-Centro, pronta para a viagem de volta.

Estação Riacho (atual Monumento aos Açorianos) - 1900

Um conceituado comerciante de roupas, mais conhecido por “seu Papis” comprou todo o terreno na beira da praia, onde é hoje a Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul e construiu lá o famoso Hotel Cassino da Pedra Redonda. O local logo ficou conhecido pelas belas atrações que oferecia a um público seleto, pois além do trem, também chegava ao local o disputado Vapor Porto Alegre, que vinha do centro da cidade e atracava no trapiche em frente ao hotel. Por conta disso, a animação era geral: muita música e diversão que atraía turistas de todos os cantos.

Caminho no Morro da Conceição (zona sul) - 1915

Desta forma, o trem foi fundamental para o sucesso da praia da Pedra Redonda, pois ele trazia o movimento de banhistas, e com eles, a procura por restaurantes, hotéis, tendas de sorvetes e refrescos. A região se tornou zona de veraneio muito antes do Balneário de Ipanema.

Estação Riacho - 1898

Essa foi a história do trem da Zona Sul, ou o trenzinho da Tristeza, como muitos o chamavam, uma locomotiva Maria Fumaça que funcionou regularmente até 1932 e que durante muito tempo percorreu diferentes paisagens e caminhos por uma Porto Alegre Antiga.
Não se ia para tomar banho na praia, e sim para saborear os sorvetes e a gasosa, servidos no local.
O trenzinho, que passava em frente das casas no bairro Cristal. Era o matraquear das rodas nos trilhos, embalando os sonhos das mocinhas românticas à procura de seus pares, quem sabe, antes que o sol se pusesse no horizonte, e o trem retornasse à cidade.

Estação Tristeza


“Em todos os tempos - isto era bom”!


Aproveite "Bem" Porto Alegre!

Agradecimentos ao professor e historiador Harry R. Bellomo pela entrevista concedida em agosto de 2009,

Homenagem especial à memória de Georgina Tolotti (1915-1999) pelas lembranças do Trenzinho no início do século passado.

Universiade 1963

U – 63
Universíade – 63
III Universíade de Verão


Jogos Mundiais Universitários
Jeux Mondiaux De La FISU
World Games Of FISU

Porto Alegre
Rio Grande do Sul
Brazil
1963

◄◄  Turin/Itália 1959 - Sófia/Bulgária 1961 - Porto Alegre/Brazil 1963 - Budapeste/Hungria 1965  ►►

De 30 de Agosto a 08 de Setembro de 1963



Vamos conhecer melhor esta história da 
Cidade de Porto Alegre
A III Universíade de Verão realizada em Porto Alegre fez a cidade ser modificada porque as provas aconteceram em diversos locais, sendo até hoje considerado o maior evento realizado na história da cidade até a realização do Fórum Social Mundial.
A competição esportiva hoje não muito conhecida do grande público, apesar de manter sua regularidade, mas nos anos de Guerra Fria tinha grande importância, só perdendo em grandiosidade para as Olimpíadas.

Dados do Evento:
Países participantes: 27
- África do Sul, Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, Argentina, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Cuba, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Luxemburgo, Noruega, Polônia, Portugal, Peru, Suíça, Tchecoslováquia, Uruguai, URSS, Venezuela.
Atletas: 713
Eventos: 69 em 9 modalidades
- Atletismo, Basquetebol, Esgrima, Ginástica Artística, Natação, Pólo Aquático, Saltos Ornamentais, Tênis, Voleibol.

Cerimônia de Abertura:      30 de Agosto de 1963
Cerimônia de Encerramento: 08 de Setembro de 1963
Tocha Olímpica:             Adhemar Ferreira da Silva
Juramento do Atleta:        Antônio Succar
Estádio Principal:            Estádio Olímpico
                             Ginásio Universíade


Porto Alegre já foi sede de um evento em formato de Olimpíadas, depois de Turim e Sófia, foi à vez da capital dos Gaúchos.

- A partir do noticiado no jornal Correio do Povo a forma de como se desenvolveu a realização desses Jogos, vamos, perceber como a Universíade-63 se relacionou com a Política Externa Independente nos Governos dos presidentes Jânio Quadros e João Goulart, em um contexto turbulento da vida política nacional dentro do quadro mais amplo da Guerra Fria.

- A Guerra Fria, era época de um mundo dividido, com todas suas especificidades históricas, fazia com que o período vivido fosse de grande agitação ideológica. A divisão do mundo entre capitalismo e socialismo era a grande preocupação da humanidade. E no Brasil isso não era diferente.
A Universíade-63 foi realizada no Brasil, durante o período do Governo João Goulart. As rivalidades ideológicas no Brasil eram muito fortes, e o país passava por um período de muitas incertezas.

- Foi um acontecimento que teve repercussão mundial, projetando a cidade de Porto Alegre na área esportiva, o que nunca mais houve em nossa cidade. E projetou o Brasil também, como nação capaz de organizar Jogos dessa magnitude. Na época o Brasil queria se mostrar como uma nação em ascensão, independente e capaz de propor agendas ao mundo, tais como o desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo, a descolonização da Ásia e da África e o desarmamento das grandes potências. Esses eram os eixos da Política Externa Independente (PEI) que o Brasil queria desenvolver.
Hoje são poucas as pessoas que têm conhecimento da existência desses Jogos Mundiais Universitários realizados no Brasil.

- Para saber um pouco mais sobre as causas de ter sido o Brasil o país sede desse evento, e quais as relações sociais e políticas que o governo brasileiro pretendia estabelecer sediando esses Jogos, é que consideramos importante reconstituir esse período, dando a ele o tratamento histórico indispensável para nos aproximarmos ao máximo das relações sociais e políticas vividas naquele período.

- Foi a primeira vez que esses jogos foram realizados fora do continente europeu.
Em um mundo bastante dividido pela lógica da Guerra Fria realizar um evento esportivo que congregasse atletas dos dois blocos econômico-sociais em disputa era uma grande atração, despertando muita curiosidade.

Origem dos Jogos
Os Jogos Mundiais Universitários – A Universíade nasceu de um esforço conjunto entre as duas grandes entidades do esporte universitário no mundo:
- Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU – Federation International Sport University) com sede em Paris - França,
- União Internacional dos Estudantes (ISU – International Students Union) sediada em Praga.

Em 1949, ambas as entidades foram fundadas e tinham origens em entidades esportivas fundadas na década de 1920 que não conseguiram se manter no período da Segunda Guerra Mundial.
Nessa época a FISU organizava as disputas esportivas entre os países capitalistas e a ISU entre os países socialistas, havendo ocasionalmente participação de algum país de um bloco numa disputa patrocinada pelo outro.

Em 1957, a Federação Francesa de Esportes Universitários organizou o Campeonato Mundial de Esportes Universitários, que reuniu estudantes dos dois blocos em que o mundo via-se dividido. Embora tenha sido uma disputa de pequenas proporções, ela acabou dando estímulos para a realização de um grande campeonato, no qual pudessem participar livremente e em grande número atletas das duas formações sociais existentes.

