Bem Vindo

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sexta-feira, 9 de março de 2012

Turfe em Porto Alegre (Em Montagem)

Turfe e Prado
E Porto Alegre
- O Turfe pode ser definido, como uma prática que envolve “corridas de velocidade” com “cavalos”.
O turfe não é, somente disputas de velocidade a cavalo, mas sim como corridas de cavalos organizadas por associações esportivas. Ainda podemos acrescentar que tais corridas, nas quais os cavalos são conduzidos por um “jóquei” (o cavaleiro), sempre são realizadas em pistas ovais, quadrangulares, circulares ou elípticas, de grama ou areia.

Nos Bons Tempos... – Em Porto Alegre

- Os luso-brasileiros, inicialmente, dedicavam-se à promoção de atividades culturais, como a dança e o folclore. 

- O significado do “cavalo” no estado do Rio Grande do Sul, como recurso de guerra, de lazer, e como meio de transporte, foi comum desde o século XVIII, as corridas de cavalos atraírem grande parte da população.
Dentre os criadores de cavalos e incentivadores das corridas, encontrava-se uma maioria de luso-brasileiros.

- Somente a partir da segunda metade do século XIX, este grupo passou a incentivar a prática do “turfe” na cidade.
Esse período coincide com a época em que ocorreu a origem dos primeiros prados em Porto Alegre, por volta do último quarto do século XIX.
A partir de então, se evidencia que a adesão a esta prática possibilitou a propagação do esporte na cidade.

- Em meados do século XIX, os gaúchos estavam acostumados a cavalos rústicos e canchas retas.
 A diversão predileta dos porto-alegrenses eram as “corridas de cavalo” conhecidas por “carreiras em cancha reta”.

- As carreiras de cavalos, realizadas freqüentemente no Morro de Teresópolis, representavam um momento de reunião social e festiva, no qual as mulheres organizavam piqueniques.

- Essa modalidade eqüestre associava-se a uma aristocracia de origem rural, de importantes famílias possuidoras de chácaras, que foram ocupando espaços na cidade. Como reflexo dessa elite luso-brasileira patriarcal rural, com a qual o turfe porto-alegrense vinculava-se, observava-se a presença marcante dos homens oriundos dessas famílias nos prados da cidade, relegando o papel feminino no cotidiano turfístico ao mero acompanhamento de seus pais ou maridos, além de atentar à moda e à elegância, embelezando os prados.

- As carreiras envolviam apostas em dinheiro e visavam indiretamente melhorar a raça dos animais pelos criadores de cavalos.

- Não se pode afirmar que não havia associativismo no contexto do turfe porto-alegrense, uma vez que a criação dos prados e sociedades turfísticas, em meados do século XIX, envolvia significativa organização, além de incluir símbolos e comportamentos.

- Mesmo apresentando um caráter predominantemente mercantil, visando a lucros financeiros com as apostas, caracterizando o turfe eminentemente como um “jogo de azar”, tais agremiações possivelmente já podem ser consideradas como uma forma primária de associação em função dessa prática.

- A tradição da elite rural portuguesa na criação de cavalos foi um dos fatores que favoreceu a fundação dos primeiros “hipódromos” (prados) em Porto Alegre.

- Quando surgiram os hipódromos, as corridas de carreiras começaram a perder espaço. (Franco, 1988)

- O termo “prado” como sinônimos dos conceitos de hipódromo, teve sua origem em razão das amplas áreas verdes onde eram construídos os hipódromos no estado do Rio Grande do Sul.
Em função disso, os freqüentadores começaram a denominar esses locais de “prados”, já que todos eles se situavam em meio à “campinas planas”, cobertas de pastagens.

- Enquanto prática esportiva, o “turfe” mobiliza mais do que apenas o conjunto cavalo e cavaleiro, necessitando de um espaço específico para a sua prática.

- O “hipódromo”, é o local adequado para a prática do “turfe”, constituído de uma pista (de diferentes dimensões e formatos), arquibancadas, estrutura para a preparação dos cavalos para as corridas (local de encilhamento), casa de apostas, além da parte de convívio e parte social (bares e/ou restaurantes).

- Ainda é destacado por Melo (2007b) o fato de que, no Brasil, os hipódromos foram as “primeiras instalações especificamente dedicadas à prática esportiva”; além disso, adota o termo prado de maneira intercambiável e equivalente a hipódromo.
Estes locais foram, paulatinamente, se disseminando por Porto Alegre e contribuíram para o alargamento de suas fronteiras através da criação de novos bairros.

Cronologia

Em 1856, ano em que foi registrada a primeira importação oficial de um “puro-sangue-inglês” no Rio Grande do Sul, viu-se chegar o primeiro animal mais nobre e veloz.

- Procedentes da Inglaterra, esses animais chegaram a bordo do “vapor Avon”. Tal iniciativa pertenceu ao criador de cavalos José Ferreira Porto.
A partir desses animais, foram dados os primeiros passos para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da criação de cavalos no Estado. Iniciava-se uma transformação paulatina, primeiramente, mas que não seria mais interrompida. Esses já eram sinais de que os tempos estavam mudando.

- A Inglaterra, de onde procederam os exemplares da raça puro-sangue-inglês, era o parceiro comercial de maior importância do Brasil na época.
Durante todo o século XIX, a Inglaterra constituía a maior potência não somente econômica como também militar do mundo. Sendo assim, sua cultura, seus costumes e hábitos exerciam grande influência na elite brasileira, o que inclui o entusiasmo pelas corridas de cavalos.

“O turfe, no continente europeu, era considerado o esporte dos reis, já que todas as monarquias sempre foram apaixonadas por cavalos (Espanha, Inglaterra, Itália e França)” (DUARTE, 2000).

- O advento das corridas em pistas circulares ou elípticas, além do fato de que as corridas de cavalos passaram a constituir espetáculos ainda mais emocionantes, levou a um aumento na afluência, passando a exigir locais mais adequados para o público (BISSÓN, 2008).
A partir disso, surgiram vários prados. E era necessário investir para fundar um prado com pista e arquibancada.
Todos os prados implantados em Porto Alegre no final do século XIX pertenciam a associações anônimas, as quais também tinham como meta lucros mercantis.

Em 1872, inaugura-se o primeiro Prado denominado Derby Club, na Várzea, atual Parque Farroupilha. (Lemos, 1919)

O ano de 1877, quando foi criado o primeiro prado na cidade, é o marco temporal, o qual se estende até o ano de 1910, quando restou apenas um prado na cidade, em razão da “crise na prática turfística” em Porto Alegre.

Em 1877, é inaugurado o Prado Porto Alegrense, na Estrada Mato Grosso (atual Avenida Bento Gonçalves com Rua Vicente da Fontoura no Bairro Santana).
Contou com o apoio de médicos, militares, conselheiros e industrialistas criadores de cavalos.

Em 1880, o Prado Porto Alegrense fechou, sem motivo aparente, após três anos de funcionamento.

Em 23 de maio de 1880, no mesmo local do Prado Porto Alegrense, foi instalado o Prado Boa Vista; localizado na Rua Boa Vista, atual Rua Vicente da Fontoura, pelo mesmo grupo, que já havia contribuído com recursos financeiros para a construção do prado anterior.
Esse prado, até o encerramento de suas atividades, no final de 1907, trouxe desenvolvimento para este bairro.

Em 06 de fevereiro de 1881, foi inaugurado o Prado Rio-Grandense ou “Hipódromo Rio-Grandense”, sob direção do engenheiro francês Eugenie Plazollesício, situado na Rua 13 de Maio (atual Avenida Getúlio Vargas), onde funcionou o Parque de Exposições Menino Deus (atual Secretaria da Agricultura do estado do Rio Grande do Sul). no arraial do Menino Deus, atual bairro Menino Deus.
O Prado Rio-Grandense tinha uma proposta diferenciada do Prado Boa Vista, pois permitiu a incorporação de um costume oriundo das carreiras em cancha reta: os desafios particulares (FRANCO, 1998).
Esta particularidade foi um dos motivos que favoreceu a conservação do prado por 18 anos, na atual Avenida Getúlio Vargas, até o ano de 1909, , quando Porto Alegre já acumulava um número expressivo de associações de remo e foot-ball.
 Nesse sentido, Rozano e Fonseca (2005) apontam a existência do prado como auxiliar à expansão e ao crescimento do Bairro Menino Deus.

Em 1891, nesse movimento de valorização do turfe na cidade, outro prado foi criado o Prado Navegantes, localizava-se no bairro homônimo, na antiga Rua do Prado (atual Rua Lauro Müller), primeiro em razão do ramal ferroviário e depois a expansão do sistema de bondes ao Bairro Navegantes.

Entre os fundadores do Prado Navegantes, estava Germano Meisterling e o coronel Jacob Kroeff Filho, sendo este um dos primeiros criadores de cavalos na cidade de Novo Hamburgo, antigo distrito de São Leopoldo, e incentivador das corridas de cavalos.

- Na sociedade que administrava o Prado Navegantes, havia turfistas de São Leopoldo, porém não há registro oficial a este respeito, a não ser em comentários de jornais da época, como o Jornal do Comércio, o qual frisou que o prado “divulgava muita animação às corridas e grande número de pessoas vindas de São Leopoldo” (FRANCO, 1998, p. 205).

- Esse prado enfrentou problemas, desde a fundação, com as cheias do rio Guaíba, porque não havia sistema de drenagem.

- Encerrou suas atividades em 1906, quando sofria uma forte concorrência do movimento de apostas dos outros prados e, concomitantemente, uma decadência que atingia, de modo geral, o turfe em Porto Alegre.
.
Em 1890, a década do auge do “turfe portoalegrense”, considerado um dos principais espetáculos esportivos até o início do novo século (século XX).

A atividade turfistica em Porto Alegre ganhou impulso com uma sociedade                 (inicialmente chamada Turf Club) que organizava carreiras no Prado Riograndense, inaugurado em 1881 e re-inaugurado em 1891.

Em 1894, depois da implantação da primeira linha de bondes nos altos da Independência foi construído o Prado Independência – também conhecido como “Hipódromo Moinhos de Vento”, no final da linha do bonde N. S. Auxiliadora (atual Rua 24 de Outubro).
Era o melhor dos quatro prados da capital, elegante, espaçoso e com uma pista de 1.000 metros.

- A instalação do hipódromo; e a expansão do serviço de bondes na Rua da Independência, repercutiu no calçamento e intensificação da construção civil.
A Rua da Independência tornou-se um ponto elegante da cidade, com forte concentração de moradores abastados.

Desde 1894, já se noticiava corridas nos Moinhos de Vento, no chamado Prado Independência, no local que mais tarde seria oficializado como Hipódromo dos Moinhos de Vento.
(cf. Franco (1993, p. 101; 2000, p. 59); Ribeiro (1944, p. 26-7 e 57); Rozano (2001, p. 54)

- A harmonia entre as entidades durou pouco tempo e a fusão entre os clubes promotores, surgiu como a única alternativa capaz de superar a crise do turfe porto-alegrense, o Derby Club, com sede no prado Independência.

- De duração efêmera, posto que elementos descontentes re-abriram os hipódromos do Menino Deus (onde se organizou o Turf Club) e do Partenon (Boa Vista) com o nítido propósito de combater o Derby Club.

Na transição do século XIX para o XX, funcionavam, simultaneamente, em Porto Alegre, quatro prados, os quais contribuíam para o desenvolvimento dos bairros onde se localizavam.

No início do século XX, os espaços do turfe cedem seu lugar aos “primeiros clubes de futebol” em Porto Alegre, que iniciam em 1903.

- A crise desencadeada no “turfe” de Porto Alegre foi gerada por uma série de fatores, seu enfraquecimento está relacionado à transição para um novo modelo de sociedade, a “cultura burguesa em formação”.
O palco dessa crise foi Porto Alegre – capital do estado do Rio Grande do Sul. Além disso, a capital foi o centro das atividades turfísticas do Estado e a região onde se concentraram os luso-brasileiros, que impulsionaram a prática do turfe.
O turfe era uma prática restrita as elites rurais freqüentadoras dos hipódromos, que retratavam uma sociedade colonial e arcaica.
O turfe passou a ser associado ao atraso de Porto Alegre, que desejava tornar-se uma cidade moderna, tendo como referência a capital da república, Rio de Janeiro, e cidades européias.
Havia uma “concorrência excessiva” entre os prados.
A “crise econômica” derivada da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul ocorrida no período de 1893/1895, foi outro motivo.
O turfe era uma prática restrita as elites rurais freqüentadoras dos hipódromos, que retratavam uma sociedade colonial e arcaica.
O turfe passou a ser associado ao atraso de Porto Alegre, que desejava tornar-se uma cidade moderna, tendo como referência a capital da república, Rio de Janeiro, e cidades européias.
O “futebol” estava associado à modernidade, assim como o “cinema”.
As “associações de remo” também disputam um espaço significativo com o turfe no âmbito das representações sociais.