Em 1959, FISU e ISU concordaram em participar dos jogos organizados em Turim, Itália, pela Associação Italiana de Esportes Universitários, batizou-se esses jogos de Universíade, uma derivação das palavras Universitário e Olimpíade. Participaram desse certame 43 países e mais de 1.400 atletas. Foi também estipulada nessa edição uma bandeira em forma de U para representar o evento e a elaboração do estatuto da FISU, que a partir desse momento englobaria as duas entidades e passaria a ser responsável pela continuidade dos Jogos Mundiais Universitários.
Afinal, o esporte, segundo Carraveta:
“entendido como jogo competitivo, se encontra em todas as sociedades, é um dos poucos conceitos culturais universais da humanidade” (CARRAVETA, 1997, p.24).

No Estatuto da FISU, no seu artigo 2º lê-se:
“A FISU persegue seus objetos esportivos e fraternos, sem consideração ou discriminação política, religiosa ou de natureza racial”
(BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 01, agosto, 1963).

A Universíade no Brasil
Quando o presidente Jânio Quadros envia João Dantas em missão diplomática aos países do Leste Europeu em abril e junho de 1961, a Universíade estava ocorrendo em Sófia, na Bulgária.
Dantas ficou impressionado com a repercussão e com a grandiosidade da Universíade, que tinha proporções quase como as de uma Olimpíada. Era uma grande forma de divulgação e tinha um potencial turístico muito alto. Havia uma grande efervescência na cidade ocasionada pelo evento.
Ele comunica em relatório o que viu em Sófia ao presidente Jânio Quadros, que logo vê a possibilidade de tentar atrair esse evento para o Brasil.
O que diz Alberto André, jornalista do Correio do Povo e vereador pelo PTB, em Porto Alegre:
 
[...] vem de 1961, quando o presidente Jânio Quadros pleiteou em Sofia, na
Bulgária, e o conseguiu, fossem os Jogos Universitários de 1963 levados a efeito no Brasil. Entendia ele, como ponderou, ser interessante para o Brasil a divulgação decorrente. (CORREIO DO POVO, 11/08/63, p.15).
Em 19 de fevereiro de 1962, conforme a certidão lavrada pelo Ministério das Relações Exteriores onde constam transcritos os documentos referentes a esta ação (Memorando GP/MRE-267 de 02 de agosto de 1961, assinado por Jânio Quadros, solicitando designação de diplomata para acompanhar a delegação brasileira a Sófia e telegrama de 14 de agosto de 1961 (G/DC!/640.631(00)) Jogos Olímpicos Universitários em Sofia em resposta ao Memorando GP/MRE-267, assinado por Afonso Arinos).
Arquivo da Universíade-63 do Centro de Memória do Esporte- CEME/UFRGS (NOGUEIRA, 2004, p. 50).

Porto Alegre se torna Sede
Quando foi realizada a Assembléia da FISU, em setembro de 1961, Jânio Quadros não mais era o presidente do Brasil. Mesmo assim, o Brasil foi escolhido. Começava aí a disputa para trazer os Jogos Mundiais Universitários para Porto Alegre.
- São Paulo estava comprometida com os Jogos Pan-Americanos 1963, não podendo aceitar os encargos da Universíade.
- Por sua vez, a Federação Universitária Mineira de Esportes, outra candidata, mesmo com a inauguração do seu novo estádio o Mineirão, não se encontrava em boa fase.
Foi, por conseguinte, o momento propício à Federação Universitária Gaúcha de Esportes - FUGE.
Achando-se de boas graças com a Confederação Brasileira de Desportos Universitários (CBDU), foi a FUGE consultada sobre as possibilidades de Porto Alegre, tendo aceitado a incumbência.
Apreciando, em janeiro de 1962, o expediente que lhe foi endereçado a respeito das facilidades da cidade, a FISU a homologou como sede da Universíade-63.

Uma cópia do expediente enviado à FISU pode ser encontrada no primeiro boletim informativo do Departamento de Imprensa da U-63:
 
Aqui, no extremo sul brasileiro, à beira desse belo e desconhecido Guaíba, Porto Alegre cresce a despeito de tudo. Hoje se situa entre as quatro maiores cidades do Brasil. É ativo centro econômico e o maior porto fluvial do país.
(...) O povo é empreendedor e ao mesmo tempo alegre e comunicativo. Seus 720 mil habitantes descendem, em sua maioria, de elementos europeus, daí talvez sua curiosidade para tudo o que vem da Europa. (...) Porto Alegre cresceu por conta própria, sem traçado de ruas e bairros; mas cresceu com graça e personalidade. (...) Além de cidade universitária e comercial que, por si só seriam incremento turístico, a capital do Rio Grande do Sul oferece atrações típicas que a tornam uma cidade turística. (...) Todo este teste anual, por que passa Porto Alegre, credencia a capital gaúcha a ser o local ideal para a realização da Universíade-63. (BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 1, agosto, 1963).
Dessa forma, Porto Alegre estava lançada como candidata à sede da Universíade 1963.

A Organização do Evento
Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente do Brasil. Objeções à posse do vice-presidente João Goulart acabaram sendo o estopim da Campanha da Legalidade, que teve no governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, seu líder.

Era preciso um grupo forte e coeso para organizar os Jogos Mundiais Universitários.
O trabalho era grande, o tempo pequeno, e o dinheiro curto.
Os índices de inflação para os anos de 1961, 1962, 1963 eram, respectivamente, de 47,8%, 51,7%, 79,9%.
 (FONSECA, 2004, p. 1).
Mas os jovens universitários gaúchos não se intimidaram. Montaram um comitê e deram início aos trabalhos.
O Comitê Executivo era formado por Henrique Halpern, Edgar Laurent, Darci Votto de Araújo, Adonis Escobar e Carlos Alberto Giulian.
O diretor técnico foi Luiz Augusto Bastian de Carvalho.
Para o Comitê Organizador foi escolhido o José Antônio Aranha, Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul e representante direto do Governador Ildo Meneghetti.
(BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 1, agosto, 1963).

O país estava vivendo séria crise financeira. Não havia muitos recursos destinados para a organização dos Jogos Mundiais Universitários. Eles ocorreram no mesmo ano dos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, onde tinha sido destinado um montante elevado de verbas federais.
A solução foi recorrer ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na figura do conservador Ildo Meneghetti.

Ildo Meneghetti

O Governo do Estado procurou dar todas as facilidades para os organizadores.
Prova disso é a Ordem de Serviço – número 27– de 21 de agosto de 1963:

Mas a cidade não estava preparada para receber um evento desse porte. Havia muitas melhorias a serem feitas.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL determina a todos os órgãos da administração estadual, inclusive autárquicos, seja dada prioridade na solução das solicitações feitas pelo Presidente do Comitê da Organização da Universíade 63, Doutor José Antônio Aranha. O Palácio Piratini, em Porto Alegre, 21 de agosto de 1963. (KOCH, 2003, pp. 33).
O prefeito de Porto Alegre, Loureiro da Silva, determinou que a Divisão de Limpeza Pública mantivesse em dia toda a Radial Leste, zona compreendida pelas ruas Ramiro Barcelos, São Luís, Luís de Camões e Avenida Ipiranga, área próxima onde estava sendo construído o ginásio que serviria para os jogos de basquete e vôlei da Universíade.
Também determinou que a Rua dos Andradas (Rua da Praia) e adjacências fossem limpas e tivessem o calçamento restaurado.
Além disso, pedia providências para que todos os pontos turísticos da cidade recebessem um tratamento especial.

José Loureiro da Silva

Afinal, a ocasião seria uma grande projeção para a cidade.
E não se poderia perder essa oportunidade. (CORREIO DO POVO, 11/08/63, p. 25).
Local dos Jogos
No início da década de 1960, Porto Alegre era uma cidade em constante crescimento urbano. Mas ainda não tinha um parque esportivo suficientemente grande para abrigar uma competição como os Jogos Mundiais Universitários.
Essa era uma das grandes questões a ser resolvida pelos organizadores.

Estádio Olímpico
O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense que tinha o Estádio Olímpico, um dos maiores estádios privado do País, foi utilizado para abertura e encerramento e a realização das provas de atletismo, localizado na zona Sul.

A denominação de "Olímpico" resulta do fato de que o estádio foi construído para todos os esportes olímpicos.

As competições de atletismo, que acabaram sendo o ponto alto dos Jogos Mundiais Universitários, foram realizadas no Estádio Olímpico, na zona Sul.


Ginásio Universíade
Conseguiram o compromisso do Governo do Estado, através do Secretário da Fazenda e diretor do Comitê Organizador, José Antônio Aranha, para a construção de um ginásio.
Foi construído, em tempo recorde, 94 dias, o maior ginásio esportivo do sul do País, com capacidade para 10.000 pessoas, na zona Leste da cidade.
Foi batizado Ginásio Universíade e hoje é conhecido como Ginásio da Brigada Militar.
Os jogos de basquete e vôlei foram realizados no recém construído ginásio da Universíade, na zona Leste.

Armazéns A e B
Para a competição de esgrima houve uma inovação. Foram aproveitados os Armazéns A e B do Cais do Porto, que estavam desativados e sem uso, no Centro.

 
Grêmio Náutico União
As provas de ginástica, natação e saltos ornamentais foram realizadas no Grêmio Náutico União, na zona Norte. Na última hora, uma metalúrgica montou uma caldeira, aumentado a temperatura da água da piscina de 18 para 24 graus, como exigiam os japoneses.


Leopoldina Juvenil
Os jogos de tênis na Sociedade Leopoldina Juvenil, na zona Norte.



Petrópole Tênis Clube
O pólo aquático no Petrópole Tênis Clube, na zona Leste.



Vila Universitária
Um dos grandes problemas para o Comitê Organizador dos Jogos Mundiais Universitários era onde instalar os mais de 1.200 atletas esperados em Porto Alegre para disputar os Jogos. A solução foi encontrada num acordo com a Caixa Econômica
Estadual, que aceitou ceder um recém construído Conjunto Habitacional no bairro Partenon, o qual hoje se denomina Intercap, em virtude do plano de aquisição dos apartamentos, administrado pela International Capitalization.
José Antônio Aranha, secretário da Fazenda, conta como foi solucionado o problema:
A estrutura física do alojamento estava resolvida, (+-) 450 apartamentos. De acordo com o espírito dos jogos, cada bloco residencial recebeu o nome de um continente. Mas havia outro problema: as instalações para os atletas. Aonde encontrar camas, colchões e cobertores em número suficiente para os atletas?
Quanto ao alojamento só foi possível mediante a colaboração dos diretores da Caixa Econômica Estadual. Impõe-se, porém, declarar que, após as conversações com os sorteados para a aquisição dos apartamentos do conjunto que hoje compõem a já famosa “Vila Olímpica” e a cívica compreensão por eles demonstrada é que foi possível dar como resolvido o problema do alojamento. Ali também construímos um Centro Social e um Centro Comercial, para o conforto dos atletas. (CORREIO DO POVO, 10/09/63, p.18).

Após longas negociações, o reitor da Universidade de São Paulo (USP) emprestou o material.
Procedente de São Paulo chegaram às últimas horas da tarde de sábado, a esta capital, 20 caminhões transportando material destinado à acomodação das delegações participantes da Universíade-63, cujo início está marcado para o próximo dia 30 do corrente. O material em alusão foi cedido a título de empréstimo pela USP.
Compõem-se de 1.500 camas, 1.500 colchões, 6.000 lençóis, 1.500 travesseiros e 3.000 fronhas.
A frota dos veículos que transportou o material até esta capital dirigiu-se logo após sua chegada ao Palácio Piratini, oportunidade em que foi inspecionada, pessoalmente, pelo
Governador Ildo Meneghetti. (CORREIO DO POVO, 20/08/63, p.12).

Alimentação dos Atletas
Restava o problema da alimentação dos 1.200 atletas. No entanto, foi resolvido com muita competência.
Os atletas alojados na Vila Olímpica se deslocavam apenas 900 metros até o refeitório.
Foi obtido, com o aval do secretário da Fazenda José Antônio Aranha, a cozinha e instalações do 18º Regimento de Infantaria do Exército.
Ao mesmo tempo, a Wallig Fogões, montou a mais moderna cozinha da América Latina à época no quartel.
Foram elaborados cardápios de três cozinhas: alemã, francesa e oriental.

Wallig Produtos
Os atletas brasileiros não estavam alojados na Vila Olímpica e sim no Hotel Pampa, faziam suas refeições na reitoria da UFRGS no Centro de Porto Alegre.


Resolvidos os problemas de hospedagem e alimentação chegava a hora da cidade colher os louros sobre o evento.

Centro de Imprensa 
Um espetáculo como a Universíade-63 gerava expectativas em todo o mundo.
Era um grande acontecimento esportivo da época, só perdendo em importância para os Jogos Olímpicos. Era a promoção que Porto Alegre esperava.
Para tanto, era necessária uma eficiente cobertura jornalística, capaz de levar as notícias dos Jogos ao mundo em um período de tempo bastante curto.
Todos os veículos de comunicação locais participaram do evento.