- A elite luso-brasileira apresentou resistência à incorporação das novas práticas esportivas (em especial, o “futebol”), procurando reanimar o turfe na cidade.
Com a finalidade de promover a prática turfística, pela primeira vez, e não simplesmente lucrar com esse esporte.

- Não se conformando com a situação do turfe em Porto Alegre e suas entidades, José Joaquim Silva de Azevedo, tratou de organizar uma nova associação turfística convocando cidadãos de alta representatividade no meio empresarial, político e desportivo.

Em 07 de setembro de 1905, é fundada a Associação Protetora do Turf por José Joaquim Silva de Azevedo, justamente na data comemorativa da “Independência do Brasil”.

- Contudo, não se optou por tal simbolismo devido ao nome do prado escolhido para sediar tal agremiação, o Prado Independência, mas sim em função de estar associado à idéia e ao objetivo expressos e registrados na ata histórica, a qual oficializou a fundação: - promover a unificação e impulsionar o esporte hípico em Porto Alegre.

- Aqueles desinteressados em lucros passariam a prestigiar o turfe, protegendo-o dos tribofeiros, aqueles que realizavam “falcatruas”, confusões, polêmicas, brigas de inúmeras naturezas nos eventos de turfe.
Nesse sentido, após uma série de iniciativas isoladas, sem sucesso, os admiradores do turfe consolidavam uma nova sociedade, a qual incentivaria o turfe como um esporte, e não mais como um simples jogo de azar.

- Desde a organização dos “primeiros prados” em Porto Alegre até a fundação da Associação Protetora do Turfe, no início do século XX, evidenciou-se a presença marcante de nomes e sobrenomes de “luso-brasileiros” nos quadros dirigentes das associações. (MAZO; FROSI, 2009)

Os nomes e sobrenomes luso-brasileiros dos quadros dirigentes apontam nessa direção, desde a fundação até o final da década de 1920.
Por exemplo, o primeiro diretor da associação chamava-se Oscar Canteiro, e um dos destacados diretores por sua atuação foi Antonio Pedro Caminha. Mesmo com o esforço dos integrantes da Associação Protetora do Turfe, restou somente um espaço para a prática do turfe em Porto Alegre: - o prado que sediava a associação, o Prado Independência.

Em 03 de novembro de 1905, a Associação Protetora do Turf teve sua corrida inaugural no Hipódromo Independência que foi posteriormente denominado de “Moinhos de Vento”.

Em 1909, no Prado Riograndense, é disputado o “primeiro Grande Prêmio Bento Gonçalves”, organizado pelo coronel Antônio Pedro Caminha, e com auxílio do governo do Estado, então exercido pelo governador Carlos Barbosa.
Competiram animais locais e estrangeiros, sendo vencido pelo uruguaio Aguapehy .

Em 1909, no final do ano, os prados Bôa Vista, Navegantes e Riograndense, já haviam fechado suas portas.

- As disputas no turfe reuniam a elite portoalegrense e visitantes ilustres como: - Carlos Barbosa, Assis Brasil, José Montaury, Flores da Cunha, Oswaldo Aranha, Getúlio Vargas e João Goulart.
(Franco; Silva e Schidrowitz, 1940; Franco, 2000)

- Em Porto Alegre organizou-se corridas a “moda inglesa” com a fundação da Sociedade Protetora do Turfe.
Devem ser mencionadas duas sociedades turfísticas com matriz cultural luso-açoriana que existiram nos primórdios do turfe porto-alegrense organizando corridas:

- O Derby Club, com sede geográfica na Várzea da Redenção, fundado em 1872 e perdurando até o final do século XIX. (cf. Pimentel, 1945, p113),

- A Associação do Prado Navegantes, fundado em 1891 e funcionando até 1906. (cf. Franco (2000, p. 59) e Werner (2001, p. 62)

Em, 1910, o prado da sociedade Derby Club (Associação Protetora do Turf) passou ao Prado Moinhos de Vento, onde foi disputado o “segundo Prêmio Bento Gonçalves”.

- A sede social da Sociedade Protetora do Turfe localizava-se na Rua Andrade Neves, centro de Porto Alegre.

- A entrada principal do Hipódromo era na própria Rua 24 de Outubro, servida pelos trilhos de bonde da linha “N. S. Auxiliadora”, que, em dias e horários de corrida, mudava o nome para “Prado”.
Cocheiras e dependências de tratadores ficavam próximas da pista, num arremedo de “vila hípica” onde, várias famílias moravam.

- Hoje, as pessoas que correm pelo “Parcão” (Parque Moinhos de Vento) nem sabem que existiu ali um hipódromo vibrante, pequeno, que, para completar corridas de maior distância, tinha de dar voltas passando pelo pavilhão várias vezes, até a chegada final.
Ali se disputavam grandes prêmios do turfe gaúcho, dentre eles o GP “Bento Gonçalves”, famoso em todo o país.
Se apresentaram cavalos, como a famosa égua ‘Corejada’, do “Studio Arado”, de Breno Caldas (dono do Correio do Povo), montada pelo grande jóquei Antonio Ricardo.

- Naquele tempo a partida não era mecânica. O “starter” tinha de ficar de olho vivo para o alinhamento enquanto os cavalos, muitas vezes indóceis, se mexiam à vontade chegando a atravessar a fita. Ela era reerguida, mas atrasando a partida do páreo.

Nota:
- O jóquei Armando Reyna tinha uma tática: - ele se posicionava um pouco atrás, na largada. Quando intuía que o starter estava prestes a levantar a fita, arrancava forte e passava pelos adversários ainda parados. Levantando poeira, aos gritos de “pega na cola”, torcedores de Reyna assistiam a largadas inesquecíveis.

O Grande Prêmio Protetora do Turfe no Hipódromo do Moinhos de Vento, levava sempre um grande público ao evento.
A prova é disputada tradicionalmente no dia “7 de setembro”, data da fundação da entidade pioneira de corrida de cavalos em Porto Alegre, a Sociedade Protetora do Turfe, fundada em 1905.

- Era muito fácil ir ao Prado nos anos 1940 e 1950.
Pelas grades vazadas de ferro da Rua 24 de Outubro viam-se os apostadores formando filas nos guichês de apostas, a menos de cinqüenta metros de distância da calçada.
Via-se também a entrada do “Pavilhão Social do Jockey” e os caminhos que levavam ao “paddock” (Paddock é a edificação encontrada nos circuitos de automobilismo para abrigar o pessoal das equipes, veículos, oficiais de prova e convidados).

- As corridas eram realizadas aos sábados e domingos. E, se não era um dia de grande prêmio, grupos de amigos e amigas podiam, sem problemas, entrar sem filas e se aboletar nos bancos de madeira do Pavilhão Social do Jockey, ver duas ou três corridas e, depois, passear pelo bairro dos Moinhos de Vento ou fazer outros programas. Era tudo muito perto.

Herma em homenagem ao Coronel Caminha, atual Comendador Caminha, este monumento foi transferido do Prado Moinhos de Vento para o Hipódromo do Cristal

- O desencadeamento de uma crise à prática turfística porto-alegrense deveu-se a variados fatores.
Dentre eles:
- A emergência de novas práticas esportivas, como o remo e o futebol, por exemplo, as quais valorizavam a participação humana mais efetiva na prática de esportes em detrimento da grande dependência de um animal, expressando a mudança de valores cultivados com a virada do século,
- A expansão da cidade,
- A concorrência excessiva entre as organizações turfísticas dos distintos prados,
- A crise econômica advinda da longa Revolução Federalista (1893/1895), também contribuiu para o agravamento da situação do turfe na cidade.

Bar do Demétrio

- Em Porto Alegre existiu o Bar Demétrio, que ficava a duas quadras do Jockey Club do Rio Grande do Sul, onde está hoje o Parque Moinhos de Vento, popularizado como 'Parcão’.
O hipódromo era pequeno, mas central.
O bar ficava na Rua 24 de Outubro, artéria movimentada que unia a Rua da Independência, que começava no centro até chegar à Praça Júlio de Castilhos.
A turma que freqüentava o Demétrio era gente ligada ao Prado, tratadores, jóqueis, cavalariços, jornalistas, submundo do turfe e garotada de classe média do bairro.

- Os filhinhos de papai bebiam “Cuba Libre” (mistura de rum e coca-cola) com pedras de gelo, em copo alto.

- Os que tinham menos grana tomavam “Samba” (cachaça com coca-cola).
Pela cor não se distinguia uma da outra. E ninguém era humilhado. Teve até uma marchinha de carnaval que dizia:
‘Vamos tomar / Assim / ‘Samba’ em Berlim / Bim bim / Eu levo a cana / E você a coca’.

Em dezembro de 1944, na sede social da Sociedade Protetora do Turfe, na Rua Andrade Neves, na gestão de Cneu Aranha, foi realizada uma assembléia geral extraordinária e alterado o nome da Sociedade de Associação Protetora de Turf, passou a se chamar de Jockey Club do Rio Grande do Sul, com jurisdição para captar apostas em todo o Estado do Rio Grande do Sul, excetuando-se nos municípios que possuem Jockeys Clubs com carta patente fornecida pelo Ministério da Agricultura.

Em 14 de janeiro de 1945, foi realizado o lançamento da pedra fundamental do Hipódromo do Cristal, Jockey Clube do Rio Grande do Sul, no bairro Cristal, em área aterrada do Guaíba.

Em 1959, a Sociedade Protetora do Turfe que mantinha o Hipódromo Moinhos de Vento, transferiu-se para o terreno do bairro Cristal.

Na primavera de 1959, foi corrido o “último páreo” no Prado dos Moinhos de Vento, vencido pela égua ‘Tributada’, montada pelo jóquei Nereu Severino.

- A área do Prado Moinhos de Vento passou, assim, à Prefeitura de Porto Alegre, que a transformou no Parque Moinhos de Vento.

- A construção do novo hipódromo, popularmente chamado de “Hipódromo do Cristal”, devido a sua localização no Bairro Cristal, teve o apoio da “Associação Protetora do Turf”.
O Jockey Club do Rio Grande do Sul praticamente eliminou as carreiras em cancha reta, mesmo porque, estas não poderiam acolher um grande público.
O Hipódromo do Cristal está localizado às margens do Rio Guaíba, no bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre.
A nova sede do Jockey Club foi construída na área onde antes se localizava a hospedaria para imigrantes do governo do estado.
A hospedaria já vinha sendo utilizada como quartel de treinamento para montaria desde que Bento Gonçalves trouxe a Brigada Militar para a antiga construção.

- Considerada uma obra-prima na época de sua inauguração, depois de cerca de dez anos de obras, exigindo aterro hidráulico de um trecho da margem do rio Guaíba.
Os prédios foram desenhados pelo arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri.
As arquibancadas, de frente para a pista estão em três pavilhões.
- O pavilhão da direita é conhecido como “pavilhão popular”.
- O “pavilhão central ou social” é destinado aos sócios do Jóquei e a jogadores mais tradicionais, é também onde funcionam as apostas ministradas pela multinacional espanhola ligada ao turfe, a Codere.
- O pavilhão da esquerda, denominado “pavilhão Padock” é aberto ao público de modo geral, e é o menor de todos.
Neste pavilhão está localizada a “cabine de imprensa”.

A área total do Hipódromo do Cristal é de 59 hectares, sendo que a Vila Hípica ocupa aproximadamente 18 hectares.

Dimensões da Pista:
- Sua principal de areia, com perímetro interno de 1.928 metros, e sua pista de grama tem 1.780 metros.

- A primeira prova disputada no novo Hipódromo do Cristal foi um páreo comum, vencida pelo animal ‘Duelo’, com o jóquei Mário Joaquim Rossano.

Em 26 de outubro de 1965, à noite, na gestão do presidente Fernando Jorge Schneider, foi inaugurada a iluminação para corridas noturnas no Hipódromo do Cristal.

- Os pavilhões do Hipódromo do Cristal foram tombados pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre “motivado pelo reconhecimento da qualidade de seu projeto, que utiliza com maestria o repertório da arquitetura modernista com a escola carioca” (palavras do arquiteto Flávio Kiefer).