Vejamos o que diz Cláudio Cabral, que trabalhou na transmissão dos Jogos Olímpicos Mundiais de 1963:
Cid Pinheiro Cabral e Cláudio Cabral (filho) dirigiam em Porto Alegre o escritório da France Press, que tinha muito prestígio internacional por ser neutra em função da Guerra Fria. Para cobrir a U-63, que era um megaevento, o diretor geral da Agence France Press no Brasil, Jean Jacques, montou conosco uma sede da agência na capital gaúcha. Vieram correspondentes de Nova Iorque, Cidade do México, Lima... enfim todos os grandes jornalistas da France Press se concentraram em Porto Alegre. Um hotel, localizado na Rua Vigário José Inácio, serviu de base para todo o trabalho. O escritório era no antigo edifício Marechal Malet (atual Edifício Gboex) e todas as manhãs nos reuníamos.
Cada um falava um idioma, mas nos entendíamos.
Presenciávamos os eventos; fazíamos as anotações e retornávamos para o escritório. Lá nos reuníamos novamente e cada um fazia seu resumo do dia. Depois de feitos os relatórios, um de nós descia até o térreo, onde estava o escritório de uma empresa telegráfica e através de telegramas eram passadas as informações para o mundo inteiro.

Na Europa esperavam as notícias com muita ansiedade, pois a Universíade era a segunda maior competição mundial. Tinha quase a mesma dimensão dos Jogos Olímpicos.
Foi uma dificuldade extrema e a France Press praticamente se mudou para Porto Alegre.
Eram aproximadamente vinte jornalistas, dos quais apenas dois falavam português (KOCH, 2003, p.60).

Divulgação do Evento
A divulgação dos Jogos era quase tão importante quanto os Jogos em si. As pessoas tinham uma necessidade quase desesperada para saber o resultado das disputas em seus países.
Quem obteve um grande prestígio com essas transmissões foi a Rádio da Universidade da UFRGS escolhida como rádio oficial da Universíade.
Seu narrador era Lauro Hagemann:
A rádio havia sido reinaugurada há pouco tempo e tínha um departamento de notícias. A Rádio recebeu o encargo de organizar as transmissões em línguas estrangeiras para os países que estavam participando da Universíade. Então havia transmissões em inglês, alemão, francês, espanhol, italiano e até russo. Quem elaborou o esquema de transmissões – obedecendo critérios de fusos horários – foi Cleto Farias.
Essas transmissões iam aos países a que eram destinadas.

A Rádio da Universidade teve um papel destacado, sendo citada em várias partes do mundo como a origem das notícias; dando resultados e fazendo comentários sobre tudo o que se referia à Universíade.
Através das ondas da hoje cinqüentenária Rádio da Universidade, Porto Alegre estava no centro das preocupações do mundo.

A Chegada das Delegações Estrangeiras
Os dias que antecediam ao início da Universíade-63 eram de ebulição na cidade.
Havia uma grande curiosidade popular entre os habitantes da cidade sede, em especial quanto as europeus e os cubanos.

Pelas ruas da cidade de Porto Alegre se encontravam poucos dias antes do início dos Jogos, atletas das mais diversas nacionalidades.

Para Porto Alegre, era uma grande alegria! - Uma cidade em desenvolvimento, contando com elementos das mais diferentes nacionalidades.

Em 23 de agosto, a primeira delegação a chegar em Porto Alegre foi Portugal.
No dia 24 de agosto chegou a Hungria.
No dia 25 de agosto chegaram Inglaterra, França, Tchecoslováquia, Bélgica, Holanda, Japão e Iugoslávia.
No dia 26 de agosto chegou a delegação brasileira, acompanhada de Espanha, Bulgária e Polônia.
No dia 27 de agosto, foi a vez de desembarcarem os italianos.
No dia 28 de agosto chegaram a URSS, Cuba, Noruega e Alemanha, que teve uma representação composta de atletas das zonas Ocidental e Oriental.
No dia 29 chegaram Israel, Peru, Uruguai, Suíça, Luxemburgo e Chile.
No dia 30 de agosto chegou a Argentina.
Não foi encontrado registro do dia em que chegaram as delegações da África do Sul e da Venezuela.


As delegações foram recebidas no Aeroporto Salgado Filho com muita festa.
Havia um grupo de recepcionistas especialmente à espera das delegações, que já as encaminhava em ônibus fretados para a Vila Olímpica.
As expectativas que a cidade de Porto Alegre estava vivendo estão muito bem sintetizadas nas palavras de Alberto André, conclamando os habitantes a tomarem ativa participação nos Jogos Mundiais Universitários:
Falando idiomas os mais diversos, latinos, saxônicos, eslavos, africanos e orientais, deixarão em nossa cidade seus dólares, libras e outras moedas. Em troca, mandarão daqui informações e conceitos que cerca de 200 jornalistas – pelo que se anuncia – se encarregarão de transmitir.
(...) Todos, praticamente, que vivem nesta cidade estão vinculados a U-63 e devem cooperar, se estiver ao seu alcance, para que seja bem sucedida.

Nota: 
- Os Estados Unidos não vieram a Porto Alegre, mas também não participaram de nenhuma Universíade anterior.
Comenta Cláudio Cabral:
“A ausência dos Estados Unidos não diminuiu a importância da U-63, porque a Europa era muito forte esportivamente. Os europeus, na época, tinham mais prestígio que os americanos”. (KOCH, 2003, pp.81).

De acordo com Maristel Nogueira “Os americanos não compareceram à U-63 e a justificativa enviada ao Comitê Executivo informava que os universitários americanos não recebiam verbas do governo, e não havia diferentes culturas em suas ruas”.

Em Porto Alegre era hora de se unir e colocar a cidade no mapa do mundo, diante desta cornucópia de culturas.

Ingressos
Os ingressos foram colocados a venda nas bilheterias dos clubes e locais onde ocorreram as provas.



Cerimônia de Abertura da U-63
Em 31 de agosto de 1963, a noite, ocorreu a inauguração dos 3ºs Jogos Mundiais Universitários, em Porto Alegre.
Mais de 40 mil pessoas estiveram presentes ao Estádio Olímpico na programação de abertura, uma verdadeira festa do esporte.

Houve a apresentação das 27 delegações que desfilaram pela pista atlética do Estádio Olímpico antes do ato inaugural, com seus devidos pavilhões.



- O evento contou com a presença do Ministro da Educação do Brasil, Paulo de Tarso (representando o Presidente João Goulart), Governador Ildo Meneghetti (homenageado especial), Primo Nebiolo, presidente da FISU, deputado Rogê Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Desportos, Henrique Halpern presidente da FUGE, além de outras autoridades nacional, locais e eclesiásticas.

- A cerimônia contou com um coral de 6 mil vozes, que iniciou com o hino oficial, "Gaudeamus Igitur".

- O campeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva acendeu a pira simbólica, com o estádio totalmente às escuras;

Adhemar Ferreira da Silva

- Sob uma salva de 32 tiros de canhão.



A platéia vibrou muito. Porto Alegre nesse momento vivia a emoção de sediar o que de melhor havia no mundo em matéria de esporte.
Antônio Succar, bicampeão mundial de basquete pelo Brasil, proferiu o juramento do atleta em três idiomas: português, francês e inglês.
O mestre de cerimônia foi Lauro Hagemann:
“Foi uma atividade gratificante. Porto Alegre assistiu a um espetáculo diferente. Nunca havia ocorrido uma coisa daquele tamanho em nossa cidade”.