Bibliografia

Nestor Magalhães: É o 93º Bento. In: Mundo do Turfe nº 40 , 16/03/2002, Cachoeira do Sul
Mario Rozano e Ricardo Franco da Fonseca. Jockey Club - Histórias de Porto Alegre. Ed. Nova Prova, Porto Alegre 2005; Resumo em: Almanaque Gaucho de Olyr Zavaschi, de Zero Hora edição de 18/06/2008
Ester Pereira & cols.; História do Turfe em Porto Alegre
Ester Liberato Pereira, Carolina Fernandes da Silva, Janice Zarpellon Mazo, O turfe em Porto Alegre/Rio Grande do Sul: - Aspectos históricos de uma prática cultural esportiva.

GP Bento Gonçalves

O Grande Prêmio Bento Gonçalves é a “prova máxima brasileira”, para cavalos da raça Puro Sangue Inglês de Corrida (thoroughbred) disputada em pista de areia.

É organizado pelo Jockey Club do Rio Grande do Sul, e seu palco atual é o Hipódromo do Cristal em Porto Alegre.
É uma corrida de galope plano, sempre em pista de areia e se destina à participantes nacionais e estrangeiros de três anos ou mais idade.

Foi criado com auxílio do Governo do Estado (governador Carlos Barbosa), para desenvolver a prática do “turfe”.
Dentre as solenidades que antecedem a prova apresenta-se a Banda da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Data da Competição
- A data de sua realização tradicionalmente é a do feriado de Proclamação da República do Brasil no “dia 15 de novembro”, mas ela vem sendo alterada, em geral por adequação a transmissão televisiva (simulcasting com outros hipódromos).

A Competição
- Foi disputado pela primeira vez em 1909 no Prado Rio-Grandense, no bairro Menino Deus, sob controle da Associação Protetora do Turfe, (que mais tarde teria sua denominação alterada para a atual) sob a presidência do Cel. Antônio Pedro Caminha. Foi vencido pelo uruguaio Aguapehy.
Em 1910, passou a ser disputado na pista do Moinhos de Vento, onde em 1894 se fundara o Prado Independência.
A primeira disputa no novo hipódromo foi vencida pelo francês Pharamond.
O primeiro corredor nacional a vencer esta prova, foi Chrysanthemo, em 1927 , filho do norteamericano importado Dreadnought , segundo colocado no GP Bento Gonçalves de 1919.

Curiosidades Turfísticas
-O último Grande Prêmio Bento Gonçalves disputado no Hipódromo Moinhos de Vento foi vencido pelo maior craque que correu nessa raia: - Estensoro, montado pelo jóquei Antônio Ricardo.
Em 1960 passou ao recém-inaugurado Hipódromo do Cristal, onde, em sua primeira edição, venceu o gaúcho Zago ( filho do importado argentino Don Jose), conduzido pelo jóquei Oracy Cardoso, derrotando Gavroche por meia cabeça de diferença.
O animal que pela primeira vez venceu três vezes consecutivas a competição foi El Asteroide , com o jóquei Albenzio Barroso, nos anos de 1964, 1965 e 1966, o que o deixou como referencial da prova na memória turfística do sul do Brasil.
O argentino Chupito (filho do também argentino Electrodo) foi o único que venceu, além do G P Bento Gonçalves - o que ocorreu em 1973, montado pelo jóquei Hugo Lopez, as mais importantes provas da Argentina e do Uruguai: - o Carlos Pellegrini e o Ramírez - o que ocorrera no ano anterior .

Resultados

Hipódromo do Cristal – Jockey Club do Rio Grande do Sul

Legenda:
ANO VENCEDOR (FILIAÇÃO) DISTÂNCIA em Metros SEGUNDO COLOCADO , TERCEIRO COLOCADO TEMPO em segundos

2011 STOCKHOLDER ( DANCER MAN & SWEET BISCUIT ) 2400M GRAPETTE REPETE , FORCE TO FORCE 150s7/10
2010 QUANTO MAIS ( P T INDY & VALE MAIS ) 2400M DECRIRE , SIGA GOLD 149s5/10
2009 GOECOCHEA ( IBERO & IMAGIN ) 2400M STARMAN , MY MAJESTY 151s
2008 STARMAN ( TREMPOLINO & SWEET MIND ) 2400M JAGUANUM , BETTER BE GOOD 150s3/10
2007 STARMAN ( TREMPOLINO & SWEET MIND ) 2400M PTPRINCE , REALLY THE FIRST 150s8/10
2006 MATA LEAO ( SKI CHAMP & JANDIRA BABY ) 2400M PAPIER ZOUK , ORIENT INEXPLICABLE 151s6/10
2005 EAGLE PINES ( GHADEER & VERDADE ) 2400M MYSTIC SUNSET , IMMINENT DANGER 150s9/10
2004 AMOR ETERNO ( ONLY ONCE & TERTRY ) 2400M ISIDORITO , MYSTIC SUNSET 155s
2003 HEROS SON ( MUCH BETTER & SUNNIBEL ) 2400M ZECOLMEIA , TELLUS 152"3/10
2002 HEROS SON ( MUCH BETTER & SUNNIBEL ) 2400M LUCKY LOAD , EVANDER 153s
2001 ELO DE PRATA ( OUR CAPTAIN WILLIE & CLAU JOHNSEN ) 2400M MUCHO DINERO , HANGARITO 153s
2000 HOROWICKS ( QUINTUS FERUS & MISS LONDON ) 2400M HANGARITO , LIBERTINO 149s7/10
1999 GRAN RICCI ( LODE & MISS CLEEF ) 2400M ASSAULTING RIDE , FIGHTING IRISH 150s
1998 JACK GRANDI ( KIGRANDI & DREAM OF KENTUCKY ) 2400M HONEY STREET , GRAN RICCI 148"5/10
1997 KASHMIR VALLEY ( UN ETENDARD & EXCLUSIVIDAD ) 2400M INDULGENTE , FIRST DIPLOMAT 151"5/10
1996 MANDO TOSS ( EGG TOSS & MANDANTE ) 2400M SOFT GOLD , FIRST DIPLOMAT 153"1/10
1995 CEST DONZY ( GOOD DONZYL & CECILE ) 2400M NOON SET , WULARO ROAD 151s
1994 SUPER PURPLE ( PURPLE MOUNTAIN & MANAMAKI ) 2400M DON FIGHTER , EBANO-DAY 151s
1993 FREE HO ( FREE HAND & HOVENIA ) 2400M CHARLIE BROWN CALL ME FURY 151"1/10
1992 DON NIGE ( GAIANO & NIGELA ) 2400M HOLLYWOOD CHAMP BESANCON 153"1/10
1991 AIOROSO ( DEBIQUE & ILLIMANI ) 2400M HIPER GENIO , HARVEST MOON 156s1/10
1990 ARDITO ( KIGRANDI & GUARAVIRA ) 2400M HIPER GENIO , PELILORE 151"2/5
1989 PELECHO ( RIO BRAVO & RAFA ) 2400M ASK ME WAY , HIPER GENIO 153s
1988 HIPER GENIO ( VIZIANE & SCOTTISH QUEEN ) 2400M ENDYKID , FORT DE FRANCE3 152"1/5
1987 ELDAN ( ESBIRRO & COLUMPIA ) 2400M URUMAJO , HIPER GENIO 155"1/5 5
1986 HIPER GENIO ( VIZIANE & SCOTTISH QUEEN ) 2400M ELDAN , LUBANGO 157s
1985 HIPER GENIO ( VIZIANE & SCOTTISH QUEEN ) 2400M INTERSTAR , GRAND TOUR 151s
1984 ZIRKEL ( ST CHAD & NUZA ) 2400M DON DIRCEU , EL GEORGE 153"4/5
1983 ZIRBO ( EGOISMO & LEREI A) 2400M DARK DUKE , ZOOL 153s
1982 ZIRBO ( EGOISMO & LEREIA ) 2400M EL SANTAREM , SABASTO 154"1/5
1981 ZIRBO ( EGOISMO & LEREIA ) 2400M CLACKSON , EFESIVO 154"2/5
1980 ARTUNG ( ZENABRE & ARGUCIA ) 2400M REICHMARK , EXOTICO3 152"1/5
1979 GARVE ( GARBOSO & ARVEJA ) 2400M THE LAST , BIG LARK 137s 2/5
1978 JETON ( CZAR ALEXANDER & JENNYCO ) 2400M BIG LARK , EARP 151s
1977 ZABRO ( QUIOSCO & MAIANÇA ) 2400M JAPAO , TRIUNFADOR 150"3/5
1976 ULEANTO ( DESERT CALL & FLICKA ) 2400M MAX , BIG POKER 151"2/5
1975 ULEANTO ( DESERT CALL & FLICKA ) 2400M SALUT , ORMOLO 151s1/5
1974 GOOD BLOKE ( FRESH AIR & GOOD HOPE ) 2400M NANINO , QUIMIA 152s1/5
1973 CHUPITO ( ELECTRODO & CHIMPA ) 2400M HEINZ , OLDAK 155s
1972 LOCOMOTOR ( LACYDON & RETORICA ) 2400M ZURKIS , FENOMENAL 154s4/5
1971 NEGRONI ( FLAMBOYANT DE FRESNAY & AURORA ) 3000 M TRAGI FARSA , LEXICON 196s1/5
1970 LEXICON ( ULTRA & LA DERNIERE ) 3000M ESTUPENDO , DON CACHOLA 194s2/5
1969 LIGHT ROMU ( LIGHTSEN & RONDA MUSICAL ) 3000M KING TWIST , DILEMA 194"2/5
1968 COREJADA ( ELPENOR & ESTUPENDA ) 3000M WALAD , KING ARCHER 195"3/5
1967 DILEMA ( MAJOR DILEMMA & OPERA ) 3000M BENEDICTO , GOBELIN 196 1/5
1966 EL ASTEROIDE ( ELPENOR & AL OINA ) 3000M CARATAI , AGASAJO 195s
1965 EL ASTEROIDE ( ELPENOR & AL OINA ) 3000M AGASAJO , INTERLAGOS 197"4/5
1964 EL ASTEROIDE ( ELPENOR & AL OINA ) 3000M INVITADA , GOLF 196"1/5
1963 POLAR VENUS ( POLAR & CALDERITA ) 3000M DUNKERQUE , EL CORSARIO 198"2/5
1962 VIZCAINO ( SIDERAL & CANTABRICA ) 3000M ESTUPENDA , OUROPOMBO 193s (tempo recorde)
1961 ARGONAÇO ( ARAM & SOMERVILLE ) 3000M LORD CHANEL , ROI DU FOX 195 4/5
1960 ZAGO ( DON JOSE & ABADITE ) 3000M GAVROCHE , LORD CHANEL 198s
1959 CHAVAL ( TUDOR CASTLE & DAMSEL ) 3000M GUINDO , LORD CHANEL 198"3/5

Prado Independência / Hipódromo dos Moinhos de Vento

Legenda:
ANO VENCEDOR (FILIAÇÃO) DISTÂNCIA em Metros SEGUNDO COLOCADO , TERCEIRO COLOCADO TEMPO em segundos

1958 ESTENSORO ( ESTOC & PERFIDIA ) 3200M DARK SAUCE , OURODUPLO 208s1/5
1957 BUEN MOZO ( BLACKAMOOR & MONINHA ) 3200M TOSTAO GUARIDA 210"2/5
1956 ARIZU ( CORONEL & MAY WONG ) 3200M OBOE , UCARI 212s
1955 SALOMÃO ( CONFESO & SALAMERA ) 3200M NORMAG , CYRO 213s1/5
1954 BEST ( BLACKAMOOR& EPATANTE ) 3200M HALTE-LA , DENIZETTE 210s (tempo recorde)
1953 LORD ANTIBES ( VATELLOR & NAVY ) 3200M OBOLENSKI , BALTIMORE 214s
1952 LORD ANTIBES ( VATELLOR & NAVY ) 3200M TORPEDO , GARGANTINN 214s1/5
1951 CRAVETE ( CRATER & BLINDADA ) 3200M OLMO , GAITA DE OURO 216s
1950 CRAVETE ( CRATER & BLINDADA ) 3200M CARCEL , ORIGON 210s 4/5 (tempo recorde)
1949 ACHERON ( TAI-YANG ACHRAY ) 3200M LEÑERO , XIRU 217"1/5
1948 CLORO ( CLARIN & LA CHARMEUSE ) 3200M ZORRO , MARIMOA 216s
1947 SONADA ( STAYER & SOSPECHA ) 3200M MARIMOA , JURU 216s
1946 CAMARON ( CIGARRAL & GODLIKE ) 3200M ESDEDOS , MARIMOA 217s4/5
1945 TROMPO ( TABLE GREEN & HAUTE COMBE ) 3200M MANICOMIO , LORENCINO 213s
1944 SECRETO ( COCLES & SEINE ) 3200M DONCEL , ALQUICE 218"3/5
1943 SEDUCTOR ( SERIO & CANDIDE ) 3200M BEDEL , ARDENT 214 4/5
1942 TAM-TAM ( LOMBARDO & TEORICA ) 3200M DIOGENES , EN PUERTA 213" 2/5
1941 DIOGENES ( RICO & DIVETTE ) 3200M SHANGHAI , CANCIONERO 215s
1940 FALANGISTA ( MACON & FALERNITA ) 3200M PRECINTO , URUGUAI 216"1/5
1939 MARITAIN ( SPARUS & MARIGOLD ) 3200M MEULEN, ABOUKIR 212s
1938 CABALISTA ( SCHAHRIAR & LA LICORNE ) 3200M BONSOL, FEITICO5 213"2/5
1937 MARITAIN ( SPARUS & MARIGOLD ) 3200M BONSOL, KID CHOCOLATE 211"1/5 (tempo recorde)
1936 KOSMOS ( AYMESTRY & VENTUROZA ) 3200M STEFAN, VANIDOSO 214"4/5
1935 BENTANCOR ( OFENSOR & BERLONA ) 3200M KOSMOS2 OBOE 213"2/5
1934 DUGGAN ( SIETE Y MEDIO & HENRIETTE ) 3200M CANCANERO, OBOE 212"4/5 (tempo recorde)
1933 GIN PURO ( MACON & GRAN SENORA ) 3200M OBOE, DUGGAN 214s3/5
1932 CIFRÃO ( SIETE Y MEDIO & GILDA ) 3100M CARDITO, AUDAZ 208s
1931 SCORPIO ( PILLO & SENDA ) 3100M LANDE FLEURIE, RODOLPHO VALENTINO 208"4/5
1930 CHRYSANTHEMO ( DREADNOUGHT & CRAVINA ) 3100M SCORPIO, LANDE FLEURIE 207s1/5
1929 SCORPIO ( PILLO & SENDA ) 3100M PENACHO, CHRYSANTHEMO 209"2/5
1928 EDISON ( GRADELY & RICUSA ) 3100M PARAMOUNT, EL POCHO 213s
1927 CHRYSANTHEMO ( DREADNOUGHT & CRAVINA ) 3100M EPIROS, DECAMPS 207s2/5
1926 DECAMPS ( LARREA & DONCELLA ) 3100M ARIEL, GOLOSO 204s
1925 MAESTRO ( GRAN SENOR & FORTINA ) 3100M LUXOR, COPETON 201"3/5
1924 PERTINAZ ( INDEX & FLORECILLA ) 3100M COPETON, POCITOS 206"3/5
1923 PERTINAZ ( INDEX & FLORECILLA ) 3100M TIFON, CARPENTIER 208"4/5
1922 PRECURSOR ( SANS ATOUT & PICARA ) 3100M CHUMBAZO, HEROE 204"1/5
1921 COCKNEY ( EVERGREEN & MELFORT ) 3100M PRECURSOR, GALLIENI 202s
1920 GLASGOW (ROSSI & nn) 3100M CONDE DANILO, PRECURSOR 201"2/5
1919 TIC TAC (BATIFONDO & DUNSE) 3100M DREADNOUGHT, HORACIO 201s2/5
1918 CRUCERO (OLD MAN & CURZOLA) 3100M SALITRAL, HARLEM 215s
1917 JUANCITO (INDEX & PIRIAPOLIS) 3100M DUROC, LA SOURIS 211s
1916 DUROC (DANTON & COLLULA) 3100M JUANCITO, XIRIPA 215s
1915 DUROC (DANTON & COLLULA ) 3100M WERHER , SPARTACUS 211"3/5
1914 CONDOR (RELAMPAGO & CARTE BLANCHE ) 3100M MONT DOR , CORINDON 213"2/5
1913 IDEAL (GALASHIELS & SHEARLING) 3100M BORDONA, LAMARTINE 210s (tempo recorde)
1912 BOCHITA (NEAPOLIS & BLONDINETTE) 3100M LIME D'OR, FOCO 216"2/5
1911 LE MENILLET (REMINDER & LA CERLANGUE) 3100M OREST, JATAHY 212 2/5 (tempo recorde)
1910 PHARAMOND (VAUCOULEURS & PHAO) 3100M SAPUCAIA, SARAH 218s

Prado Riograndense

Legenda:
ANO VENCEDOR (FILIAÇÃO) DISTÂNCIA em Metros SEGUNDO COLOCADO, TERCEIRO COLOCADO TEMPO em segundos

1909 AGUAPEHY (EXPRESS & TORPEDERA) 2100M WISDON, HERMIT 142s2/5

Bibliografia
Resultado dos G.P. Bento Gonçalves até o dia atual.
Oliveira, Marco. Bento Gonçalves - Em Nome da Tradição. In: Jornal da Associação Paulista de Fomento ao Turfe. Ano 2 Nº 165. Maio de 2009.
Correa , Victor O GP Bento Gonçalves através dos tempos In: Jornal da Associação Paulista de Fomento ao Turfe. Ano 2 n. 287. Novembro de 2009.
Resenha da edição de 2005, Paraná On Linr, Curitiba
Resenha da edição 2008, jornal Zero Hora, Porto Alegre.
Edição de 2009 Cristal Institucional

GP Protetora do Turfe

- O Grande Prêmio Protetora do Turfe é a segunda prova em importância do Jockey Club do Rio Grande do Sul.
Disputada em pista de areia, de galope plano, destina-se a “thoroughbreds nacionais e estrangeiros” de três anos e mais idade.

Até 1958, era disputada no Hipódromo dos Moinhos de Vento.
Em 1959, passou para o Hipódromo do Cristal, sempre em pista de areia.
- Graduada como prova de grupo III .
A partir de 1992, na sua 71ª edição, passou a fazer parte das provas do Grupo II do turfe brasileiro.
Voltando atualmente ao Grupo III.

Data da Competição
- É disputada tradicionalmente no feriado de “7 de setembro”, dia da Independência do Brasil , e data da fundação da entidade pioneira de corrida de cavalos em Porto Alegre : - Sociedade Protetora do Turfe, fundada em 1905, que originou o clube atual. Atualmente a data varia para adequar-se as transmissões televisivas em simulcastin com outros hipódromos.

A Competição
- Em 07 de setembro de 1922, quando o Brasil comemorava 100 Anos de Independência, foi organizado pela então Sociedade Protetora do Turfe, em Porto Alegre, o Grande Premio Centenário, como parte das comemorações.
Corrido na distância de 2.400 metros no Hipódromo dos Moinhos de Vento, com dotação maior de 10 contos de réis.

- Nos anos seguintes a prova foi realizada com o nome de Grande Prêmio Protetora do Turfe, em 2.100m ou 2.200m.
Desde 1933, a distancia percorrida é 2.200m, que se mantém até 2012.

- O vencedor do Grande Prêmio Centenário, considerado o primeiro ‘Protetora’ foi o argentino Precursor (filho do argentino Sans Atout), de 7 anos, que também disputou e venceu o Grande Prêmio Bento Gonçalves, com o joquei Santo Rodrigues.
Em 1959, Ouro duplo (filho do importado vencedor do derby irlandes Dark Warrior) venceu o último Protetora no Hipódromo Moinhos de Vento, com o joquei Antonio Ricardo.
Em 1960, Estensoro (filho do importado francês Estoc), com Clovis Dutra, venceu o primeiro ‘Protetora’ no Hipódromo do Cristal, após ter vencido o último G. P. Bento Gonçalves no Moinhos de Vento.
O gaúcho Garve (filho do nacional Garboso), montado por Suedi Rodrigues, em 1978, 1979 e 1980, foi o primeiro e único até o momento a vencer esta prova por três vezes consecutivas; venceu ainda uma vez o G. P. Bento Gonçalves.

Em dezembro de 1944, na reunião de diretoria da Sociedade Protetora do Turfe, em que foi decidida a troca de nome da entidade para Jockey Club do Rio Grande do Sul, ficou acertada a permanência da tradicional denominação do Grande Prêmio.

Descrição em seqüência histórica e agrupados pela distância do percurso:
- ano da disputa, nome do vencedor, tempo medido em segundos e frações.

Hipódromo Moinhos de Vento

2.400 metros:
1922: Precursor, 159"1/5

2.100 metros:
1923: Pertinaz, 139"2/5;
1924: Pleno, 137"2/5;
1925: Dinazarda, 135"4/5;

2.200 metros:
1926: Goloso, 144s;
1927: Charmer, 146"4/5;
1928 Edison, 140s;

2.100 metros:
1929: Scorpio, 139"3/5;
1930: Lande Fleurie, 137"2/5;
1931: Lande Fleurie, 137"2/5;
1932: Omlet, 136"2/5;

2.200 metros:
1933: Gin Puro, 144s;
1934: Lombardo, 143"2/5;
1935: Oboé, 145s;
1936: Madcap, 145" 1/5 ;
1937: Ouroefio, 145s 3/5;
1938: Mordiscon, 144s 3/5;
1939: Aboukir, 144s 2/5;
1940: Lindazo , 144"3/5;
1941: Ourofino, 144"3/5;
1942: Ardent, 146s ;
1943: Seductor, 143"3/5 ;
1944: Secreto, 145"4/5;
1945: Trompo,145" 1/5;
1946: Marimoa, 145" 2/5;
1947: Ourogranfa,146"2/5 ;
1948: Ouropouco,147"2/5;
1949: Astuto, 145s ;
1950: Carcel , 145"3/5;
1951: Marechal , 144"3/5;
1952: Olmo, 145s;
1953: Caricia, 145"3/5;
1954: Bucanero, 144s;
1955: Major, 143"3/5;
1956: Guaitil, 144s4/5;
1957: Dálmata, 143s ;
1958: Ouroduplo,143"4/5;

Hipódromo do Cristal – Jockey Club do Rio Grande do Sul

2.200 metros:  
1959: Estensoro, 141s;
1960: Lord Chanel, 144s;
1961: Lord Chanel, 144s;
1962: Estupenda, 140"2/5;
1963: El Tronio 141"3/5;
1964: Ouropombo,143s;
1965: Takako,142"1/5 ;
1966: Descansado,140"4/5;
1967 :Estheta, 143s ;
1968 : Corejada, 144"2/5 ,
1969 : King Twist, 142"1/5;
1970 :Lexikon, 141"2/5;
1971 : Billy, 141"3/5 ;
1972: Lexikon , 140"1/5 ;
1973 :Tragi-Farsa , 142"3/5;
1974: Otonal, 140"1/5 ;
1975 : Pergaminho, 140s2/5;
1976 : El Supremo , 138"4/5;
1977: Bester, 138"2/5 ;
1978 :Garve, 137"2/5;
1979 : Garve, 138"2/5 ;
1980 : Garve ,138"4/5 ;
1981 :Passeur, 145s ;
1982 :Zirbo 142"2/5 ;
1983 : Zirbo , 138s ;
1984 : Zirkel ,140"2/5 ;
1985 : Nantwo , 141s ;
1986 : El Jack , 143"4/5 ;
1987 : Eldan,140s ;
1988 : Supreme Gold , 139"2/5 ;
1989 : Hiper Genio , 140"4/5 ;
1990 : Hiper Genio , 140"2/5 ;
1991 : Pocker Face , 140"5/10 ;
1992 :Cap Antifer , 140"6/10 ;
1993 : Ipao, 139"6/10 ;
1994 :Check Control, 139"8/10 ;
1995 : La Brava Guardia ,140"3/10 ;
1996 : Call me Fury, 137"7/10 ;
1997: Super Purple, 139"" 8/10 ;
1998: Gran Ricci , 139"6/10 ;
1999: Recollet , 137"8/10;
2000: Underground Fire, 137"1/10 ;
2001: Assaulting Ride , 136"4/10 ;
2002: Mucho Dinero, 138"8/10 ;
2003: Tellus , 138"2/10 ;
2004: Best Friends , 141"3/10 ;
2005: Mystic Sunset , 139s ;
2006: Power Topten , 137"6/10 ;
2007: Really The First : 138" 2/10 ;
2008: Jaguanum 138" 3/10;
2009: My Majesty 138" 8/10 ;
2010: Siga Gold 139" 4/10 ;
2011: Ask Me Not 138" 7/10.