Quando a delegação do Brasil desfilou, houve uma expressão de nacionalismo muito forte, saudando aos atletas brasileiros como se fossem heróis do povo.
A ovação para a delegação do Brasil era entusiasmante. (CORREIO DO POVO, 01/09/63, p. 32).

Modalidades

Obrigatórias
As modalidades obrigatórias são determinadas pela Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU) e, salvo alteração feita na Assembléia Geral da FISU, valem para todas as Universíade de Verão.
 Atletismo (29)
 Basquetebol (1)
 Esgrima (8)
 Ginástica artística (4)
 Natação (15)
 Pólo aquático (1)
 Saltos ornamentais (4)
 Tênis (5)
 Voleibol (2)
Obs.: - Os números entre parênteses representam o número de eventos de cada modalidade.

Opcionais
Não houve modalidades opcionais nesta edição.

As Competições
Com a abertura dos Jogos Mundiais Universitários no Estádio Olímpico no dia 31 de agosto, teria no dia seguinte início às competições.
Muitas provas ocorreram de forma simultânea na cidade, forçando o público a escolher alguns jogos em relação aos outros.
Os mais populares foram o basquete, vôlei, e atletismo.
Mas todos os jogos tiveram um excelente nível, mesmo às vezes não tendo as melhores condições materiais, como no caso do piso do atletismo ou no dos locais de treino para a ginástica, que não tiveram o nível de qualidade esperado pelos europeus, especialmente os húngaros e soviéticos.
Os resultados oficiais das competições foram todos extraídos do belo almanaque de Rodrigo Koch, divididos da seguinte forma: atletismo, esgrima, vôlei, ginástica, basquete, tênis, natação, saltos ornamentais, pólo aquático.

Atletismo
As provas de atletismo foram disputadas no Estádio Olímpico.
Foi o grande destaque da Universíade-63, não sendo exagero dizer que valeu por uma Olimpíada.
Participaram do atletismo 21 países:
Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Cuba, Espanha, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Luxemburgo, Peru, Portugal, Suíça, Tchecoslováquia, URSS e Venezuela.

Entre os países que conquistaram o ouro em Sofia, apenas Irlanda e Romênia não estavam presentes.
A elite do atletismo mundial se encontrava em Porto Alegre.
Muitos desses atletas vinham direto do podium nas Olimpíadas de Roma, em 1960.
Era esse o caso de Valery Brumel (recordista mundial do salto em altura e prata em Roma), Igor Ter Ovanesyan (bronze no salto em distância em Roma), Gyula Zsyvotzky (prata no arremesso de martelo em Roma), Gergely Kulcsar (bronze no arremesso de dardo em Roma), Tamara Press (ouro no arremesso de peso e prata no arremesso de disco em Roma) e Elvira Ozolina (ouro no arremesso de dardo em Roma).
Com tantos atletas medalhistas na última Olimpíada, o atletismo despertava muita curiosidade do povo porto-alegrense.
Em Sofia (Bulgária) o domínio total no atletismo foi dos soviéticos.
Os atletas mais esperados eram soviéticos: Valery Brumel, Tamara Press, Elvira Ozolina e Aleksandr Zolotarev.

O Correio do Povo traz em manchete:
“Russos fornecerão a grande vedeta da Universíade-63: Valery Brumel. A presença de Valery Brumel, um dos mais notáveis atletas de todos os tempos, deverá ser o ponto alto nos Jogos Mundiais Universitários” (CORREIO DO POVO, 25/08/63, pp. 13).

Quando ele desembarcou em Porto Alegre a imprensa logo perguntou se ele esperava bater algum recorde mundial em Porto Alegre. Ele respondeu:
“Todo atleta quer sempre melhorar. Não me falta, em qualquer competição, vontade de alcançar marcas melhores. Se for possível, vou melhorar o recorde”.

Logo no primeiro dia de provas dois recordes foram quebrados:
Anatliy Mikhailov (URSS) nos 110 metros com barreiras e Tamara Press (URSS) no arremesso de peso.
Nos 100 metros rasos, a prova que divide com a maratona o charme de qualquer olimpíada, o cubano Enrique Figuerola ficou com o ouro. Ele já detinha o recorde mundial e só confirmava uma coisa: era o homem mais rápido do mundo.
No segundo dia de competição Tamara Press ganhou o ouro com facilidade no arremesso de disco.
Foi seguida pelas húngaras Joland Kontsek e Judit Bognar.

Nota:
- Nesse dia começaram as reclamações sobre o piso do Estádio Olímpico. Os atletas, especialmente os europeus, se ressentiam da qualidade do piso das competições.

No último dia de competições, dia 08 de setembro, Valery Brumel iria competir.
A torcida estava com uma grande expectativa, falava-se na quebra de mais um recorde por parte do atleta. Entretanto, entre os organizadores e atletas não se acreditava nisso, pela má qualidade do piso. Valery Brumel ficou com o ouro facilmente, mas não bateu nenhum recorde àquela tarde em Porto Alegre.

Estádio Olímpico
Esgrima
Aconteceu nos Armazéns A e B do Cais do Porto.
Na competição de esgrima estavam representados 18 países:
Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Cuba, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Peru, Polônia, Portugal, Suíça, URSS, Uruguai e Venezuela.

Vindos de excelente resultado na Universíade-61, em Sofia, os húngaros eram os grandes favoritos. No seu patamar estavam URSS, Polônia e Itália. Todas as outras equipes estavam em processo de formação, assim como a esgrima em seus países.
A primeira medalha de ouro da Universíade-63 não causou surpresa.
Foi para um húngaro, Jeno Kamuti, que em sete combates anteriores contra o polonês Skrudlik tinha ganhado apenas uma vez.
No entanto, dessa vez a final não foi entre o húngaro e o polonês, mas sim entre o húngaro e um francês, Revenu. Depois, ficou sabendo-se que Skrudlik estava fortemente resfriado e jogou no sacrifício.
A primeira medalha no feminino também foi para uma húngara, Jozsefine Sakovitz.
Na final, bateu a francesa Annick Lever. Mas esse resultado talvez tenha sido o mais inesperado de toda a Universíade-63.
Sakovitz levou mais do que uma medalha para a Hungria.

Nota:
- Esse resultado nos causou admiração. A campeã do florete disputou a competição quinze dias após ter um filho. Veio ao Brasil; fez o parto; ficou três dias em repouso; reiniciou os treinamentos, jogou; e ganhou.

Confirmou-se o que se esperava: Porto Alegre reuniu os melhores esgrimistas do planeta no ano de 1963.
No quadro geral de medalhas da esgrima:
- Em primeiro lugar ficou a Hungria com 9 medalhas, 4 de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.
- Em segundo, bem abaixo, ficou a Polônia, com 3 medalhas, duas de ouro e 1 de prata.
- Em terceiro lugar ficou a França, com 3 medalhas.
Também obtiveram medalhas a Inglaterra, URSS, Suíça, Itália e Alemanha, respectivamente nessa ordem de classificação.

Vôlei
Os Jogos de Vôlei tiveram lugar no novíssimo Ginásio Universíade, recém inaugurado e com capacidade para 10.000 pessoas.
No masculino eram oito os países disputando o título:
Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Portugal, Tchecoslováquia, URSS e Uruguai.
No feminino, apenas três seleções disputaram o título:
Brasil, Chile e Peru.

Fez muita falta algum time europeu nessa disputa, pois embora o Peru estivesse evoluindo no vôlei feminino, o Brasil era muito superior as duas equipes.
No masculino já era diferente. O predomínio era dos europeus. O Brasil conseguiu um honroso terceiro lugar.
A campeã foi a URSS, tendo sido vice a Tchecoslováquia. Um ano após, nas Olimpíadas de Tóquio-64, a URSS foi a primeira campeã olímpica de vôlei.
No feminino, o esperado aconteceu. O Brasil foi o grande campeão, com um time onde atuavam cinco gaúchas.
O público, que lotou todos os dias o Ginásio Universíade, delirou. Foi uma grande comoção o título conquistado pelas brasileiras.

Ginástica
As exibições de ginástica se deram no Ginásio do Grêmio Náutico União.
Os países participantes eram:
Alemanha, Brasil, Bulgária, Cuba, França, Hungria, Iugoslávia, Japão, Noruega, Portugal, URSS, e Venezuela.

As maiores delegações eram Brasil e Cuba, sendo o primeiro representado por seis homens e seis mulheres e o segundo por cinco homens e cinco mulheres.
Os grandes países na ginástica mundial eram a URSS e o Japão.

Equipe Sovietica

Na ginástica feminina, a equipe soviética era bicampeã olímpica.
No masculino individual, Yuri Titov também era bicampeão mundial.
E Larissa Latynina também ganhara as duas últimas olimpíadas. No entanto, os japoneses já haviam se apresentado muito bem na Universíade-61. Lá ganharam o ouro com Takashi Mitsukuri. E as húngaras contavam também com um grande time.
Os japoneses foram as grandes estrelas da ginástica. Ganharam o ouro no solo
Matsomoto Masatake –, no cavalo – Hayata Takuji – e nas argolas dividiram o ouro com a URSS, Kato Takeshi e Laonid Arkaico, respectivamente.
No feminino houve um empate em primeiro lugar entre a húngara Katalin Makray e a soviética Larissa
Latynina.
Dentre os oito países que disputaram a ginástica masculina individual, as três primeiras colocações ficaram com os japoneses.
O experiente Yuri Titov acabou ficando em quarto lugar.
Na disputa masculina por equipe, o Japão também sagrou-se campeão, tendo URSS ficado com a segunda colocação e a Alemanha em terceiro, Cuba ficou em quarto.
Na disputa por equipe feminina, a Hungria ficou em primeiro lugar, tendo a URSS em segundo e Cuba em terceiro.

Basquete
O basquete foi realizado no Ginásio Universíade.
Os países que disputaram foram:
 Argentina, Brasil, Cuba, França, Peru e Uruguai.

Nessa época, os grandes times de basquete eram o norte-americano e o brasileiro, e o Brasil era Bicampeão Mundial, em Santiago do Chile em 1959 e no Rio de janeiro em 1963.
Atrás dessas seleções, que mais se aproximava era a URSS que não veio com time de basquete a Universíade-63.
O Brasil estava em larga vantagem. O Brasil era um grande time.
Quem poderia ameaçá-lo era Cuba, mas ainda estava com um basquete incipiente.
Com todo esse favoritismo, a torcida lotou o Ginásio de forma que os portões eram fechados às 17 horas, mesmo os jogos começando às 18 horas.

Nota:
- Por essa lotação acima da capacidade, um triste episódio ocorreu na Universíade-63:
- Morreu uma moça durante o tumulto de entrada no ginásio. O povo queria entrar de qualquer forma e empurrava a fila, pressionando os que estavam à frente contra a grade. A Brigada Militar tentou segurar o portão de ferro, mas a massa derrubou e a moça foi pisoteada pelo público.

O Brasil havia vencido todas as partidas, Cuba também. Eram as duas únicas seleções invictas.
E, casualmente, estavam com o jogo marcado para a última rodada.
O Ginásio veio à baixo.
O Brasil fez uma grande atuação, com destaque para Jathir e Vitor, ambos com 37 pontos.
No final, Brasil 106 pontos, Cuba 80 pontos.
Foi uma grande festa brasileira.
Em terceiro lugar ficou o Peru.

Tênis
Os Jogos foram realizados nas quadras da Associação Leopoldina Juvenil.
Estiveram presentes tenistas da:
Alemanha, Brasil, Bulgária, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Japão, Peru, Portugal, Tchecoslováquia, URSS, Uruguai.

Os grandes nomes do tênis mundial eram da Alemanha, Itália e Japão. A Universíade-63 só veio confirmar isso.
No torneio simples masculino, a final se deu entre o alemão Bodo Nitsche e o italiano Giordano Majoli. Apesar de o alemão ter ganhado o jogo por três sets a um, a partida foi equilibrada.
A terceira colocação ficou com o japonês Mitsuru Motoi.
Nas duplas do masculino, a Alemanha representada por Bodo Nitsche e Lothar Pawlik bateu o Japão, que contava com Takeshi Koura e Mitsuru Motoi.
A Itália ficou com o bronze.
Nas duplas mistas, deu em primeiro lugar Itália, com Maria Teresa Riedl e Giordano Majoli.
Em segundo lugar ficaram Anick Larue e Michel Leclerrq da França.
O bronze ficou com a Alemanha, representada por Gerda Hausslein e Gerhard Muller.
No simples feminino o ouro ficou com Jitka Horcickova, da Tchecoslováquia.
A prata com Irina Ermolowa, da URSS, e o bronze com a italiana Maria Teresa Riedl.
Nas duplas do feminino, a final foi disputada por Suzane Kunowitz e Vadja Feher da Hungria contra Doris Silva e Maria Puljak do Uruguai. Venceram as húngaras.

Natação
A natação teve lugar nas piscinas do Grêmio Náutico União.
Participaram das disputas nas piscinas atletas da:
África do Sul, Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Espanha, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Iugoslávia, Japão, Peru, Suíça, URSS e Uruguai.