Bibliografia

Relação dos vencedores do G. P. Protetora do Turfe até o dia de hoje
Vitória de Siga Gold
Vitória de Hiper Genio
Resenha do Protetora 2008, Jornal Zero Hora
Resenha do Protetora 2003, Jornal Diário Popular

O Novo Começo...

- Assim, a história do turfe em Porto Alegre, desde sua gênese, parece ser indissociável da presença luso-brasileira na cidade, mesmo havendo outras contribuições.
Assim, compreende-se porque determinados hábitos, costumes e tradições acabaram por ser transferidos ao contexto dessa prática esportiva.

O primeiro prado a ser inaugurado o Prado Porto-Alegrense, em 1877, mantendo-se em atividade durante 25 anos.
O Prado Rio-Grandense, no Bairro Menino Deus, funcionou por 18 anos, de 1881 a 1909.
O Prado Navegantes iniciou as atividades em 1891, perdurando até 1906, 14 anos.
O Prado Independência iniciou em 1894, no Bairro Moinhos de Vento, até ter sua sede transferida para o Bairro Cristal, em 1959, 65 anos.
O Hipódromo do Cristal, iniciou em 1959 e permanece ativo como patrimônio da cidade, a 53 anos (2012).

Referências

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AMARO JÚNIOR, J. Almanaque Esportivo do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Thurmann, 1947.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2000.
BISSÓN, C. Moinhos de Vento: histórias de um bairro de elite de Porto Alegre. Porto Alegre: Secretaria Municipal da Cultura: IEL, 2008.
DUARTE, O. História dos Esportes. São Paulo: MAKRON Books, 2000.
FRANCO, S.C. Porto Alegre: guia histórico. 3. ed. rev. Ampl. – Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1998.
JÁ EDITORES, E. História ilustrada de Porto Alegre. Projeto enquadrado na Lei Estadual 10.846, de estímulo à produção cultural. Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, 1997.
MAZO, J.Z. A emergência e a expansão do associativismo desportivo em Porto Alegre (1867-1945): espaço de representação da identidade cultural teuto-brasileira. Tese (Doutorado em Ciência do Desporto) Faculdade de Ciências do Esporte, Universidade do Porto, Portugal, 2003.
O Esporte e a Educação Física na Revista do Globo: Catálogo 1929-1967. Porto Alegre: FEFID/PUCRS; ESEF/UFRGS, 2004, CD-ROM.
MAZO, J.Z.; FROSI, T.O. Em busca da identidade luso-brasileira no associativismo esportivo em Porto Alegre no princípio do século XX. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 30, n. 2, p. 57-72, 2009.
MAZO, J.Z.; PEREIRA, E.L.; MADURO, P.A. Do alto da arquibancada: um olhar sobre a presença feminina no turfe de Porto Alegre (1875/1910). In: 4° Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade, 2009, Rio Grande. Anais..., Rio Grande, v. 4, CD-ROM. Fundação Universidade Federal do Rio Grande/RS – Brasil.
MELO, V.A. Cidade sportiva: primórdios do esporte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2001.
MELO, V.A.; MAIA, P.M. Turfe. In: DACOSTA, Lamartine (org.). Atlas do esporte no Brasil: atlas do esporte, educação física e atividades físicas de saúde e lazer no Brasil – Atlas of sports in Brazil, atlas of sport, of physical education and physical activities for health and for leisure in Brazil. Rio de Janeiro: Shape, p.365, 2006.
MELO, V.A. (org.). História Comparada do Esporte. Rio de Janeiro: Shape, 2007a.
Dicionário do esporte no Brasil: do século XIX ao início do século XX. Campinas: Autores Associados, 2007b.
PEREIRA, E.L. A prática do turfe em Porto Alegre (1875/1910): alguns tropeços em meio a um vitorioso galope. 2008. 57 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Escola de Educação Física, UFRGS, Porto Alegre.
PRIORE, M.; MELO, V.A. (orgs.). História do Esporte no Brasil: do império aos dias atuais. São Paulo: Editora UNESP, 2009.
ROESSLER, M.M.R.; VOTRE, S. O estado da arte dos esportes eqüestres no Brasil. VII Congresso Brasileiro de História da Educação Física, Esporte, Lazer e Dança. In: Anais..., Ponta Grossa, v. 1. Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR – Brasil, 2002.
ROZANO, M.; FONSECA, R.F. (Orgs.). História de Porto Alegre: Jockey Club. Porto Alegre: Nova Prova, 2005.
SILVA, C. F.; MAZO, J. Z. Grêmio de Regatas Almirante Tamandaré: memórias da fundação do primeiro clube de remo “brasileiro” em Porto Alegre (1903-1923). Arquivos em Movimento, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 109-129, jul./dez., 2009.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Bairros de Porto Alegre - Parte I (Em Montagem)


Bairros
História Discriminação

- Essas históriase as estórias dessa história — estão traduzidas nos diversos caminhos, prédios e pessoas de cada arraial, areal ou localidade.
Há um precioso patrimônio a ser preservado. E que, por sua vez, é muito pouco conhecido pelos próprios moradores desta cidade de Porto Alegre.

- Ordem numérica de acordo como o mapa de localização dos bairros:


1. Farrapos

Localizado na zona norte da cidade, faz divisa com os bairros Humaitá e
Navegantes.
O Bairro Farrapos foi oficializado pela Lei nº 6218 de 17/11/1988, tendo os seguintes limites:
- Ao norte, desde o limite da faixa portuária seguindo pela Avenida Padre Leopoldo Bretano em toda a sua extensão;
- Ao leste, a partir do ponto de encontro das avenidas Padre Leopoldo Bretano e A. J. Renner seguindo na extensão desta até a Rua Dona Teodora;
- Ao sul, pela Rua Dona Teodora, desde a Avenida A. J. Renner até o ponto de encontro com a Dona Teodora com a Rua Voluntários da Pátria, seguindo em linha perpendicular até e no sentido do Cais Marcílio Dias;
- A oeste, a partir do Cais Marcílio Dias, na altura da Rua Dona Teodora, daí seguindo no sentido da Rua João Moreira Maciel até o limite da faixa portuária.

Mais conhecido como Vila Farrapos, o bairro é uma das regiões mais carentes da cidade. Os habitantes são de origem humilde e muitos vivem em precárias condições de moradia.
Os dois principais conjuntos habitacionais da região são:
Loteamento Castelo Branco,
Vila Esperança, esta última construída pelo Demhab.
A ocupação da região está ligada ao processo de crescimento populacional de Porto Alegre.

Bairro essencialmente residencial possui um posto de saúde para seus habitantes e um pequeno comércio de gêneros alimentícios.
De acordo com dados do Censo do IBGE de 2000, conta com uma população de 17.019 habitantes distribuídos em uma área de 165 hectares.
O Bairro Farrapos até a Copa do Mundo de 2014 passará por grande transformação, superando todas as adversidades atuais de 2010.


2. Humaitá

O Bairro Humaitá foi oficialmente criado pela Lei n.º 6218 em 17/11/1988.
Localizado na Zona Norte da capital, limita-se:
- Ao sul com o Bairro Navegantes,
- Ao norte com o Município de Canoas.

Originalmente uma zona de aterro sanitário, caracteriza-se por ser uma região essencialmente residencial, dispondo de pequeno comércio que atende aos moradores locais.

A partir dos anos de 1960, os problemas da cidade se ampliam, juntamente com o constante aumento populacional trazendo problemas como habitação, transportes e infra-estrutura, que necessitavam de projetos de integração. É neste contexto que a expansão para a zona norte/nordeste da capital torna-se mais efetiva, já que os custos de moradia eram mais acessíveis em função da distância do centro.

O Bairro Humaitá foi um dos setores residenciais projetados pela iniciativa privada nos anos de 1970, com o objetivo de responder aos problemas de habitação da cidade.
A ocupação dessa área aconteceu ao longo dos anos 1980.
Os primeiros prédios construídos no bairro eram de quatro andares, sem elevadores, e contavam em seus projetos com a concentração de equipamentos recreativos na forma de parque urbano. Posteriormente, os prédios construídos eram maiores com dez andares e elevadores.

O Bairro Humaitá também foi atrativo para o ramo imobiliário no final dos anos 1990 e início 2000. Algumas empresas da construção civil verificaram o potencial residencial do bairro, sobretudo para a classe média. Novos condomínios começaram a ser construídos na região aumentando significativamente o número de moradores que, de acordo com o Censo de 2000, já contava com uma população de 10.470 habitantes, distribuídos em uma área de 417 hectares.

Quanto a opções de lazer, o bairro dispõe principalmente do Parque Marechal
Mascarenhas de Moraes, inaugurado em 02/7/1982, com 18,2 hectares. Com uma área de lazer e recreação, e outra considerada de preservação permanente, é um parque de uso misto. O local dispõe de estádio de futebol, cancha de bocha, pista de patinação, quadra de futebol sete, quadras de vôlei e equipamentos esportivos, churrasqueiras e quiosques cobertos, sendo bastante freqüentado pelos moradores do bairro.

Em 2011, está em construção no bairro o novo estádio do Grêmio F.B.P.A. conhecido como “Arena” e grandes condomínios residenciais.
A ligação através do bairro, da Terceira Perimetral com a Freeway, gerou a necessidade de um viaduto sobre a Avenida Farrapos e assim a ligação com o Bairro Humaitá.


3. Anchieta

Localizado à direita da Estrada Federal BR 116 em direção ao Município de Canoas, entre o Aeroporto Internacional e o Município de Gravataí, o bairro Anchieta foi oficializado pela Lei nº 2022 de 12/1959, tendo seus limites assim estabelecidos:
- Ao sul, da Estrada Federal para Canoas, limite desta pelo Bairro São João;
- No leste com uma linha imaginária até a divisa com o rio Gravataí, por este na direção leste/oeste até encontrar novamente a Estrada Federal BR 116 e por esta em direção norte-sul até encontrar o limite com o Bairro São João.

Sua denominação, segundo o cronista Ary Veiga Sanhudo, é em referência ao
Padre Anchieta, fundador do colégio São Paulo, na região que, mais tarde, constituiu o núcleo inicial da capital paulista.

Na década de 1970, o bairro era considerado um lugar novo, em formação na cidade, e o mesmo cronista assim o descrevera:

“Anchieta é bairro na lei, loteamento no aspecto e grama em toda a sua extensão.”

Essa descrição é feita em virtude da escassa população que residia na região, como o é ainda hoje. A baixa densidade talvez seja em função de situar-se em zona baixa da cidade, que não oferecia atrativos que motivassem a ocupação imediata, pois, sob ponto de vista da urbanização prevista para cidade no Plano Diretor, encontra-se abaixo da cota de construção.

A partir de 1973, instala-se no bairro a CEASA - Centrais de Abastecimento do
RS, na Avenida Fernando Ferrari, 1001, quando produtores e atacadistas foram transferidos da Praia de Belas para o bairro, dando início à fase de comercialização no complexo.

A principal via de acesso ao bairro é a Avenida dos Estados que encontra
registros nos relatórios da Secretaria de Obras Públicas do Estado desde início do século XX.
A preocupação com a pavimentação da avenida iniciou em 1912, porém as obras começaram em 1925, sendo construída a primeira faixa de cimento no ano de 1930.
O nome da avenida foi oficializado em 1960, pela Lei municipal nº 2076.
O bairro Anchieta possui características industriais, além de instalado, armazéns e grandes depósitos.

4. Área não cadastrada (área reservada para ser o novo Centro Comercial planejado de Porto Alegre, um bairro completo)


5. Navegantes

O Bairro Navegantes é um dos mais antigos da cidade. Sua localização já era nítida nas plantas da cidade no final do século XIX.
As origens e ocupação da região estão ligadas ao trajeto para as colônias alemãs a partir 1824 e, em meados do século XIX, a ocupação do bairro já era digna de nota.
Desde seu início, o Bairro Navegantes já demonstrava sua importância devido a ligação que fazia entre o Centro da cidade e a região de imigração (vale do Rio dos Sinos), além da antiga Estrada de Baixo em direção a Gravataí, Santo Antonio e Osório.

Em 1874, houve a implantação da Estrada de Ferro Porto Alegre – Novo Hamburgo, o que dinamizou bastante o bairro, sobretudo após a inauguração da primeira Estação Navegantes, por volta de 1886.

Junto ao Colégio 1º de Maio

Ainda no século XIX, a região revelou-se com forte vocação industrial, e especialmente a partir de 1890, quando várias indústrias da Capital instalam-se no bairro. O crescimento industrial contribuiu para o aumento da população, pois seus moradores eram em sua maioria operários; passaram a habitá-lo em função da proximidade com seus locais de trabalho.

Em 1875, é criada a capela consagrada a Nossa Senhora dos Navegantes, devoção introduzida pelos imigrantes portugueses poucos anos antes.
No entanto, a construção da capela só ficou pronta em 1897, erguida em terreno doado pela senhora Margarida Teixeira de Paiva, dona de vastos terrenos na região.
Em 1919, a capela foi elevada a condição de Paróquia, já na sua atual sede.

Em frente à Igreja, está localizada a Praça Navegantes, onde é realizada uma das maiores expressões religiosas da cidade: - de acordo com a fé católica, é comemorado no dia 02 de fevereiro a devoção a Santa Padroeira da Capital – Nossa Senhora dos Navegantes.

Em 1958, é inaugurado um dos grandes impactos urbanísticos para a região do Bairro Navegantes foi a construção da ponte sobre o Rio Guaíba.
Com a nova edificação, a tradicional Praça Navegantes ficou em baixo de uma das elevadas, mas se manteve centro dos festejos realizados anualmente em honra da Santa Padroeira.

Oficialmente, o Bairro Navegantes foi criado pela Lei nº 2022 de 07/12/1959, sendo seus limites oficiais assim estabelecidos:
- Rua Voluntários da Pátria, da esquina da Avenida Brasil até o seu prolongamento por uma linha na direção oeste/leste, seguindo a margem atual do rio Gravataí até encontrar a Rua Dona Teodora;
- Desta até a Praça do Bombeador; segue pela Avenida Ceará até a Avenida Brasil;
- Desta até encontrar novamente a Rua Voluntários da Pátria.

Porém em 1988, o decreto de lei nº 6218 altera os limites norte do bairro que passa a ser definido a partir do Cais Marcílio Dias no sentido até o ponto de encontro das ruas:
- Voluntários da Pátria e Dona Teodora.

Atualmente, a região mantém seu caráter industrial, entretanto ampliou o setor de serviços.
No bairro está localizado um dos maiores centros comerciais da cidade, o Shopping DC Navegantes, que atende tanto aos moradores do bairro quanto à redondeza, com seu comércio, restaurantes, teatro e, mais recentemente, um campus de faculdade gaúcha.

6. São João 

Avenida Assis Brasil

7. Jardim São Pedro

8. Jardim Floresta 

9. Sarandí 

10. Rubem Berta

Eixo Baltazar - Jardim Leopoldinha

11. São Geraldo

12. Santa Maria Goretti 

13. Higienópolis

14. Passo da Areia

Vila do IAPI - 1963

15. Vila Ipiranga 

16. Jardim Itu - Sabará

17. Passo das Pedras

18. Mario Quintana


19. Floresta 

Hospital Militar - início século XX

Foi pela Estrada da Floresta (atual Avenida Cristóvão Colombo), que tudo começou, “ligando o centro ao longínquo morro coberto de densa vegetação arbustiva, verdadeira mata virgem...”
Com o tempo, esta floresta foi virando lenha para os fogões domésticos ou servindo de matéria-prima para madeireiras da região.
Assim, o morro foi sendo pelado, a estrada habitada e o bairro se gerando.

Década de 1920

Em 1849, no topo do morro ainda bastante arborizado, construiu-se um prédio que em dezembro do mesmo ano, inaugurou um hospital, a Casa de Saúde Bela Vista.

Em 1903, mais de cinqüenta anos depois, o hospital foi adquirido pelo Exército para tornar-se o Hospital Militar da Terceira Região - FGPA, não pertencendo mais aos limites do Bairro Floresta, mas que ao seu tempo, contribuiu para o desenvolvimento urbano de toda aquela região.

A instalação de um hospital gerou a necessidade de abrir-se vias de acesso.
Assim, ano após ano, via-se surgindo em torno da Estrada da Floresta, vielas, casas e logo em seguida, algumas pequenas fábricas, principalmente madeireiras e serralherias. Logo surgiu ali um espírito de comunidade, e com ele a inspiração de se ter uma igreja.

Em 1888 foi construída a Igreja de São Pedro, em terreno doado por uma senhora muito religiosa, Dona Carmen, legitimando o processo de desenvolvimento comunitário do bairro.

Avenida Cristovão Colombo com av. Benjamin Constant - década de 1960

Ainda por esse tempo, o único acesso com a cidade era a Estrada da Floresta, isolando a região do centro da cidade. Com a construção da igreja a urbanização da região toma novo impulso e já pelo início do século XX, vê-se alguns bondinhos passar por lá.
É então que o nome da estrada principal se espalha e estende-se a todo o território, inspirando o surgimento do Bairro Floresta.

Desde o final do século XIX, observa-se a tendência industrial da região, abrigando, entre outras, a Cervejaria Bopp, Sasse, Ritter e Cia, depois Brahma (atual Shopping Total).
Nesta cervejaria fabricou-se as famosas Continental e a Elefante, que a seu tempo foram as melhores cervejas que se tinha.

Não demorou muito para que os funcionários destes inúmeros postos de serviço, construíssem suas casas pelas redondezas de suas fábricas.

Em 1925, o bairro é remodelado, modernizando sua estrutura.

Atualmente conta com grande variedade comercial, preserva ainda algumas de suas indústrias e não deixou de ser residencial.
Outras igrejas foram erguidas, católicas e protestantes, respeitando a homogeneidade de seus moradores.

20. Moinhos de Vento 

Vista, início século XX

Lago Chácara Mostadeiros

Hydráulica Municipal



21. Auxiliadora

Através da Estrada da Aldeia (Avenida 24 de Outubro), que ligava a capital à Freguesia da Aldeia dos Anjos (Município de Gravataí), a região que compreende o bairro Auxiliadora começou a se desenvolver no final do século XIX.

É com a instalação de moinhos de vento, aos arredores da cidade, nas propriedades do então conhecido Carlos Mineiro (Antônio Martins Barbosa), que a Estrada da Aldeia passa a ser mais freqüentada.
Logo seu nome é adaptado a sua atual função, passando a chamar-se Estrada dos Moinhos de Vento.

Em 1893, crescendo lentamente, o bairro ganha novo impulso quando uma linha de bonde cruza suas terras.

Em 1894, é construído o Prado da Independência que levou mais visitantes e possíveis moradores a região.
Em um ritmo acelerado, com sucessivas implantações de linhas de bonde e novas construções no local, o Auxiliadora vai tomando ares de bairro.

Em 1912/13, inicia-se o processo de loteamento das terras da região, acrescentando valor imobiliário ao território já bastante conhecido.

Em 1916, é erguida a Capela de Nossa Senhora Auxiliadora, batizando o local com seu nome.

Em 1919, a capela tornou-se paróquia, mais de quarenta anos depois, em 1961, inaugura-se o novo prédio da Igreja; em estilo greco-romano, ele imita o templo francês Madeleine de Paris.

Em 1933, a Estrada do Moinhos de Vento mudou seu nome para o atual, “24 de Outubro” em homenagem à data do golpe militar que depôs o Presidente Washington Luís Pereira de Souza, em 1930 (Revolução de 30).
Nesta época a linha de bonde era denominavam “Auxiliadora”, reafirmando o nome e o bairro.

Tem como uma de suas características as ruas planejadas, herança de sua ocupação por meio de loteamento organizado. Estas ruas trazem a sua paisagem, um misto de casas antigas, da nostálgica época do início do século, e modernos edifícios, que buscam nas alturas uma melhor vista da cidade.

Em contraste com a boa infra-estrutura, que permite ao bairro ter um comércio variado, que oferece aos moradores uma tranqüilidade hospitaleira, quase esquecendo de sua proximidade ao centro da cidade.
Em permanente processo de desenvolvimento, o Bairro Auxiliadora oferece à juventude porto-alegrense uma variedade considerável de bares e danceterias, além de restaurantes “chiques” da cidade, onde paladares exigentes podem apreciar deliciosos pratos internacionais.
A diversão é para todas as idades, gostos e bolsos.
Adaptado de Renata Ferreira Rios

22. Boa Vista 


23. Centro

O CENTRO e a história da capital dos gaúchos

Vista do Centro - 1906

A origem do Centro
- Oficialmente contando com uma população de quase 37 mil moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Bairro Centro foi criado e delimitado pela Lei n º 2.022, de 1959, mas sua origem remonta os primórdios da ocupação de Porto Alegre.
Com seu povoamento e desenvolvimento, em função da criação da Freguesia Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, em 1772.
Possui íntima ligação com a Rua dos Andradas que, ainda hoje, é chamada de Rua da Praia, sua primeira denominação. E foi nela, a rua mais antiga da cidade, que se estabeleceu a primeira Capela da Vila com invocação de São Francisco.

A abertura das atuais ruas Riachuelo e Duque de Caxias formavam junto com a Rua da Praia, as principais vias da Vila, onde se assentaram as mais antigas residências e casas comerciais.
Os arrabaldes mais próximos, como a atual Cidade Baixa, eram considerados zonas rurais.

A peculiar denominação de logradouros antigos do Centro é o fato de fazerem referência a alguma característica que possuía, como:
- Rua do Arvoredo (atual Fernando Machado),
- Rua do Riacho (atual Washington Luis),
- Rua da Varzinha (atual Demétrio Ribeiro),
- Beco do Fanha, depois denominada Travessa Paysandu (atual Caldas Júnior),
- Rua do Poço (atual Jerônimo Coelho), entre outras.

A antiga e tradicional Rua Duque de Caxias teve mais de uma denominação, conforme diferentes registros: - Rua Formosa, Rua Direita da Igreja, Rua Alegre e Rua da Igreja. Mas o primeiro nome oficial foi o de Rua da Igreja, por ali localizar-se o único santuário da cidade. Foi, por anos, a rua mais nobre da cidade, residindo ali políticos, comerciantes e militares de altas patentes em luxuosos sobrados e solares das famílias aristocráticas da cidade, como o Solar dos Câmaras, mais antigo prédio residencial de Porto Alegre.

Nos “Altos da Praia” foi construída a Igreja da Matriz, atual Catedral Metropolitana e a atual Praça Marechal Deodoro (antiga Praça Dom Pedro II), mas conhecida como Praça da Matriz.
Abriga os prédios dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Teatro São Pedro, o mais antigo da cidade, concluído em 1858.

A Rua Riachuelo também teve outras denominações, como Rua do Cotovelo, nas proximidades do Teatro São Pedro, e Rua da Ponte. Suas primeiras residências remontam ao ano de 1788, típica rua de zona central, nela residiam pessoas ligadas à classe dirigente.     

As igrejas do Centro são também locais que nos remontam a histórias e costumes de seus habitantes.
A Catedral Metropolitana teve sua primeira edificação em 1794, porém só foi finalizada no século XIX, com a construção de suas duas torres em 1846.
No ano de 1915, o arcebispo Dom João Becker inicia estudos preliminares para a construção da grande Catedral, cujas primeiras obras iniciam em 1920, e a finalização da nova Igreja da Matriz, no seu estilo Romano Renascentista, ocorreu em 1972, com a conclusão da cúpula.
Mas, somente em 1986, ela é inaugurada e dada por concluída.

A Igreja Nossa Senhora dos Dores, na Rua dos Andradas, é a mais antiga da cidade, e sua construção pela irmandade Ordem Terceira Nossa Senhora das Dores, remonta a 1807, somente sendo concluída em 1904.

A primeira edificação da Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada na Rua Vigário José Inácio, em estilo barroco, foi realizada entre os anos de 1817 e 1827, pela Irmandade Nossa Senhora do Rosário, confraria de negros livres e escravos, cumprindo importante papel, durante todo o século XIX, na vida de pessoas dessa comunidade.
Sob alegação de não comportar seus fiéis, em 1950 a Mitra Arquidiocesana mandou demolir o prédio, erigindo a atual sede da Igreja.

No chamado paralelo 30, na Praça Montevidéo, está implantado o Paço Municipal, sede da Prefeitura de Porto Alegre, iniciada em 1898.

Em frente ao prédio está a Fonte Talavera, doada pela comunidade espanhola através da “Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos”, em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha.