As grandes estrelas da natação mundial daquela época eram os australianos e os norte-americanos, o que ressentiu um pouco o brilho da competição.
No entanto, o nível dos nadadores na Universíade-63 era muito equilibrado, oferecendo grandes emoções.
A natação foi uma grande surpresa.
Foram quebrados 13 recordes, entre mundiais e olímpicos.
A marca que mais impressionou foi obtida pela alemã Bruner, nos 400 metros livres, que melhorou o recorde em mais de sete segundos.
Nos 100 metros masculino, os lugares mais altos do podium ficaram com Hans Klein (Alemanha), Kiyoshi Fukui (Japão) e Gyula Dobay (Hungria).
Nos 200 metros costa masculino, a ordem foi a seguinte: Jozsef Csikani (Hungria), Jan Weeterling (Holanda) e Julio Cabrera (Espanha).
Nos 200 metros peito masculino, o ouro ficou com Ivan Karetnikow (URSS), a prata com Nazario Padron (Espanha), e o bronze com Gianno Gross (Itália).
Nos 400 metros livre masculino, o ouro ficou com Haruo Yoshimuta, (Japão), a prata com Murray McLachlan (África do Sul) e o bronze com Hanss Klein (Alemanha).
Nos 200 metros borboleta masculino, o russo Valentin Kusmin ficou em primeiro, o italiano Federico Dennerlein em segundo e o japonês Isao Nakajima, em terceiro.
Nos 1.500 metros livres masculino, o ouro ficou com o japonês Haruo Yoshimuta, a prata com soviético Piotr Pikaliw e o bronze com o sulafricano Murray McLachlan.
O revezamento 4x100 medley masculino foi vencido pela Hungria, seguido da Itália e da Alemanha.
E no revezamento 4x100 livre masculino o campeão foi o Japão, tendo a Hungria em segundo lugar e a Itália em terceiro.
Nas provas femininas, os 100 metros livres foram vencidos por Csilia Madarasz (Hungria) Maria Frank (Hungria), e Ursel Bruner (Alemanha).
Nos 100 metros costa, ficou com o ouro Maria Balla (Hungria), Olga Korenyi (Hungria) e Ursel Bruner (Alemanha).
Os 100 metros borboleta foram vencidos por Marta Egervari, (Hungria), Olga Korenyi (da Hungria) e Ankie Huselbos (Holanda).
Nos 200 metros peito, as vencedoras foram a húngara Marta Egervari, a francesa Michele Pialat e a brasileira Lísia Barth.
Os 400 metros livre, ficaram com Ursel Bruner (Alemanha), que melhorou muito o recorde, Maria Frank (Hungria) e Hilda Zeier (Iugoslávia).
No revezamento 4x100 o ouro ficou com a Hungria, a prata com a França e o bronze com o Brasil.
No 4x100 medley feminino o ouro ficou com a Hungria, a prata com a França e o bronze com o Brasil. Nessas duas competições havia apenas esses países participando.

Gremio Náutico União
Saltos Ornamentais
Nos Tanques do Grêmio Náutico União.
Apenas quatro países participaram dos saltos ornamentais realizados no tanque do Grêmio Náutico União:
Alemanha, Brasil, Itália e Japão.

Nota:
- O tanque não oferecia boas condições.

No trampolim masculino o ouro ficou com Shunsuke Kaneto (do Japão), a prata com Horst Rosenfeldt (Alemanha) e o bronze com Masaru Ito (Japão).
Na plataforma masculina as medalhas de ouro, prata e bronze ficaram com os mesmo atletas.
No trampolim feminino o ouro ficou com Ursel Hilss (Alemanha), a prata com Helga Berga (Alemanha) e o bronze com Tizu Sato, (Brasil).
Na plataforma feminina o ouro ficou com Barbel Urban (Alemanha), a prata com Helga Berg (Alemanha) e o bronze novamente com Tizu Sato (Brasil).
Outra vez, o Brasil fica com o bronze quando há apenas três competidores.


Pólo Aquático
O Pólo Aquático foi disputado nas piscinas do Petrópole Tênis Clube.
Disputaram medalhas:
África do Sul, Brasil, Hungria, Japão e União Soviética.

As melhores equipes eram URSS e Hungria. Em Sofia, foram respectivamente segundo e terceiros lugares, perdendo para a Iugoslávia, que não trouxe seu time a Porto Alegre.
A supremacia húngara não era apenas tática, era também física. Em quatro partidas a Hungria fez 48 gols, enquanto a URSS fez 30 gols e o Brasil fez 11 gols.
Pobre África do Sul levou 37 gols. Foi o saco de pancadas da competição.
O ouro ficou a Hungria, a prata a URSS e o bronze o Brasil.
Foi um belo resultado, fruto de muito esforço.

- Dos 27 países participantes dos Jogos Mundiais Universitários de 1963, 14 foram os que obtiveram medalhas. Entretanto, pode-se dizer sem medo de errar que a máxima aconteceu:

“O importante é competir,  foi o espírito daquela hoje distante Universíade-63”.


Quadro de Medalhas
Ordem             País                         ouro        prata   bronze  total                                         
1          URRS União Soviética          19            12          3      34
2          HUN Hungria                       18            13          6      37
3          FRG Alemanha Ocidental     10            11        14      35
4          JPN Japão                             9             3           6      18
5          GBR Grã-Bretanha                4             6           3       13
6          ITA Itália                               3             5         10       18
7          POL Polônia                          2             1                      3
8          BRA Brasil                            2                          9        11
9          FRA França                           1            6           3        10
10        CUB Cuba                            1             2           5          8

Nenhum outro país lusófono conquistou medalhas.

Cerimônia de Encerramento

Em 08 de setembro de 1963, houve a cerimônia de encerramento dos Jogos Mundiais Universitários.
O palco foi o mesmo da abertura, o Estádio Olímpico.

Foram homenageados o presidente do Comitê Organizador, José Antônio Aranha, o presidente do Comitê Executivo e da FUGE, Henrique Halpern, e o presidente da FISU, Primo Nebiolo.
Para ter uma idéia da atmosfera do final dos Jogos Mundiais Universitários de Porto Alegre, recorreremos à narração de Milton Ferreti Jung, feita no decorrer do encerramento:
- Estamos chegando à parte final da cerimônia que se realiza no Estádio Olímpico, por ocasião do encerramento da Universíade 1963.
(...) Foi apagado o fogo olímpico. Ficam apenas as luzes que estão debaixo da pira olímpica. Tudo é altamente solene, como o som dos clarins da Brigada Militar e um foguete sobe ao céu, mais outro, e mais outro.
Espoucam os fogos! Oferecendo o espetáculo ao público que aqui se encontra, pois o estádio está às escuras. (...) Um espetáculo bonito e inesquecível. Porto Alegre por muito tempo – talvez jamais – assistirá um espetáculo igual a este. (...) Os fogos iluminam tudo. Aplausos do público a este espetáculo que parece ter chegado ao fim!

Dessa forma, festiva, se encerrou a Universíade-63, tendo sido palco a cidade de Porto Alegre.