Do outro lado da Avenida Borges de Medeiros está o Mercado Público Central, edificado pela primeira vez em 1844, como espaço de comercialização e sociabilização da população.
No ano de 1870 foi inaugurado o novo prédio. O Mercado Público sempre teve importante papel para cidade, além de seu comércio, durante o século XIX era o local onde circulavam as últimas notícias do Brasil, devido ao intenso fluxo de pessoas, sobretudo em função do Porto. Seus bares também eram referências para encontros, principalmente pela boemia da cidade. No térreo do Mercado encontra-se o mais antigo bar da cidade, O Naval, onde se pode encontrar uma boa parte da memória da cidade.
O atual prédio do Mercado Público, no Largo Glênio Peres, possui a mesma aparência externa, mesmo após o incêndio de 1912 e da construção do segundo piso, no ano de 1913, na administração republicana do Intendente José Montaury.
Sua restauração foi inaugurada em 1997.

A Avenida Borges de Medeiros, outro logradouro importante que atravessa a área central, teve sua obra iniciada na segunda década do século XX, na administração do intendente Otávio Rocha. O projeto incluía a construção do Viaduto Otávio Rocha, primeiro viaduto da cidade.
As obras foram concluídas na década de 1940, na administração de José Loureiro da Silva. Nesta administração o centro da cidade começou a adquirir, cada vez mais, características das modernas cidades do século XX, com suas amplas avenidas e arranha-céus.

O Centro dispõe dos mais diversos e variados serviços e entretenimento, sobretudo ligados às atividades histórico-culturais.
Na Rua Duque de Caxias está localizado o Museu Júlio de Castilhos - instituição cultural criada por decreto estadual, em 1903 - com caráter de museu antropológico, artístico e histórico. O prédio, em estilo neoclássico, foi residência do presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Julio de Castilhos até o ano de 1905, quando foi adquirido pelo Governo Estadual para abrigar o Museu.
Na Rua dos Andradas, encontramos, entre outros:
- Museu da Brigada Militar.
- Museu do Trabalho.
- Museu do Exército, próximo ao Gasômetro.
- O imponente prédio do Hotel Majestic, atual Casa de Cultura Mario Quintana, transformado em centro cultural no final da década de 1980,
- Museu José Hipólito da Costa, na esquina com a Rua Caldas Júnior, no prédio onde funcionava a sede do Jornal A Federação.
- Sede do Grupo Caldas Júnior (Correio do Povo), em frente ao Museu Hipólito, ocupando a quadra que vai até a Rua Sete de Setembro.
- Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli, Santander Cultural e o Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega;
- Usina do Gasômetro, na extremidade oeste, no local antigamente chamado Praia do Riacho.

Antecedentes históricos
- A origem do Centro urbano de Porto Alegre confunde-se com a própria origem da cidade. Isto porque foi exatamente neste sítio, habitando por indígenas de diversas raças como Charruas, Tapes e Guaicanãs, até 1700, que se originou o processo de colonização.
Com o avanço paulista em direção ao Sul, a fundação de Lages em 1684, Viamão em 1730 e da Colônia do Sacramento, abre-se o caminho ao comércio e ao surgimento das cidades.
Os bandeirantes dividem entre si as terras da região, cabendo a Jerônimo de Ornelas uma sesmaria às margens do Guaíba, cuja área aproximava-se a do atual Município de Porto Alegre.
A posse desta área foi reconhecida em carta oficial em 1740, data considerada como a de origem da nova cidade.
As primeiras manifestações urbanas ocorreram na Praia do Arsenal conhecida como Ponta da Cadeia, com a construção dos primeiros prédios públicos:
- Casa da Câmara do Governador, Cadeia e Forca, esta última fronteira ao desembarcadouro.
A partir deste ponto são estabelecidas ligações através de caminhos, com a localidade de Viamão e os aldeamentos índios, primeiro esboço da futura estrutura viária urbana. Considerando os condicionantes históricos, políticos e econômicos da época, como as lutas entre Portugal e a Espanha pela conquista de territórios, compreende-se o rápido desenvolvimento ocorrido, em detrimento de outros núcleos contemporâneos.  Efetivamente, a posição geográfica de Porto Alegre foi decisiva na questão militar e adequada ao comércio nos momentos de paz. O próprio governo português, reconhecendo esta posição privilegiada, enviou Famílias de Açorianos para a nova localidade.
No período colonial, o desenvolvimento do núcleo era caracterizado pelo crescimento ao longo do rio, a partir da Ponta da Cadeia na direção leste e paralelo ao cais.
A encosta norte do promontório favorecia as embarcações e ali eram realizados os contatos com o exterior.
Naturalmente situaram-se nesta zona as principais atividades comerciais e residenciais, sendo que a encosta sul não possui
ía valor.
Ainda neste período foi criado o segundo centro cívico na parte mais elevada da colina, no entorno da Praça da Matriz, com a edificação da Catedral e o Palácio do Governo.

No ano de 1773 as muralhas, paliçadas de madeira foram construídas ao longo das atuais Rua da Conceição, Praça do Portão, Sarmento Leite, Praia de Belas, servindo, durante 100 anos, de anteparo ao desenvolvimento em direção ao continente.

No aspecto urbano, o período colonial é caracterizado, fundamentalmente, pelo preenchimento dos vazios no interior das muralhas. Fora delas há o plantio, fundamentalmente de trigo, um pequeno comércio e o artesanato.

A situação de crescimento intra-muros acentuou-se, ainda mais, no período Imperial, com o advento da Revolução Farroupilha (1835/45). Há uma atrofia no crescimento urbano e um adensamento desproporcional na área Central, originando as bases polarizadoras do futuro.

Mesmo com a chegada dos imigrantes com tradição manufatureira e o rompimento das muralhas, em termos de crescimento territorial urbano, a valorização da área central permanece. Efetivamente quase a totalidade dos edifícios públicos e comerciais foram construídos nesta área, atraindo a população que ocupava, gradativamente, as cristas e os vales, porque ali ocorriam as suas atividades principais.

Os primitivos caminhos foram transformados em avenidas que, por sua vez, geraram as vias secundárias.
Todo esquema assim disposto converge para o centro urbano que, fisicamente, não tem possibilidade de se expandir, a não ser verticalmente.
Aquela qualidade primitiva do promontório que dominava as planícies ao sul e o estuário do Guaíba, desaparecida a questão militar, e abertos novos caminhos para o “Interland”, tornou-se um fator de anomalia para o desenvolvimento da área central. No século XX e XXI, o pólo principal está geograficamente excêntrico à cidade, asfixiando suas atividades pelo adensamento violento de uma pequena área que preservou a mesma estrutura do período colonial com uma população várias vezes maior.

O Centro é a área de Porto Alegre que, por sua antigüidade, concentra a maior parte dos marcos históricos da Capital.
Um passeio pelas suas ruas permite reconstruir a história da cidade de Porto Alegre e do estado do Rio Grande do Sul.

Largo dos Medeiros - 1920

Na Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz), começou a história de Porto Alegre, com a sua primeira igreja. Ali também teve início a Revolução Farroupilha, graças ao exaltado pronunciamento feito por Bento Gonçalves na Assembléia Legislativa.

Década de 1940

Pela Rua da Praia (Rua dos Andradas) desfilaram as tropas gaúchas que participaram das maiores revoluções do país — como a Revolução de 30 (1930).

Na Praça da Alfândega, o cais do porto marcava o ponto de contato do Estado com o resto do país e do mundo: até a década de vinte deste século, a navegação de cabotagem era o principal meio de transporte de cargas e passageiros. Na Rua Professor Annes Dias, a Santa Casa de Misericórdia é um marco de quase dois séculos da medicina no Estado.

Na fachada da Biblioteca Pública há um raríssimo calendário positivista. E, no seu interior, salas cujas decorações homenageiam culturas tão diversas como a egípcia e a mourisca.

No cimo do Paço Municipal (a prefeitura velha), uma estátua da Justiça contempla os porto-alegrenses. Essa é uma das raríssimas estátuas da Justiça, no mundo, que não tem os olhos vendados — mas poucos sequer a vêem.

Na Rua General Câmara (Rua da Ladeira), na esquina com a Rua dos Andradas (Rua da Praia), um prédio em estilo “art noveaux” resiste, intacto, ao tempo.
Sua porta, altamente ornamentada, sobrevive a consecutivas camadas de pintura com a mesma beleza que tinha quando foi inicialmente esculpida.

Exemplos como esse, se multiplicam, em locais como a Praça Senador Florêncio (atual Praça da Alfândega), onde o Banco Safra ocupa um conjunto arquitetônico formado, antigamente, por uma Farmácia Carvalho e o Cinema Guarany, o Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) e o prédio do Correio (correio velho, visto que há um correio novo logo atrás) atual Memorial do RGS, formam um dos mais conhecidos cartões postais da cidade.

O próprio nome das ruas, praças e prédios, se constitui em uma história à parte.
O Centro é o lugar onde as denominações originais das principais ruas e praças se mantêm intactas, graças ao uso popular.
A Rua da Praia, a mais central, é, na verdade, a Rua dos Andradas.

E é no Centro que está “A Paineira”, assim denominada e aceita por todos os habitantes em uma cidade em que há milhares de paineiras, e que é um ponto de referência da Rua Siqueira Campos.

Por outro lado, é no centro que se encontram alguns dos principais locais de irradiação cultural da cidade.
Basta lembrar que ali estão:
- O Museu Júlio de Castilhos, a Casa de Cultura Mário Quintana, a Usina do Gasômetro, a Biblioteca Pública, o Museu de Artes do Rio Grande do Sul, o Memorial, Museu Hipólito José da Costa, Santander Cultural, Praça dos Poderes (Praça da Matriz), Paço Municipal e o Museu da Companhia Estadual de Energia Elétrica.

24. Independência 

Vista Rua Esperança, (atual Rua Miguel Tostes) e Rua Independência


25. Rio Branco

HISTÓRICO - RIO BRANCO

Início século XX

Originariamente, onde hoje é o Rio Branco, localizava-se, no século XIX, uma das “Colônias Africanas” que existiam em Porto Alegre.
Abrigando escravos alforriados e, mais tarde, os libertos pela Lei Áurea, a região, longe de ser o bairro agradável que encontramos hoje, não era muito bem vista pela população da cidade, talvez por causa da pouca urbanização no local, que misturava casas e ruas a matos e macegas.

Diferenciando da maioria dos bairros da cidade, o Rio Branco não se desenvolveu ao redor de uma igreja, apesar ter uma capela, a de Nossa Senhora da Piedade, desde 1890. Isso deve-se, principalmente, pela população caracterizar-se por escravos, de origem africana, que costumavam praticar cultos trazidos de sua terra natal.
***
Beirando o Caminho do Meio (atual Protásio Alves), a área se limitava a meia dúzia de ruas, que se chamavam na época:
- Rua Boa Vista (Cabral ), Rua Casemiro de Abreu, Rua Castro Alves, Rua Venâncio Aires (Rua Vasco da Gama), Rua Liberdade e, mais tarde, Rua Esperança (Rua Miguel Tostes).
Estas poucas ruas, nas noites quentes do verão, atraiam, misteriosamente, “a malandragem da bacia do Mont’Serrat, do outro lado, e sitiava a praça para melhor farrear.”

A Rua Esperança foi a que primeiro contribuiu para o desenvolvimento do Rio Branco. Provavelmente, a rua deve o seu nome à maior proprietária de terras dali, que aos poucos foi estruturando o bairro a medida que ia loteando suas terras.
A este tempo, o local começa a se transformar, deixando de ser Colônia Africana, abrindo espaço para novos moradores e se estendendo, cobrindo quase toda a região que hoje lhe pertence.
Entre esses novos moradores vieram os judeus, que espalhados também pelo Bom Fim, construíram Sinagogas na região, dando assim uma característica marcante aos dois bairros vizinhos.

É então que vê-se necessária a mudança do nome, surge assim a idéia de homenagear o Barão do Rio Branco, chanceler da República, pela sua morte em 1912 .
A partir deste momento se desenvolvendo como área residencial.
No século XX e XXI,  é um bairro de comércio próspero, bom para se morar mas também para se divertir. Tem uma das noites mais agitadas da cidade.


26. Mon't Serrat

HISTÓRICO - MON'T SERRAT

Início século XX

Um dos bairros mais jovens de Porto Alegre, seu início dá-se por volta de 1910.
É neste ano que ergue-se a Igreja de Nossa Senhora da Auxiliadora, ao lado da que hoje habita a Rua 24 de Outubro, que torna-se o ponto referencial para a formação e desenvolvimento do local, bem como do seu vizinho, o Auxiliadora.

Mas é só em 1913 que uma empresa, a Cia. Predial e Agrícola começa a lotear as terras localizadas á Rua Dr. Freire Alemão.

Nesta época, já se espalhavam alguns aventureiros que decidiram por lá morar.
Era pelos valões da antiga Rua Álvaro Chaves, atualmente, Rua Arthur Rocha. Mas a rua mais antiga das redondezas era a Estrada Moinhos de Vento. Cruzava os bairros Independência, Moinhos de Vento, Auxiliadora e costeava o Mont Serrat, hoje conhecida como Rua 24 de Outubro.

Mesmo a Igreja sendo sua referencia central, o bairro mantinha o status de
“zona temível”.
Era assim por abrigar uma certa malandragem da cidade, a mesma que sitiava o bairro Rio Branco, e lá aprontavam as desordens.

Há duas versões distintas para a origem do nome, um tanto quanto exótico para a cidade.
A primeira versão:
- “É referência à famosa montanha da Catalunha, nas proximidades de Barcelona, sede do Mosteiro de Beneditinos onde se venera Nossa Senhora de Mont’Serrat.”
***
A segunda versão:
- O tema é brasileiro mesmo e parece dever-se ao “cerro que existe na cidade de Santos, em São Paulo. Provavelmente, quem batizou o nosso Mont Serrat, naquela época, está claro, deve ter encontrado alguma semelhança entre o monte santista e a colina do além Moinhos de Vento.”

Diferente dos tipos que o habitavam naqueles tempos, hoje o bairro é agradável, moderno, bons ares e belas vistas.
Seu comércio, como a empresa imobiliária, vem crescendo, e transformando o bairro num dos mais valorizados da cidade.

27. Bela Vista

28. Três Figueiras

29. Chácara das Pedras

30. Vila Jardim


31. Petrópolis

HISTÓRICO - PETRÓPOLIS

A origem do bairro Petrópolis remonta à década de 1920.
Ocupado inicialmente por chácaras, cujas áreas eram tomadas por laranjais, o bairro desenvolveu-se a partir do eixo viário conhecido como Caminho do Meio: - assim chamado por localizar-se entre duas outras estradas rurais que saíam de Porto Alegre em direção aos atuais municípios de Viamão e de Gravataí. Tal caminho, hoje, corresponde à Avenida Protásio Alves.

Com zonas de alta e baixa altitude, o bairro tornou-se famoso por seu clima ameno e por suas colinas verdejantes (uma área na qual se realizavam, ainda na década de 1930, manobras e exercícios militares).
Foram esses aspectos naturais que atraíram setores de classe média em ascensão, responsáveis pela povoação do local.

Em 1937, a criação da linha de bondes Petrópolis, pela Companhia Carris, teve o efeito de consolidar esta ocupação. Sérgio da Costa Franco salienta, contudo, que o bairro “tinha suas gradações: - era modesto ... de um modo geral, em todas as áreas de baixa altitude, mas valorizado e até opulento ... em suas construções das áreas altas”.

Década de 1960

A origem da denominação do bairro é incerta. Supõe-se que tenha sido uma homenagem à cidade do Estado do Rio de Janeiro, por parte dos colonos alemães que já ocupavam a região desde o início do século XX.
Dentre estes primeiros habitantes destaca-se a figura de Willing Kuss, proprietário de terras responsável por uma série de loteamentos que deram início ao processo de povoamento do Petrópolis.

Uma característica do bairro são os nomes de vias públicas que homenageiam municípios gaúchos.
Vale lembrar as ruas Carazinho, Bagé, Taquara, Montenegro, Lajeado, entre outras. Até o fim da década de 1930, também as mulheres eram homenageadas: ruas eram chamadas de Dona Marta, Dona Paula, Dona Inês, Dona Adélia e outras.
Boa parte dos antigos nomes foi alterada, em 1939, substituindo-se as “donas” por generais, juristas e médicos.
Os nomes femininos nas ruas, segundo Ary Veiga Sanhudo, representavam “a preponderância da presença da mulher na vida silenciosa das localidades perdidas e abandonadas”. Alguns nomes, no entanto, permaneceram: é o caso da Rua Dona Eugênia, Rua Dona Alice e Rua Dona Lúcia.

A expansão do bairro foi concluída nas décadas de 1940 e 1950, quando o desenvolvimento urbanístico e o aumento populacional foram intensificados. Atualmente, Petrópolis é uma localidade independente do centro da cidade, com um comércio ativo e variado que se estende ao longo da Avenida Protásio Alves.


32. Praia de Belas

HISTÓRICO - PRAIA DE BELAS

Vista década de 1960

Bairro atípico de Porto Alegre, o Praia de Belas foi planejado em todas as dimensões. Fruto da boa vontade do Guaíba, em outros tempos, quase toda sua extensão era o Rio. Mas a história do bairro inicia antes; começa por uma rua, que de tanto crescer e atrair moradores, pediu licença ao rio, apoio de alguns políticos e muita terra, para então transformar-se em bairro.

Com enchente

Por 1800, um senhor chamado Antônio Rodrigues Belas tinha como sua propriedade uma chácara à beira do Rio Guaíba. Como acesso ao centro da cidade, o morador construiu uma estrada e que aos poucos tornou-se de freqüente passagem em vistas do comércio de escravos que lá se desenvolveu, “...quando alguém tinha algum negócio ou precisava fazer qualquer referência sobre essa zona, logo dizia - fica lá na praia do Belas.”
Esta é uma das versões para a origem do nome, sendo a mais acolhida pelos historiadores locais.
Contudo, o que sabemos é que a radial existe desde 1839 e dela o bairro herdou o nome.

A partir daí, começa a se configurar o interesse populacional em construir um bairro que usufruísse a beleza do rio. São construídas algumas casas ao longo da estrada, ainda mal traçada, mas que aos poucos toma formas definidas e vai se aproximando do que é no século XX.

É com a construção de um cais de pedra, em 1870, que os olhos da cidade voltam-se para a região. Nesse momento, a população que reside na estrada Praia de Belas começou a crescer, tornando-se necessária a formação e sua expansão.

Foz do Arroio Dilúvio

Finalmente, em 1960, se concluem as obras para o aterro do Rio Guaíba e dali nasce o bairro de nome agradável e uma das mais belas vistas da cidade, “...ali está o rio, magnífico e encantador, quer pela sua maravilhosa luminosidade nas manhãs outonais ou primaveris, quer pelo seu formoso e colorido entardecer.”

Ainda em desenvolvimento, o Praia de Belas luta para se afirmar, se diferenciando dos arredores, assumindo sua identidade.
Atualmente abriga muitos prédios públicos, que roubam do Guaíba a sua melhor imagem, parques e, como não falar, o Estádio Beira Rio e o Gigantinho, que em dias de futebol agita a torcida colorada do bairro (e da cidade) e em noites de show sacode a juventude portoalegrense.


33. Cidade Baixa

HISTÓRICO - CIDADE BAIXA

Apesar das propostas de arruamento desde 1856, boa parte da Cidade Baixa permaneceu desabitada por vários anos, principalmente o trecho entre as atuais Rua Venâncio Aires e Rua da República. Consistia em um terreno baixo e acidentado, cortado por árvores e capões, que dificultavam o trânsito e facilitavam os esconderijos. O lugar abrigava tanto escravos fugidos quanto bandidos.

A implantação das linhas de bonde de tração animal, através do Caminho da Azenha (Avenida João Pessoa) e da Rua da Margem (João Alfredo) contribuiu para a urbanização do local.
A partir de1880 novas ruas foram inauguradas, como a Lopo Gonçalves e a Luiz Afonso.
A atual Rua Joaquim Nabuco também foi oficialmente aberta nessa época, batizada:
- Rua Venezianos, pois sediava o famoso grupo carnavalesco “Venezianos”.
O carnaval da Cidade Baixa, era conhecido e prestigiado, com destaque para os coros e corsos que movimentavam as ruas.

Em meados do século XIX, “Cidade Baixa” foi a designação utilizada para toda a região situada ao sul da colina da Rua Duque de Caxias. Mas, o território que hoje é conhecido como bairro Cidade Baixa possuiu vários nomes associados ao seu território:
- Arraial da Baronesa, Emboscada e Ilhota.

O terreno baixo é irregular como define o próprio nome do bairro Cidade Baixa, deixou o bairro isolado por muitos anos apesar das várias tentativas de ocupação que surgiram desde 1856, da Azenha (atual João Pessoa), e da Rua da Margem (atual João Alfredo), onde, na época chegava, o rio. Da Rua da Margem saíam várias ruelas todas conhecidas por becos. Muitas delas se tornariam famosas por seus nomes estranhos tais como:
- Beco do Vintém, Beco do Curral das Éguas, Beco dos Coqueiros e Beco Ajuda-me a Viver.
Apesar de projetos de arruamento terem sido propostos desde 1856, boa parte da Cidade Baixa permaneceu desabitada por vários anos, principalmente o trecho entre as atuais Venâncio Aires e Rua da República, conhecido pelo nome de “Emboscadas”.
Consistia em um terreno baixo e acidentado, cortado por árvores e capões, que dificultavam o trânsito e facilitavam os esconderijos.
O lugar abrigava tanto escravos fugidos como bandidos e caracterizava-se como “uma zona de meter medo aos mais valentes”, segundo Ary V. Sanhudo.

A partir da década de 1880, novas ruas foram abertas como a Rua Lopo Gonçalves e a Rua Luiz Afonso que homenageavam vereadores da cidade. A Rua Joaquim Nabuco, chamada também de Rua dos Venezianos, foi aberta nesta época. O nome era uma homenagem a um famoso grupo carnavalesco.
Aliás, o carnaval da Cidade Baixa era um dos mais reconhecidos e prestigiados da época. Outra característica marcante do bairro era a atmosfera familiar que imperava. As famílias de classe média costumavam colocar cadeiras na calçada, assistiam matinês no Cinema Capitólio e freqüentavam armarinhos em busca de secos e molhados.

Em meados do século XIX, “Cidade Baixa” foi a designação utilizada para toda região situada ao sul da colina da Rua Duque de Caxias. Mas, o território que hoje é conhecido como bairro Cidade Baixa possuiu vários nomes associados ao seu território: Arraial da Baronesa, Emboscadas, Areal da Baronesa e Ilhota.

A implantação das linhas de bonde de tração animal, através do Caminho da Azenha (Avenida João Pessoa) e da Rua da Margem (João Alfredo) contribuiu para a urbanização do local. A antiga Rua da Margem era atravessada por várias ruelas — todas chamadas becos — que se tornaram célebres por seus nomes exóticos: Beco do Vintém, Beco do Curral das Éguas, Beco dos Coqueiros e Beco Ajuda-me a viver!...

Estação Riacho junto ao Arroio Sabão - 1901

Av. João Pessoa junto a rua José Bonifácio, década de 1910

O bairro acabaria se notabilizando pela existência de uma “classe média singularmente diferenciada”. Composta por famílias que “ainda botavam cadeiras nas calçadas”, assistiam às matinês do cinema Capitólio e freqüentavam os armazéns em busca de “secos e molhados”. Essa “atmosfera” característica, segundo Carlos Reverbel, definia exemplarmente a vida na Cidade Baixa.

Características atuais
Atualmente, o bairro se caracteriza pela grande quantidade de bares e é conhecido por ser o local preferido dos boêmios da cidade, principalmente nas ruas General Lima e Silva, República e João Alfredo.
Situa-se próximo ao Parque Farroupilha (conhecido como Redenção), uma das áreas mais arborizadas da capital gaúcha. A proximidade do campus antigo da UFRGS favorece a concentração de universitários, intelectuais e artistas.

Limites atuais
Avenida Praia de Belas até a Rua Barão do Gravataí; desta até seu encontro com a Av. Getúlio Vargas; por esta via, sentido sul-norte, até a Av. Venâncio Aires; desta até a Av. João Pessoa e por esta até a Avenida Perimetral, até encontrar a convergência da Av. Borges de Medeiros com Av. Praia de Belas.

João Pessoa, junto ao Parque Farroupilha - década de 1960

34. Farroupilha

35. Santa Cecília 

36. Jardim Botânico

37. Bom Jesus

38. Jardim do Salso 

39. Jardim Carvalho

40. Protásio Alves 

– Continua na Parte II.