1963
Não se passara um ano ainda do evento mais quente da Guerra Fria: - Crise dos Mísseis.
O mundo vivia o pavor de uma guerra nuclear eminente. E no Brasil, isso não era diferente. Mas ao mesmo tempo em que o medo espraiava-se entre as pessoas, o esporte era capaz de proporcionar momentos de alegria e de congratulação entre os povos. Uma competição esportiva como a Universíade-63 despertava paixões, tanto pela prática desportiva quanto pelo sentimento de patriotismo.

O ano de 1963 no Brasil foi um ano de fortes embates político-ideológicos.
Em 06 de janeiro houve o Plebiscito no qual a população optou pelo retorno ao sistema presidencialista de Governo. As posições dos maiores partidos políticos se modificavam em processo acelerado. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) se radicalizava cada vez mais à esquerda, tendo no discurso nacional-reformista seu mote. O Partido Social Democrático (PSD) até então seu tradicional aliado no tempo da experiência democrática (1945-1964) estava em processo de distanciamento político em direção à União Democrática Nacional (UDN), agremiação de cunho liberal-conservador situado à direita no espectro político do período.

No Rio Grande do Sul assumia o Governo do Estado o pessedista Ildo Meneghetti, a política gaúcha há muito já destoando da política brasileira.
O projeto político do presidente João Goulart pode ser descrito como tendo caráter nacional-reformista em razão de pugnar a interferência do Estado na realização de reformas sociais, políticas e econômicas, visando ao desenvolvimento do país. Para esse fim foi importantes a sistematização da Política Externa Independente, a criação do 13º salário, o Estatuto do Trabalhador Rural – que levava os direitos sociais aos trabalhadores do campo, a Lei da Remessa de Lucros (que limitava o envio de capitais para o exterior) e a criação da Universidade de Brasília (UNB) e Eletrobrás.

A tradição da bipolaridade política gaúcha se acentuava ainda mais numa conjuntura internacional também bipolar.

No entanto, trazer a Universíade-63 para Porto Alegre se não foi um momento de trégua política, pois os ânimos assim não o permitiam, foi um período de tolerância.

Considerações Finais
O mundo estava dividido naquele início da década de 1960.
Era o auge da Guerra Fria e os países do globo acabavam alinhando-se as duas superpotências de então. No entanto esse alinhamento era muito mais favorável as superpotências do que aos países alinhados, pois a Guerra Fria era uma constante dominação sobre os povos e as economias locais.

No Brasil, a Política Externa Independente procurava uma nova forma de relacionar-se com os demais países do globo. E uma forma de atração a esses países, com vistas comerciais e econômicas, poderia ser o esporte. Não há fator de aglutinação social melhor do que o esporte. O esporte é uma referência positiva em qualquer sociedade, seja ela capitalista ou socialista. É através do esporte e do ideal olímpico que se adquire o “homem completo”.

Havia uma alternativa a mais então para os planos da Política Externa Independente: patrocinar em terras brasileiras uma competição esportiva de nível mundial. Por isso que foi trazida a Universíade-63 para o Brasil. Através dela se conseguiria uma excelente divulgação do Brasil para o restante do mundo.
Afinal, a Universíade tinha todas as características de uma Olimpíada. O mundo estaria com suas atenções voltadas para o Brasil, o que constituiria um marco interessante para novas relações comerciais internacionais.
Então, pode-se perceber que houve uma intencionalidade por parte do governo, especialmente o Governo Jânio Quadros, na busca da Universíade para o Brasil. Através dela, seriam favorecidos os contatos para novas relações comerciais com outros países, mesmo que ideologicamente diferentes do Brasil.
Mas por que Porto Alegre sediar esses Jogos? Porto Alegre estava em um momento particularmente privilegiado. Por terem sido realizados no mesmo ano os Jogos Pan-Americanos em São Paulo, a grande metrópole estava descartada de qualquer possibilidade de sediar a Universíade-63. Minas Gerais tinha um belíssimo estádio, há pouco construído, o Mineirão. No entanto, não teve força política suficiente para garantir a conquista. Porto Alegre teve.
Suas entidades de esportes estudantis tinham peso político com as entidades nacionais. A cidade queria o evento. E o Governo do Estado investiu de forma pesada para viabilizar os Jogos Mundiais Universitários. Mesmo sendo um governado de oposição ao governo central do Brasil, o Governador Ildo Meneghetti viu na idéia dos Jogos um forte componente político. Para ele era uma boa forma de promoção. Tratou de pôr a estrutura do Estado a favor da Universíade, contando inclusive com ativa participação do Secretário da Fazenda do Estado na realização dos Jogos.

Para Porto Alegre foi bom.
Ela esteve no centro do mundo por alguns dias.
Estabeleceu-se relações sociais com pessoas de diferentes procedências, o que foi enriquecedor para parte da população que pode se integrar ao evento.
Em termos econômicos foi bom, pois os atletas e membros da imprensa mundial fizeram muitos gastos aqui, e uma propaganda positiva da cidade para o mundo. Além disso, a cidade ganhou importantes espaços de integração esportiva, sendo o maior deles o Ginásio Universíade.

Por fim, através da Política Externa Independente - PEI, que mesmo não atingindo plenamente suas ambições por particularidades históricas bem conhecidas, o Brasil se integrou ao mundo e ajudou na busca pela paz, pelo congraçamento dos povos.

Referências:
Texto adaptado de Charles Sidarta Machado Domingos

CARRAVETA, Elio Salvador. O Esporte olímpico. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1997.
DILLENBURG, Sérgio. Correio do Povo: História e Memória. Passo Fundo: Editora da UPF, 1997.
DOMINGOS, Charles Sidarta Machado. Política Externa Independente e Guerra Fria: intrincadas relações de um golpe militar no Brasil. In: WASSERMAN, Claudia;
GUAZZELLI, César A. B. (orgs.) Ditaduras Militares na América Latina. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, pp.205-215.
FONSECA, Pedro Cezar Dutra. A crise do Governo Goulart: uma interpretação. In: Encontro Nacional de Economia Política. Anais [recurso eletrônico]. Uberlândia: SEP, 2004, 28p.
HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
KOCH, Rodrigo. Universíade 1963: História e resultados dos Jogos Mundiais Universitários de Porto Alegre. São Leopoldo: Editora da Unisinos, 2003.
NOGUEIRA, Maristel Pereira. Universíade de 63: reconstrução da memória através da perspectiva dos jornais. Porto Alegre: Dissertação de Mestrado, PUCRS, 2004.
TRINDADE, Hélgio; NOLL, Maria Izabel. Rio Grande da América do Sul: partidos e eleições (1823-1990). Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1991.
VIZENTINI, Paulo G. F. Relações Internacionais e desenvolvimento: o nacionalismo e a Política Externa Independente. Petrópolis: Vozes, 1995.

Fontes Primárias:
Boletim da Universíade-63. Porto Alegre, Números 01, 03,04. Agosto e setembro de 1963.
Jornal Correio do Povo, Porto Alegre, edições de agosto e setembro de 1963.

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